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2 Chapter I - Puzzles


Notas iniciais
Fiquei muito feliz com os comentários! Ainda é o começo, amores. O capítulo é longo e quase não tem faberry, mas prometo que isso não vai durar muito. Já já teremos nosso otp no foco principal... por enquanto é uma introdução. Espero que gostem.

Eu não lembro da última vez que tive tanta vontade de chorar. Mas naquele eu tive. Muito. Apesar da memória ser embaçada, tenho plena noção dos fatos.

Começou sábado passado, quando chegou a carta de Stanford, dizendo que minha irmã, Frannie, foi negada no curso de Administração da faculdade. Ouve gritos, xingamentos e nunca vi papai com tanta raiva, mas isso não durou muito. Algumas horas mais tarde, quando fomos jantar, papai anunciou que não tinha problema, que Frannie tentaria novamente no ano que vem e enquanto isso aproveitaria para fazer algum intercâmbio. Minha irmã não reagiu, se levantou de repente, sem nem antes terminar de comer e subiu para o quarto, deixando a mesa silenciosa.

Demorou alguns dias, antes de outra carta chegar. Lembro-me de ter chegado cansada do treino das Cheerios e ter brigado com Finn, mas quando cheguei, Frannie me puxou para um canto e abriu o pequeno envelope que apertava em suas mãos.

Frannie havia sido aprovada na Universidade de Boston. E eu fiquei feliz! Muito feliz! A cara de brabo do papai iria se desfazer e eu estava cheia de orgulho. Até que eu li as últimas palavras no envelope...

Frannie havia sido aceita no curso de Arquitetura.

Não era em Administração. Nem perto disso... Eu realmente não tinha ideia do caos que isso iria instalar

Até que que ele se instalou.

Eu sei que estava no quarto, no chão do lado da cama. Enquanto eu ouvia gritos. E todos eles pertenciam ao papai. Eu não ouvi nem por uma única vez a voz de mamãe. Eu apertei a mãos em punho e tentei me controlar. Eu não podia perder minha irmã. Então, eu ouvi passos duros e Frannie aparecer na porta. Ela terminou de arrumar a mala que já estava meio pronta e um pouco bagunçada e mandou um SMS para o namorado. Então, ela me encontrou com os olhos e se agachou em minha frente. Ela tomou minhas mãos nas suas e eu nunca tinha sentido um aperto tão forte.

Ela murmurou o quanto me amava e o quanto isso estava sendo difícil para ela. Ela disse que era necessário e explicou jeitos de nos mantermos contato caso nossos pais decidissem impedir nós duas de algo. Tudo o que eu tinha dito á ela naquele dia era o quanto eu sentiria sua falta. Ela me abraçou e o ato foi tão doloroso que até hoje sinto seu perfume. Eu não tentei impedi-la ou fazê-la repensar sua decisão, mas uma pergunta foi inevitável.

"Porquê? Por que você está provocando tudo isso?"

E ela me respondeu. Eu ouvi uma buzina, mais alguns gritos e então silêncio. Um silêncio horrível.

Frannie saiu de casa.

Minha irmã saiu de casa.

Eu não saberia como agiria apartir dali. Quem me apontaria a direção certa? Quem me daria conselhos? Me sentia um náufrago, sem se quer uma bússola como ajuda. Mas de qualquer forma, eu nunca me esqueci do que minha irmã me disse naquele dia.

Eu levo comigo até hoje.

"É preciso abandonar a vida que você planejou, para que você finalmente tenha a vida que o aguarda."

Acordo e sinto que além de mim, há várias pessoas acordando junto comigo. Acordo e me sinto muito pequena. Acordo e não há nada além do medo e da vontade de não acordar.

Não demoro muito no banho e menos ainda em me arrumar. Estou abatida mas curiosamente há uma energia grandiosa dentro mim. Uma angústia que não me permite ficar parada. A necessidade de distração.

Chego na sala e sou recebida com o calor aconchegante que vem da lareira. Meu tio e padrinho, Stefan, está na cozinha preparando um café e enxergo um prato com dois pães e um suco de maçã em cima da mesa. Eu sei que ambos são destinados á mim então não hesito quando me sento e começo a satisfazer a necessidade de comida do meu corpo. Levanto meus olhos até meu padrinho e o analiso. Ele está vestindo um terno azul-escuro bem sério, camisa social por baixo e uma gravata preta. Os olhos iguais aos do irmão e consequentemente, idênticos aos meus, estão cansados e percebo o quanto a situação atual deve estar sendo desgastante para ele.

Stefan me encara e dá um sorriso sem dentes, ele se aproxima com sua fiel xícara de café na mão e senta ao meu lado.

"Você não me parece bem." — Sua voz grossa, baixa e arrastada.

"Pois não estou." — Não me importo em explicar o motivo. E sei que, por não fazê-lo, Stefan não vai perguntar.

"As coisas no colégio estão difíceis?" — Ele pergunta, sempre preocupado.

"Com as notas? Não. Mas estou me afogando em livros porque preciso me manter nos olhos de Gregg e conseguir os créditos para faculdade." — Eu expliquei e era verdade. Eu estava tão sufocada de afazeres e... pensamentos que estava verdadeiramente preocupada com minha posição aos olhos do vice-reitor da Universidade de Yale. Meu passado é intragável, meu presente é constantemente nublado... O meu futuro é tudo que eu tenho, minha única certeza... Se eu perdê-lo, não terei mais nada.

"Sei que você pode estar apreensiva mas isso não é problema. Não para você, Quinn." — Stefan apostava alto em mim. Apostava muito na minha competência e isso era óbvio quando me deixou morar com ele. Meu padrinho era um parente distante quando pedi ajuda e sei que ao me aceitar ele estaria esperando grandes coisas de mim.

Eu assenti, agradecendo pela a confiança. Stefan terminou seu café e levantou-se. Se despediu com um "Tenha um bom dia." e rumou ao seu trabalho na sua caminhonete branca e grande. Parti alguns minutos depois dele com destino ao meu colégio.

Não pude fazer nada além de temer.

Cheguei aos corredores que por muito tempo já foram meus amigos, porém hoje eles não nada além do que obstáculos. Sempre separando, sempre guardando inimigos contra mim. O murmúrio dos alunos toda vez que eu chegava ao McKinley High School não era novidade. Não estavam acostumados á minha visão sem o amado uniforme Cheerio que todas as líderes são obrigadas a usar todos os dias. E todo o dia, todas as manhãs eles continuavam surpresos com minhas calças jeans, tênis e diferentes blusas. Nenhuma roupa satisfazendo a curiosidade deles. Nunca realmente me expondo.

Conto alguns segundos enquanto organizo meu armário e então a ouço.

"Bom dia, Quinn."

Não respondo tão rápido. Me ocupo por mais alguns segundos com os meus livros, me preparando para encara-lá. Meu fiasco e meu ápice.

Ela.

Olhos cor de chocolate. Sorriso tão elétrico que posso morrer toda vez que ele se apresenta para mim. A voz suave e feliz que sempre me atinge.

"Bom dia, Rachel." — O meu surto na noite anterior não me permite chamá-la pelo o apelido. Estou andando no desconhecido mais uma vez.

As suas sobrancelhas se franzem e eu sei exatamente o que está por vir.

"Aconteceu alguma coisa, Q?"

Sorrio suavemente com sua preocupação.

"Nada demais. Apenas não tive sono suficiente ontem á noite." — Me viro começando a andar e ela me acompanha. Uma sincronia e um ritmo que viemos aperfeiçoando durante seis meses de amizade.

"Por qual motivo?" — Sua voz sai baixa e rápida. Sorrio ao perceber que sua irritação e curiosidade não demoraram em aparecer. Desfaço o sorriso ao perceber que ela não pode saber porque não dormi noite passada.

"Um grilo entrou no meu quarto." — Eu disse olhando para os lados distraídamente e ouço uma risada. Eu a encaro e o meu peito arde com sua visão.

"Você está rindo? Um grilo é muito irritante." — Porém minha indignação não é o suficiente para que ela deixe de rir da minha cara.

"Não é que..." — Ela solta mais uma risadinha. — "Eu achei que poderia ser algo mais sério mas... É um grilo."

Meu peito além de arder, se aperta. É muito sério. É algo tão sério que estou sufocando e morrendo.

Ela está me matando.

"Não poderei ir ao Glee hoje." — Eu digo e ela me perfura com seus olhos.

"Gregg?" — Ela pergunta irritada e eu confirmo. — "Você está se matando com esses testes para Yale! Você não pode... sei lá... tirar férias desses testes diários? Por alguns dias? Ou dois?"

"Não posso." — Minha voz sai polida, me seguro para não ser grossa. — "Eu preciso disto, Rachel. É a faculdade que eu quero."

"Você nem ao menos tentou Columbia!" — Ela fala cínica e eu suspiro. O meu corpo começando a esquentar com a irritação.

"Eu não quero Columbia." — Eu digo e apresso os últimos passos que preciso dar para chegar á minha sala. Sinto Rachel passar direto por mim e ir até sua aula que hoje não é comigo. Me jogo na cadeira e pareço querer explodir.

Ontem a noite foi péssimo e hoje não está sendo nada melhor.

Assisto as aulas e praticamente devoro cada palavra dita pelo o professor. Minha cabeça já demonstrando cansaço pelo o esforço que tenho feito. O corpo reclamando pelo a negligência que tenho tido com tanta bagunça dentro de mim.

Estou cansada. Dormente. E não sei diferenciar o que sinto fisicamente do que sinto emocionalmente.

A hora do intervalo chega e não muito depois estou sentada nas arquibancadas do campo de McKinley. Era normal que fizesse isso quando não estou falando com Rachel. Estou procurando mais distância dela cada vez que o final do ano fica mais próximo e Finn Hudson fica mais determinado a reconquista-lá. E sinto que ela já percebeu isso.

Ela não me procura ou vem até mim, porque eu sei que ela sabe onde estou. Ela me conhece e ao preferir não vir falar comigo hoje, percebo que sua chateação cresceu alguns degraus. Admito que estou sendo um pouco difícil. Deixe-me explicar: Eu sou sua a única amiga que ela possui.

Logo depois que Quinn Fabray caiu do seu pódio e desceu todos os seus níveis até a miséria, a única pessoa que lhe estendeu a mão foi Rachel Berry. No começo, eu a rejeitei por bastante tempo. Foram quase oito meses recusando qualquer tipo de afeição ou indício de amizade. As minhas razões eram simples: Eu não me interessava em ser sua amiga. Eu apenas queria meu ex-namorado, Puck, de volta. Me envergonho do quão estúpida fui mas hoje meu motivo de estar a repelindo é completamente diferente.

E estou me odiando por isso.

Quando nossa amizade começou eu ainda possuía muitas coisas em minha cabeça. Meu coração quebrado por Puck. Meu orgulho destruído pela a minha família. Um pedaço arrancado de mim que representava Beth. Minha preocupação com as notas. E por fim, o suave alívio que senti quando meu padrinho me deixou morar com ele como se eu ainda fosse a sua garotinha favorita.

Foi assim por bastante tempo: o sentimento que Rachel começava a dispertar em mim ficou enterrado e nublado por diversos outros que, no momento, eram bem mais poderosos. Agora que consegui voltar para o quadro de honra, tenho uma ótima relação com Stefan e completamente não me importo com Puck, só foi preciso algumas semanas de paz para que eu me perdesse em um caminho sem volta.

Rachel Berry chegou sorrateiramente e roubou tudo o que restava de mim. Me roubou por inteira.

E então, mesmo após ter descoberto o que começava a crescer dentro de mim, me dispus a não sair do seu lado e tem sido assim até hoje. Porém, o ano está acabando e divergências começando a surgir. Eu quero ir para Yale cursar Relações Internacionais e Rachel quer mais do tudo NYADA e o curso de música. A questão da distância assustou ambas. Nossa amizade começava a ser algo dependente para nós e isso não era bom. O ponto médio da história é que Finn está de volta... ou quase isso. Rachel o ama e está fazendo mil planos para os dois em New York mesmo que eles ainda estejam se acertando. Eu não teria problemas em tentar Columbia e não sofrer a distância entre nós duas mas quando vi a probalidade de ter que morar com os dois ou conviver com o amor de ambos diariamente... me assustou. Mais do que isso, me apavorou.

Não me entenda mal. Eu quero tudo que posso ter de Rachel, e se tudo que posso ter é amizade, então serei sua melhor amiga. A questão é que preciso me proteger e sei que isso seria tortura, sadismo e suicídio. Eu não iria aguentar. Eu poderia sobreviver com visitas periódicas á New York e encontrá-los morando juntos, jantando com eles e saindo para explorar a cidade. Mas meu coração é fraco e covarde demais para aguentar tanta proximidade e aceitar morar com eles.

No fim? Rachel está chateada. Eu sinto o medo dela de me perder e não sei se posso ficar feliz com isso. Eu entendo que sou a única amiga que ela teve na vida mas o destino é muito cruel com ela como também é comigo. O destino fez com que eu me apaixonasse. O destino impôs limites para nós duas.

Ele é um filho da puta.

Ouço o som de um apito e vejo o time de futebol entrando para o seu treino diário. Eu encontro Finn no mar de testosterona e ele também me encara. Ele acena animadamente e eu faço o mesmo. Deus, eu adoraria odiá-lo. Seria mais fácil se eu não me importasse com Finn, mas eu não posso e nunca me perdoaria se chegasse a esse ponto. Se não fosse a bondade de Finn, talvez eu não tivesse achado a casa de Stefan no meio da chuva torrencial que eu me encontrava. Talvez, se Finn guardasse mágoa de mim, eu poderia estar nas ruas hoje. Estremeço com a possibilidade.

Eu devo muito á ele. E ainda assim me apaixonei pela a garota que ele ama.

Eu sou um ser humano terrível.

Decido que está na hora de eu voltar para dentro do colégio, mas quando saio da arquibancada e meus pés encontram o chão eu escuto uma voz que me provoca um asco tão enorme que sinto que posso vomitar á qualquer momento.

Santana Lopez.

"Oh... Olá, Juno." — Eu a ignoro e passo por ela, tomando todo o cuidado para não lhe tocar em nenhuma parte do corpo. Tenho um medo real de ser envenenada pelo o seu toque. Santana adora provocar e odeia quando os outros não lhe dão a devida atenção. E eu fiz exatamente isso... então sofri consequências.

Uma mão pesada se agarrou em meu ombro e me jogou contra a grade que separava o cimento do gramado. Minhas costas reclamaram e soube que tinha sofrido uns arranhões.

É verdade que eu costumava a ser conhecida como Rainha do Gelo.

Porém ela não existe mais.

Eu encaro com todo o meu ódio e sinto que isso a deixou feliz.

"Agora você não me ignora, certo?" — Eu esperei. Fiquei lá, esperando o próximo ataque. — "Você não ficou muito magoada por eu ter roubado seu homem, não é? Isso seria triste..."

"É... eu fiquei um pouco triste sim." — Digo pausadamente. Ela ri. — "Imagino que você tenha noção do que eu senti, já que nunca vi Brittany tão feliz agora que ela está com Artie."

Seu sorriso morreu. Endureci meu corpo, esperando o tapa, os socos mas nada veio.

O que aconteceu a seguir me deu um prazer que eu não devia ter sentido. Santana engoliu forte e vi seus olhos lacrimejarem.

"Retire o que disse." — Ela profanou baixinho. Foi minha vez de gargalhar, me aproximei e disse sem pena alguma de seu estado.

"Brittany é, de fato, muito inteligente. Qualquer pessoa é mais digna para se ter um relacionamento que você." — Começo a andar mas depois de alguns passos me viro. Me deleito com a imagem de Santana olhando para o chão. Completamente quebrada. — "Exceto Puck. Talvez você mereça pegar alguma DST que ele possua."

Eu sei que o que falei foi forte, mas foi uma vingança incrivelmente doce. Me viro e entro no McKinley. Não olhei para trás nenhuma vez.

Não sinto pena alguma de Santana Lopez. Ela é um ser completamente intragável que nunca fez nada de bom para ninguém, exceto Brittany S. Pierce e até a mesma se cansou dela. Uma garota completamente fútil que ignorou o seu amor pela a melhor amiga e fez com que eu fosse expulsa de minha própria casa só para pegar meu posto de capitã e meu namorado. E antes do episódio, eu nunca tinha feito nada contra ela. O que só me fez acreditar que Brittany havia praticamente se salvado de um futuro com Santana.

Ela não era ninguém. E muito provavelmente se tornaria algo diferente do que isso.

Caminho em direção á minha última aula e percebo que o único lugar vago é ao lado de Artie Abrams. Sorrio pela a coincidência e me sento ao seu lado, lhe oferencendo um sorriso simpático. Além de Rachel e Finn, talvez ele fosse o único que eu realmente admirava no McKinley. No final da aula, Brittany apareceu na porta e esperou o namorado sair para lhe ajudar com a mochila e os livros. Sorri com a imagem, os dois eram um casal inusitado, mas estavam parecendo funcionar.

Ando em direção á sala do diretor e sei que Gregg está me esperando para aplicar mais uma prova específica de Yale para mim e mais sete alunos. Apenas dois dos sete serão capazes de uma vaga em Yale e sei que não será fácil. O único do restante que eu conheço é Mike Chang e também sei que ele está fazendo a prova apenas pela a pressão do pai, de qualquer forma, torço para que ele se dê bem.

Eu chego e me sento na mesa improvisada. A prova que eles irão passar hoje é de cálculo e possui três páginas de questões grampeadas caprichosamente. Figgins está entediado e preenchendo um caça-palavras no jornal. Levo meus olhos até Gregg e o vejo distribuindo as oito provas sobre a mesa.

Eu tenho uma certa obsessão por ele.

Gregg Sulkin é extremamente novo. Deve ter no máximo 25 anos, mas está aqui representando a Universidade de Yale e tem o título de vice-reitor. Eu ouvi dizer que esta proeza só foi feita porque ele é neto (ou filho?) de um dos sócios que ajudavam financeiramente Yale. Ele está sempre parecendo cansado. Seu rosto é quadricular e simétrico. Talvez o homem mais bonito que eu já tenha visto. Cabelos castanhos escuros e olhos cor de mel, uma barba curta adicionando um charme ao rosto quase juvenil. Sempre bem vestido com um tom de voz calmo e extremamente educado.

Ele está usando um terno marrom e agora estava checando as horas para controlar o tempo da prova. Todos os alunos estão sentados no devido lugar e ele dá o sinal permitindo que nós abríssemos a prova.

Eu devoro todos os números e fórmulas. É realmente um nível bem superior das provas que tínhamos no McKinley mas eu tinha me preparado. Eu passei muito bem pela a primeira página inteira e agora estava na segunda. Senti um desconforto na boca do estômago e meus dedos escorregavam na caneta.

Eu estava suando frio.

Me concentrei em terminar a segunda página mas minha garganta estava começando a arder e minha visão embaçar. Olhei para o relógio na parede e contastei que possuía apenas 45 minutos em mãos e mais de uma página para completar. Isso não melhorou o meu estado. Eu não ia conseguir.

Lutei contra as minhas entranhas e consegui completar a segunda página, mas já não tinha certeza dos meus resultados. Senti uma mão pesada em meu braço descoberto e levantei meus olhos encontrando Gregg. Ele encarava a minha pele abaixo de sua mão.

"Você está quente."

Foi o fim.

Eu levantei e minha cadeira foi de encontro ao chão. Corri para o banheiro que milagrosamente não era longe, bati a palma da minha mão com força contra a porta do box e me joguei sobre o vaso.

Eu não vomitava desde minha gravidez. Eu já não estava mais acostumada.

Senti duas mãos em meus ombros que me impediram de colidir ao chão. Gregg me olhava de cima, assustado. Ele me levantou e me levou até a pia. Lavei meu rosto e respirei fundo, tentando afastar o desconforto. Minha garganta estava arruinada.

"Você comeu algo diferente hoje?" — Ele pergunta. A voz com um sotaque que eu não sei identificar, o tom preocupado e ao mesmo tempo não invasivo. Percebo que ele não é tão assustador quanto a sua postura e sua imagem passam.

"Eu não comi." — Respondi, polidamente.

Ele me encara, sério. O cenho franzido e então checa as horas em seu relógio da Lacoste.

"O horário de prova terminou."

Tento me controlar para não surtar. Agarro a beirada da pia com uma força sobrenatural.

"Você acha que consigo pontos suficientes com a próxima prova?" — Pergunto trêmula, de repente com muito de perder algo que ainda nem é meu. Yale.

Gregg me encara. Seus olhos claros me perfuram e eu não consigo decifra-ló.

"Não há próxima prova, Quinn. A de cálculo é a última."

Eu sinto tudo. Pânico, medo, desespero e raiva.

E então não sinto nada. As minhas mãos afrouxam o aperto contra a pia e a pontada em minha cabeça fica mais forte.

Eu vejo meu reflexo derrotado no espelho em minha frente e logo depois só há escuridão.

Meu corpo cai e a última coisa que sinto é as mãos de Gregg em minhas costas me impedindo, mais uma vez, de colidir com o chão.

Notas finais
Eita. A cota de sofrimento para a Quinn ainda não chegou no fim? O próximo só sai no final de semana ou na próxima terça/quarta. Sorry. Para avisar, também fiz um ask caso queiram vir falar comigo: ask.fm/fabrayers @fabrayers