Uma hora havia se passado desde o começo do treinamento e tudo o que Luke queria era distância de Ellyade e suas grosserias.

— Quão bêbados estavam os lutadores que você venceu? Você é péssimo! – Dizia Ellyade enquanto observava o garoto levantar-se do chão. – Vamos dar uma pausa, eu não aguento mais ganhar de você.

O garoto a agradeceu mentalmente e embainhou a sua nova espada. Lutar de adaga era muito mais fácil, a sua outra arma era tão mais leve e simples.

Após ser liberado, Luke caminhou até um pequeno lago que ficava no final da clareira onde antes treinava. O garoto, enquanto andava pelos jardins de jasmins, que percebeu ser muito comum em todo o acampamento, tentava entender o porquê de Ellyade nunca o olhar nos olhos. Foi então que ele percebeu um objeto estranho preso à margem: era uma garrafa com um pergaminho.

O menino, curioso como sempre, não perdeu tempo antes de pegar a garrafa de vidro. Quando estava prestes a abri-la, Ellyade o chamou.

— Vamos voltar ao treinamento. – Como estava longe, ela gritava e acenava com a mão.

— Eu encontrei algo no lago. – Luke disse quando ela se aproximou.

— Uma mensagem dos Bálticos, interessante. – Os olhos de Ellyade brilhavam enquanto ela observava cada detalhe da garrafa.

— Bálticos? – Perguntava o garoto, confuso.

— Sim, outra facção. Há anos eles nos tratam como inimigos. Não consigo imaginar o porquê de se comunicarem conosco agora. – Disse e deu de ombros. – Vamos, precisamos entregar isso ao Brad.

O caminho até a casa principal foi silencioso, Luke não podia se sentir mais desconfortável enquanto Ellyade nem parecia se importar.

— Brad, veja o que o nosso novo filhote encontrou. – A garota dizia animada fingindo não ter visto a cara de indignação de Luke.

— Uma mensagem dos Bálticos? – Os olhos do ancião brilharam tanto quanto os de Ellyade enquanto ele lia as palavras da mensagem. – Eles pedem sua presença no acampamento deles. – Brad parecia surpreso.

— Por que eles iriam querer uma visita minha? – A testa da menina franzia mais a cada palavra.

— Leia você mesma. – Disse o mais velho estendendo-lhe a carta.

— Uma missão de paz? – Ela arqueou as sobrancelhas quando devolveu o pergaminho a Brad.

— É o que me parece. Eles querem que você seja nossa diplomata. – O ancião deu de ombros. – Não consigo entender o porquê, eu nunca a daria esse papel, visto que seu humor não é um dos melhores.

— Tu estás dizendo que eu não seria capaz de realizar uma simples tarefa como esta? – Luke estremeceu ao ver faíscas saírem dos olhos de Ellyade enquanto Brad permaneceu imóvel.

— Tu achas que consegue? – O mais velho falou usando um tom desafiador.

— Eu serei a melhor diplomata que esse acampamento já viu. – A guerreira dizia dando um sorriso de lado que não alcançou seus olhos. – Prepare- se, Luke, você virá comigo. – E com isso Ellyade saiu pela porta