Sex Games 2

18 Mudanças e revelações


Notas iniciais
Salve, salve, minha gente! Penúltimo capítulo. Não posso deixar de agradecer a Ana Camila e a Noara pelos comentários deixados. E, a Ticia Moraes pela linda recomendação. Obrigada e obrigada. Não tem presente melhor do que voltar e ser agraciada desta forma. Boa leitura.

Ele deu duas batidas na porta e aguardou a autorização que veio dois segundos depois. Ao entrar na sala de Conrad, Grissom encontra o outro homem ao telefone. Ecklie sinaliza com a mão livre que o supervisor se aproxime e lhe aponta uma cadeira. Grissom fecha a porta atrás de si e segue até se acomodar no móvel de estofado macio, que fica diante da mesa do outro homem.

— Sim. — ele fala e ergue a mão para o supervisor, pedindo que aguarde só um instante. — Tudo bem. Sim, sim, ele já está aqui a minha frente. — Grissom franze a testa ao ouvir o sujeito se referir a ele com a pessoa que está falando ao telefone. — Tá, ok. Passar bem.

Ecklie encerra a chama, devolvendo o telefone a base em sua mesa abarrotada de papéis e umas pastas.

— Desculpe, Gil. Estava falando com o Xerife.

O supervisor apenas assente.

— O que quer conversar comigo?

O quanto antes o outro sujeito fosse ao assunto melhor seria para Grissom, pois queria logo ter a sua conversa com Ecklie.

— Seguinte, Gil... — inicia o homem, cruzando as mãos sobre a mesa enquanto sua expressão facial adquire uma seriedade maior. — Há algumas semanas fui informado de que o laboratório passará por um processo de mudança de comando.

O supervisor franze a testa diante da informação.

— Você deixará a direção do laboratório?

— Sim. Fui promovido a Sub-xerife.

— E o que houve que o antigo sub-xerife?

— É bem desagradável contar isso, porque você e eu conhecemos o Jeffrey há anos. E para mim, ele sempre passou uma imagem irretocável de profissionalismo como Sub-xerife. Só que foi descoberto em uma investigação secreta que ele faz parte de um grupo de máfia que incluí vários polícias corruptos.

— Isso é muito sério. Você tem provas, não é?

O supervisor ficou bem surpreso com informação repassada por Ecklie e, para o outro sujeito está afirmando, categoricamente aquilo é porque já tinha como provar.

— Sim. Consegui após meses de investigação sigilosa. E foi comprovado, que não só Mckeen está envolvido com este grupo, como também se transformou no chefe do bando após a morte do antigo chefe.

— Céus! — balança a cabeça em negativa o supervisor sem ainda acreditar. — Como ele pode fazer isso? Tantos anos aqui para sujar a carreira desta forma?

— Foram exatamente estas mesmas questões que lhe fiz, mas ele nem se dignificou a responder, ficando calado durante o interrogatório.

— E, agora, o que já foi com ele? — questiona de forma retórica, por supor já o que ouviria.

— Para começo de conversa, ele foi destituído de seu cargo, óbvio, e está preso por seu crime.

Como ele supôs que ouviria. Até porque aquilo seria só o começo do que deveria acontecer. O supervisor sabia que vinham muitas consequências mais para Jeffrey.

— O rigor da lei vai puni-lo pelo que fez.

— Uma pena que ele tenha se deixado levar para este lado, mas seu crime, realmente têm que ser punidos com o rigor da lei. -

Ecklie assente em concordância, para logo em seguida contar:

— E com a destituição do Jeffrey do cargo de Sub-xerife e a minha promoção a este cargo, abriu-se a vaga deixada por mim, como Diretor do laboratório. E em uma reunião de conselho foi decidido que você assumirá o posto, já que tem um "tempo de casa" bem significativo aqui no laboratório e é um profissional acima da médica.

— Eu? — sua voz soa vacilante após ficar certo tempo em estado catatônico pela informação recebida.

— Sim. — confirma Ecklie para em seguir desatar a dar mais informações, que Grissom sequer consegue prestar atenção ou digerir.

Ele, Diretor do laboratório!

Tal cargo exigiria muito mais ainda dele e de seu tempo. Sem contar que lidaria com muito mais assiduidade com burocracias, algo que detesta. Ossos do ofício!

— Gil, você ouviu o que eu disse?

— Ãhm?! — sua atenção se volta ao outro homem diante de si com uma expressão confusa. — Pode repetir? Eu me perdi na sua explicação.

Ele Ecklie exalar de modo áspero o ar pela boca.

— Ok. — diz o sujeito sem muita boa vontade. — Você assume o cargo em poucos dias quando sair a homologação de sua promoção. Com sua subida de posto, a Willows passa a assumir a supervisão do turno noturno e um novo CSI será deslocado para a equipe não ficar desfalcada.

Ainda aturdido com todas aquelas informações que iam sendo despejadas sobre si, Grissom só sabia assentir em concordância. Não deixou de ficar genuinamente feliz com o fato de Catherine assumir seu posto. Sua amiga é mais que merecedora daquela promoção.

Ecklie ainda prossegue com mais informações burocráticas as quais agora Grissom mantém sua atenção focada, ao mesmo tempo, que vai lhe caindo a ficha de quê tal posto pode ter vindo em uma hora providencial, pois com aquilo TALVEZ, ele e Sara não sofressem sanções mais duras por violar a regra do hospital.

Sua promoção não faria com que ele tivesse que entrar em conflito com Ecklie a respeito de uma eventual mudança de Sara de turno, já que agora Catherine seria a superior da perita morena e a mesma não mais iria se reporta ao supervisor.

Porém, desconfiava que ainda assim poderia se abrir margem para um inquérito administrativo pelos anos de relação secreta, mas Grissom tinha argumentos prontos na ponta da língua quando assim contestado por Ecklie.

— E, é isso, Gil. — finaliza o novo sub-xerife. — Peço que dê a notícia aos seus comandados sobre a nova supervisora deles. Além de deixar resolvidas suas pendências e repassar todas as informações que sejam de importância a Willows.

— Certo!

— Terminamos por aqui.

— Na verdade não. — se pronuncia Grissom. — Agora sou eu quem tenho uma conversa a tratar com você.

— Dúvidas ainda sobre o seu...

— Não tem nada a ver com meu novo posto. — se adianta em dizer, atropelando a fala do outro homem.

— Então do quê se trata?

— Só um instante... — ele pede já enfiando a mão no bolso do casaco e apanhando o celular. -... Tem outra pessoa que precisa estar presente na nossa conversa. — informa já discando o número da namorada. Leva três toques até que Grissom ouça a voz de Sara do outro lado da linha. — Oi, você já pode vim a sala do Conrad para falarmos com ele. — ao fundo o supervisor escuta a voz de Greg cobrando algo de Sara, que o manda se calar antes de responder ao namorado um "já estou indo". — Te aguardo.

Ele encerra a chamada e devolve o celular ao bolso do casaco sob o olhar curioso do outro homem a sua frente.

— Posso saber quem está vindo fazer parte da conversa? — não se contendo de curiosidade Ecklie indaga.

— A Sara.

— Qual razão dela participar da conversa? Aconteceu alguma coisa?

— Quando ela chegar, você saberá.

❤️❤️❤️

Acomodada em uma cadeira na sala de descanso, Sara era alvo de diversos pares de olhos inquisidores e atônitos por conta do anel de compromisso que sem querer, ela deixou à mostra.

Desde que chegou, a morena mantinha a mão direita escondida dentro do bolso da jaqueta, mas em um pequeno descuido tirou a mão do lugar e foi o bastante para Greg com seus olhos de águia notar do outro lado da mesa, a jóia de compromisso, e fazer um escarcéu na mesma hora, chamando a atenção dos demais.

— Bora, Sara! Desembucha. — exige Sanders diante do silêncio da amiga. — Quem é o felizardo?

A perita morena se sentia a própria ré em um julgamento, onde era interrogada e deveria confessar seu crime enquanto os companheiros de trabalho pareciam o corpo de jurados, em sua maioria lhe encarando de forma incisiva.

— Eu ainda não posso contar. — revela com rapidez.

Grissom e ela tinham combinado mais cedo de contar juntos depois da conversa com Ecklie, por isso mesmo, a perita vinha mantendo escondida a mão com o anel de compromisso, para que os outros não descobrissem antes do tempo. Só que acabou falhando nisto e a vontade de estapear sua própria cara é gigante no momento.

— Por que não? — Nick foi quem indagou.

— Porque não, oras. — responde sem conseguir formular uma resposta mais decente, por conta de todo o nervoso pela situação.

— E você dizendo que ia usar sozinha aquelas coisas que comprou no shopping, né? — Hodges que estava ali de intrometido junto com os demais, não escondeu um sorriso malicioso ao se lembrar daquele episódio.

— Que coisas? — a pergunta saiu em um coro quase que perfeito dos demais que não sabiam das aquisições da morena.

— Nada de importante. São coisas minhas. — responde, lançando um olhar assassino para Hodges que no mesmo instante desfaz o sorrisinho malicioso da cara.

— Sara só escondendo o jogo da gente, sua danadinha. — comenta Catherine rindo ao se lembrar do episódio do shopping mencionado por Hodges, que era do conhecimento dela e não dos demais.

— Vocês podem parar? — pede a perita morena extremamente sem graça.

— Aí, estão deixando a Sara envergonhada, pessoal. Vamos parar! — Warrick intercede pela amiga ao ver seu constrangimento.

— Ih, se mete não, Warrick! Que o papo aqui é entre a Sara e eu. — Greg rebate de modo grosseiro ao colega. — Eu sou o seu melhor amigo e sequer sabia que você estava namorando e aí, do nada, você aparece com uma aliança na mão direita. Isso é muita falta de consideração da sua parte, Sara.

No fundo a morena até dava razão a indignação de seu amigo e o visível ressentimento dele. Só que ela conhecia Greg bem o bastante para saber que o seu melhor amigo apesar de ser uma pessoa maravilhosa e deles terem uma relação que beira a irmandade, guardar segredo não é uma das virtudes do homem. Sanders é um boca aberta de primeira, por isso mesmo que ela tomou a decisão de não contar para ele sobre sua relação com Grissom.

— Greg, eu acho que você está sendo dramático demais. A Sara não tem que dar satisfações da vida particular dela pra você SÓ porque são os melhores amigos. — pontua Warrick. — Na verdade, ela não tem que dar satisfação a nenhum de vocês aqui. A vida é dela, gente.

A sala cai em um silêncio total após a chamada de atenção de Warrick. Com o olhar, Sara agradece a intervenção do amigo.

— Tá, mas quem é o felizardo?

Pela segunda vez Greg lança a questão.

— Eu falei em japonês, foi? — Warrick taca uma bolinha de papel na direção de Sanders, lhe acertando em cheio na cabeça e causando risadas no pessoal.

— Ei! Me deixa. — rebate Sanders. — Anda, Sara, me responde! — cobra de novo o CSI mais jovem.

Para sorte e alívio da morena o toque de seu celular reverbera no bolso da jaqueta. E ela agradece mentalmente por aquela providencial ligação a qual já até imagina de quem seja.

— Alô! — ouve do outro lado, Grissom dizendo que ela já pode ir a sala de Ecklie para falarem com ele. Enfim havia chego o momento de contar ao sujeito sobre eles.

— Sara dá pra parar de tentar me enrolar e dizer o que quero saber?

— Cala a boca, Greg. — retruca ao amigo. — Já estou indo. — diz para Grissom, ouvindo em resposta do namorado um "Te aguardo".

Assim que encerra a ligação, a perita se põem de pé.

— Preciso resolver uma coisa. — comunica já se dirigindo para a saída da sala.

— Você não vai contar mesmo pra gente de quem está noiva?

Parando em frente da porta já aberta, a perita se volta aos companheiros de trabalho.

— Juro que quando eu voltar, conto.

Dito isso, ela sai da sala.

O caminho até a sala de Ecklie pareceu longo demais. E a cada passo em direção aonde Grissom lhe aguardava, Sara sentia o coração bater mais acelerado e um nervosismo misturado com apreensão ir tomando conta de si.

Ao mesmo tempo em que se sentia aliviada por poder abrir o jogo e passar a não mais esconder das pessoas sua relação com Gil, também havia certo receio por revelar e as consequências daquela revelação serem duras a ponto de arranhar tanto sua carreira ainda em crescimento, como a do supervisor, que já é consolidada e irretocável aos olhos dos superiores que tanto tinham estima por ele.

A morena é ciente o suficiente para saber que o lado mais fraco da balança é o dela e que se o pior vier a acontecer, ela têm chances enormes de ser a que se dará mais mau se comparado com Grissom. Mas também é ciente que seu noivo fará de tudo para não deixar que nada de ruim venha lhe acontecer ou a eles.

"Se eu tiver que brigar por você, pela gente. Eu brigarei. Se demitirem você. Eu irei junto, honey! Não terá meio termo."

Recorda a perita enquanto se aproxima da porta distante dela já pouco metros. De forma alguma, não queria pensar naquela consequência de demissão, ainda que ela seja real e nada improvável de vir a suceder.

Porém mesmo com o temor gritando dentro dela, não custava buscar nas profundezas do seu ser um pouco de positividade e esperança de que no final, tudo não terminará tão ruim quanto seus receios teimam em pintar dentro de sua cabeça.

Assim que se vê diante da porta fechada da sala onde lá dentro está seu noivo e o superior deles, Sara inspira o ar pelo nariz e expira pelo boca. Uma vez. Duas. Três. De maneira funda e lenta, tentando acalmar as batidas de seu coração e baixar seu nervosismo. O exercício de respiração surte efeito após mais algumas repetições e esta é a deixa para Sara ergue uma das mãos fechadas, para dar duas batidas na porta. Não tarda quase nada para ouvir um "entre" de Ecklie.

— Com licença. — pede ao entrar na sala e ser alvo dos olhares de Grissom e Conrad. Enquanto seu namorado transmite segurança com seus belos olhos azuis, Ecklie demonstra certa confusão.

— Vem, honey. — chama Grissom ao se pôr de pé e estender a mão na direção da perita. Atrás de si, o novo diretor do laboratório ouve Ecklie sussurrar em tom interrogativo o apelido pelo qual chamou Sara.

Pega de surpresa pela forma com a qual o namorado lhe chama na frente do sujeito ali com eles, a perita leva alguns segundos para fechar a porta atrás de si e caminhar até onde Grissom lhe espera. Mesmo hesitante, Sara segura na mão do noivo, que entrelaça seus dedos aos dela pouco se importando com a presença de Ecklie.

Sem largar a mão da perita, Grissom aponta para a amada a cadeira vazia ao seu lado. Tão logo o casal se acomoda cada qual em uma cadeira e encarara Ecklie, percebem sua cara de completa confusão e choque.

Se não estivesse tensa e voltado ao seu estado de nervosismo, a perita morena seria capaz de rir da cara do sujeito. Seus olhos pareciam prestes a saltar da cara e sua boca estava aberta, formando um O enorme.

— Conrad... — Grissom inicia, mas nem tem tempo de dar continuidade, já que o outro sujeito diante dele lhe interrompe na mesma hora.

— O que significa isso? — o homem aponta para as mãos juntas do casal, descansando sobre o braço da cadeira de Sara.

— Eu não gosto de muito rodeio então... Vou ser bem direto. — Gil pontua, lançando um rápido olhar a Sara antes de voltar a encarar o homem diante deles e dar prosseguimento em sua fala. — Conrad, a Sara e eu temos um relacionamento amoroso e resolvemos abrir o jogo com você, porque em um mês pretendemos nos casar.

Sara não sabia se dava um beliscão no braço de Grissom ou um beijo em sua boca linda por ser tão direto na revelação. Seu noivo poderia ser mais sutil e não disparar aquela informação a queima roupas. Pôde ver pela segunda vez os olhos de Ecklie se arregalar e quase saltar de sua cara.

— Desde quando vocês estão juntos? — balbucia o sujeito ainda em choque.

— Há um tempo bastante razoável para estarmos tendo esta conversa! — de forma calma, Grissom responde quase que imediatamente a pergunta feita.

Ecklie se deixa cair com as costas no encosto de sua cadeira giratória, sem conseguir dizer um A sequer.

— Se não fosse por culpa minha, nós estaríamos juntos há muito mais tempo do que já estamos. Talvez antes mesmo de Sara vir trabalhar aqui.

— Espera aí! Vocês já se conheciam antes?

— Sim. — desta vez foi Sara quem tomou a dianteira da responda. — Nós conhecemos em uma palestra que Gil deu na minha faculdade.

— Por que não me procuraram logo que... Que... Começaram a... Se relacionar romanticamente?

Foi nítido para o casal o desconforto do sujeito ao fazer o questionamento. E, por incrível que pareça, seu embaraço chegava a ser cômico, assim como as caras e bocas que ele fazia a cada informação que recebia por intermédio das perguntas lançadas ao casal.

— Porque não queríamos que soubesse ainda, ora.

A resposta um tanto quanto ríspida de Sara, não foi muito bem recebida pelo novo sub-xerife.

— Aí, resolveram esconder isso, mesmo cientes de que não era a melhor opção?

— Conrad...

— Vocês infringiram uma regra de conduta do hospital em que diz...

— Não se dê o trabalho de nos dizer qual é a regra, porque somos cientes dela. — Sara se pronuncia, interrompendo o sujeito. — Sempre estivemos cientes dela.

— Então também estão cientes que enfrentarão um inquérito administrativo por isso? — o homem revesa seu olhar furioso entre a perita e Grissom. O casal assente juntos em resposta. — Que muito provavelmente, suas avaliações... — aponta com o indicador para Grissom. — quanto a Sidle serão contestadas? Bem como, possíveis privilégios que, certamente, tenha dado a ela por ser sua namorada?

— Sempre fui imparcial nas minhas avaliações. E jamais previlegiei a Sara por termos um relacionamento da porta para fora deste laboratório. — explica Grissom em uma calma que ele não sabia de onde estava tirando.

— Gil e eu soubemos muito bem separar as coisas, Ecklie. — Sara endossa o argumento do noivo. — Aqui ele é meu chefe e nada mais que isto.

Nesse tempo em que estão juntos, Sara nunca foi privilegiada por Grissom, muito pelo contrário, se alguém ali tinha um pouco de privilégios e regalias com o supervisor, esse alguém era Catherine. Talvez por ser amiga de longa data de Gil e/ou assumir um posto de quase assistente do supervisor por algumas vezes, quando o chefe se ausenta para participar de algum simpósio ou congresso fora de Las Vegas e Willows assume a chefia.

— Eu vou fingir que acredito. — debocha o homem.

— Se não quer acreditar, não podemos fazer nada. Mas tanto eu quanto Sara temos a consciência tranquila de que não faltou respeito, profissionalismo e ética em nosso tratamento e na nossa relação de chefe e subordinada. — verbaliza o supervisor em um tom mais áspero diante do deboche escancarado da fala de Ecklie.

O sub-xerife vagueia seu olhar entre o casal diante de si, ao mesmo tempo, que bate com as postas dos dedos de uma das mãos sobre uma pequena pilha de papéis, nada satisfeito ainda.

— A sorte de vocês é que Grissom acaba de ser promovido.

— Promovido? — Sara não esconde sua surpresa ao indagar.

— Ele agora é o novo Diretor do laboratório. Acredito que em casa, ele vá lhe dar os devidos detalhes disto. — Ecklie sorri de forma tão irônica quanto soa sua segunda frase.

— Com certeza em casa darei os detalhes a ela, sim. — rebate o supervisor sem se deixar abalar pela ironia vinda do outro sujeito.

— Diante deste novo cargo dele, não será necessário que você mude de turno, posto que agora, Sidle, você irá se reportar a Willows. Mas isto não significa que não abrirei um inquérito administrativo por burlarem uma das regras de conduta do laboratório.

— Pode abrir o inquérito que quiser. Não vai encontrar nada de errado.

— É o que espero mesmo, Gil. E ambos já fiquem logo cientes que cada um receberá uma carta de advertência.

O homem ainda dita mais algumas reprimenda ao casal pelos quase dez minutos seguintes.

— Uma dúvida, Gil. — Ecklie diz quando o casal está prestes a sair de sua sala após o homem dar por encerrada a conversa com eles.

— Qual?

— Seu pessoal sabia sobre vocês?

— Não. Mas saberão assim que eu e Sara chegarmos lá na sala onde eles estão. — dito isto o supervisor sai da sala logo atrás de Sara.

Ao ver a porta ser fechada por Grissom atrás de si, Sara apoia as costas na parede ao lado e leva uma mão aos olhos, apertando com o dedo indicado e polegar o canto dos mesmos.

— O que foi? Está passando mal? — Gil toca o ombro da amada mostrando-se imediatamente preocupado.

A perita nega de olhos fechados.

— Tem certeza?

— Absoluta. — fala ao abrir os olhos. — Achei que seria pior do que foi.

O saldo foi muito mais positivo do que as melhores — e ilusórias — projeções que fez. Eles saíram apenas com uma carta de advertência, um sermão enorme na conta e SÓ!

— Também. — Grissom sorri e apoia a mão na parede, quase próximo ao rosto da perita.

— Juro que teve vezes que quase ri das reações dele a cada coisa que contávamos sobre nós.

— Não via a hora dele ser acometido por algum mal súbito.

O comentário do homem rende risos no casal, que em poucos instantes já havia cessado o riso.

— E essa sua promoção, hein?

— Ah, confesso que a princípio não me agradou nada. Mas após pensar em quão providencial para nós ela foi, aí passei a gostar.

— O que houve para ser promovido assim?

— Depois te conto tudo. Agora temos um round 2 a enfrentar lá na sala de descanso, honey. Vamos lá?

— Vamos nessa, baby.

Enquanto o casal segue lado a lado pelo corredor do laboratório, Sara revela para Grissom que sem querer Greg viu a aliança no dedo dela e fez um circo danado na sala, querendo saber de quem ela havia ficado noiva.

— Ah, então era isso que ele estava te cobrando, quando liguei e ouvi ao fundo a voz dele?

— Era.

— Pois a curiosidade dele será sanada já, já.

Alguns instantes depois eles estavam diante da porta da sala.

— Pronta para enfrentar as feras lá dentro? — Sara brinca.

— Mais que pronto! — responde Grissom, tomando a mão da noiva na sua e entrelaçando seus dedos aos dela.

Antes que Sara pudesse dizer qualquer coisa com relação ao fato de entrarem de mãos dadas, Grissom já tinha aberto a porta e entrado, levando consigo a perita pela mão.

— Boa noite, pessoal!

Os outros peritos respondem e no segundo seguinte vários olhos estão arregalados ao repararem melhor que Grissom se aproxima do grupo de mãos dadas com Sara, que tentava não rir da cara dos companheiros de trabalho.

— Antes de dar início ao trabalho, quero comunicar a vocês que... Sara e eu estamos juntos e vamos nos casar. — conta da mesma forma direta com a qual havia feito anteriormente com Ecklie.

Diante da notícia dada as expressões faciais dos demais se mostrou tão em choque que chegou a ser cômico de se ver.

— Acho que fui direto demais. — cochicha Gil antes de fazer um biquinho.

— Também acho.

Assim que a perita termina de falar, Nick é o primeiro a se expressar verbalmente depois da notícia "bomba".

— Caraca, gente!

Em seguida foi a vez dos demais se expressarem com frases como: "Não acredito!", "É pegadinha, certeza!", "Isso não pode está acontecendo!" E mais outras.

Na sequência veio um bombardeio de perguntas de todos os lados e ao mesmo tempo, não dando margem para respostas do casal. Então, Grissom interveio proferindo um alto "chega!". Foi o suficiente para o pessoal se calar no ato.

— Depois do turno a gente responde as perguntas de vocês, porque se formos fazer isto agora, não vamos trabalhar. E nosso horário já deu.

O argumento não deixa de ser a mais pura verdade. No entanto, também é um meio eficiente que o supervisor encontra de fugir por hora do interrogatório do pessoal, o qual se mostrou assustador e intimidante, como ele não imaginou que seria.

— Não acredito que você vai nos fazer esperar até o fim do turno, Gil?

— Sim, Catherine. Mas antes tem mais outra coisa que preciso dizer.

— Já sei, a Sara está grávida, é isso? — alguém questiona, atropelando a fala de Grissom.

— Não, gente! — a perita se adianta em responder. — Eu não estou grávida, não. — faz uma careta engraçada.

— Se não é isso o que é?

— Depois de amanhã, em alguns dias estarei assumindo a Direção do laboratório. — comunica o supervisor.

— Que?! — o pessoal todo diz em uníssono.

— Ecklie foi demitido? — alguém indaga.

— Não. Ele foi promovido a sub-xerife e sua vaga de Diretor caiu no meu colo. — resume o homem.

Grissom recebe então os parabéns de cada um dos colegas e depois, quem recebe felicitações é Catherine ao saber que ficará no lugar do amigo no comando da equipe de peritos.

— Por que o Ecklie foi promovido? O que houve com o outro sub-xerife, Gil? — a nova chefe do turno da noite indaga o que os demais queriam indagar, mas não tinham muita coragem.

— Descobriram que ele estava chefiando uma máfia que incluí vários polícias corruptos. — conta não querendo entrar em detalhes. — Agora, chega de perguntas. Ao trabalho que já estamos atrasados. Aqui os casos de hoje. — diz mostrando os pequenos papéis que tira do bolso. — Vamos lá.

Ele começa a distribuir os casos, formando duplas.

— Vocês dois têm contas a acertar com a gente, viu? E nada de nos enrolar, não. — sentencia Catherine ao passar por Grissom e Sara. — Eu dirijo, Greg. — grita já de fora da sala.

— Eu só vou dar os parabéns ao casal depois que conversamos direito. — é a vez de Greg dizer também ao passar pelo chefe e a amiga, para seguir Catherine, sua dupla.

Os outros foram passando sem dizer nada, mais em compensação, sorriam para o casal recém revelado ou então apenas lançavam olhares de malícia ou seriedade. O último a passar foi Hodges que não perdeu a oportunidade de puxar o saco de Grissom, felicitando o casal pelo futuro casamento.

— Obrigado. — agradeceu o supervisor por pura educação.

— Espero ser convidado para o casório. — diz o sujeito antes de sair da sala.

— É muito abusado. Só falta ele querer ser o padrinho também.

Grissom apenas sorri da insatisfação da noiva enquanto ambos deixam a sala para irem cuidar do caso que trabalhariam aquela noite.

❤️❤️❤️

A notícia sobre a promoção de Grissom e, principalmente, seu relacionamento com Sara logo já havia se alastrado pelo laboratório, mais rápido que fogo em palha seca.

Não foi surpresa alguma tanto para o supervisor quanto para a perita, se depararem com outros funcionários do laboratório de cochicho pelos cantos quando retornaram de sua cena de crime ou quando circulavam pelos corredores do ambiente de trabalho. No início chegou a ser incômodo para ambos, mas depois eles decidiram ignorar, seguindo com seus trabalhos. E recebendo de cada pessoa com quem topavam, as devidas felicitações ao longo daquele turno todo.

❤️❤️❤️

Reunidos em uma mesa da lanchonete do Frank's, com o restante do pessoal da equipe, Sara e Grissom eram sabatinados pelos amigos com perguntas do tipo: "Quando começou o relacionamento?", "Quem chegou em quem e se declarou primeiro?", "Por que omitiram deles o relacionamento que mantinham?" E outras mais, que o casal se revesava em responder como se estivessem em um programa de perguntas e respostas.

As cômicas expressões que os companheiros de trabalho deixavam escapar em reação a cada resposta dada, ia desencadeando altas risadas em Sara e sorrisos discretos em Grissom. A reação que mais tirou risos, ou melhor, gargalhadas da perita foi quando eles souberam que o casal morava juntos há tempos já.

Foi exclamações de "passada e chocada!" de um lado, "tô sem palavras!" do outro e alguns palavrões que chegaram a chamar a atenção de outras pessoas nas mesas próximas, o que rendeu uma reprimenda por parte de Grissom.

Aí, quando Catherine começou com sua indiscrição, querendo saber mais do que devia, o casal, principalmente Grissom, se recusou terminantemente a responder.

— Chega, Cath! Vocês estão querendo saber além da conta já! — repreende Sara diante da insistência da amiga de trabalho.

— "Vocês" uma vírgula. — Nick se manifesta após um gole de café. — ELA... — aponta na direção de Catherine. — que quer saber além da conta.

— Exatamente. Eu não estou interessado em saber da intimidade de vocês. — Warrick se defende.

— Muito menos eu. — agora foi a vez de Greg, que foi acompanhado por Jim que havia se juntado ao grupo um tempo depois de eles já estarem ali.

— O Hodges pelo visto quer, porque foi o único que não se negou que nem os outros. — comenta Catherine em tom de malícia.

— Eu não! — se apressa em dizer o técnico de laboratório que havia se auto convidado para a reunião do grupo.

— Então por que ficou calado?

— Ai, chega, desse assunto, pelo amor de Deus, gente! Pula pra outro.

Atendendo ao pedido de Sara, a conversa então mudou e se estendeu até mais um tempo quando o cansaço pelo último turno começou a pesar no grupo, que resolveu bater retirada.

❤️❤️❤️

— Me sinto leve, por não precisarmos mais nos esconder.

— Eu também, honey! — Grissom beija o ombro da noiva, por cima do tecido de algodão de sua camisa de dormir, que a perita tomou para si.

O casal se encontra acomodado na cama depois de um banho quente, tomado poucos instantes após chegarem em casa.

— Acho que deveríamos ter feito isso muito antes.

— Não acho. — rebate a perita ao se virar de frente para o amado.

— Não?

— Não. Acredito que as coisas acontecem no tempo certo delas. Então o tempo certo de termos contado a todos sobre nós, foi no dia que tinha que ser e não antes.

— Você é uma mulher sábia.

— Você também é um homem sábio, doutor Grissom!

— Na verdade, eu sou é um homem sortudo, porque em um mês estarei me casando com a mulher mais linda!

Notas finais
Um xero e até a próxima sexta-feira com o último capítulo.