Shayuuh: Uma história de Amor 'R'
2 Novos Romanticos
Notas iniciais
6 meses atrás...
Assim que acordo sou surpreendido, não reconheço aquele lugar no primeiro momento, definitivamente, sei que não estou em casa, então onde eu estaria? Minha segunda surpresa é que me sinto pelado, com minhas mãos fui verificar. Verificado. Estou pelado. Para completar meu espanto logo de manhã, tem um homem, aparentemente, pelado ao meu lado. Levanto a coberta e confirmo, ele está pelado. O homem não era um desconhecido, era um colega antigo meu de classe, Bruno. Eu posso descrever ele com pele morena, abdômen não tão definido, mas era pré-definido, cabelo bem ralo, barba bem-feita, olhos bem escuros, tinha um alargador em uma de suas orelhas, braços fortes, atraia bastante olhares, um homem digamos bonito, e este ser humano estava pelado, na mesma cama que eu. Posso não estar recordando de nada da noite passada, mas a camisinha usada pelo quarto e o nosso estado, já me diz que pelo menos sexo fizemos. Será que só tinha eu e ele? Será que tinha uma terceira pessoa e foi embora? Minha lembrança está sendo recuperada. Transamos sim, apenas nós dois. Saí com minha antiga turma de ensino médio ontem à noite. Só não lembro como cheguei neste quarto e de como foi a transa. Eu estava bem feliz, havia decidido que pediria a Ray em namoro, exibi o anel de prata para todos meus ex-colegas de classe e exagerei na bebi. Estou me sentindo bem mal, o que eu havia feito, perdi o controle. Que dor de cabeça... O ANEL!!! Me levanto da cama desesperadamente procurando o anel.
– Bom dia Bran. – escuto atrás de mim a voz sonolenta de Bruno, devo ter acordado na hora que me levantei.
– Não sei se é um bom dia! – respondi com ignorância.
– Ooohhh calma aí rapaz! Que bicho te morde... – Bruno se silencia no meio da frase e senti ele me encarando, enquanto eu procurava o anel. Então pensei em perguntar se ele poderia saber onde estar o anel, quando me viro para ele, vejo ele sentado na cama com a mão no queixo, com um sorriso malicioso, me analisando dos pés a cabeça, e rapidamente cubro meu pênis com minhas mãos, senti um pouco de vergonha com ele me olhando daquele jeito. Bruno riu. – Como nós não tivéssemos feito nada ontem a noite. Não precisa se cobrir.
Mesmo ele falando isto eu pego a primeira calça jeans que vejo e visto. Bruno solta outra gargalhada.
– Pare de rir! – Disse com um pouco de fúria. – Em vez de ficar rindo igual uma hiena, por que não me ajuda a achar o anel!
– Francamente, ainda quer pedir aquela mulher em namoro, mesmo depois da nossa noite?
– Claro! Eu a amo! E não lembro de nada de ontem à noite, especificamente, na hora do sexo e como chegamos aqui.
– Em minha defesa você veio por livre espontânea vontade. Talvez me aproveitei de seu estado bem chapado... Mas quem nunca, né?
– Tá tudo bem, mas você sabe onde tá o anel?
– Cruzes não quer mesmo saber de ontem a noite?
– Não me importo com nada de ontem à noite! Só quero ir encontrar a Ray e com o anel em mãos.
– Suas ações e palavras de ontem foram totalmente diferentes.
– Já chega! E vem cá, você não costumava a sair e dormir com mulheres?
– Sim. Na época do ensino médio. Hoje em dia saio com homens e durmo com homens, no entanto...
Percebi a voz dele falhar e seu olhar ficar distante.
– É escondido de todos, ou seja, você está no armário ainda e se aproveita de pessoas bêbadas.
– Nem sempre me aproveito. Sou um homem charmoso, consigo atrair bastante gente interessante.
– Enfim, você não respondeu. Cadê o anel?
– Eu guardei na minha carteira. No estado que você estava era 90% de chances de perder. Então fiz este favor.
Ele apontou onde estava a carteira e eu corri na direção a ela. Lá se encontrava o anel, mas senti falta de alguma coisa.
– Cadê a caixa de presente?
– Agora você tá querendo demais, não ia caber na carteira, então joguei fora.
– COMO?!
– Sem ataque, você não queria o anel? Aí tá o anel. Inova na hora de entregar o anel. Faz mágica, sei lá.
– Desculpa. Muito obrigado. – Olhei para o relógio e vi que ainda era cedo, tinha tempo de ir em casa antes de encontrar com Ray. Peguei qualquer camisa e vesti. Ficou meio apertada, igual a calça, ambas deviam ser do Bruno, já que o corpo dele é bem mais magro que o meu.
Na hora que estava saindo do quarto, Bruno se levanta para me cumprimentar.
– Boa sorte. Desculpa por qualquer coisa. Eu vi como você estava animado com o namoro, mas eu dei em cima de você, consequentemente, você caiu nele e me beijou. – Ao ouvir isto meu coração acelerou, será que era verdade, mas pelo jeito que ele estava falando meio envergonhado, decidi acreditar, entretanto, o que me passou pela cabeça quando eu o beijei, não sei. – Aí eu vi oportunidades, dançamos juntos, bebemos juntos, e em todo os momentos você me falava da Ray. Nós nos beijamos na hora de ir embora, te convidei para vir aqui e você aceitou. Como eu disse não te forcei a nada. Não entendi, mas não queria ficar sozinho.
Agora eu fiquei sem saber o que falar, se aquilo tudo era verdade, eu meio que trai a Ray conscientemente. Silêncio se estabeleceu, Bruno me abraçou.
– Desculpa, te contei a verdade, acredite em mim, você precisava saber como foi. Eu mesmo já estive confuso comigo mesmo, hoje eu me entendo, só não tenho coragem de falar para o mundo quem eu sou. Sei que você realmente tá feliz com a Ray, mesmo sabendo de seu compromisso eu fui ousado. Se eu pudesse fazer algo.
Percebo que acabou de insinuar que não me conheço. Mas eu sei de quem eu gosto, e eu realmente gosto, NÃO! Eu amo a Ray! Por isto quero esquecer.
– Esqueça. Esta noite que passamos juntos não existiu. Vamos esquecer.
– Okay. – Bruno concordou com o trato.
Foi isto que decidi, deletar aquela noite, só nós saberíamos o que ocorreu. Saí do apartamento. Será que eu estou fazendo a coisa certa? Meu coração acelera, não sei dizer se é pelo momento de pedir a Ray em namoro ou se é pela minha última noite. Antes que eu comece a me importar, bloqueio tudo o que acabei de escutar. Foco em Ray. Um sorriso espontâneo surge em meu rosto e sigo em frente.
Dias atuais...
Bran se ajeitou no sofá e Ray deitou no seu colo. O rapaz mexia carinhosamente nos cabelos da moça. Shay foi para o quarto de hóspede, onde passaria o mês todo que ainda estaria por vir. As primas ficaram horas conversando, mesmo já sendo tarde da noite, fazia tempo que não se viam. Bran ficou observando as duas, às vezes ele se expressava. Agora Bran tem Ray só para ele, e pode comemorar os 6 meses de namoro.
– Enfim a sós.
– Sim. Desculpa por ter ficado fora e ter dado mais atenção a minha prima ao chegar em casa, logo no aniversário de 6 meses de namoro. Meio ano de namoro.
– Sem problema, pois agora você é toda minha. – Bran aproximou a boca dele ao ouvido de Ray, e sua voz potente e com tom delicado foi com tudo, Ray ficou arrepiada e ofegante. – Seremos eu e você pelo resto da madrugada nos amando, é o que mais importa.
Ray ruborizada falou.
– Me veio à mente o dia que você me pediu em namoro. Lembra?
– Claro que lembro. Como poderia esquecer?
– Sabe desde daquele dia eu venho esperando você me contar algo e nunca falou.
Bran ficou pálido e parou de acariciar os cabelos da donzela e engoliu seco. Ray senta ao lado dele, lança um olhar sedutor e diz.
– Espero você me dizer que outros tipos de magia você sabe fazer. – Ao ouvir estas palavras de Ray, Bran solta um riso que libera toda sua tensão. – Sério! Foi incrível tirar um anel de minha orelha e pedir a minha mão em namoro.
– Pois é. Este sou eu, sempre inovando e te impressionando.
– Hmmm. Que tal você me surpreender com novas magias comigo lá no meu quarto, mais especificamente na minha cama.
Bran morde os lábios, pega a garota no colo e ela dá um gritinho seguido de risos.
– Só se for agora! Declaro o início da cerimônia de comemoração de 6 meses de namoro.
Bran com Ray no colo se dirige ao quarto da moça, abra a porta com um chute e em seguida a tranca.
Juuh desceu do ônibus e começou a correr desesperadamente desviando de seus obstáculos, entre eles pessoas, buracos na calçada e sacolas de lixo. Chegou em frente de uma casa, apertou 3 vezes a campainha e bateu freneticamente na porta. Ela escutou um grito feminino, uma voz que nunca ouviu, pedindo para que esperasse. Pensou que errou a casa e assim que aquela menina baixinha abriu a porta, pensou em se desculpar, mas antes perguntou.
– Bom Dia. Aqui não é a casa da Ray?
– Sim. – Ao ouvir que não errou de casa, o desespero da Juuh cessou, neste momento ela reparou na garota que estava parada na porta, seu coração começou a bater mais rápido e seu rosto queimar. E Juuh ficou ali admirada com o que via. – Então? Você é?
– É... Desculpa. Meu nome é Juuh, sou amiga da Ray, ela se encontra?
– Não. Ela foi comprar comida para o café da manhã. E o Bran foi com ela, só que ele não volta, caso queira falar com ele. Bran foi para casa se arrumar para ir num tal de evento literário. Mas se quiser entrar... – Shay parou de falar ao perceber que Juuh não prestava atenção no que ela falava. Juuh parecia distante e viajante. Então Shay estalou os dedos para despertar a menina.
– OI! SIM! – Juuh falou automaticamente assim que se despertou.
– Sim? O que sim? – Shay não entendeu nada.
– É... não sei. S-sabe... Ray não-o s-se e-enco-ontra, né. – Juuh estava gaguejando e sua voz não parecia sair, de alguma forma a presença de Shay mexeu com ela. Shay percebeu a euforia de Juuh, sendo assim a convidou para entrar.
– Você quer entrar? Sentar e beber uma água para se acalmar, enquanto a Ray não vem. Aliás ela tá demorando muito, tô com muita fome. Só falta esquecer meu Danoninho.
– Não tem problema, volto mais tarde. Muito obrigado pelo convite. – Juuh agradeceu e já foi se retirando, na verdade era tudo o que a Juuh mais queria era sair dali. Ela não sabia explicar, mas a presença daquela moça mexia com o corpo dela.
– Ei, espera! – Shay interrompeu a saída de Juuh. – Você tem certeza, parece desesperada. Se quiser te passo o número do celular e você fala com ela.
– Não precisa! Eu tenho o número, mas certas coisas prefiro contar ao vivo, você deve saber como é. Mas agora tenho que ir embora.
– Te entendo. Eu aviso para Ray que você passou aqui.
Juuh já distanciando da casa acenou com a mão e se despediu. Shay retribuiu o comprimento e ficou curiosa com a agitação da menina, tanto na chegada quanto na saída. No entanto se negou a pensar, já que estava com muita fome.
Juuh andando apressadamente pela calçada, com uma mão no coração pensou “Quem era aquela garota? E por que ela mexeu tanto assim comigo? Por qual o motivo meu coração está disparado? Será que tem algo a ver com ontem? Será que me sinto atraída deste jeito por todas as mulheres depois de ontem? Não pode ser! O que tá acontecendo comigo! Preciso compartilhar isto com alguém o mais rápido possível! E eu nem sei o nome dela.”.
Juuh dobrou a esquina e pegou um ônibus para casa. Decidiu que precisava descansar e ter um tempo para refletir.
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