Seven days

7 Dia 7 – Sábado


Notas iniciais
Obrigada pela recomendação, Helo Chan E aí, vocês estão preparados para o último capítulo? Betei às pressas, porque não estava me contendo de ansiedade, caso haja algum erro, gostaria de que me avisassem. Obrigada! s2

Sétimo Dia

SÁBADO

Rápido como pedaço de farpa rodando no meio de um redemoinho, Natsu levantou-se ligeiramente do colchão duro, deixando Lucy apreensiva e um tanto quanto confusa. A nossa protagonista não tinha a certeza de quem os esperava lá fora, mas teve uma ideia não confirmada. Havia uma gaveta no armário da cozinha que estava sempre trancada. Meio velha, meio surrada, nunca chamou tanta atenção. Passou despercebida pelos olhos de Lucy que, agora atentos, deram-se conta da sua existência. Natsu passou uma chave no buraco do meio do retângulo do móvel – de onde tirou aquela chave? Lucy não sabia – e abriu a gaveta, retirando de dentro uma arma de calibre 38 na cor preta.

Foi instantâneo. O coração de Lucy, que já não se encontrava em boas condições, bateu descompassado. Natsu estava uma criança nos últimos dias. E como qualquer criança com uma arma na mão, boa coisa não poderia fazer. Criancice. E assim a cor da sua íris tornou-se intensa de uma forma que ele poderia encontrar um grito de socorro naqueles dois chocolates. E não fora por falta de uma visão aguçada que Natsu não se importou. Obviamente que olhar nos olhos de Lucy foi a primeira coisa que fez quando tomou posse do instrumento, mas tudo que pôde dar foi um pedido de desculpas, dessa vez usando seus olhos.

Mesmo assim, pôde ouvi-la perguntar:

– O que está planejando fazer? – desviou os móveis do caminho, seguindo os seus paços em direção à porta do casebre. Natsu estacionou antes de pôr a mão no trinco para abri-la, fazendo com que Lucy cessasse os passos a uma curta distância dos seus. – É como forma de precaução, não é? Você não pode estar pensando em fazer alguma besteira... Lembre-se que ainda há quem precise de você. Você tem tudo para conseguir o que quer agora, como sempre planejou. Não pode colocar tudo a perder por conta de pensamentos quentes.

– É comigo mesmo que está preocupada ou com Jude? – esboçou um sorriso sarcástico, não perceptível aos olhos de Lucy.

Boa pergunta. Com quem Lucy preocupava-se?

É sabido que Natsu havia tomado uma proporção enorme dentro de si, em relação à preocupação. Lucy sempre esteve sendo a coitadinha na sua cabeça, e Natsu, uma figura, até então, independente e imponente, de repente havia virado alguém bem mais vulnerável que ela mesma já foi um dia, chamando sua atenção e despertando o instinto maternal que toda mulher tem dentro de si. O ato de preocupar-se, a vontade de cuidar.

Entretanto, dizer que Jude não significava mais exatamente nada para si era uma grande mentira. Sempre o teve como o pai, não seria de um dia para a noite que essa devoção construída ao longo dos anos poderia desmoronar como uma parede de base fraca. Estava consciente que as coisas que Natsu disse era verdade – sempre foi verdadeiro nas suas palavras, impossível não acreditar –, mas a emoção é uma força equivalente à razão, e não é um sopro fino que irá resolver essa questão. Seu coração ainda sentia que se tratava daquele homem o seu pai. Nunca lhe fez um mal visível, isso tornava as coisas mais difíceis. Mas a dor de Natsu, essa, sim, era visível, e estava se apegando a ela para dar fundamentação às suas decisões.

– É com você que estou preocupada – respondeu, apegando-se à sua camisa como um cordão que não poderia ser quebrado entre eles. Apertou a mão em torno do tecido com tanta força que as suas próprias unhas machucaram a palma da sua mão branca e gelada. Contraditório, não? O frio causa a perda da sensibilidade física.

Seus olhos se fecharam com força, também, mas não o suficiente para evitar que uma lágrima escapasse pelo canto do olho e rolasse para o chão, onde morreria. Gostaria que a lágrima fosse resultado da grande pressão exercida pelas pálpebras, mas aquela resultava da pressão exercida pelo seu coração, que chorava esmagado.

– Comigo? – riu. – Quantas vezes lhe disse para ser mais esperta e deixar de se preocupar com idiotas? Preocupe-se com quem merece a sua preocupação, Lucy.

Natsu deu um passo à frente, mas Lucy o impediu de prosseguir puxando sua blusa com ainda mais força. O ruivo não pôde evitar de olhar para trás e agarrar sua mão gelada, retirando-a do lugar com uma certa brutalidade e incerteza. Nunca quis tanto que aquela mão estivesse ali. Precisou tanto de uma mão que o segurasse quando fosse preciso e agora, quando as coisas já estavam feitas e não poderia mais voltar atrás... Justo agora, não poderia aceitar aquela ajuda saudosa. Grande azar! Mas quando foi que teve sorte mesmo? Sorte não era bem uma palavra existente na sua vida, ainda que se encontrasse no seu vocabulário.

– Você quer matá-lo? Você forjou um encontro entre vocês dois, é por isso que me sequestrou? – perguntou olhando Natsu nos olhos, observando sua mão se fechar em torno da dela. – Quer dar cabo da sua vida, quando na verdade será você a morrer com essa escolha? Morrer não é bem o apodrecimento da carne para você, não é?

– Eu já disse. Eu estou morto. Não há porquê me preocupar com essas coisas.

Eu estou morto. A cada vez que Natsu pronunciava essa infame frase, um arrepio se projetava na espinha de Lucy, tomando proporções inimagináveis. Não gostava disso. Não gostava nada disso! Mas não era como se pudesse evitar, já que Natsu não parava de dizer essas coisas.

– Você está ciente do que estou pensando em fazer, você não é boba – Natsu foi soltando a mão de Lucy aos pouquinhos e deixando cair ao lado do seu corpo, enquanto escolhia as próximas palavras com cautela; as coisas que gostaria de dizer a ela. – Então acho que estou te devendo algumas palavras – esboçou um sorriso bobo; o mais simpático de todos. Um sorriso que Lucy nunca pensou que pudesse presenciar um dia, nem mesmo quando usou vários no domingo passado para atraí-la para a isca. Natsu estava incrivelmente atraente e mordível aquele momento. Só faltou coçar a cabeça de um jeito constrangedor e desengonçado para Lucy perder as estribeiras e avançar em cima daquele pescoço. Tava dando água na boca só em pensar. – Muitas palavras, eu diria, mas vou me restringir em um “desculpe” e um “obrigado”. Eu nem sei exatamente a que devo agradecer, mas sinto que é necessário dizer isso. E quanto ao ‘desculpe’, o que não faltam são momentos em que te magoei. Até mesmo quando te contei a verdade e quebrei a sua felicidade em pedaços. No fundo, você sempre foi uma pessoa feliz. Diferente de mim... Então, daqui em diante agarre-se a essa felicidade. Se não por você, por mim.

– Por... você?

– Não que eu mereça algo bom vindo de você, mas... Sim... Por mim.

Lucy estava muito surpresa com aquelas palavras...

Desenhando um sorriso com os lábios, Natsu despediu-se, virando as costas para Lucy e colocando a mão na maçaneta, assumindo uma expressão séria, diferente da anterior. Mas não foi preciso que girasse o trinco para abrir a porta e dar de cara com o momento mais esperado de sua vida. Os dois jovens dentro do casebre ouviram o chute proferido contra a porta velha e rangida e, por impulso, os dois afastaram alguns passos para trás.

– Estou sozinho aqui, os tiras não estão comigo, mas se não me deixar entrar logo, vou degolar você mais lentamente, filho da puta! – literalmente puta, já que se tratava de uma prostituta. E o modo de falar de Jude foi justamente para provocá-lo e alfinetar de longe.

Sem perceber o que estava fazendo, Lucy usou Natsu como escudo, pondo-se por trás de seu corpo maior, mais musculoso e robusto que o seu, esguiando os olhos vez ou outra para observar se a porta cedo ou tarde cederia aos golpes. Lembrou-se de como era seu “pai”. Jude era alto e musculoso demais para um homem da sua idade. Aqueles caras que se preocupam com o corpo mesmo depois de velhos, com o físico de um general do exército ou o comandante da marinha. Não era para menos que Natsu tinha uma postura semelhante à dele.

Com mais dois ou três golpes fortes, a porta foi derrubada, dando lugar aquela “parede” humana passando pelo buraco aberto, com um sorriso desdenhoso. Natsu seguia apontando a arma na sua direção, com os olhos aguçados e a alma preparada para atacar no minuto em que o velho respirasse de um modo diferente. Mas não fazia parte do acordo que Jude trouxesse uma arma consigo, e assim que se pôs para dentro da casa, começou a olhar e a brincar com o instrumento como se fosse uma criança curiosa e cheia de expectativas a respeito do seu primeiro brinquedo que, nesse caso, não era mesmo o seu primeiro brinquedo!

– Você já segurou muitas vezes uma dessa na vida, garoto? – perguntou sem tirar os olhos dar arma. – A primeira vez em que toquei em uma, pensei que fosse mais pesada do que parecer ser. É como você. As pessoas podem achar que o seu olhar põe medo em alguém, mas no momento em que eu colocar o meu dedo no gatilho, aposto que vai se mijar nas calças. – Natsu não respondeu à ofensa. – E você, minha querida, está bem? – Jude perguntou a Lucy. – Esse filho de puta fez algum mal a você?

– Só fodi o rabo dela umas duas ou três vezes, não sei se chamaria isso de fazer mal – comentou Natsu, despertando o instinto agressivo de Jude que, numa mudança de olhar, mostrou-se ser atingido pelas palavras. – Trouxe a grana?

– Grana?! – Jude soltou uma gargalhada de fazer pender o pescoço para trás. – Mas que grana? Você foi ingênuo demais ao achar que eu cederia ao seu pedido de merda. Eu vim buscar a minha filha, eu não vim encher o seu rabo de nota verde coisa nenhuma. Vou encher ele de bala!

– Por que eu não sou uma menina, não é? Se não, você enchia ele de porra. – Jude direcionou seu olhar para Lucy, preocupado pela filha estar ouvindo aquelas palavras tão obscenas. – O quê, está preocupado com ela? – Natsu percebeu e virou o rosto um instante na direção de Lucy, que ainda permanecia por detrás de suas costas, agora de mãos suadas e trêmulas. – Eu enchi o rabo dela de porra também. Alguma coisa eu tinha que herdar de você.

– Ora... Seu...

As dúvidas de Jude foram sanadas.

Seria ingênuo pensar que Natsu não contaria a verdade a Lucy, agora restava saber se a garota havia acreditado. Mas da maneira como estava se portando, mesmo com a presença do pai no cômodo, era impossível não ter acreditado. Tinha acreditado, e já começara a criar uma espécie de aversão a ele.

E disso podemos ter certeza: foi o que mais Jude temeu enquanto sua menina passou os dias desaparecida. Vamos pensar! Lucy era uma menina de “boa família”, com dinheiro, beleza e uma personalidade fácil de se conviver e gostar. Qual garoto em sua sã consciência não se apaixonaria por ela? Por que todos se afastavam da pior maneira possível, sendo rudes ou traindo-a? A verdade é que a culpa pertence a Jude, se todos se afastaram. Não foi porque queriam, mas por que ele os obrigou. De uma forma um tanto quanto... impossível de se recusar, de se negar a essa subordinação.

Silenciosamente, como um gato à espreita do rato, Jude agiu. Como uma cobra que passa dias em abstinência, preparando-se para o grande banquete. Se tudo que Natsu disse foi verdade, por que não a abordou anos mais cedo? Jude poderia se tratar de um pedófilo, poderia, mas mais do que sentir atração por uma menina de coxas pequenas e desprovida de seios, Jude gostava de Lucy. Jude amava Lucy, independente da idade que tivesse. Poderia ser 7 ou 70, seria Lucy. E ele mesmo não poderia explicar esse tipo de sentimento doentio e tão verdadeiro ao mesmo tempo. Verdadeiro ao ponto de não querer machucá-la. Mas disso excluía-se deixá-la ser feliz com outro homem. Lucy poderia ficar sozinha, mas com outro homem que não fosse Jude seria inaceitável. E tendo por base a figura paterna que se construiu diante dos olhos da loira, ele mesmo conformava-se com a ideia de que nunca poderia revelar os seus reais sentimentos.

– É, eu contei a ela que vim do seu saco.

E consequentemente, também contou que Lucy não tinha ligações sanguíneas nenhumas com ele. Essa foi a parte que Jude sentiu-se ferido. Não porque não fosse seu pai, não queria mesmo sê-lo, mas pela questão de passar anos mentindo para a sua menina, ocultando esse fato. E não só isso, mas estava claro que Natsu contou as mil e uma barbaridades que Jude aprontou no passado, no monstro que era anos trás. Não que agora fosse um monstro diferente, ainda sentia certos desejos e impulsões que lhes seriam inerentes à vida inteira, mas Lucy foi a responsável por torná-lo um pouco mais... humano, com o passar dos anos.

– E você, Lucy, no que irá acreditar? – perguntou com um tom de severidade em sua voz. – No seu pai, no homem que lhe criou a vida inteira, que te deu amor e carinho, ou num estranho que lhe sequestrou faz menos de sete dias?

Embora a menina tivesse tomado uma decisão antes, com a pergunta sentiu-se balançada. Ele tinha razão. E se Natsu estivesse mentindo para tirar proveito da situação? Mas a sua dor... A sua dor era tão visível e latente. Nem mesmo o melhor ator do mundo poderia ser capaz de interpretar tão bem, se expressar com tanta segurança uma dor irreal.

Mas então Lucy pensou na forma como Jude falava com Natsu, como se o conhecesse de épocas remotas. No olhar de iminente ameaça em seu rosto; e optou por não responder a pergunta com palavras, mas com a postura que tomou seus olhos quando voltaram a se esconder por trás do corpo esbelto e forte de Natsu. Irônico pensar que o seu vilão acabou sendo o super herói. Irônico meeeeeesmo.

E Jude sorriu, posicionando a arma em uma linha reta para o coração de Natsu. Foi um sorriso psicopata, daqueles que dizem “você acabou com a minha vida agora, mas também acabarei com a sua”. Em contrapartida, Natsu em nenhum momento abaixou a sua, acreditando nunca ter estado de baixa guarda. Os dois agora eram apenas... iguais. Sim, iguais. Pai e filho se enfrentando na igualdade de munição. Mas Natsu tinha uma carta extra chamada “Lucy”, que poderia sofrer com o impacto proferido com o objeto de fogo nas mãos de Jude, coisa que nenhum dos dois gostaria que acontecesse, então era previsível dizer que pai e filho ficaram ali, só nas ameaças.

– Então é assim... Eu vou acabar com a vida dos meus dois filhos – ironizou Jude.

– Normalmente os pais morrem antes que os filhos, então não tenha tanta certeza disso – Natsu garantiu.

– Parem! Vocês dois! – Lucy gritou, tapando os ouvidos com as mãos e cerrando os olhos, em um pedido de socorro. Rendeu-se às lágrimas segundos após. – Simplesmente parem! Eu não quero vê-los discutindo ou ver quem morre e quem fica vivo, só quero voltar para casa. Quero que isso termine logo – abriu os olhos e fungou o nariz, sofrendo. – É dinheiro que você quer, Natsu? – perguntou com os olhos direcionados para o chão, não encontrando forças para encarar nenhum dos dois homens que estavam ali e que se enfrentavam. – Dê logo o dinheiro a ele, papai. Você veio aqui para me resgatar, não? Vamos para casa. Será que não pode despender o dinheiro que foi pedido a você? Valo tão pouco, que é preciso protestar antes de entregar a porra desse dinheiro e me resgatar? É só... dinheiro! Você tem isso de sobra, papai!

Lucy engoliu o choro e o orgulho e tomou o pouco de coragem que ainda restava para mentir e fingir que estava tudo bem em relação a Jude. Foi o jeito mais fácil que encontrou de salvar Natsu e impedir o possível combate que se formava entre pai e filho.

– Eu não acreditei em nenhuma palavra do que esse homem disse. Por que acreditaria? Ele foi tão cruel comigo... Foram dias infernais, os que passei aqui. Mas encenamos antes. Oh, sim, encenamos. Ele me obrigou a prestar esse papel, previu cada passo seu. Ele pode ser seu filho e eu posso ser adotada, eu sempre soube que fui adotada. Mas o que me importa? Já tinha até esquecido disso. Sei que nada irá mudar entre a gente, pai, então vamos para casa. Por favor!!! – chorou, implorando. Lucy, sim, sabia ser excelente atriz. Por dentro, corroía-se de nojo; por fora, de saudades falsas, mas incontestáveis para Jude, que se maravilhou ao ver a necessidade da garota em voltar para Los Angeles. – Ele não irá me matar – Lucy deu um passo à diante, em direção a Jude, que arregalou os olhos ao mesmo tempo em que Natsu. – Ele é um fraco, afinal de contas – olhou para Natsu e verificou a surpresa em seus olhos. – Uma criança chorona que não levou umas palmadas na infância e cresceu rebelde.

Sabendo que Natsu não chegaria a atirar – pois se o desejava, já teria feito anos atrás, foi o que pensou Jude –, o pai abaixou a guarda e recebeu Lucy em seus braços, com um abraço forte. A loira teve que ser sangue frio para exteriorizar uma saudade inexistente. Os olhos de Jude se fecharam em extrema felicidade, os de Lucy seguiam fincados na figura de Natsu e, com eles, pediu desculpas; mas o homem encarou a cena afônico. Lucy era a única pessoa no mundo, das que restaram, que acreditou nele. Por que estava fazendo isso? Por que estava estragando o seu plano de anos?

No entanto, ter Lucy de volta não era o suficiente para Jude. Queria garantir que isso não voltasse a acontecer novamente, que aquele moleque dos diabos desaparecesse para sempre; e foi pensando nisso que Jude se aproveitou da surpresa de Natsu, ao ver seu plano fracassado, para, em um sorriso de deboche, atirar contra o seu peito. Um grito rasgou o ambiente. E antes que Lucy, a dona do grito, corresse novamente em direção oposta para prestar algum socorro ao seu amado, novamente encontrou-se gritando quando, em questão de menos de um segundo, um novo tiro foi proferido em uma nova direção. No osso frontal de Jude, atingindo sua massa cefálica e atravessando a circunferência da cabeça. Estava morto.

Como foi rápido. Mais de vinte anos foram resolvidos em menos de 20 segundos.

– E-e-eu... Por favor... Não m-morra... – as lágrimas de Lucy molharam o peito de Natsu, que sorriu. Seus olhos estavam presos nos dela, e a mancha de sangue na camisa começou a tomar proporções maiores com o passar do tempo.

– Você não vai acudir o seu pai? – uma lágrima escorreu pelo olho direito do seu rosto. – Se bem que... eu acho que ele está morto...

– Mas você está vivo! – disse num ato de desespero, colocando a mão no seu peito para estancar o sangue. – Precisa de um socorro. Oh, meu Deus! Me diga onde estamos, onde tem um telefone, para quem devo ligar! Qual o número do serviço ambulatorial do local! Natsu, por favor! Precisamos correr contra o tempo...!

Não há mais tempo, Lucy – riu.

Então as lágrimas de Lucy se transformaram em pesadas gotas de chuva. E o frio do inverno se transformou em uma pele sem cor e vida de Natsu, que foi desfalecendo. O que fazer? Ir chamar ajuda e abandoná-lo no seu último momento? Natsu sempre foi uma criança abandonada, não é mesmo? Seria demais abandoná-lo nos seus últimos minutos, então Lucy engoliu o sofrimento de vê-lo partir e agarrou suas mãos com o máximo de força, repetindo inúmeras vezes “eu estou aqui com você”, para que ele soubesse que não seria abandonado. Natsu sorriu.

– Obrigado. Agora posso ver, você foi uma das melhores coisas que poderia ter acontecido em minha vida. Eu que acabei te machucando... Me perdoe, Lucy.

– Não se desculpe – disse sem conter as lágrimas, olhando fundo naqueles olhos brilhantes de lágrimas. – Está tudo bem agora.

– Sim, está tudo bem... – concordou abrindo um sorriso. – Tudo está acabado agora. Ou será que não? Será que esse não é o verdadeiro começo? Eu me arrependo de muitas coisas nessa vida, Lucy. Mas nunca me arrependi tanto de...

– O quê? De que nunca você se arrependeu tanto, Natsu? – incentivou-o a continuar.

– É uma coisa boba, mas eu queria poder participar desse novo começo com você. Você me perguntou por que os caras que você amou te machucaram tanto, não foi? Eu também me pergunto isso, por que te machuquei tanto. Mas me lembro de você ter dito de que eles não corresponderam ao seu sentimento... Eu gostaria de poder retribuir esse sentimento por você agora, não como uma desculpa por ter lhe feito coisas ruins, mas como uma forma de ser sincero comigo mesmo ao menos uma vez na vida: foi inevitável, acho que me apaixonei por você. Que idiota! – Natsu abriu um sorriso, estendendo o pescoço para trás com a dor no peito que se alargava. – Esses sete dias, Lucy, espero não poder esquecer mesmo depois de morto.

– Eu também, Natsu – os dentes de Lucy tremerem juntamente com os lábios ao pronunciar: –, esses sete dias... eu nunca irei esquecer. Mas eu não sei que sentimento é esse – desesperou-se, seu corpo inteiro começou a tremer –, é como se eu não pudesse mais sem você...

– Sim, você pode! Você é forte, Lucy. Lembre-se que isso nunca foi uma história de amor.

O corpo de Natsu estava muito gelado. Extremamente gelado.

– Prometa-me uma coisa – usou as últimas forças para pedir. Os olhos de Lucy se arregalaram em alerta, a fim de não perder um único detalhe ou deixar passar qualquer coisa. – Prometa-me que irá cuidar do meu pai. Eu sei que estou te passando uma grande tarefa, um pedido egoísta, mas...

– Prometo!!! – respondeu antes que terminasse. Os dois estavam falando de Igneel.

Natsu esboçou um sorriso mais uma vez. E sorrindo, ele descansou. Para Lucy, Natsu poderia ter morrido, mas sempre ficaria vivo na memória daqueles setes e inesquecíveis dias.

Notas finais
Não deixem de ler o próximo capítulo, que é o epílogo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! QUE JÁ ESTÁ POSTADO! Cliquem em "próximo capítulo". Vou me abster do discurso de final de fanfic, porque estou sem condições de fazer isso agora. Sério, é minha primeira fanfic finalizada e o sentimento é muito louco e intenso. Não sei como responder a isso ainda. É muito... WOW!