Shadows

2 Quem esta aí?


Insisti, eu queria uma explicação, uma resposta. Quem ele ta pensando que é? O que ele é? Ele me olhou e abaixou a cabeça. Porque ele não queria me responder?

-Ja falei que não posso te contar garota! -Ele aumentou a voz, me intimidando

–Quem você ta pensando que é? Vem na minha casa, quase me mata de susto e ainda por cima engrossa a voz comigo? Saia!

–Bem que me falaram que eu teria de ter paciência com você. Ha tempos que eu não sei o que é te ver assim! Esta pior do que das outras vezes!

Eu só queria saber do que ele estava falando. Mas espera... Das outras vezes?

Grigore estava ha uns três passos da minha cama e cada vez que ele ia falar alguma coisa, ou ele andava de um lado para o outro ou ele mexia em uma pulseira que estava no seu punho direto.

Ele rodava e rodava aquela pulseira. Era uma espécie de fio preto com um pentagrama no meio. Um tanto quanto irônico... Mas o pentagrama estava virado para cima como forma de proteção.

Como pode um bicho daquele usar um pentagrama em forma de proteção, afinal, o que ele quer aqui? Santa paciência!

–Eles quem Mattheus? O que você quer dizer com ''eles'' e com das ''outras vezes''? Tem como você me explicar o que esta acontecendo aqui? -Dei um grito tentando convencelo a me contar-

Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, eu pude ouvir barulhos de passos no corredor. Os passos estavam rápidos e apertados, aparentemente a pessoa estava descalça. O barulho estava aumentando... Dentro do meu quarto uma rajada de vento voltou, sombras faziam voltas e mais voltas em si mesmas.

Minha cortina se movia com força devido a corrente de ar, o tecido batia no trilho de madeira e fazia barulho. A rotação das sombras faziam um zumbido irritante. Fiquei assustada e me cobri. Os passos pararam e a maçaneta da minha porta desceu e subiu. Havia alguem do outro lado da porta tentando entrar no meu quarto.

Os quadros que ficavam nas paredes ao lado da porta começaram a sair do lugar, ficaram caidos e tortos.

–SAMANTHA! ABRE ESSA PORTA MINHA FILHA, ESTA TUDO BEM?

Pai? O que faz acordado ha uma hora dessas?

Levantei da minha cama jogando o cobertor no chão. Enrosquei meu pé na onda que o mesmo fez, desequilibrei e cai.

–SAMANTHA LUCCY, ABRA JA!

–Mas que coisa! Ja vou, não se pode nem mais dormir.

Arrumei as cortinas que estavam emboladas em pares de sapatos meus jogados pelo chão, empilhei papeis que haviam voado quando Mattheus Grigore sumiu e finalmente abri a porta. Meu pai voou em cima de mim apertado meus braços e puxando meu rosto contra o seu peito.

–Queria, você esta bem?

Ah pai, tirando o fato de que sombras entram no meu quarto e o fato de que eu estou ficando loca, estou bem.

–E porque não estaria? -Tentei não mostrar pânico-

–Ouvi vozes alteradas, gritos e você conversando com alguem. É um dos vagabundos da sua escola? É? Cadê esse filho de uma mãe? Saia seu peste!

Ele começou a abrir meus armarios e a olhar em baixo da cama, começou a procurar alguem em cada canto, em cada centimetro do meu quarto.

–Pai! O que é isso? Não tem ninguem aqui!

–Isso é o que todas dizem! Cadê esse peste Samantha?

–Ele quem? Ja falei, estou sozinha não tem ninguem aqui!

–E as vozes alteradas?

Enquanto ele falava, sentia meu corpo tremulo e fraco. Era muita coisa pra uma noite só

-Acho que era la fora pai, aqui não foi. Agora posso voltar a dormir? Sabe, eu tenho aula amanhã! -Esnobei e falei em um tom de irônia

De novo ele me deu boa noite, depois de dar uma checada no meu quarto inteiro.

Abri a gaveta do meu criado-mudo e peguei meu despertador, parecia despertador de filmes de Hollywood. Dois pequenos pratos em cima, os que fazem o barulho.

Regulei ele para despertar 10:00 da manhã, ja que o ônibus saia as 11:00. Eu teria tempo de tomar meu café da manhã, tomar banho e separar meu material. Me deitei, mas não consegui dormir, as imagens vinha na minha cabeça como um flashback.

Mas espera. O que ele queria dizer com das outras vezes? Não me lembro de ter visto ele um tempo atras, não me recordo de nada, de exatamente nada .

E se eu matasse aula amanhã para ir na biblioteca e pesquisar sobre sombras que se transformam em pessoas? Mas e se não tiver, e se me acharem louca? E se eu sou realmente louca? Isso tudo foi um sonho ou realmente aconteceu?