Shadows

3 Aluno novo?


Rolei de um lado para o outro em cima daquela cama gelada, outrora quente me fazendo sentir gotas de suor escorrem pela minha nuca e descer ate o centro das minhas costas. Eu fechava os olhos e tudo aquilo que eu havia visto voltava a tona me fazendo tremer.

Mas que barulho chato! Façam isso parar, eu quero dormir. Mais cinco minutinhos, vai... por favor.

Eu não achava de forma alguma o tal botão para fazer aquele trim parar. Bati a minha mão no despertador e ele caiu no chão, agora fazendo um barulho mais alto, mais irritante e imparavél do que ha 10 segundos antes.

Despertei e tirei a pilha do relógio, com o cabelo bagunçado e rosto amassado. Sentei na cama ainda sonolenta, meio acordada e meio ainda dormindo, de vabeça baixa, bocejei e criei coragem para me levantar.

O sol ja invadia o meu quarto passando pelas brexas de correntes de ar da janela de aluminio.

Tirei meu moletom velho e rasgado quee havia ganhado do meu pai. Eu amava as mangas longas que caiam em minhas mãos fazendo com que eu as segurassem enquanto dormia.

Jeans escuro, blusa sem estampa branca e uma jaqueta justa de couro com um all star simples preto. Estava linda, só faltava arrumar o cabelo e passar make.

Havia um banheiro ao lado do meu quarto, um banheiro só pra mim, pelo menos isso.

Passei minha maquiagem e pensei em pegar a chapinha, mas o meu celular tocou me fazendo tomar um susto.

–Sa?

Poucos me chamavam assim, para falar a verdade só a Livya me chamava assim, porque sabia que eu não gostava.

–Oi nega. -Tentei parecer feliz e não demonstrar que ainda estava assustada-

–Esteja na esquina de sua casa em 5minutos. Você tem apenas c-i-n-c-o minutos.

Ah não, o que eu fiz pra merecer isso? Eu tenho os meus planos Livya.

–Pra que essa afobação toda? -retruquei

–Tem um novo aluno na escola. Grigore, todas estão falando.

Oh não!

Como se não bastasse o que havia acontecido na noite passada, vou ter que conviver com esse Grigore.

Talvez eu nem tenha que falar ou vê-lo todos os dias, a escola é grande, muitos lugares para me esconder. O dificl sera ter de ouvir as meninas falando dele a todo momento sem saber do que ele é capaz. Nem eu sabia do que essa coisa era capaz.

–Luccy caramba! Esta me ouvindo? -Gritou

–E-e-estou. -Gaguejei

–Bom, estou saindo de casa. Esteja pronta e linda.

Antes que eu pudesse fazer alguma piada ela desligou me deixando falando com aquele tu tu tu tu tu .


Uma caminhonete azul puxada para o preto parou em frente a minha casa buzinando como se não houvesse o amanhã.

–Eu falei que tinha um aluno novo e não que o diretor morreu -Me examinou

–Eu pensei que estavamos indo a escola e não a um cabaret. -Ri

–Ha ha! Muito engraçadinha.

–Tudo isso é pro tal Grigore?

–Como se não me conhecesse. Isso tudo é para todos.

–Depois odeia que eu faça piadas.

Livya engatou a primeira cantando pneu e deixando marcas no asfalto.

Seu celular vibrou dentro de sua bolsa que estava jogada no chão do passageiro. Enfiei minha mão dentro da bolsa revirando-a por inteiro atras do bendito celular.

–Vai demorar mais quantos séculos? -Disse dobrando as sobrancelhas em um tom sarcastico.

–Pra que tanta coisa?

–Sério que vou ter que parar o carro pra achar o celular?

A encarei de boca aberta.

Depois de ter revirado aquela bolsa cheia de coisas, quais ela nunca usaria, achei o celular. Rosa com florzinhas brancas e uma joaninha pendurada como ''chaveiro de celular''.

–Nossa, quando eu penso que você não poderia piorar...

–É tão fofo! Não tenho culpa que você e tudo o que você tem é morto.

–Seu amor por mim, me comove sabia?

–Comove a todos. -Riu

Pera, o que é isso? Cigarros. Pela metade.

–Livya, eu não acredito. Você esta fumando!? -Berrei

–Tem como não mecher na minha bolsa?

Sua feição tinha mudado, agora ela estava de cara fechada, emburrada, estressada.

–Desde quando começou a escond...

''Muuuuuuuuuuuuuuuuuu Muuuuuuuuuuuuuuuu ''

Seu celular começou a tocar, jamais entendi porque era uma vaca mugindo.

–Baby!

Ela disse isso em um entusiasmo que ninguem diria que a segundos atras eu terei a tirado do sério mechendo em suas coisas, e questionando o porque de cigarros em sua bolsa.

Minha mente saiu de dentro do carro e começou a vagar pela noite passada.

Porque essas cenas não saiam de mim?

Meu corpo tremia, minha mão ficava umida e um nó na garganta me subia. Eu não estava entendo, eu sentia medo e me sentia protegida ao lado daquela coisa que chamam de Grigore.

Ao lado dele, por alguns minutos, eu me senti como nunca havia me sentindo antes.

–Samantha!!!

Aquele grito ecoou pela minha espinha fazendo com que eu pulasse no banco do carro.

–Que? -Custei dizer

–Mudança de planos. Vamos ao bar do pai do Eike. Grigore esta la no saguão, no fliperama, acabaram de me avisar.

–O que esse garoto tem que eu não vejo?

Grigore, era encantador, mas claro, eu não podia falar. Ele tinha um sorriso sedutor, uma voz grave porem doce. Cabelos levemente cacheados, jogados desajeitados para a esquerda, formando uma franja perfeita. Sua pele era branca e limpa, seus olhos verdes hipnotizavam qualquer uma.

Passamos por uma ponte de madeira, estava escuro e nesta ponte só passavam um veículo por vez.

Era possivel ouvir as corujas e o som de galhos secos se quebrando quando algum animal passava por perto.

Maldita hora que eu sigo as ideias dela!

Livya começou a acelerar sua caminhote trocando as marchas algumas vezes, depois que alcançamos uma certa velocidade, ela afundou o pé no freio ao mesmo tempo puxando o freio de mão e virando a quase 360º o volante.

O carro deu um '' cavalinho de pau '' parando na frente do bar do Eike. Incrivel e inexplicavelmente a caminhonete parou alinhada a calçada.

–Nunca mais faça isso, ta me ouvindo? Nunca mais! -Comecei a berrar

–Não tenho culpa que você é uma '' pé de izopor ''. -O tom sarcastico em sua voz, predominou

–Ha ha ha!

Havia uma porta de madeira escura com um pequena janela na propria porta, fui me aproximando para examinar o local quando dois olhos raivosos preencheram todo aquele espaço. Me desequilibrei e Livya me segurou. Eu sentia meu sangue ferver e o meu coração estava parecendo uma escola de samba.

–Posso ajudar? -Disse um homem com uma roupa rasgada preta

–Viemos encontrar alguna amigos.

Porque ela sempre estava tranquila em relação a tudo?

Aparentemente o rapaz que eu suponhava ser o segurança, fazia um enforço a mais para abrir a porta. Quando pisamos e podiamos dizer que estavamos no bar, o seguraça puxou nossas mãos e fez um ''E'' na parte superior.

–Se forem ao banheiro cuidado para não tirarem isto. É o ''passa-porte'' de vocês para o inferno.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.