Shadows of the soul - Livro 3
5 Capitulo 5
“Um passo de cada vez” esse era meu mantra enquanto me aproximava da cabana, meu coração martelava forte em meu peito. Subi os quatro degraus sem encarar a porta, na varanda parei e bati levemente na porta. Sem resposta. Engoli em seco e decidi entrar mesmo assim. A porta se fechou atrás de mim com um clique, eu não enxergava um palmo a minha frente, todas as costinhas estavam fechadas, não havia uma luz se quer no recinto.
Estranhamente não havia cheiro de mofo ali, apenas seu inconfundível perfume, uma mistura de âmbar, sândalo e musgo de carvalho. Fechei os olhos e respirei fundo me inebriando no aroma, sorri constrangida, eu parecia uma idiota.Passei os olhos pelo cômodo tentando encontrá-lo, meu coração acelerando cada vez mais, antes mesmo que eu me acostumasse com a escuridão ouvi sua voz, eletricidade percorreu meu corpo.—Kate não devia tê-la trazido aqui vá embora.Sua voz estava rouca como se não fosse usada a um bom tempo, apesar das palavras ácidas não consegui me impedir de me deleitar ao som. Inconscientemente dei um passo à frente. Em voz baixa tentei ganhar sua atenção.—Ela já se foi, acho que preciso de uma carona para ir embora.—Não. É. Da. Minha. Conta. — suas palavras saíram mais duras e frias que as anteriores, o que de certo modo me incomodou e irritou, ele não podia me tratar assim, não depois de tudo, eu estava ali para conversar, ele me devia isso. Ergui a cabeça empinando o queixo de modo determinado.—Arrogante. Vim até aqui em busca de uma conversa civilizada, depois do passado que vivemos acha que nem isso mereço?—Não pedi para falar com você.Me calei por alguns segundos, suas palavras estavam sendo como farpas se infiltrando em minha alma. Engoli em seco antes de voltar a falar, tentei colocar meu ódio em cada uma de minhas palavras.—Você adora bancar o coitadinho não é? Se esqueceu quem foi a vítima nessa história? Devo presumir que não fui nada na sua vida?Com isso ele enfim se virou, e para minha surpresa sua face não demonstrava raiva ou ódio, apenas dor e arrependimento.—Você não consegue ver não é? Você foi tudo pra mim, porém eu não sou homem pra você, tudo em mim é mal, é destrutivo, é contaminado, acredite me manter longe de você é um favor que faço. Estamos longe porque sou um assassino, um destruidor, não a salvação para alguém que perdeu a alma a muito tempo.Suas palavras me chocaram, senti lágrimas rolando pelo meu rosto antes mesmo de perceber que estava chorando. Quando falei minha voz saiu em um sussurro.—Quando nos conhecemos você me disse que havia feito coisas horríveis, coisas das quais se arrependia, porém não podia voltar atrás. Hoje entendo.—Não muda o que fiz.—Muda – dei dois passos à frente, o que o fez se contrair – Eu fugi quando descobri a verdade, agora peço desculpas, eu devia ter ficado, ter conversado com você….—Não….—Sim, eu devia, mas agora estou aqui então por favor, me conta o que aconteceu.Por alguns segundos ele nada falou, sua cabeça voltada para o chão, os olhos perdidos em algum ponto invisível, comecei a pensar que havia sido perda de tempo tê-lo procurado então ele começou a falar.—Foi um acidente... Eu cuidava de um garoto de 16 anos que tinha acabado de ser transformado, a família havia sido trucidada em frente a seus olhos, ele mesmo só escapou por que o salvamos. Ele ainda não tinha experiência com o temperamento quente de sua nova raça quando decidiu sair sozinho pra ir a um show. No meio da noite recebi uma ligação, ele parecia histérico, assustado, não estava falando nada com nada, só implorava por ajuda e citava anjos de assas. Num primeiro momento achei que fosse alguma droga, porém mesmo assim fui investigar. Eu os encontrei em uma viela meio escura, seu irmão o estava encurralando. Me coloquei no meio dos dois para impedir que ele matasse o menino, minha intenção era apenas que parassem, então tudo se apagou, não sei como ou porque, seu sangue estava em todo lugar, principalmente em minhas mãos, seu corpo jazia aos meus pés, sem vida, não fiquei para saber o que vinha a seguir pois temia pela vida do menino lobo. A culpa vem me consumindo desde aquele dia.Jon parou de falar e continuou a encarar o nada, senti meu corpo soluçar e lutei para não cair, me sentia fraca e pequena. Sem pensar duas vezes me joguei em sua direção desesperada. Por um segundo ele nada fez além de ficar parado como uma estátua, então de repente suas mãos estavam em mim, me jogando contra parede, perdi a respiração com o leve impacto e mudança de curso, senti o fogo de seu olhar enquanto era avaliada por ele. Tentei me manter firme embora minhas pernas já estivessem moles feito gelatina em dia quente. A respiração de ambos estava ofegante, sendo o único som audível.Algum tempo depois ele quebrou o silêncio fazendo com que meu corpo se contraísse sobre o seu.—Devia ir embora.Senti a controversa de suas palavras em sua voz. Engoli em seco sem conseguir responder. Ele inspirou fundo e me apertou mais contra si.—Allyce não sou bom para você.Lutei contra os sentimentos que me invadiam e em uma voz esganiçada consegui responder.
—Não acho que caiba a você decidir isso.—Está mexendo com fogo.Com um meio sorriso aproximei meus lábios de seu rosto e sussurrei o mais sensualmente que minha fraca voz permitiu.—Ótimo, então me queime.E para meu deleite foi exatamente o que ele fez.
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