Sexta-feira 13
2 Capítulo 1: Novo morador
Mais um dia tranquilo naquela república se repetia. David, coordenador da república, punha-se na cozinha, testando uma nova receita de bolo. O cheiro bom já irradiava por toda a casa.
Gustav estava há duas horas e quarenta minutos no telefone falando com sua namorada e não pretendia sair tão cedo. Tom e Georg estavam sentados no sofá, assistindo um filme. A televisão estava tão alta que parecia que explodiria a qualquer momento enquanto, como sempre, os dois falavam em código. Era estranho David ainda não ter reclamado ainda.
Como já era de se esperar a campainha tocou. Hoje receberiam um novo morador na república. David já havia avisado aos garotos para que estes não ficassem reclamando ou fossem pegos de surpresa.
Antes que o coordenador interrompesse o bolo, Tom pulou do sofá e correu para atender. Claro, poderia ser uma de suas ficantes! Ele não podia deixar nenhuma escapar. Precisava estar sempre alimentando o seu insaciável desejo de encochar o máximo de mulheres que pudesse.
E, no mais, se fosse o garoto novo, já queria mostrá-lo como as coisas funcionavam lá na República. Não era um playboyzinho qualquer que ia chegar mandando, certo?
Girou a chave na maçaneta e abriu a porta com um sorriso meia-boca. O sorriso logo sumiu quando reparou o que estava na sua frente. Quem era essa garota com essas roupas esquisitas? De onde ela tinha saído? De um cemitério? Quem tinha morrido?
-Ern... Desculpe ae,” Tom pensou no que dizer. “Hm, mocinha.” Concluiu ele, feliz em não ser grosso. “Nós não estamos interessados em fazer parte de nenhuma seita, ok?” Tom apoiou a mão atrás da porta, pronta para batê-la na cara da moça.
Ela era bonitinha, mas góticas não faziam seu tipo...
Bill empurrou sua mão contra a porta, fazendo Tom abri-la de novo.
Ele arregalou seus olhos um tanto nervoso, fazendo o que nunca costumava fazer: olhar nos olhos de alguém.
“Seita? Garotinha?” disse Bill, numa entonação grossa suficiente para que Tom se desse conta de que não se tratava de uma garota e sim de um garoto.
Sentiu a gafe que fez logo ao olhar para os olhos do menino. Sinceramente, preferia ter passado sem essa. O olhar era muito firme e fuzilador. Até o fizera encolher-se um pouco.
-Oh, perdão. Bom, cara, não sei como posso remediar o fato de ter te confundido com uma garota – e ele segurou o risinho -Mas ainda que hoje seja sexta-feira treze não estamos interessamos em nenhum tipo de comemoração esse an...
Bill suspirou fortemente. Soprei o seu pescoço, enviando-lhe ar. Sua paciência se esvairou e ele esmurrou a porta, fazendo-a ir para trás. Jogou sua mala na casa, provocando um grande barulho. Tom se afastou assustado e ergueu uma sobrancelha.
-David. — pronunciou o loiro.
Georg olhava a cena sentado no sofá.
-Quem é esse? — perguntou o castanho.
Toquei seus ombros, fazendo-o acalmar-se de novo. Eu queria que ele fosse amigável com os garotos. Vi que novamente fiz suas pupilas ficarem sem foco, com olhos e bocas inexpressíveis. Minha vontade foi atendida: Bill calmamente falou com Tom.
-Você estava errado. Meu nome é Bill, sou o novo morador dessa... — ele olhou ao redor com certo desprezo submerso no olhar. -República.
-Ah! — exclamou Tom. -Entra, velho.
Tom abriu-lhe passagem e Bill caminhou, pegando de volta sua mala. Decidi abandoná-lo e não interferir mais em suas ações por enquanto. Apenas quando fosse necessário.
Vi Bill caminhar até às escadas, sem perguntar, pedir permissão ou fazer qualquer coisa lógica; rebelde como sempre. Logo olhou para trás, onde um garoto vestido de happer o olhava um tanto encabulado.
Fui para seu lado e aspirei o seu aroma, senti sua energia carnal e levemente sorri por estar perto dele.
Não sei se por minha culpa. Vi um leve desejo nos olhos de Bill em relação a Tom. Estava atraído diante de seu pavor e isso não era culpa minha. Sempre fez parte de sua personalidade. Bill sempre gostou de ter poder sobre os outros.
Mordeu os lábios discretamente enquanto olhava os pés do louro e depois desfez a mordida. Os olhos subiram até quase alcançar a cabeça. Segundo seus pensamentos, avaliou-o como gostoso. Não gostozérrimo, tesão, bonitão, mas... Gostoso. Dava pro gasto.
Não se permitiu olhar o rosto dele. Apenas voltou-se para a escada, mas foi impedido de continuar a subir.
-Ei! chamou David. -Você se não me engano é o Bill, verdade?! — perguntou entusiasmado.
Bill parou a mão no corrimão, arregalando os olhos. Virou de costas lentamente e olhou para os pés do coordenador.
-Toma aqui o nosso regulamento. — disse David, apontando para Bill uma folha.
Bill desceu as escadas e pegou o papel que o homem segurava, fazendo tudo muito lentamente. Começou a ler em silêncio.
Um risinho surgiu no canto de seus lábios.
Regulamentoda República Três Corações, a mais respeitada e disciplinada de toda a cidade de Três Corações.
1. Todos devem ajudar na limpeza e seguir a escala de quem lava os pratos em cada dia. Deve-se fazer faxina na casa toda quinta-feira.
2. Dormir sempre antes das 11h00min e acordar às 05h30min.
3. Nada de som muito alto, que incomode os outros quartos.
4. Namorar aqui dentro, de jeito nenhum. Nem cogitar em sonho.
5. Não passar mais de três horas por dia nos computadores de cada quarto.
6. Não dar festas na República sem o consentimento de seu responsável.
7. Sempre que quiserem sair ou passar a noite fora se deve avisar o responsável.
Obs. A punição para o descumprimento de qualquer uma das regras é a sua expulsão permanente da República Três Corações, a mais respeitada e disciplinada de toda a cidade de Três Corações.
“A mais respeitada e disciplinada de tooooda a cidade de Três Corações.” Era o que pensava Bill, segurando o riso. Por que diabos tinham que ficar repetindo isso? Já havia visto lugares muito mais rigorosos. Devia de ser porque a cidade de Três Corações era uma perfeita porcaria.
Bill devolveu o regulamento ao coordenador ainda sem dizer nada a ele e logo ouviu-o continuar a sua falação.
-Bem, Bill. Te apresentarei os seus companheiros. Estes são: Tom. — disse apontando para o louro. — Georg. — continuou, segurando o ombro do garoto de chapinha. -E Gustav. — terminou, apontando para o louro de cabelos curtos.
Me acerquei a Bill, aproveitando que mantinha os olhos no chão. Sussurrei-lhe levemente. “David é um hipócrita. Quando todo mundo vai dormir ele e Georg vêm pra sala beber e fazer algumas outras coisas.” Me afastei.
Um sorriso presunçoso surgiu nos lábios de Bill. Ele desceu o corpo até o chão e tocou um pequeno rachado que havia nele.
Seus olhos ergueram e ele direcionou-os de Tom, depois Gustav, por fim Georg. Viu que o de olhos verdes era o culpado daquilo e só por precaução, olhou os olhos de David.
Quando essas coisas aconteciam eu sabia que Bill não me ouvia perfeitamente. Ele apenas sente a energia, as vibrações. Ainda que minhas palavras não vão perfeitamente até os seus ouvidos, as minhas ideias sempre vão. De uma maneira ou de outra, ele sempre acaba me ouvindo ou fazendo o que eu quero.
-Ok. As regras parecem bastantes plausíveis.
David sorriu orgulhoso.
-Georg, quando você e David quiserem fazer uma festa noturna realmente divertida, falem comigo. — Bill passou o piercing de sua língua de um lado para o outro nos lábios.
Georg engoliu em seco.
-Ok? — perguntou o moreno.
-O que isso tem a ver? — David perguntou desdenhoso.
-Você que sabe. — disse Bill respondeu com um sorriso, colocando suas mãos atrás das costas.
-Gustav. — chamou o moreno. -Você.
O loiro abaixou o telefone pelo pescoço. -Eu?
-Tem outro Gustav por aqui? — perguntou Bill.
Gustav assentiu negativamente e suspirou. -Que é?
-Vem me ajudar com as malas.
-Pede pra outro.
E Bill olhou-lhe, fundo e intensamente.
-Por favor.
E fixado nos seus olhos, os meus adorados olhos, Gustav sentiu-se hipnotizado. Desligou o telefone e se levantou. -Ok.
David puxou Georg para a elevação da cozinha, com uma expressão raivosa.
-Você contou o nosso segredo pra esse Bill? — perguntou o homem.
-Claro que não. — respondeu o castanho, amedrontado. -Eu nunca vi esse garoto, essa garota, sei lá que diabos isso é! — defendeu-se.
Bill e Gustav foram subindo as escadas juntos, em direção ao longo corredor.
-E aí, Bill. — tentou Gustav.
Bill olhou-o de canto e rosnou.
-Pára de dizer meu nome todo o tempo. Você e eles! — disse nervoso. Sua visão voltou para o corredor. As paredes eram brancas opacas. Pareciam não receber uma camada de tinta há anos.
-Uff, ok! Que é, não gosta dele? — riu Gustav e não recebeu resposta. -Ok... E então, quantos anos você tem? De onde que é? Você sabe, perguntas básicas. — o menor sorriu.
Bill parou um pouco pra pensar. A respiração falhou por um momento e então fez algumas contas. -Dezessete.
-Legal. Tenho dezoito. — respondeu Gustav, descontraído. -Você é gótico ou algo assim? — perguntou o mais velho, olhando bem para a jaqueta preta e calorenta que Bill usava combinada com uma camiseta preta com desenhos de cemitérios, uma calça muito justa e com rasgões enormes. Tinha luvas estilo meia arrastão também. Maquiagem forte, muitos colares por cima de um crucifixo esquisito e braceletes com símbolos estranhos.
-Estou vestido assim porque gosto. — respondeu Bill, simplesmente.
-Legal você gostar dessas coisas... — disse o outro, sem muito interesse.
Bill riu sacana. -Não gosto “dessas coisas”. É um dia como outro.
-Ok. — Gustav murmurou. -Esse é seu quarto, certo?
Gustav abriu a porta e logo no primeiro olhar Bill encantou-se.
Estava tudo como ele havia pedido. Cortinas negras, roupa de cama branca com um edredom negro e grosso cobrindo toda a extensão.
Todas as paredes eram pretas e os móveis prateados. Em vez de lâmpadas, lamparinas. Assim como havia pedido. Alguns dias antes de chegar, Bill deu intensos chiliques no telefone dizendo que de forma alguma queria lâmpadas.
A iluminação das mesmas era vermelha, também como havia pedido. Apenas uma coisa não agradou Bill, que antes visivelmente pasmo, tornou-se visivelmente insatisfeito.
Sua mão apoiou-se sobre a instante com certo desprezo e Gustav sentiu-se na liberdade de falar com ele.
-Ah... Você deve estar sentindo falta de uma coisa... — comentou o loiro.
-Você tem razão. Onde está?
-David não quis pintar seu nome com sangue de bode na parede central. Ele achou que você estava tirando uma com a cara dele. — Gustav riu.
-Deixa que eu mesmo faço isso depois. — Bill suspirou e Gustav entornou os olhos.
-Sério? — o loiro cuspiu um espasmo de riso.
-Por que não seria?
Gustav mostrou as palmas das mãos e franziu a testa. -Por nada.
-Bem, agora que já fiz a minha boa ação do dia que foi te apresentar o quarto, só tenho uma coisa a te dizer: fique a vontade e seja bem vindo a essa merda.
Bill nada respondeu. Os olhos de Gust reviraram lentamente. Estava mesmo tentando ser simpático, mas parecia difícil.
-Só mais uma coisa. — disse Gustav, cuidadosamente.
Bill suspirou forte e bateu a mão contra um dos móveis.
-Esse quadro pregado na parede. Tem um desse pregado em todos os quartos e é um tipo de regra tê-lo na parede. — explicou enquanto Bill olhou na direção na qual Gustav fazia referência.
Era um quadro com todos os moradores da república com cara de foto 3x4, combinado com tédio, sono e principalmente obrigação. Abaixo o nome de cada um deles, como num presídio. A coisa mais imbecil que Bill já vira em seus poucos anos de vida.
-Que ridículo. — murmurou com sinceridade
-Eu também acho ridículo... — concordou Gustav. -Mas fazer o quê? E, não se anima não. Daqui a pouco o David está aqui com sua super câmera-fotográfica te obrigando a tirar uma foto também e, se possível, colar uma cópia em cada quarto pessoalmente.
-Se ele gosta tanto de fotos farei questão de pregar algumas no teto do quarto dele que não vão deixá-lo dormir mais.
Gustav riu fracamente. -Se você diz.
Bill aproximou-se lentamente do quadro, cada vez mais. Até passar a língua entre os lábios e cerrar os olhos, observando a foto do garoto de dreads.
Seus dedos apoiaram-se sobre a foto e ele olhou Gustav.
-Este aqui. — disse ele, chamando a atenção do louro. -É o Tom, não é? — perguntou, com um sorriso presunçoso exposto no canto dos lábios.
-É. É o Tom. — confirmou Gustav.
Bill começou a gargalhar do nada. Espasmos de risos sonoros que surgiam da garganta e jaziam no ar, torturando os ouvidos de Gustav.
Os olhos negros brilhavam de sarcasmo.
-Que que foi, esquisito? — Gustav perguntou; encabulado.
-Eu conheço esse pateta. — falou. -Não só pelo motivo de eu estar... Melhor digo, pelo motivo que não te diz respeito dizer. — Bill tocou a própria cabeça e sorriu. -Mas também por outro motivo.
-Qual? — perguntou Gustav, extasiado de curiosidade. De onde aquele estranho conhecia Tom?
Bill soltou outro espasmo de riso, dessa vez menor, mas ainda divertido.
Olhou ao redor do quarto, notando o computador perfeitamente posto pela cômoda. Puxou o loiro pela mão e o trouxe pra perto.
-Isso pode ser usado, não pode? — perguntou, já puxando a cadeira do computador.
-É lógico que pode. — disse Gustav, sentando-se na cama e permanecendo ao lado do computador. -Mas você sabe, não mais que três horas... São as regras. — disse ele, fazendo careta na última frase e imitando a voz de David.
-Ótimo. Três horas são mais que suficientes. — Bill riu de novo, enquanto iniciava o computador.
Conectou a internet e digitou na barra de endereços um site de pornografia. Gustav enrugou a testa.
Começou a clicar em fotos, vídeos, nomes. Vasculhava tudo. Decidiu fazer login, para poder acessar os seus favoritos. Gustav pôs-se um pouco mais surpreso. Não imaginava que o Bill acessava esse tipo de coisa. Não à primeira vista.
-Seu pervertido. Quer dizer que você...
-Shhh. — disse Bill.
Logo foi para uma página, cujo logotipo zona gay era extremamente exposto.
Agora Gustav tinha certeza de suas suspeitas. Na padaria do Bill não havia pão. Havia rosca. E queimada.
O loiro riu. -Reh... Deve estar por aqui. — disse Bill, apoiando uma mão sobre o queixo enquanto a outra se movia no mouse. -Ache-ei! — cantarolou Bill.
A visão de Gustav foi surreal. Seu queixo caiu e um sorriso sacana se formou de imediato. Os olhos esbugalharam com um brilho intenso e os cabelos louros se arrepiaram levemente.
Na tela do computador, surgira a foto de um garoto de boné e touca. Piercing nos lábios, cabelo louro, dreads. Tórax avantajado, braços definidos. Totalmente nu. Estava coberto apenas por uma toalha branca e pequena, que não dava muitos resultados.
Estava com o pênis ereto e o pano não conseguia cobrir tudo. Apenas parte do escroto e, bem, parecia que a intenção era deixar mesmo boa parte às vistas.
Havia fumaça por todos os lados e as paredes eram de azulejos brancos. Gustav supôs que Tom estivesse em uma sauna.
Ao seu lado, várias garrafas de bebidas alcoólicas, cigarros no estilo enroladinho de maconha e, olhando bem de perto, era possível notar também uma carreirinha.
No fundo da foto e, na suposta entrada da sauna, o esboço de uma mulher bem dotada, munida apenas de uma calcinha vermelha reluzente.
-Tchatchatchan! Nosso modelo! — zombou Bill.
Gustav gargalhou; ainda pasmo. -Porra, não fode. — Era demais. Tom Kaulitz se exibia em um site pornográfico. Era simplesmente demais.
-Concordo. — Bill riu docemente e depois desceu o mouse, baixando a tela. -Creio que você não quer ver as outras fotos. — Ele ergueu uma sobrancelha.
Ah, eu quero sim! — contrapôs Gustav.
-Mesmo? — Bill ergueu a outra sobrancelha e girou o pescoço de um jeito meigo. “Eu acho que você gostou das fotos mais do que deveria. — Bill piscou duas vezes e sorriu.
-Pff. Vai à merda. — reclamou Gustav.
-Todo homem gosta de prazer. — Bill deu de ombros e virou-se de costas, centralizando a cadeira no computador e parando de olhar Gustav.
Passou a olhar as outras fotos sem dar atenção ao louro. Tampava a tela com seu corpo, evitando que Gustav vesse algo.
-Todos gostam. Mas a maioria é normal e gosta de ter prazer com mulheres. — disse Gustav, dando ênfase para a palavra mulheres.
-Ai, é? — ironizou Bill. Seus olhos fixaram na tela, observando outra foto. -Uhh... mmm que gatinho. — sussurrou, mordendo os lábios depois.
-Eu vou vazar, ok. Não quero assistir a punheta que você vai fazer daqui a pouco.
Bill riu divertido.
-Ok. — Bill virou-se, afastando um pouco a cadeira do computador e passando a olhar Gustav. Atrás de si uma foto vulgar de Tom, que deixava tudo muito engraçado às vistas do menor.
-Antes de ir, Gust, me diz qual é o quarto do Tom?
-Fica do teu lado. — respondeu o menor, já um pouco impaciente.
-Do meu lado como, no quarto do lado?
-Não exatamente. Reparou que aqui tem duas portas? Os quartos são interligados. Uma é a saída e a outra é a entrada pro quarto do lado. É um tipo de passagem de emergência que o David instalou. É um jeito que ele criou pra invadir nossa privacidade caso suspeite que algo contra as regras tá rolando.
-Interessante.
-Interessante? Uma merda. Essas portas nos tornam todos vizinhos.
Bill sorriu.
-Tom é meu vizinho?
-Sim. David não tem vizinho do lado esquerdo, mas tem a mim do direito, que tenho ao Georg que tem ao Tom e que tem você.
-Eu também não tenho dois vizinhos igual que o David?
-Não.
-Legal. — sorriu.
-Bem, se quiser entrar pra molestar o idiota do Trümper a chave do quarto vizinho fica sempre nas gavetas do guarda-roupas.
-Hm, muito obrigado, Gustav. — Bill sorriu.
-De nada, cavalheiro.
-Que tal ir embora? — Bill sugeriu, com um imenso sorriso.
-É o que eu ia fazer. — Gustav desapoiou-se da cama e passou a esticar a parte do lençol que havia amarrotado.
-Aff, vai logo! — zangou-se o maior, erguendo a mão para o louro.
Gustav grunhiu e levantou-se por completo. Pôde apenas resmungar algo cochichado e encaminhar-se até a porta. Saiu, deixando-a fechada, para evitar reclamações do gótico.
-Esse menino é idiota às vezes. — disse Bill, pensando alto.
Do outro lado da porta, Gustav esfregou uma mão na outra, preparado para pendurar-se no telefone com sua namorada por mais algumas horas, mas foi tentado a mudar de ideia ao passar pelo quarto degrau da grande escada.
Esbarrou em Tom que fulminou de raiva. Habituado a se meter com Gustav, dessa vez não foi diferente.
-Ficou cego, idiota?
-Claro que não, Tomi! — exclamou Gustav, sorrindo.
-”Tomi” Que foi? Tá me colocando apelidinho carinhoso agora, é? Tá a fim de dar pra mim? — Tom abriu um sorriso sacana.
Gustav continuava em sua frente, com o mesmo sorriso idiota.
-De nenhuma maneira. Não sou gay que nem você. — respondeu Gustav com o maior dos sorrisos. Os dois se encaravam.
-O que você disse? Gay? — Tom pegou-o pelo pescoço.
-Melhor você me soltar, Trümper. Ou eu vou ter que dizer por aí o que você anda pondo na internet.
Tom arregalou os olhos surpreendido. Imediatamente largou Gustav.
-David não ia ficar nada feliz, não acha? Ia te expulsar daqui e você teria problemas com a mamãezinha...
-Não fala da minha mãe! — Tom disse agressivo.
-Ui...
Tom esbarrou em Gustav e continuou a subir as escadas bufando de raiva. Quando chegou no topo, olhou para trás.
-E não pensa que isso vai ficar assim, você pagando de esperto me ameaçando. Vai ter troco.
-Isso é o que nós vamos ver, Trümper.
O rosto do de rastas sumiu para Gustav e o loiro seguiu descendo as escadas enquanto um leve e descontraído assobio começava a soar desde seus lábios.
Fale com o autor