Sex Games 2
19 Capítulo Final: Casamento
Notas iniciais
A gente se escolhe todo dia
E eu te escolheria mais milhões de vidas
Porque uma só é pouco com você, amor
E eu quero tudo que eu puder viver com você
(Explodir — Anavitória)
❤️❤️❤️
Ao ver a porta se abrir, Grissom pôde observar melhor todo o modesto salão principal da Little House Backyard, um estabelecimento alugado por sugestão de Catherine. O ambiente com paredes de tijolinhos brancos, lustres de cristal na cor champanhe e teto de vidro retrátil está com uma decoração de encher os olhos de sua futura esposa.
Sorri ao pensar em Sara a quem não vê desde de mais cedo e mais ainda, nos momentos que viveram até ali.
Momentos!
Alguém disse certa vez: É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante: nada nessa vida é por acaso.
E não foi por acaso que eles se conheceram.
Devia estar escrito em algum lugar que eles estavam predestinados a terem seus caminhos cruzados.
Estava escrito em algum lugar que as coisas entre eles tinha que acontecer como aconteceram. Com desencontro. Rejeições. Medo. Sofrimento. Mas também regado de momentos de alegria. Companheirismo. E Amor. O sentimento mais sublime e mais forte que um dia Grissom sentiu por alguém na vida.
— Vamos lá, amigão?! A música já começou a tocar. — Grissom escuta em tom baixo Catherine murmurar para ele, lhe tirando dos devaneios para assentir em resposta.
Trajando um terno marinho com gravata marsala e camisa branca, Grissom caminha de braços dados com Catherine rumo ao altar montado em madeira, com aparador e estrutura incrementada por tecido, vaso de flores e tsurus, origamis tradicional de pássaro, que simbolizam saúde, boa sorte, felicidade, longevidade e fortuna.
Durante o trajeto, o supervisor ia sorrindo com sua costumeira timidez para os convidados presentes, acomodados às mesas de madeira com cadeiras de ferro e madeira, que se espalham pelo ambiente, criando uma atmosfera única.
A cada rosto conhecido de um convidado o qual os olhos de Grissom pousava, estava lá estampada nele uma genuína alegria e emoção, por estar fazendo parte daquele momento inesquecível tanto para ele quanto para sua futura esposa.
Assim que pára diante do altar onde o juíz de paz está postado do outro lado da mesa, Grissom recebe de sua amiga um beijo no rosto e ouve em seguida um pequeno discurso baixo e emocionado de Catherine.
— Hoje, você começa uma outra história, outra etapa da sua vida. — a loira envolve uma das mãos do amigo nas suas. — Só o que essa sua velha amiga te deseja do fundo do coração é que você seja muito muito, mas muito feliz, Gil.
— Obrigado, Cath. — diz o homem sentindo um nó se formar na garganta.
Dois minutos!
Dois longos minutos de espera até enfim Grissom vê Sara aparecer de onde anteriormente o homem tinha vindo.
Foi seus olhos azuis baterem na perita vindo acompanhada de Brass, para lhe faltar o ar e Grissom sentir-se o homem mais feliz e sortudo de toda a Las Vegas.
Sara estava maravilhosa, muito mais bonita do que já é em seu vestido branco de alças finas, com um corte similar ao sereia e todo revestido de renda. Os cabelos soltos eram enfeitados por um broche de flores, preso ao lado direito de sua cabeça. E a maquiagem simples, mas impecavelmente bonita, só realçou seus traços bonitos.
Vendo-a tão esplêndida daquele jeito, Grissom se viu amando mais ainda aquela mulher com quem estaria casado dali a uns instantes e pretendia viver para todo o infinito ao seu lado.
Infinito!
No dicionário, sua definição, significa: aquilo que não tem fim.
É, bem assim, o amor que Grissom sente por Sara. Um sentimento forte, imenso e que nunca terá fim. Esperava que permanecessem assim, juntos e se amando, por toda a eternidade. Porque apenas Sara é capaz de lhe fazer sentir especial e verdadeiramente amado. Apenas com ela é que Gil consegue imaginar um futuro próspero e cheio de felicidades.
Felicidade!
Muito tempo atrás, antes mesmo de Grissom conhecer Sara, sua amiga Catherine lhe sentenciou em um falso tom sério algo mais ou menos assim: Tomara que a felicidade te pegue de jeito e não te solte nunca mais... Vou achar bem feito, porque você vai ganhar o que você merece: ser feliz!
E a felicidade lhe pegou de verdade e em cheio. Lhe pegou, exatamente em um domingo quando um "sim" fez seu mundo ganhar um brilho diferente. E agora, vendo Sara parar diante de si, com os olhos envolto em lágrimas, Grissom sentia a sua felicidade ser alçada a um nível que nem em seus mais ilusórios sonhos ele achou que fosse capaz de chegar. Algo gigante que mau cabe dentro de seu peito.
— Cuide bem dessa mocinha, ou vai se ver comigo, velho marujo.
— Pode deixar, Jim.
Quando o capitão se afastou para ir se acomodar a mesa onde Catherine, Lilly e Lindsey estavam, Grissom não perdeu a oportunidade de elogiar a perita.
— Está linda!
Sara sorri, entrelaçando seus dedos aos de Grissom que havia tomado sua mão na dela.
— Você também está tão lindo.
O azul sempre ficava tão bem nele.
— Estou mais apaixonado ainda por você, se isso for possível, senhorita Sidle, futura senhora Grissom. — cochicha o homem com um sorriso.
— Posso dizer o mesmo com relação a você, doutor Grissom, meu futuro marido. — rebate a morena antes de o juiz de paz dá início a cerimônia.
O homem de meia idade começou seu discurso, falando sobre o significado do casamento e o que faz uma união feliz; pontuou todos os direitos e deveres entre os noivos e fez uma bela citação sobre amor e companheirismo entre um casal:
— Amor é o resumo do infinito. É o laço entre dois corações. É um sorriso frouxo demais. É quando a gente escuta o mundo inteiro no silêncio de alguém. É o ópio do coração. É um cafuné bem feito. É encontrar um lar em outro peito. — finaliza o juiz.
O homem ainda disse mais algumas coisas antes de conceder a palavra ao casal na troca dos votos.
A primeira a discursar seus votos foi Sara:
— Gil... Nunca sonhei ser tão amada e completa como sou com você. Nunca pensei que fosse possível sentir algo tão intenso e verdadeiro. Algo que, ao invés de preencher lacunas, me faz entender o que é ser transbordada de amor. Meu amor por você mal cabe em meu peito. Por vezes, eu me pego pensando se estou realmente vivendo isso, e quando lhe vejo, só consigo agradecer aos céus por ter colocado você em meu caminho. Por poder ser amada do mesmo jeito e intensidade que amo. Espero estar sempre ao seu lado e poder lhe fazer feliz, assim como você me faz. Espero sempre ser digna de tanto amor e ser capaz de demonstrar todo o amor que sinto por você. Espero que possamos passar todos os anos de nossas vidas juntos, meu amor! — finaliza a perita em lágrimas.
Então foi a vez de Grissom:
— Sara... Algumas coisas acontecem em nossas vidas e não somos capazes de explicar o porquê, simplesmente sentimos. É assim que acontece quando o assunto é o meu amor por você. Não encontro explicações para ele, consigo apenas senti-lo. Agradeço e agradeço novamente por ter me dito "sim" naquele domingo, porque foi a partir dali que começamos a construir de fato nossa história. A viver o nosso amor. — o homem faz uma pequena pausa para respirar e então prossegue. — Você me honra todos os dias com sua alegria e eu só posso desejar que isso continue. Se possível, para sempre. Te prometo meu brilho no olhar, minha amizade, meu companheirismo e acima de tudo, o meu amor. Um amor tão grande, tão intenso e tão verdadeiro que às vezes consigo enxergá-lo como uma poesia de Shakespeare, com métrica, rimas e estruturas perfeitas, cheio de palavras bonitas e sentimentos reais, e infinitos.
Àquela altura não só a noiva derramaravam lágrimas, como grande maioria dos presentes.
O juiz de paz logo em seguida faz um breve discurso antes de perguntar se é de livre e espontânea vontade que os noivos estão se casando. Diante da afirmativa do casal, o homem então anuncia a troca de alianças.
Outra vez, Sara foi a primeira. Enquanto ia deslizando devagar a peça dourada no dedo de Grissom, a morena ia recitando as palavras do juramento de casamento, lhes dita pelo juiz em tom baixo:
— Gil... Receba esta aliança como símbolo do meu amor... Te prometo ser fiel, te amar e te respeitar, por todos os dias da minha vida. — ao final de sua fala, a perita beija a jóia que agora enfeita o dedo de Grissom.
Logo na sequência foi a vez do noivo fazer o mesmo juramento enquanto desliza a aliança pelo dedo de Sara. E ao final, também repete o gesto da morena de beijar sua mão com a jóia de compromisso.
— De acordo com a vontade que ambos acabam de afirmar perante mim. Eu, em nome da lei, vos declaro casados.
Sob aplausos e assovios, o casal troca um selinho demorado, para fechar com chave de ouro a celebração.
❤️❤️❤️
Com um olhar cheio de amor, Grissom de sua mesa observa Sara dançando com Greg enquanto que com os dedos indicador e polegar da mão direita gira a aliança dourada presa ao dedo anelar da mão esquerda em uma mania recém adquirida.
Ainda lhe parece um sonho estar vivendo aquilo de tão perfeito e feliz que é. Tanto que Grissom até sente certo medo de acordar e descobrir que nada ali é real. Que tudo é apenas um sonho bom.
Ele vê Sara cair na gargalhada após Greg lhe dizer algo ao ouvido durante a dança deles e, involuntariamente, sorri sem conseguir conter a felicidade do momento.
Os olhos azuis passeiam com verdadeira adoração pela dona de seu coração, sua esposa, lá com seu amigo e companheiro de trabalho, dançando feliz e radiante.
"Esposa", a menção daquela palavra de seis letras, faz o coração de Grissom acelerar em uma felicidade ímpar.
Ele e Sara estão oficialmente casados.
Juntos... Para sempre... Até que a morte os separasse!
— Ei!
Grissom olha para o lado encontrando Catherine em pé ao seu lado. A supervisora logo se acomoda ao lado do amigo, na mesma cadeira que momentos atrás era ocupada por Sara antes de ser levada por Greg a pista de dança.
— Ainda não tive a chance de te agradecer pela recomendação do lugar. Tudo está sendo tão incrível.
— Não precisa agradecer nada, Gil. — Catherine toca o ombro do amigo e sorri. — Aqui realmente é incrível. A cerimônia de casamento de vocês foi perfeita.
Grissom assente com um sorriso largo e feliz ao voltar o olhar para Sara que agora iniciava uma dança com Nick.
— Posso te confidenciar uma coisa?
— Claro!
— Ainda não acredito que você casou. Pouco mais de um mês atrás, você nos contou que estavam noivos, quando sequer ninguém imaginou que namoravam. Vocês conseguiram nos enganar muito bem.
— Ainda inconformada por ter te omitido sobre meu relacionamento com a Sara durante todo esse tempo, Cath?
— Digamos que só um pouco. Poxa, sou sua amiga de anos, Gil. Podia ter aberto o jogo comigo. — disse ainda com certo inconformismo.
— Eu já te expliquei os meus motivos.
Um dia depois da revelação, Catherine procurou o amigo para saber o porquê dele e Sara terem escondido tanto tempo sobre o relacionamento deles. E Grissom lhe contou as razões disso.
— E eu entendi, mas não quer dizer que aceitei de bom grado. Mas também deixa pra lá isso não importa mais. Estou feliz por vocês de verdade.
— E eu também! — Gil diz, voltando sua atenção a amiga.
— Ah, nem precisava dizer. Está escancarado em sua cara.
Eles sorriem e um silêncio se instaura entre os dois amigos. Contudo, não dura muito tempo.
— Achei que nunca ia ver o dia em que Gil Grissom estaria com uma aliança de compromisso no dedo anelar esquerdo, mas não é que esse dia chegou?
As palavras de Jim atraem a atenção de Catherine e Grissom, e ambos acabam por sorrir novamente.
— Milagres acontecem! — brinca Gil enquanto vê o amigo capitão se acomodar do seu lado.
— Estou acreditando nisso. Meu parabéns, velho amigo.
— Obrigado, Jim.
— Que você e Sara sejam muito felizes.
— Se depender de mim seremos e muito.
O trio de amigos segue de papo por mais alguns instantes até Sara se aproximar da mesa onde eles estão.
— Pessoal... Se me dão licença, eu vou raptar o amigo de vocês um pouco, para dançar comigo, porque ele aí, está me devendo uma dança. Vamos, doutor Grissom?!
Gil faz uma careta ao olhar a pista de dança. Vinha se esquivando da esposa o quanto podia para não dançar, porque fazer isso em público não lhe agradava em nada.
— Honey, você sabe que eu...
— É nosso casamento, Gil. Uma dança só, por favor, amor. — implora a perita.
— Vai, Gil. Deixa de ser velho chato.
O diretor lança um olhar mortal para Catherine, que ri sem se deixar abalar pela cara amarrada do amigo.
— É, vamos, Gil. Levanta essa bunda daí, e vai com a sua esposa dançar. — é a vez de Jim se pronunciar ao mesmo tempo que se põe de pé e puxa o amigo da cadeira a qual está sentado. — Anda, vai. — o capitão empurra Gil para perto de Sara.
Sem outra alternativa, o diretor do laboratório vai de mãos dadas com a esposa rumo a pista de dança. A música animada que o DJ tocava, deu lugar a uma mais lenta que em sua introdução mistura notas de flauta, violão e violino, que fora pedida por Sara para ser tocada, já que a perita sabe com conhecimento de causa que para o esposo é mais fácil dançar uma música mais lenta do que as agitadas.
Quando os primeiros versos da canção começaram a ser cantados por uma voz masculina, o casal já dava seus passos lentos, acompanhando o doce ritmo da canção.
— Só você mesmo pra me fazer dançar na frente de tanta gente.
— Gil, pelo amor Deus, amor... É nosso casamento, sério mesmo que você não ia dançar uma música comigo?
O homem aperta os lábios um contra o outro, não tentando rir da expressão engraçada que a esposa fazia.
— Se eu dissesse que "não ia" o que aconteceria comigo?
— Você ficaria sem noite de núpcias.
— Nossa! A gente já ia começar assim o casamento?
— Ia por culpa sua!
Apertando os braços em torno da cintura da esposa, Grissom sorri, sendo acompanhada por Sara.
— Ah, honey, sua maluca! — murmura o homem, juntando sua testa a da esposa e fechando os olhos.
— Gil... — a perita chama após uns segundos de silêncio.
— Oi?! — responde o homem ainda de olhos fechados.
— Hoje está sendo o dia mais feliz da minha vida. — confidencia a morena.
— O meu também, honey. — Grissom abre os olhos para encontrar um par de castanhos emocionados lhe encarando com amor e doçura.
— Te amo muito, baby!
— Te amo muito mais, honey!
Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei
(À primeira vista — Chico Cesar)
Fim
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