Perdi noção de tempo ou espaço, nada lá fora importava, apenas eu e ele. Eu sentia nossa conexão em cada toque, cada beijo, cada palavra não dita, cada troca de olhar; Minha necessidade por ele era infinita, não importava o quão unidos estivéssemos, eu precisava de mais, cada vez mais, em determinado momento cravei minhas unhas em suas costas, como resposta senti ele se expandir dentro de mim, me fazendo gritar, não de dor mas sim de prazer.

Me aconcheguei a Jon exausta, ele começou a cantarolar uma de suas músicas, antes das primeiras notas eu já havia caído no sono.

Abri os olhos e para minha surpresa me vi em uma masmorra fria e escura, o ar cheirava a ferrugem, sal e morte.

Ouvi um leve soluçar e busquei com os olhos a fonte do som, avistei um corpo estirado sobre uma pedra gigante. Ele estava visivelmente ferido, sangue escorria por entre os vãos do chão, dei dois passos à frente a fim de tentar ajuda-lo porem algo me puxou para trás. Tentei mais algumas vezes, o que de nada adiantou. Frustrada tentei gritar. Para minha surpresa nenhum som saiu de meus lábios. Eu queria me aproximar, ajuda-lo tira-lo de lá mas o simples ato de me mexer se tornara impossível.

Ele virou a cabeça em minha direção e me encarou, seu rosto estava ensanguentado, cheios de marcas de mutilação, meu coração se apertou ainda mais.

Para minha surpresa seus olhos encontraram os meus e vi esperança, ele sorriu pra mim e com uma voz fraca balbuciou algumas palavras.

Uma luz recaiu sobre mim me fazendo piscar, quando voltei a abrir os olhos estava mais uma vez na cabana.

Jon se encontrava parado de costas para mim. Olhei em volta à procura do rapaz mesmo sabendo que não o encontraria ali. Jon se virou sorrindo mais ao avistar minhas feições correu para meu lado, com ar preocupado quis saber o que estava acontecendo.

—Ei o que foi?

Tentei sorrir para tranquiliza-lo.

—Não é nada, foi apenas um sonho ruim.

Ele não pareceu acreditar.

—Tem certeza? Quer falar sobre isso?

—Não, está tudo bem mesmo, fica tranquilo.

—Ok.

Como ele ainda aparentava não acreditar, resolvi mudar o foco da conversa para algo que estava coçando em minha mente.

—Me fale sobre ela.

—Quer mesmo falar disso?

Ele me olhou desconfiado e balancei a cabeça em afirmativo incapaz de encontrar minha voz, eu precisava saber contra o que estava lutando. Ele suspirou e começou.

—Eu e Melanie nos conhecemos alguns dias depois de... do que ouve com.... você sabe...

—O Angel certo?

—Sim, eu me sentia um lixo, não achava ser digno de perdão, na verdade ainda não acho. Nós fizemos coisas horríveis, me transformei em tudo que Katherine passara décadas repreendendo, me afastei de todo e qualquer vestígio de humanidade, me tornei um animal, sedento por sangue, por morte, por destruição. Levei mais de um ano para voltar a mim, ainda hoje não entendo como me livrei de tudo aquilo. Nossa relação era puramente carnal, não havia amor, não havia paixão, estávamos juntos por comodidade, diversão... Então cai em mim e terminei tudo, quando voltei para minha família jurei por minha imortalidade que jamais voltaria a ser aquele ser desprezível. Ela não é uma pessoa ruim, ela é apenas confusa.

—não sei se concordo com você.

—Você só precisa conhece-la.

—Não. Quero aquela... Ah quero ela longe de mim.

Irritada me virei para parede, ela devia sumir, desaparecer. Senti os braços de Jon contra meu corpo então me aconcheguei a ele, seu perfume logo me acalmou.

—Está tudo bem, vou faze-la partir.

—Obrigada. – Me afastando dele continuei calmamente – Mas se quiser ela em sua vida, não tenho...

Jon nem me deu chance de terminar, antes que eu me desse conta seus lábios foram colados aos meus, me deixei levar até que ele interrompeu o beijo, eu já estava ofegante.

—Eu jamais escolheria qualquer outra mulher em seu lugar, entenda isso, você é tudo pra mim, prefiro a morte a me separar de você.

Senti meu coração pular algumas batidas, ele havia resumido tudo que eu sentia por ele, nos realmente havíamos sido feitos um para o outro. Balancei a cabeça em afirmativo incapaz de falar. Dei um selinho nele me sentindo nas nuvens.

Jon se levantou e foi até a lareira atiçar o fogo, procurei por meu celular e lembrei que havia deixado junto com minhas coisas na sala de Kate, olhei em volta atrás de algo que pudesse me dizer que horas eram, a escuridão lá fora continuava igual ao momento que eu chegara.

—Que horas são?

Jon sacou seu celular do bolso e respondeu calmamente.

—Sete e vinte.

Dei um salto pro chão a procura das minhas roupas, droga, eu estava totalmente ferrada, droga, droga, droga... Tentei colocar a saia e tropecei em meus pés, teria caído se não fosse por Jon.

—Ei, calma ai... Por que a pressa?

—Te explico tudo depois, droga onde está minha blusa?

Com ar divertido Jon ergueu minha blusa no ar, dei a ele um sorriso meio amarelo e terminei de me vestir apresada. Corri para porta porem parei antes de girar a maçaneta, me virei pra trás, Jon continuava parado ao lado da cama como um deus do sexo, com seu cabelo despenteado, sem camisa e a calça meio aberta, balancei a cabeça a fim de clarear a mente.

—Pode me dar uma carona?

—Mais é claro que sim.

Dois segundos e ele estava ao meu lado totalmente vestido abrindo a porta. Silencio tomara conta da floresta a nossa volta. Jon se virou pra mim fazendo sinal pra que eu esperasse, ele voou escada a baixo indo em direção ao fundo da cabana.

Um barulho de motor fez-se ouvir e quando me virei lá estava Jon montado em uma moto gigante com detalhes em vermelho, senti minha boca escancarar.

—É sério isso?

—Sim anjo, é chamada de ZZR 1400 (http://s.glbimg.com/…/g1/f/original/2011/10/10/ninja650r.jpg ) em toda Europa, está aqui foi a primeira a ser produzida, um presente que recebi por alguns favores...

—Uau, você sempre me surpreendendo...

Ele esticou uma jaqueta preta e um capacete negro em minha direção, ergui a sobrancelha ao constatar que só havia uma, e éramos em dois...

—E quanto a você?

—Anjo, não preciso destas coisas.

—E porque tem uma?

—Para mantes as aparências, agora acho melhor colocar a capa logo ou ficaremos aqui o resto da noite.

A contragosto peguei os itens de suas mãos e vesti, até que não era tão ruim, o perfume de Jon estava grudado na jaqueta. Coloquei o capacete e montei na garupa, com um rápido movimento Jon uniu nossos corpos e virando pra mim disse com um pequeno sorriso.

—Se segura.

Agarrei sua cintura e ele começou a pilotar, o ar chicoteava a minha volta, porem até gostei da sensação, liberdade, me sentia solta, senti que podia voar. Deixei meus pensamentos vagarem pra longe, até que em uma curva Jon parou bruscamente, me assustei com o movimento, será que eu havia dormido? Não tinha nem 5 minutos que havíamos saído da cabana, impossível ter chegado, senti o corpo de Jon se contrair e percebi que algo estava errado. Uma voz irritada se fez ouvir a nossa frente, não precisava nem olhar para saber que eu estava encrencada.