Shayuuh: Uma história de Amor 'R'
1 Introdução ao Elo
Notas iniciais
Era uma manhã de domingo, o primeiro domingo do ano de 2016. Ray cozinhava no apartamento de Felipe (Seus amigos o chamam de Unilipe ou Uni, é um apelido carinhoso devido ao seu amor por unicórnios e por homens), a Tamy estava ajudando ela. Juuh estava atrasada e não havia chegado. Era um costume dos quatro, se reunir todo primeiro domingo do mês, e esta regra não fugiria nem do primeiro domingo do ano.
Enquanto cozinhava, Ray se recordou da sua manhã antes de ir à casa de Uni, aquele dia também era o aniversário de 6 meses de namoro. Lembrou-se dos beijos e abraços que recebera de seu namorado Bran, cuja sua voz grave e potente era a característica que mais chamava a atenção. Ganhou um colar simples de presente, porém, para ela, tinha um valor sentimental inimaginável, o cordão era fino e prateado com uma pedra pequena e brilhante no meio, Ray tinha adorado, inclusive foi para o encontro usando ele. A menina estava muito apaixonada pelo namorado, e quando ele a pediu para ficar aquele domingo em casa, pensou duas vezes e quase faltou a reunião. Estar ao lado de Bran era tudo pra Ray, que ao se afastar um pouco dele se sentia incompleta. São reações típicas de quando se ama muito alguém, ela sabia disso, porém não é fácil controlar as emoções. Ao sair eles se beijaram intensamente e não queriam se largar de jeito nenhum, no entanto Ray partiu e prometeu retornar cedo para curtirem a noite a dois.
Os três aguardavam a Juuh chegar. Este era o nome real na certidão de nascimento de Juuh. Todos questionavam a menina sempre que a cumprimentavam: “Jú de Juliana?”; e a garota respondia: “Não, é Juuh, J-u-u-h”. Ela já havia questionado os seus pais e eles respondiam sempre com um sorriso e segurando o riso: “Queríamos ser originais, mas não estranhos.”. A menina nunca entendeu a piada e de onde eles tiraram aquele bom humor, já que atualmente seus pais eram mais sérios e menos brincalhões. Juuh escutava nos almoços ou jantares familiares histórias da antiga vida de seus pais, eram um casal cheio de vida e alegres, agora eram sérios e fechados, e ela pensava como seria legal se aquelas pessoas das histórias fossem realmente seus pais, já que atualmente eles eram praticamente o oposto dos contos passados. Juuh nunca teve muita intimidade com seus pais, os amava e respeitava de qualquer maneira, mesmo não tendo a melhor relação de pais e filhos.
Tudo já estava preparado, só aguardaram a Juuh, uns minutos antes de começar a beber. No entanto, como a menina não apareceu apenas esperaram ela para começar a comer. Os três bebiam cerveja e conversavam, Ray e Tamy ainda cozinhavam. Felipe sentado em uma cadeira na bancada, a qual separava a cozinha da sala, contava sobre as suas aventuras amorosas, o que fez as outras morrerem de rir. Em sua história ele estava transando com um virgem extremamente inseguro e suas reações eram hilárias. Ao fim da história e risos altos, a campainha tocou e com um coro de “Aleluia!”, Uni se levantou e abriu a porta para que Juuh entrasse.
– Tu demorou demais mulher! Vamos entre logo, pois estou morrendo de fome. – disse Felipe puxando a Juuh e as suas sacolas para dentro e batendo a porta.
– Desculpe o atraso, mas dá uma olhada aqui nas coisinhas que trouxe. – Juuh sorriu marotamente e pôs as sacolas na bancada.
– Comprou o sorvete que você tanto queria? Desculpe, não deu tempo de comprar. Espero que tenha lido minha mensagem. – Tamy falou.
– Tranquilo. Vi a mensagem e comprei o sorvete, e... — Juuh deu uma pausa e tirou o sorvete primeiramente das sacolas na bancada — ... Trouxe coisinhas a mais: VODKA!!!!!!!!! – Juuh gritou, balançando as garrafas acima da cabeça.
– Uhul! – Felipe ao seu lado comemorou.
– Então, e o cardápio de hoje? – perguntou Juuh tirando frutas e leite condensado das sacolas e pondo em cima da bancada, que se tornariam parte de batidas num futuro não muito distante.
– Conseguimos fazer tudo como planejado, fizemos a carne assada que sugeri e a feijoada que a senhora pediu. A lasanha do Uni, e o frango assado da Tamy, estão no forno ainda. As sobremesas são: o clássico pudim e bolo de chocolate coberto com cobertura de chocolate mais M&M’s. – Ray respondeu desligando uma das bocas do fogão e terminou de mexer o feijão, depois se escorou na bancada em frente de Juuh e ao lado de Tamy.
Felipe enchia os copos de cerveja, os quatros pegaram um copo cada, brindaram por mais um ano repleto de emoções e coisas boas, e viraram todo o conteúdo do copo de uma só vez. Em seguida a Ray se questionou em voz alta.
– Eu acho que estou esquecendo de algo...
– Hoje não é dia de se preocupar com problemas da vida agitada do dia a dia. Descansa um pouco Ray, vamos curtir o momento! – Unilipe animou Ray.
– Você tem razão!
Sendo assim, cada um seguiu para sala com suas próprias garrafas de cerveja, Juuh e Felipe ambos com seus cigarros em mãos, o que a Ray era totalmente contra e sempre os alertava a parar, eles juravam que parariam num futuro próximo. Sentaram-se em volta da mesa central na sala, a qual estava repleta de petiscos e um balde de alumino com gelo e bebidas, que variavam de cerveja a suco. A bebedeira e a comilança tiveram inicio.
Bran, sentado no sofá, assistia a um filme que em um canal fechado. Até o momento que bateram em sua porta. Bran bufou e se levantou. Ao abrir a porta viu uma menina baixinha, sua altura devia ser de 1,55 metros a 1,58 metros nem era menos e nem mais, pele branca e com cabelos negros e lisos que iam até a costela. Ele ficou parado a encarando para ver se recordava da cara dela ou sequer lembrar quem era. A menina meio envergonhada foi a primeira a falar.
– Bo... – olhou para o relógio e aí retornou o olhar para o rosto de Bran. – Bom dia, bem... São 12h30min então acho que posso falar Bom Dia... – agora sim a garota sabia que acabou de passar vergonha, além de bater na porta da casa que ela achava ser seu destino, falou besteira e não sabia se o que tinha falado era coerente.
– Bom Dia... – a menina arrepiou ao escutar a voz grave e potente de Bran, parecia muito com a de um locutor de radio, no entanto era algo mais suave, sexy e único. Bran sem jeito terminou de falar. – Também penso que seja Bom Dia. No que posso te ajudar?
– Er... A Ray está em casa?
– Quem gostaria de falar? – Bran perguntou desconfiado, e foi só agora que a moça reparou que não se apresentou e ficou constrangida consigo, por bater na porta de uma pessoa e nem se apresentar, era tão obvio que ele não diria nada a um ser estranho ou dar a resposta que ela poderia querer.
– Me desculpe a minha educação, claro que você não daria uma informação para um estranho, me desculpe! Sou Shay, prima da Ray e bem... – Shay deu uma pausa e coçou a cabeça. – Não quero apenas falar com ela, também quero me abrigar aqui, se esta for a casa em que ela mora, ou eu posso ter me enganado. Se eu tiver errada me desculpe por perturbar.
Bran, antes de dar a resposta, ficou pensativo e ficou tentando lembrar alguma história ou algum momento que Ray teria mencionado sobre sua prima indo morar naquela casa. Finalmente se lembrou, ou melhor, lembrou informações mais além. Ray havia falado que neste domingo iria buscar sua prima, que iria passar o mês de janeiro com ela. Bran respondeu a Shay.
– Por favor, entre! Que indelicadeza é minha, nem moro aqui, estou apenas passando o final de semana com a Ray. Ela comentou que você chegaria hoje. Porém ela não se encontra em casa, deve voltar só mais tarde, tem algum problema em esperar?
– Não, nenhum. Só quero descansar, além da viagem que me fez acordar de madrugada, já que o vôo era bem cedo e me cansou, a Ray me fez ficar esperando este tempo todo e nem deu as caras.
– Ela foi para casa de um amigo.
– Justamente por isso peguei um vôo tão cedo, lá de Curitiba, disse que assim teria tempo de me pegar no aeroporto, aqui no Rio, e não faltar o encontro tradicional dela. – Shay entrou na casa e jogou a mala em qualquer canto. – Por favor, me mostre um quarto que possua uma cama, a qual poderei me deitar e só acordar amanhã?
– Claro, e desculpe pelo o que Ray fez com você, me siga, vou te mostrar o quarto.
– Tudo bem, sempre soube que Ray tem cabeça de vento e esqueceria, e aí pedi o endereço e uma foto da casa. – os dois deram risadas pequenas. – O mais importante é que eu vou dormir.
– Realmente a melhor parte, descansar e dormir. Se tiver com fome tem almoço.
– Não, obrigada. Quero apenas dormir.
Bran guiou a hospede para o quarto de visita, chegando lá Shay se jogou na cama e deu boa noite para Bran, este fechou a porta e voltou ver o filme na sala.
– GIVE IT TO ME I’M WORTH IT!!!! – Unilipe subiu no sofá gritava e rebolava sem parar. Suas amigas gritavam exaltadas e berravam a música. Juuh tirou uma nota de 10 reais, duas de 5 reais e quatro de 2 reais, e enfiou dentro da calça dele.
– Gostoso!!!! Rebola mais pra mim gato! – Juuh gritou.
Ambos riram, Ray foi para cozinha e jogou varias frutas dentro do liquidificador, açúcar e leite moça e bastante vodka, em seguida ela analisou o aparelho, deve ter percebido que não tinha lógica o açúcar ali dentro, deu de ombros e ligou, só que a menina esqueceu de tampar e fez uma lambança.
– Minha cozinha, porra! Cuidado! – Uni gritou quando viu a Ray fazendo a bagunça.
– Desculpa eu, acho que estou um pouco bêbada, eu... – enquanto Ray falava deu um soluço interrompendo seu raciocínio. Encarou o liquidificador e gritou – Alguém tá servido?
– Me serve aqui! – Juuh pediu bebida e tragou seu cigarro. – Mas tu é fraca para bebida.
– Dizem que as pessoas mais sérias são mais fracas para bebida. – disse Tamy bebendo a cerveja do seu copo rapidamente, para que Ray enchesse com a batida louca que acabou de fazer.
Ray foi encarar o caminho de volta sem que tropeçasse em nada para que a bebida em suas mãos na seja derrubada. A sala estava um pequeno caos, latas e garrafas de cerveja para todos os lados, todas as vasilhas ou panelas que tinha comida estavam vazias e os restos espalhados pela mesa, elas comeram tudo devido a quantidade que fizeram, a variedade de pratos era grande, mas foram feitas em porção menores para não ter desperdício, e como sempre, não necessariamente, cada uma comeu seu prato sugerido, ou melhor, Felipe nem tocou na lasanha que havia pedido para fazer, mas a Ray e a Juuh devoraram o prato escolhido pelo rapaz. Ray conseguiu servir, ou melhor, ela acertou mais a roupa do Uni do que o copo do próprio.
A musica nas alturas, conversas, risadas e fumaça de cigarro tomavam conta da sala toda. Ray e Tamy já tinham diminuído o ritmo da bebida, a primeira deu uma olhada no relógio e já eram 21h25min, com isto exclamou:
– Nossa prometi, que voltaria mais cedo para curtir a noite com o Bran, hoje fazemos seis meses de namoro. Tenho que ir! – Ray começou a catar suas coisas para ir embora.
– Que isso! Como assim?! Nós sempre dormimos aqui quando ninguém estuda ou trabalha no dia seguinte! – Juuh estava indignada com a Ray partindo – Não vai sair daqui! Só por cima do meu cadáver!
– Ai Deus... Deixa a menina ir, ela quer celebrar a noite com o boy-voz-magia, alias não vai ter como vocês ficarem, vou receber uma visita, o bofe não larga do meu pé. Ele quer, porque quer transar comigo de novo. – Uni soou desanimado.
– O virjão da noite passada? – Tamy perguntou segurando o riso.
– Quem dera! Ele era todo atrapalhado com o que fazer em seguida, mas era tão fofinho. – Unilipe parecia admirado com a situação passada.
– Hmmm. Eu sempre soube que você gosta mais dos inocentes. – disse Ray.
– Quem é este virgem? Tô me sentido traída! Por todos vocês! Desde quando me escondem coisas, porra?! – Juuh não estava gostando da situação.
– Desculpa Juuh, mas hoje termina por aqui. – Felipe encerra noite.
– Vocês são tão estraga prazeres... Mas tudo bem a noite foi boa. – Juuh se conforma com o fim da noite.
– Então já to indo. – Ray anuncia sua partida, mas sua situação não é das melhores, ela andava cambaleando um pouco, quase não conseguia ficar em pé, realmente, era fraca para bebidas.
– Não sem mim. – Tamy se levantou, ajeitou a bolsa e se aproximou da amiga. – Não posso deixar você voltar nestas condições.
– Não, eu to bem. – Ray rejeitando a ajuda da Tamy, foi dando passos para trás para se distanciar da amiga e acabou tropeçando nos seus próprios pés, o que resultou um encontro do bumbum da Ray com o chão.
– Tô vendo que tá bem. – Tamy estendeu a mão para levantar a amiga. – Melhor duas bêbadas juntas do que uma sozinha, vamos embora. Tchau pessoal. – Tamy se despediu.
– Tchau Unilipe, meu gay favorito! – Ray se despediu dando um selinho no moço. – Tchau Juuh. – acenou de longe, já que a Juuh estava com a cara emburrada.
– Vão com Deus. – Uni falou e fechou a porta.
Juuh se levantou e falou.
– Vou partir agora também.
– Não vai, não! Como você não ajudou a fazer as coisas na chegada, vai me ajudar a dar uma geral rapidinha aqui para eu receber minha visita.
– Okay! – Juuh concordou, revirando os olhos, era a única opção que ela tinha e a mais responsável a se fazer, tinha que ajudar em alguma parte da festa.
Ao terminar de dar uma arrumada na casa do Felipe, os dois desceram para o ponto de ônibus, não demorou muito e o transporte chegou. Eles se despedem e Juuh sobe no ônibus. Como já era meio tarde da noite, não tinha praticamente ninguém, apenas 3 pessoas. Um garoto de pele escura usando a camisa de time de futebol sentado no fundo, um jovem de bela aparência com um fone de ouvido sentado no banco da frente e a uma menina bonita sentado no meio. Seus cabelos eram negros lisos e com pequenas ondulações na ponta do cabelo que passava um pouco dos ombros, carregava uma ecobag, o cotovelo apoiado na janela com a mão no queixo e seus olhos negros encarava a cidade de noite. Juuh podia se sentar em todos os outros bancos vazios, no entanto se sentiu atraída pela garota que trajava uma roupa simples, uma camiseta verde básica, calça jeans e tênis converse. Foi ali que Juuh se sentou, seu coração acelerou, ficou admirada com a bela dama da noite ao seu lado. A menina reparou o encanto de Juuh por ela e disse.
– A esta hora da noite poderia julgar que você queira me assaltar, fazer alguma outra maldade, ou apenas se sentar ao meu lado. Porém esta baba que escorre da sua boca que se encontra em uma cara abobada por me ver só me diz uma coisa, você quer me pegar.
Juuh rapidamente passou o braço na boca para limpar a baba, mas seu braço voltou seco. Sua cara estava ruborizada e a menina riu.
– Era só uma expressão, quando a pessoa baba por você, não quer dizer que está babando de verdade, hahahaha. – Juuh ficou mais vermelha ainda quando a garota falou tais palavras, esta esticou a mão e a cumprimentou. – Prazer meu nome é Edyane, mais conhecida como Dy, e pode me chamar assim.
Juuh apertou a mão se apresentou.
– O meu é Juuh.
– E aí? O que você quer comigo? Quer um autógrafo, abraço ou beijo?
– O QUE?! – Juuh falou espantada. Ela pensou “Beijo?! Ela disse beijo?! Como assim beijo?!”.
– Não se faça de chocada, você não sentou aqui do meu lado à toa, o ônibus tem muito espaço.
– Eu creio que sou hetero. – Juuh falou indecisa. – Mas e você, se importaria em me dar um beijo?
– Não. Sou bi. Se for isto que você quiser eu topo. – Dy segurou as mãos de Juuh, esta tremia e começou ficar ofegante. – Relaxa. – Dy levou uma mão para trás da cabeça de Juuh e aproximou seu rosto do dela. Juuh se entregou, não mostrou resistência, e elas se beijaram, um beijo longo e saboroso, que quando acabou Juuh queria beijar mais.
– Eu não tenho planos para esta noite e não preciso voltar para casa. Você mora sozinha?
Juuh se espantou e ficou assustado, ficou em silêncio. Estava muito fácil e muito estranho. Elas nem se conheciam e a Dy queria passar a noite na casa dela.
– Tudo bem. É bem estranho, você não me conhece nem um pouco, não tem como confiar em mim. – disse Dy tranquilamente.
– Não, eu confio em você. Só que mulher não é a minha praia, se até fosse... – tudo o que Juuh disse era mentira, ela queria muito que a Dy fosse para sua casa, algo dentro da Juuh crescia, pedindo mais e mais, porém ela nem conhecia a garota. Como levaria ela para sua casa? Como confiar em um estranho nesta hora da noite? No entanto, seu desejo sexual era crescente, poderia se arrepender do que falaria, mas falou.
– Tudo bem! Venha comigo. Mas antes, me responda. Por quê? Por que se doou tão fácil?
– Meu dia foi totalmente o contrário que pensei que seria, ele foi um dia bem ruim e eu esperava que ele fosse maravilhoso. E aí você sentou aqui toda me querendo e eu resolvi aceitar a ideia de sair com você. Depois do beijo, percebi que nos não terminaríamos a noite por aqui. Você me compreende? – Juuh acenou um sim com a cabeça. – No entanto assim como você decidiu confiar em minhas palavras, eu confiei primeiro em você. Espero que eu não esteja errada em confiar em você, e não me arrependa no futuro.
– Por mim você não se arrependerá!
Juuh pôs a mão na cintura da Dy, inclinou seu corpo por cima dela, pôs uma mão atrás da cabeça de Dy e a beijou. Um beijo tão forte e gostoso, que ambas sentiram as emoções uma da outra. E ali ficaram se beijando, trocando carinho e conversas, até o ponto final.
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