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3 Chapter II - Time After Time
Notas iniciais
Minha cabeça está muito leve e sinto cheiro de éder. Minhas pálpebras estão pesadas de modo que ainda não consigo abrir os olhos. Me encontro em uma nuvem e odeio a sensação. Meu corpo está começando a despertar de vez quando escuto vozes.
"Senhorita Berry, por favor se acalme... Nem eu ou Figgins teve culpa, foi um mal súbito da senhoita Fabray, tudo que fi-"
"Poupe-me! É claro que o senhor teve culpa! Você acha que alguém pode suportar a tensão, pressão e exaustão de ter que fazer testes de nível superior diariamente? A culpa é sua e desse processo seletivo extremamente exaustivo e absurdo! Você tem a noção que a pressão dela poderia ter caído e ela ter que ir para o hosp-"
"Por favor, entenda... Eu estou aqui representando Yale e ainda fui ao socorro da senhorita Fabray, nem sair do local da prova estava permitido para mim senhorit-"
"Pare! Você acha que ela possui tempo o suficiente para todo esse gasto de energia? Inclusive, vocês deveriam se importar em deixar um período de intervalo entre as aulas e as provas para a alimentação! Eu já não concordo muito com o vício canibal de Quinn por bacon... e o senhor ainda a priva de comer nos horários corretos!"
A outra voz simplesmente não responde, que eu já havia reconhecido pertencer á Gregg. Eu sei exatamente o que ele está sentindo e passando ao ter que encarar Rachel em uma discussão verbal. Ele não tinha chances alguma. Ninguém tinha.
Finalmente consegui engolir o nó em minha garganta e meus olhos se abriram preguiçosamente. Eu percebi que estava descalça e minha jaqueta jeans havia sido retirada de mim. Avistei Gregg parado bem á frente da porta da enfermaria, suas sobrancelhas estavam juntas e sua testa franzida. Ele parecia confuso e ao mesmo tempo pensativo. Rachel estava á sua frente, de costas para mim e percebi que ela ainda gesticulava demais com as mãos.
Resolvi que estava na hora de salvar Gregg da locomotiva verbal que se chamava Rachel Berry.
".... isso é completamente fora do padrão. Vocês deveriam contratar alguém para-"
"Rachel." — Chamei, a voz áspera mas alta o suficiente para que ambos me ouvissem. A expressão de alívio no rosto de Gregg foi instantânea.
Rachel se virou. Percebi que era ela quem estava segurando minha jaqueta jeans, dobrada em seus braços. Os olhos cheios de preocupação e a boca fechada em uma linha fina deixando bem claro que ela estava irritada.
"Quinn! Como você está se sentindo?" — Ela sentou-se em um banquinho ao lado da cama que eu estava e Gregg se aproximou alguns passos, olhando de canto para Rachel. Eu totalmente entenderia se ele estivesse com medo.
"Bem... eu acho." — Falei, respirando fundo. Eu gostaria de me sentar, mas não sabia se conseguiria fazê-lo sem vomitar ou ter uma tontura de novo então escolhi por permanecer deitada.
"Fico feliz com isso." — Foi a voz de Gregg que se fez presente. Eu o encarei e ele me apresentou um sorriso educado. Limpei minha garganta.
"Obrigada, senhor Sulkin." — Eu disse e ele assentiu. Rachel murmurou um "Obrigada? Sério?" mas eu a ignorei.
"Por nada, senhorita Fabray... Foi o mínimo que eu pude fazer. Caso você... ainda queira saber, os resultados das provas sairão em três semanas." — Ele disse, o olhar dele me passou uma sensação quase como de uma anestesia. Gregg desviou seus olhos para Rachel por um segundo e viu o olhar que ela lhe direcionava e então limpou a garganta. — "Eu devo ir... Espero que fique bem, Quinn." — Se despediu com um aceno e saiu da sala, levando seu ar elegante consigo.
"Caso você ainda queria saber?" — Rachel perguntou, curiosidade pingando entre suas palavras.
Sabia que Rachel faria essa pergunta mas estava com a esperança que talvez ela não fosse fazê-la.
Caso você ainda queria saber.
O caso era que eu havia perdido totalmente minhas chances de entrar para Yale. Não era mais de meu interesse. Então, o caso de eu ainda querer saber.
Eu estava perdida.
Rachel ainda esperava pela a minha resposta, mas não havia nenhuma condição de eu lidar com aquela questão agora. Nenhuma condição de que eu pudesse verbalizar em voz alta como meu esforço durante esses dois meses se resultou em um fracasso.....
"Modo de falar." — Eu disse distraídamente e Rachel não disse nada. Ela ainda estava irritada comigo. Não foi uma surpresa para mim vê-la tratando mal Gregg, Rachel não gostava de nada que ele representava.
"Eu lhe avisei que você precisava de uma folga." — Rachel murmurou, me olhando de canto. Me derreti pela a sua expressão e não segurei uma risada.
"Pare... você sabe que eu não tive escolha."
"Você deveria deixar eu fazer uma planilha para você, seus horários iriam ficar organizados entã-"
"Rachel..."
"Está bem..." — Ela corou lindamente. Suas mãos brincavam com os botões da minha jaqueta. Me sentei na cama, devagar e pus meus pés para fora.
"Me desculpe por hoje mais cedo." — Rachel disse e me surpreendi.
"Nós já havíamos conversado sobre isso..."
"Eu sei." — Ela suspirou e então, ergueu os olhos, me encarando. — "Eu só... tenho muito medo de ir para New York sozinha. É que seria tão mais perfeito se você viesse comigo..." — Eu sorrio suavemente para confissão.
"Você não estará sozinha. Você terá Finn e qualquer coisa eu estarei há duas horas de distância, Rach."
Logo que termino a frase me repreendo automaticamente. Eu não estarei mais há duas horas de distância de Rachel. Eu não sei onde estaria. Eu não fazia a mínima ideia.
Minha frustração por Yale era tão grande no momento que, não poder gritar ou quebrar algo era sufocador mas eu não faria isso de jeito nenhum na frente de Rachel.
"Bom... isso já é perfeito para mim."- Ela sorri. — "Vamos? Não vou deixar você dirigir seu carro e já fiquei até agora na escola mesmo, então irei lhe levar para a casa."
Seu tom era autoritário. Como se ela tivesse plena certeza que eu não ousaria negar. Eu sorri.
"Sem objeções." — Assobiei e me pus a colocar meus tênis de volta.
Chegamos ao estacionamento e Rachel começava a abrir a porta do seu carro quando ouvimos passos, virei para atrás encontrando Mr. Schue quase correndo para nos alcançar. Rachel também o percebeu e esperamos a distância entre nós e ele encurtar.
"Garotas." — Ele soltou um sopro ofegante. — "Hoje depois da aula do Glee Club fui abordado por uma mulher chamada Julie Plec." — Rachel e eu nos entreolhamos mas deixamos ele continuar. — "Ela está procurando jovens atores... Ela trabalha na Warner e está querendo alguns jovens para séries de TV..."
Eu arregalei os olhos mas Rachel não pareceu surpresa. Ou pelo menos, a informação não fazia diferença para ela.
"Eu resolvi montar uma peça para interpretarmos daqui há quatro semanas. Todo o Glee Club e faríamos apresentações nas cidades principais de Ohio. Isso daria uma visão dos talentos do ND para Julie e tenho certeza que essa não é uma chance que se possa perder..."
"O que você quer, exatamente? Além da peça, é claro..." — Rachel perguntou, calmamente.
"Eu preciso que você concorde com isso, Rachel. Você é a líder e mesmo que não pareça, eles te escutam..."
"Não quero ser mal-educada, senhor Shue..." — Eu segurei em seu braço, sabendo que ela se exaltaria. — "Mas como todos os habitantes de Lima sabem, meu interesse é na Broadway e séries de TV não passa de futilidade aos meus olhos então... Não acho que seja produtivo para o ND perder tempo com isso."
Mr. Schue parecia extremamente abatido mas nem um pouco surpreso. Ele parecia ter desistido mas eu aproveitei a deixa para entrar na conversa.
"Converse com Julie." — Eu disse firmemente. Ele ergueu o rosto. — "Faça com que ela banque a produção da peça e que isso sirva de fundo para o ND. Argumente que fazendo o que ela quer, estaremos oferecendo bons artistas para ela no lugar do tempo em que poderíamos estar ensaiando... Então, tudo que precisaríamos fazer é produzir a peça e depois, só espalhar a popularidade do coral por Ohio antes das Regionals e isso é de fato muito importante..."
Falei de forma firme. Will me encarava boquiaberto e Rachel parecia finalmente ponderar a ideia da peça.
"Não sei se Julie está aberta para negociações..." — Ele disse preocupado.
"Tente de qualquer forma." — Rachel falou de forma autoritária, surpreendendo á mim e a Will. — "Vamos fazer o ND ganhar uma reputação significativa antes das Regionals. É o nosso último ano, nossa última chance de acertarmos... Eu estou dentro."
Will bateu palmas animado e agradeceu á mim e a Rachel. Ele voltou correndo para seu carro e nós duas pudemos finalmente continuar nosso caminho.
Quando chegamos em minha casa — Ou casa do Stefan, eu ainda não sabia a maneira certa de definir — Eu dei um abraço em Rachel, discretamente lhe cheirando os cabelos antes de colocar a mão na maçaneta.
"Você foi genial." — A voz dela me parou.
"O quê?"
"O que você disse sobre negociar com Julie Plec, foi inteligente. Você tem visão para argumentos." — Eu corei, lisonjeada e orgulhosa pelo o elogio.
"Obrigada." — Eu disse. — "Não é por nada que eu quero ser diplomata..."
"Não tenho dúvidas que você vai ser a heroína mundial."
Nós rimos. Eu desci do carro e caminhei direto até meu quarto. Sabia que Stefan não havia chegado, ele tinha um cargo importante e atarefado no Banco Estadual de Ohio e só chegaria daqui há três horas mais ou menos. Eu tomei um banho e escovei os dentes. Sentei em minha escrivaninha e encarei o mural de anotações caprichoso preso á parede em cima do meu computador.
Milhares e milhares de anotações. Fórmulas, palavras-chaves, resumos que eu havia feito para ter sucesso e conseguir minha vaga em Yale. Meu sangue ficou quente e culpei o mundo pelo o meu azar.
Merda, eu tinha que passar mal justo na última prova? Na mais decisiva de todas? Em um surto de raiva, eu dei um tapa forte na montanha de papéis e livros que se encontravam na mesa. Todos foram ao chão com um estrondo. Um havia caído em meu pé, mas não me machucou. Era justamente ele, meu diário. Eu o peguei e acariciei sua capa com a ponta dos dedos, em um pedido de desculpas....
Eu tinha a mania de escrever. Não era todo o dia e meu diário não era algo estúpido como aqueles do tipo "Oi, querido Diário, hoje ele olhou pra mim". Eu só despejava minhas palavras quando me encontrava em momentos de explosão sentimental. Dentro desse caderno simples, há todos os meus pensamentos em todos os momentos mais significativos da minha vida.
Pensei em como nunca iria escrever nele como era bom finalmente pisar em Yale. Ou descrever a sensação de ter passado na faculdade que tanto sonhei.
Joguei ele sobre a cama e chequei o relógio. Eu tinha apenas mais uma hora e meia antes de ter que me arrumar e seguir para o centro da cidade. Mais especificamente, para uma livraria chamada Ohio Letters onde eu havia conseguido um emprego de meio-período.
Nesse tempo disponível, resolvi tomar umas pílulas de Vitamina C já que tinha ouvido a enfermeira murmurar algo sobre minha baixa imunidade enquanto saia da enfermaria. Eu estava pensando em que comer, com medo de passar mal de novo e como se lesse minha mente Rachel mandou a seguinte mensagem.
"Só coma salada e frutas. E nada de café!!!!! Você já tomou demais esses dias, um suco já lhe é o suficiente."
Eu me perguntei se havia outra saída, outro caminho paralelo nas linhas de minha vida, que existisse a chance de eu não me apaixonar por Rachel Barbra Berry. Era algo definitivamente... impossível. É muito bom saber que há alguém lhe vigiando, se importando e de alguma maneira, cuidando de você. E Rachel foi a única até hoje que me provocou essa sensação.
Eu comi obedecendo as restrições que Rachel me impôs — mesmo por SMS — e me arrumei. Eu coloquei meu jeans, um vans completamente preto e na parte de cima, o uniforme que o meu chefe, Elijah, exigia que eu usasse. Uma camisa social branca para dentro da calça e uma gravata curta azul-clarinha. Para não sair assim na rua, agarrei meu sobretudo verde claro e segui pelas ruas em direção ao meu local de emprego.
Eu cheguei e percebi que o movimento nas ruas em frente á Ohio Letters era razoável. Entrei no estabelecimento, sendo abraçada pelo o clima equilibrado do aquecedor. Cumprimentei Norman, um garoto de 16 anos que trabalha como caixa e normalmente era minha companhia até o final do expediente. Segui até os fundos da loja e deixei meu sobretudo lá, vestindo em seguida o avental que eu precisava usar pela a poeira excessiva em alguns cantos da parte em que ficava o Sebo. Quando terminei de me trocar e ia começar a limpar as estantes, Elijah, entra pela a porta da frente e cumprimenta Norman e eu, sempre simpático.
"Senhorita Fabray... você está bem? Está um pouco pálida!" — Ele era um idoso, mas tinha uma pose invejável. Irradiava elegância, educação e simpatia. Tinha os cabelos brancos penteados para trás e usava um camisa de linho extremamente linda. O coroa era estiloso.
"Pálida? Desde que ela nasceu, Eli." — Era Norman. Adorava caçoar da minha falta de melanina e isso normalmente envolvia apelidos como Cullen.
Elijah soltou uma risadinha e me encarou, ainda esperando por uma resposta séria.
"Está tudo okay, Elijah." — Ele sorri e dá um tapinha nos meus ombros enquanto segue seu caminho. Ouço o barulho da porta abrindo e Norman cumprimentar alguém.
"Cara, você já tem a edição 56• de Gotham?" — Eu quase solto uma risada ao perceber que a voz pertence á Finn Hudson.
Eu ando entre as estantes até o caixa entrar em vista. Finn está parado, de costas para mim, vestindo calças jeans e um moletom vinho. Vejo Norman lhe estender uma revista não tão grossa em cores preto, cinza e azul-elétrico, Finn a pega com excitação.
"Colecionador, Hudson?" — Ele toma um susto mas quando se vira, me encara e sorri. Se aproxima alguns passos e pergunta alegremente.
"Você trabalha aqui?"
"Sim, já faz alguns meses..." — Respondo.
"Nossa, legal!" — E me surpreendo ao perceber que ele está sendo sincero. — "Eu quis arranjar um emprego mas mamãe disse que eu não preciso fazer isso."
Dizer que sua mãe lhe mimava não era uma novidade. Mas Finn Hudson dizer que gostaria de trabalhar era sim uma e bem grande novidade.
"Eu queria acreditar que ela está me mimando ou algo do tipo... Mas acho que ela não confia em mim com responsabilidades." — Franzo os cenhos quando ele parece tristonho.
"Besteira, Finn... Sua mãe é muito superprotetora, só isso." — Eu dou um tapinha em seu ombro. Ele assente com um sorriso.
"De qualquer forma, eu queria me sentir mais produtivo ou... guardar dinheiro para faculdade, mas já tentei argumentar de todos os modos e ela não me ouviu então..."
Guardar dinheiro para faculdade. Lembro-me que além de não depender muito de Stefan, esse era meu objetivo principal ao começar a trabalhar aqui. Eu sorrio para ele, disfarçando a minha frustração interna. Os seus olhos me encaram por alguns segundos, então ele sussura.
"Ér... Eu posso conversar com você? Por alguns minutos?"
Eu gostaria de dizer que não. Mas não há nenhum cliente na livraria exceto ele e a desculpa de estar ocupada não pode ser aplicada por mim. A verdade é que eu não tenho problemas em conversar com Finn mas... Eu sei que ele quer discutir sobre Rachel e eu não estou preparada se ele quiser conselhos da melhor amiga para conquista-lá.
De qualquer forma, não tenho saída.
Eu aceno e me sento em algumas mesas que ficam na parte de frente da livraria. Perto de lá, havia um stand de uma mini-cafeteira e tudo lá era divino. Finn se sentou e parecia até tímido para começar o assunto.
"Eu sei que nós não somos exatamente amigos." — Finn fala, olhando para suas mãos abertas em cima da mesa, sem coragem para me encarar. — "Mas acho que está claro que eu não tenho raiva de você ou algo do tipo..."
Eu sei ao que ele estava se referindo.
Era sobre eu ter mentido á ele sobre a paternidade de Beth. Sobre ter traído ele com seu pseudo melhor amigo. Sempre me assusto á perceber o quanto Finn foi nobre sobre a questão. É claro que ele me crucificou nos primeiros momentos, mas não havia nenhum resquício de mágoa em relação a mim e me pergunto como uma pessoa pode ser assim.
Eu mesma sou um saco de mágoa andando por aí.
"Está." — Eu digo firme, seus olhos castanhos claros me encaram e eu sorrio. — "Você fez tanto para mim e eu nunca achei nenhuma forma de agradecer..."
"Você não precisa." — Ele disse rapidamente. — "Eu nunca poderia ficar com raiva de você, Quinn."
Nós encaramos de maneira intensa, mas nem por um segundo me sinto desconfortável. Ele limpa a garganta e parece nervoso.
"Eu nunca poderia ficar com raiva de você depois de tudo... De tudo o que você fez e significou para mim. — Finn dá um sorriso de lado e parece ganhar confiança. — "Eu... meio que preciso falar algumas coisas á você, antes de chegar ao motivo de eu pedir pelo o seu tempo..."
"Eu estou ouvindo." — Eu digo e ele suspira.
E eu não esperava por nada do que comecei a ouvir.
"Eu amei você. Muito. Não há dúvidas que você tenha sido o primeiro amor da minha vida. Mais além de tudo, você foi a minha melhor amiga. A única garota que tinha visto algo especial em mim. Algo além do meu bom braço para futebol ou minha deficiência para dança. Você foi a primeira que realmente apostou em mim, Quinn."
Seus olhos cor de mel me encaram e estremeço ao perceber o quanto eu realmente signifiquei para ele.
"Você mesmo cansada depois dos seus treinos das Cheerios, vinha até minha casa e me ajudava á estudar em qualquer matéria que eu estava pendente. Você que dizia que acreditava na minha capacidade quando eu ouvia de todos que eu não passava de um jogador burro e sem cérebro. Você que sempre me guiava quando eu não fazia a mínima ideia sobre o que escolher, sobre o que fazer, sobre o que sonhar..."
"Quando eu conheci você, eu era apenas o garoto mal-ajustado filho de uma viúva novata na cidade. Você já era a filha dos Fabray, a garota inteligente que com 13 anos já falava fluentemente Francês e tinha uma opinião formada sobre todo o tipo de coisa... Você já era tudo quando me estendeu a mão. Você já era tudo quando eu me apaixonei por você mesmo sendo um zero."
Eu, definitivamente estava chorando. Finn estava com os olhos lacrimejados mas continuava firme em seu monólogo.
"Eu sei que não sou muito hoje em dia, mas sou muito mais do que era antes de você. Ao seu lado, ouvindo todas aquelas histórias românticas e poemas que você preferia ao invés de mim" — Eu ri e ele também. — "Eu ouvia você ler, eu ouvia você comentar e mesmo que você não saiba eu me guiei no que ouvia de você para ser um homem melhor. Eu queria ser o homem que você idolatrava naquelas páginas. Quer dizer... Tudo o que você me contou é tudo o que eu sei até hoje. Eu passei a ter confiança em mim, eu virei o Quarterback e hoje tenho coragem para enfrentar os outros quando ofendem quem eu sou ou quem eu já fui. E grande parte disso, eu devo á você."
"Rachel me fez amadurecer e é por isso que a amo como eu amo hoje mas foi você, Quinn, que participou da minha formação. Eu nunca poderia ser o homem que ama Rachel agora sem ter amado você primeiro."
Eu solto uma risada emocionada em meio ao choro e Finn agarra minhas mãos. Me dando o seu contato e apoio.
E Deus, eu tinha sentido tanta falta dele.
Finn Hudson era o meu garoto. Sempre foi. Eu sempre vou lembrar de como eu me apaixonei por ele, mesmo no sentido mais básico da palavra "apaixonar". Eu estava em uma festa de aniversário de alguma garota líder de torcida, eu tinha 13 anos e estava louca para entrar no quartel de Sue Sylvester, mesmo ouvindo todos falarem o quando ela era louca. Havia muita gente na festa e um dos garotos que eu lembro perfeitamente o nome, Colton Forbes, me agarrou dizendo que eu era muito bonita para estar sozinha. Eu ainda era tímida na época, não neguei sua companhia mas ele passou a exagerar e tentar me beijar toda hora. Foi quando eu gritei "Chega!" que um garoto bem alto porém extremamente magrelo, apareceu aplicando um soco no rosto de Colton. Ele não se mexeu quase nada com o soco recebido ao contrário do garoto magrelo que parecia ter quebrado a mão. Eu analisei o corajoso antes de tentar sair de perto deles. Ele era branquelo, tinha os cabelos lisos escorridos e muito alto para estar em uma festa de alguém com 13 anos. Colton era baixinho, mas bem fortinho e já apresentava desvios de caráter. Ele se virou, preparando para revidar o soco de Finn quando eu desferi inúmeros tapas em seu peito, rosto e ombros. Desesperada para que ele não trucidasse o garoto que havia me salvado. No final, eu roubei um bife do prato de alguém e pus na mão inchada de Finn.
"Qual é o seu nome?" — Ele tinha perguntado.
"Quinn Fabray." — Eu disse, meio irritada por minhas mãos estarem cheirando á molho bolonhesa. Eu torci o meu nariz e ele riu. Fora a primeira vez que eu tinha visto suas covinhas.
"Eu sou Finn Hudson." — Ele disse oferecendo a mão para que eu apertasse e depois fazendo uma expressão confusa ao perceber que ainda possuía um pedaço de carne pousado em cima dela. Eu gargalhei de sua cara.
"O que foi?" — Ele disse, sorrindo. E eu soube que eu tinha feito um novo amigo.
"Você não é Finn Hudson." — Eu cantei e o garoto me olhou confuso.
"O que eu sou?" — Ele indagou.
Então... olhando para o Finn de hoje, sentado á minha frente, despejando todas aquelas verdades dentro de mim, eu repeti á mesma sentença que deu início á nossa história juntos.
"Você é meu herói." — Eu disse e Finn ergueu as sobrancelhas e sorriu lindamente. Reconhecendo aquela frase, aquele conjunto de palavras. Eu levantei e ele fez o mesmo, em tempo sincronizado. Não hesitei em me jogar ao seus braços e ele me engolfar em seu abraço.
Eu enterro meu rosto em seu peito e me lembro como Finn havia sido meu porto seguro por tanto tempo. Como ele fora o lugar para onde eu corria quando estava triste, frustrada e irritada demais com a minha família desequilibrada e minha realidade abusiva.
Como eu poderia criticar o namoro de Rachel e Finn quando eu já havia amado ambos e entendia todas as suas razões? Percebi que talvez o fato de eu ter sido tão estúpida com Finn e me apaixonar por Rachel em seguida, seja na verdade, um jeito do destino rir da minha cara.
Olhe para tudo o que você perdeu.
Porém, eu não deixei que a tristeza me dominasse e que a minha paixão por Rachel me deixasse desconfortável á frente de Finn. Porque eu já havia perdido muitas coisas na vida, mas eu acabara de ganhar Finn de volta.
Nós sentamos de novo e Finn recomeçou a falar.
"Sei que você não gosta de lembrar disso... Mas mesmo que eu possa ter odiado você quando descobri sobre você e Puck, acho que o que mais doeu foi o fato de perceber que talvez eu já não amasse você como antes. Que talvez, você e eu já estivéssemos acabando de qualquer jeito... Eu me apaixonar por Rachel só me deixou isso mais claro."
Abaixei a cabeça envergonhada. Por todos os meus erros, por todos os meus sentimentos...
"Até hoje tenho muita vontade de conhecê-la..."
Eu paralisei por um momento.
Finn estava falando sobre Beth.
"Finn..." — Eu disse fraca, nem um pouco pronta para aquela conversa. Eu nunca estaria pronta para uma conversa que envolvesse Beth. Finn pareceu entender.
"Só para deixar claro que... Eu realmente estou aqui para tudo." — Ele sorriu e eu logo em seguida fiz o mesmo.
"Me diga o que você está tramando para Rachel." — Disse de uma maneira mais alegre, querendo nublar meus pensamentos e focando no momento presente.
O sorriso que Finn me deu me disse que eu teria um trabalho importante no seu plano.
Ele me disse tudo o que estava acontecendo em sua casa nós últimos meses e o que isso tinha haver com Rachel.
No final, eu acabei voltando para cara de carona com ele. Em meio a risadas, lembranças e conversas sem sentido. Eu havia voltado á dois anos atrás onde minhas preocupações não eram nem um pouco pesadas no momento.
O tempo com Finn me fez esquecer Yale.
E me fez pensar que talvez ir com ele e Rachel para New York não fosse tão impensável assim...
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