Sex Games 2
4 Inesperados e desconfortáveis encontros
Notas iniciais
Só podia ser alguma espécie de brincadeira sem graça do destino encontrar, justamente, com aquele sujeito por ali, ou melhor, ELE lhe enxergar naquele lugar. Isso era tudo que não precisava.
Droga!
Instintivamente a perita morena lançou um olhar para as três sacolas sobre a mesa. Torcia para aquele fofoqueiro não saber que loja era aquela ou do contrário, teria que aturar as piadinhas indiscretas e sem graças que certamente o sujeito soltaria.
— Sara! — a pessoa tornou a chamá-la, agora, se postando diante da perita morena.
— Hodges!
A mulher forçou um sorriso para disfarçar a apreensão e o desconforto daquele encontro inesperado.
De todas as pessoas que fazem parte do seu ambiente de trabalho e também do seu namorado, ela tinha que ser vista naquele shopping justamente por David Hodges, o sujeito mais indiscreto que, ainda por cima, é o fofoqueiro mor do laboratório de criminalística?
Sem perguntar se podia ou não, Hodges se acomodou na cadeira vazia a mesa de Sara. A perita arqueou uma das sobrancelhas diante da cara de pau do sujeito em se aboletar ali com ela sem pedir permissão sua, como se fossem amigos bem chegados, o que não era o acaso.
"Quer fazer o favor de ir embora!"
— Que surpresa te encontrar aqui. Achei que não gostasse de shopping e muito menos, que fosse consumista desse jeito.
Sara engoliu a seco e suou frio quando Hodges fez esse último comentário encarando incisivamente as sacolas pretas, que traziam o nome da loja em destaque na cor vermelho paixão e logo abaixo o slogan: Todo prazer é erótico.
Que ele não saiba que loja é essa... Que ele não saiba que loja é, por favor!
De repente ela o viu erguer os olhos das sacolas e lhe encarar com um sorriso bem malicioso demais para o seu gosto.
Ah, não! Ele sabe que raios de loja é essa!— concluiu a mulher.
E isso virou certeza quando Hodges todo zombeteiro, soltou após um assobio o seguinte comentário:
— Nunca imaginei que fosse adepta de compras em sex shop!
Eu mereço!
Na joalheira, Grissom finalizava sua compra e recebia da vendedora a sacola com suas duas aquisições. Só queria ver a cara de sua namorada quando recebesse aqueles presentes. Por enquanto seria apenas o colar com o coração em rubi. Mais para frente ele pretendia lhe fazer o pedido de casamento e entregar-lhe a aliança junto. Ainda pensaria na ocasião perfeita para aquilo.
— Muito obrigada. E volte sempre, senhor!
Ele assentiu à vendedora e agradeceu-lhe. Logo já estava se dirigindo a saída da loja. Do lado de fora se encaminhou para pegar as escadas rolantes imaginando que àquela altura Sara já devia estar impaciente com sua demora e louca de curiosidade de receber seu presente. Sorriu ao imaginar a reação ao ver deu presente. Mas de repente o sorriso do supervisor se desfez dois segundos depois e o homem estancou no meio do caminho ao avistar alguém sorridente vir em sua direção.
— Gil!
— Catherine?!
O supervisor engoliu a seco e arqueou uma das sobrancelhas diante do encontro com a amiga.
— Você num shopping? Que milagre é esse? — Catherine questionou enquanto trocavam um abraço e dois beijos no rosto como cumprimento.
— Vim comprar um presente para a moça que toma conta do Hank. Amanhã é aniversário dela. — ele inventou rapidamente mostrando a sacola com os presentes de sua namorada.
Por dentro Gil ficou espantado consigo mesmo por tamanha rapidez e agilidade com a qual pensou na mentira e esta saiu por sua boca logo em seguida.
— Nossa! Eu sou sua amiga há sei lá quantos anos e nunca recebi um mimo precioso desses de você. Essa moça que toma conta do Hank por acaso é especial?
A verdadeira pessoal que vai receber esse presente é especial! — pensou o supervisor. Mas não podia dizer isso.
Deste modo o homem inventou outra mentira. Meio sem jeito e brincando com as alças da sacola de papel, o supervisor contou:
— Ah... É... Que... Ela cuida muito bem dele e... Achei que devia retribuir a altura de seus cuidados.
— Sei.
A loira não se convenceu muito com aquela explicação. Ela tinha a impressão de que seu amigo mentia descaradamente para ela.
Aquilo ali estava com cara de ser para outra mulher que nem deve ser essa cuidadora de Hank. Se é que ela exista, já que aquela estava sendo a primeira vez que ouvia seu amigo mencionar sobre tal mulher. Mas Catherine resolveu deixar quieto, pois tentar arrancar algo da vida pessoal de Gil Grissom era a coisa mais difícil, ou melhor, impossível mesmo de se conseguir.
— E você o que faz por aqui, Catherine? — o supervisor quis tirar o foco da conversa sobre si para não dar brecha de sua amiga tentar qualquer outra abordagem pessoal, que o fizesse trair-se e acabar deixando escapar algo comprometedor. Catherine era esperta o suficiente para captar as mínimas coisas no ar.
— Vim comprar um "mimo" para Linds, algo não tão valioso assim como o que você comprou aí para a cuidadora do Hank. — provocou a loira. — E já que nos encontramos por aqui que tal me acompanhar num café? Eu estava indo à praça de alimentação.
Ele lembrou da namorada que estava lá a sua espera. Achou por bem recusar o convite e evitar o encontro tendo Catherine ali. Ligaria para Sara avisando que ia esperá-la no estacionamento. Mas assim que recusou a proposta de Catherine, esta não aceitou e enganchando seu braço ao dele, saiu arrastando o amigo contra sua vontade em direção as escadas rolantes.
Enquanto isso Sara se via as voltas com os olhares incisivos e cheios de malícia e indiscrição de Hodges, que parecia à espera de alguma explicação sua, que a seu ver, ela não tinha que lhe dar.
Por quê que com tantos shoppings e outlets espalhados na cidade Hodges tinha que vir no mesmo em que ela e Grissom vieram? E pior, ele tinha que saber que raios de loja era aquela das compras dela?
Quanta falta de sorte!
— Você e seu namorado pretendem se divertir um bocado com todos os conteúdos dessas sacolas.
Ela o olhou chocada com a cara de pau dele em dizer aquilo.
— Acho que isso não lhe diz respeito.
Quanta indiscrição dele!
Mas também o quê ela queria? Era David Hodges que estava diante dela. Indiscrição podia ser seu nome do meio ou até mesmo, o primeiro.
— Eu nem sabia que você tinha namorado.
— E desde quando eu tenho que ficar alardeando por aí que posso ter um namorado?
A intenção era mandar mesmo que "desde quando ela tem que ficar partilhando da sua vida pessoal com ele", mas para não ser mais grossa do que começava a sentir necessidade de ser, Sara então mandou outra coisa.
— Ah, é que já nos conhecemos há tanto tempo que...
— Você acha que te devo satisfações da minha vida? — ela completou com incredulidade.
Era muita cara de pau dele achar que só porque se conheciam faz tempo, ela devia lhe contar algo referente a sua vida íntima. Se nem mesmo Greg e Nick que eram seus melhores amigos sabiam de tais fatos, por que David Hodges saberia? Nem chegados o suficiente para isso eles eram.
— Pensando bem... Você não deve mesmo.
Claro que não!, pensou óbvia.
Diante das circunstâncias Sara já estava pronta para recolher suas sacolas e anunciar que iria embora para não dar mais margem ainda à questionamentos indiscretos daquele sujeito, quando este soltou duas perguntas que deixaram a perita morena momentaneamente sem ação.
— Mas e quanto ao Grissom? Ele sabe que você tem um namorado?
Ótimo! Por que raios ele pôs o nome do supervisor no meio da conversa?
Será que desconfiava de algo?
A perita achava pouco provável já que ela e seu namorado eram muito discretos.
Assim que se recuperou do impacto das perguntas feitas, algo que levou em torno de dez segundos, foi que a mulher se pronunciou, desconversando.
— Por que o Grissom teria que saber que tenho um namorado? E só pra esclarecer eu não tenho namorado. — mentiu.
— Não tem namorado? E por que essas...
— Uma mulher não precisa ter necessariamente um namorado pra se divertir com certas coisas que se vendem nesses lugares, Hodges. — explicou a perita com acidez e dirigindo um olhar mortal ao sujeito.
— Entendi!
O sujeito coçou a cabeça e fez uma careta que demonstrava seu total embaraço diante da fala de Sara. Ele então resolveu se desculpar por sua indiscrição.
— Foi mal, Sara, eu...
— E você não respondeu por que Grissom teria que saber que tenho um namorado? O que acabei de deixar claro a você que não tenho.
Agora ela estava curiosa para saber de onde ele tirou essa pergunta e envolveu Grissom na história.
— É que... Ele parecia ter algum interesse... Especial em você. — meio sem embolando o sujeito explicou. — Ao menos foi o que andou circulando certa vez por aí.
Era só o que lhe faltava o povo ficar especulando sobre os sentimentos de Grissom em relação à ela.
— Certa vez quando?
Resolveu "investigar" aquilo mais a fundo de uma fonte bem informada como era em potencial o sujeito sentado do outro lado da mesa.
— Ah! Faz tempo. Antes mesmo dele cair de encantos pela Lady Heather!
A menção do nome daquela mulher revirou o estômago de Sara.
— Inclusive — o sujeito se inclinou para frente e apoiando os braço a mesa baixou o tom para confidenciar o restante de sua fala: — Eu acho que ele ainda sente algo por ela, já que pareceu bem mexido com aquele último caso envolvendo-a. Lembra, ano passado? Ele até passou a noite na casa dela servindo de álibi para a mulher. E sabe-se lá o que eles andaram fa...
— Hodges! Eu tenho que ir. — ela o interrompeu no meio da fala.
Aquele papo já estava descambando de algo constrangedor para indigesto demais. Só de imaginar o restante da fala daquele sujeito, Sara sentiu ânsia.
— Ah, mas já? Nem pedimos um café.
Que sujeito mais sem pura noção!
— Até mais, Hodges! — ela apanhou suas sacolas da mesa.
Pretendia seguir para o estacionamento e no caminho ligaria para seu namorado avisando disso e de Hodges. Achou estranho até que Grissom ainda não tivesse dado as caras na praça de alimentação. Ele havia dito que em dez minutos chegaria e já havia se passado esse tempo, e nada dele aparecer. O que até tinha sido bom, pois assim evitava dele topar com Hodges. Uma sorte que ela infelizmente não teve.
Foi Sara sair por um lado da área de alimentação para seu namorado surgir do outro com uma Catherine atracada ao braço dele.
Enquanto a loira buscava com os olhos uma mesa vazia para seu amigo e ela se acomodarem, Grissom procurou Sara no local onde ela disse que estaria a sua espera. Contudo, ela não estava lá.
Onde você está, honey?
Foi então que ele visualizou a figura de Hodges.
Não acredito!
E a presença do técnico de laboratório, por alguma razão, fez Grissom supor que fosse a responsável pelo fato de sua namorada não estar por ali.
— Ai, não, olha quem está ali, Gil?
O supervisor ouviu sua amiga resmungar com insatisfação.
— Já vi.
E naquele mesmo instante Hodges os enxergou de sua mesa e acenou de maneira exagerada para os dois.
— Que ótimo! Ele nos viu. Vamos ter que ir lá com seu puxa-saco número um, Gil. — debochou a loira para o amigo, que apenas lançou um olhar raivoso à amiga. — E não me olhe assim. Vamos.
A mulher saiu levando seu amigo arrastado na direção da mesa em que David Hodges estava.
— Hodges! Que surpresa te encontrar por aqui. — Catherine forçou um sorriso gentil ao falar com o sujeito.
— Ah, vim comprar um presente para minha mãe. Semana que vem é aniversário dela. Oi, Grissom! — ele sorriu para o supervisor.
— Oi!
— Mas e vocês o que fazem por aqui juntos?
— Na verdade eu vim só e encontrei o Gil passeando pelos corredores. Aí o convidei para um café.
— Eu já ia pedir um também. Não querem me fazer companhia?
Não era bem da vontade de ambos, mas Catherine aceitou por eles o convite, porque só havia aquela mesa 'disponível'.
— Claro, né Gil? — a loira lançou um olhar para o amigo.
Só que antes que Grissom pudesse lhe responder o celular dele tocou. Pedindo licença aos dois conhecidos, o homem se afastou para atender a ligação que julgou ser de sua namorada.
Longe já dos olhos curiosos de Catherine e Hodges, o supervisor puxou o celular do bolso e como já imaginava era uma ligação de Sara.
— Honey onde você está?
— Indo para o estacionamento. Vou te esperar lá. Acabei encontrando com o Hodges e foi uma experiência bem desagradável.
— Desagradável como?
— Te contou depois. Vou ficar a sua espera lá.
— Encontrei a Catherine no meio do caminho e ela me arrastou para um café. Acabamos também de encontrar o Hodges.
— Meu Deus! Da próxima vez me lembre de fazer compras desse tipo em lojas virtuais para evitar esses encontros.
— Falei que era arriscado.
— E eu devia ter te ouvido.
— Catherine tá acenando pra mim. — ele avistou sua amiga sinalizar chamando-o.
— Se é assim então vou apanhar um táxi e ir pra casa. Te espero lá.
— Tá bem. Vou tentar não me demorar na companhia desses dois.
— OK. Beijos.
Assim que finalizou a chamada Grissom retornou para a mesa onde os outros dois estavam. Notou uma cara divertida em sua amiga. Ia indagá-la a esse respeito, mas Catherine foi mais rápida ao querer saber se quem ligava era Ecklie os convocando para o trabalho mais cedo.
— Não. Se tratava da cuidadora do Hank. — inventou. Sequer havia uma cuidadora de seu cão. Mas diante dessas mentiras todas teria que arranjar uma temporariamente só para manter essa farsa.
— Ah, sim. Algum problema com seu filho de quatro patas?
— Não.
— Certo. — ela riu e Grissom franziu a testa achando que ela não tivesse acreditado em sua mentira. Mas não era bem disso que sua amiga ria e ele descobriu logo a seguir: — Ei! Sabe o que Hodges me contou enquanto você estava ao telefone?
— Não faço ideia.
— Que pouco antes de aparecermos, Sara estava aqui com ele. E você nem imagina, ela tinha feito compras num sex shop.
— Ela tava cheia de sacolas. — revelou exageradamente Hodges com um sorriso malicioso.
Diante daquelas informações Grissom se remexeu inquieto na cadeira. E tentou desviar o foco do assunto.
— Acho que não temos o direito de ficar julgando o que os outros compram.
— Mas eu não estou julgando. Eu mesma já comprei algo num sex shop. — a loira confessou em divertimento.
— Eu confesso que achei inusitado ver Sara com aquelas sacolas. — opinou Hodges. — Até então ela não me parecia ser alguém que fizesse uso desse tipo de... Coisas.
— Por que não já Hodges? — Catherine olhou com curiosidade para o sujeito. Se limitando a ficar calado e quieto, Grissom prestou atenção no desenrolar daquele papo.
— Ah, porque ela me parece 'certinha' demais.
— Então na sua visão quem compra em sex shop é errado?
— Não! Acho que me expressei errado.
— É se expressou mesmo. Mas enfim... Gostaria de saber com quem ela vai usar essas coisas. Seria com algum namorado?
Um sorriso bem malicioso estampou a face da loira.
— Bom ela disse que não tem namorado e deu a entender que usaria sozinha mesmo.
— Mas que danadinha a Sara hein? — brincou, soltando uma gargalhada Catherine.
Já bastante incomodado com as especulações feitas sobre a vida íntima de sua namorada, Grissom resolveu intervir.
— Eu acho que já chega de ficarem falando da vida particular de alguém que nem está aqui. Isso é bem desagradável e constrangedor.
A chamada de atenção dele surtiu efeito imediato. A risada de Catherine cessou, assim como também, o risinho discreto de Hodges sumiu. Nenhuma 'gracinha' mais a respeito da vida particular de Sara foi feita da parte de Catherine e nenhum comentário mexeriqueiro e indiscreto veio da parte de Hodges.
— Ah! E antes que eu me esqueça... — pronunciou-se outra vez Grissom. — Não quero essa conversa a respeito da Sara se espalhando por aí, ninguém aqui tem a ver com a vida íntima dela, entendeu Hodges? — o olhar do supervisor mirou no técnico de laboratório. Era sabido que aquele ali era indiscreto o suficiente e que adorava uma fofoca sobre a vida alheia. Nem queria imaginar essa história sobre sua namorada maluca ter feito compras num sex shop se espalhando por aí, e principalmente, no ambiente de trabalho deles. Ia ser constrangedor para Sara.
— Mas eu não pretendia ficar espalhando isso. — defendeu-se o sujeito.
— Melhor mesmo.
Ao lado do supervisor sua amiga achou curioso todo aquele comportamento do supervisor, porem válido ao ameaçar Hodges.
— Vamos pedir o café né? — propôs a mulher segundos depois e os outros dois concordaram.
***
Assim que entrou em casa Sara jogou as chaves no aparador e se dirigiu ao sofá. Largou as sacolas sobre a mesinha de centro e jogou-se no sofá.
Daria tudo para ser uma mosquinha e está lá no shopping para descobrir se Hodges ia ter a língua solta o suficiente para compartilhar sobre as compras dela com Grissom e Catherine. Era bem provável que sim!
Aquele ali tinha a língua solta o bastante para tal. E sem contar, que sua indiscrição era absurdamente enorme para contar sem nenhum problema sobre aquilo.
— Ai, que raiva, Hank! — a mulher chiou ao deslizar a mão pela cabeça do cão que tinha aparecido na sala naquele instante e se aproximado dela para pedir carinho. — Aquele mexeriqueiro tinha que aparecer.
Talvez estivesse fazendo um pouco de tempestade num copo d'água, mas com aquele cara toda preocupação era pouca diante de sua fama de fofoqueiro mor. Não se admiraria se caso ele resolvesse comentar com mais alguém do trabalho sobre o encontro deles no shopping e as compras delas.
— Ah, mas se ele se atrever à isso, eu arranco a língua dele fora e aí quero ver esse sujeito fazer qualquer outro mexerico na vida, Hank.
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