Seven days
5 Dia 5 – Quinta
Notas iniciais
Ah, coração bandido...
Tu és mesmo sem juízo.
E não tem pena de mim.
Não vê que estou apodrecendo,
por ela chorando e sofrendo,
a amargura de um amor sem fim?
(Joaquim Gomes Alves)

Quinto Dia
QUINTA-FEIRA
Eu odeio você, Lucy Heartfilia.
O dito de ódio não largou os pensamentos de Lucy que, deitada no colchão, não conseguiu pregar os olhos. Pensou que estaria melhor pela manhã, com o raiar de um novo dia, com a claridade esbranquiçada e insípida entrando pelas frestas da janela, anunciando renascer; mas não estava. A mesma frase e o mesmo pensamento tirava-lhe a concentração.
Estava frio. Estava frio como jamais pensou que pudera estar. Seus ossos doíam tamanha era a friagem que sentia, e necessitava de algum calor que a acalentasse, nem que fosse saber que o seu sequestrador poderia ter algum tipo de sentimento. As revelações da noite passada serviram para mostrar que ele tinha sua face humana. Uma face mais humana que qualquer pessoa pudesse ter, que imperava sob a monstruosa. Na verdade, talvez não tivesse uma face monstruosa. Talvez os únicos monstros fossem os tempos tristes por qual passou, a dureza das pedras no seu caminho, das marcas de um passado doloroso. O ato de querer vingança, a necessidade de demonstrar ódio por tudo que estivesse relacionado com Jude Heartfilia, só mostrava o quanto o amor de um pai lhe fez falta. A referência para um homem, o seu super herói. Mas o que fazer quando o seu pai era o vilão dos vilões, senão chorar? Senão expressar o seu descontentamento de alguma forma? De querer feri-lo com a mesma lança que usou para feri-los (ele e sua mãe)?
Por falar em Natsu, lá estava, com o olhar fosco e mal direcionado, sem destino, sem rumo, sem objetivo, traçando uma linha para o chão da cozinha, enquanto seu corpo descansava, ou simplesmente se dispunha sobre a superfície da cadeira dura e velha, de forma desleixada. Seus pensamentos conflitavam entre o nada e o tudo. Fizera mal contar toda a verdade a Lucy. O sentimento de impotência abateu-lhe outra vez, algo que, no fundo da sua mente, gritava de forma incessante que todas as tentativas seriam em vão. Por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, nunca conseguiria dar o troco naquele homem que atormentou seus dias, seus meses, seus anos. Mas queria, a contragosto, acreditar na sua força de vontade e mandar para o inferno aquela voz irritante que bravejava continuamente. Aquela voz que não se calava com um analgésico. Sim, essa voz, só seria derrotada quando, enfim, alcançasse seus objetivos, e não só fizesse sofrer Jude Hearfilia, arrancando de volta toda a fortuna que roubara de seu pai adotivo e devolvendo-a para o verdadeiro dono, mas quando tirasse a vida do infeliz que jamais foi digno de pisar sobre a Terra que as mesmas pessoas de boa índole habitavam. Tão pouco Natsu era digno, ele mesmo assumiu isso, no entanto, assim que completasse o seu objetivo e não tivesse mais razões para continuar vivo, ele mesmo daria cabo de sua infame vida.
Quem sabe assim pudesse ser feliz, quando pudesse encontrar sua família morta? A mãe e os dois seres que mais amou, mesmo com tanto sofrimento? Embora cogitasse essa possibilidade, estava crente de que era impossível. O seu canto estava reservada no inferno, onde esses dois anjos de candura jamais chegariam a pôr os pés. Isso o entristecia um pouco, mas em nada diminuía a sua ânsia de vingança manual.
Seus pensamentos foram interrompidos pela presença de Lucy, na porta da cozinha, com os olhos fincados e bebendo da sua imagem, quase que o respirando em ansiedade.
– Estava pensando que... – começou, meio incerta. A cada passo dado em sua direção, mais seu estômago congelava e endurecia tamanho era o medo de provocá-lo em demasia, mas precisava tirar as suas dúvidas.
Lucy chegou mais próximo, estreitando os olhos como se sentisse dor. Recuou a mão quando a estendeu em direção ao emaranhado de cabelos ruivos de Natsu. Queria afagá-los como se o homem a sua frente fosse uma criança desolada precisando de colo, o que de fato era. Uma criança com o amor do pai renegado, com a presença da mãe renegada, com um mundo inteiro renegado. Apesar de distantes, os dois eram mais próximos do que imaginavam. A infância corrompida aproximou os adultos de cabeça falha.
– No que estava pensando? – Natsu quis saber, ainda que se mantivesse imóvel e inalterado com a presença da loira no cômodo. Não teve nem a coragem de levantar a cabeça da madeira velha do móvel, como se ainda sentisse grande sono, resultado de uma noite acordado ao relento. Somente os olhos traçaram uma linha reta até se encontrarem com os seus.
– Estava pensando se não podemos travar um acordo de paz – encheu os pulmões de coragem para dizer. – Não pode descontar em mim o ódio que tem pelo seu pai. Em nada tive culpa, só estava no lugar errado, na hora errada. Ele é o pai que conheci, pense nos estragos que causou ao me contar toda a sua verdade. Não finja como se fosse o único a estar magoado. A vida não pode ter te ensinado a ser tão egoísta assim. Então me diga logo qual o real motivo de me odiar. Sei que não é esse o qual me contou...
Natsu deu um sorriso fugaz de desdenho e finalmente levantou a cabeça da mesa, voltando a olhar Lucy nos olhos com uma certa curiosidade. O que ela queria dizendo aquelas coisas? Não se dava conta de que estava se colocando em perigo? Quem sabe gostasse de estar em perigo. Quem sabe merecesse estar ao lado daquele homem inescrupuloso pelo resto de seus dias e viesse, agora, a sofrer os seus abusos, como Annie.
O ruivo endireitou-se na cadeira como um rei senta em seu trono, ainda que Lucy o olhasse de cima e, assim, lhe impusesse uma certa autoridade.
– O que você quer, Lucy? – perguntou com voz arrastada, sorrindo. – Voltar para casa? Tem certeza de que é um lar acolhedor que lhe espera? Passei esses dias lhe maltratando, mas um dia se dará conta de que fui a pessoa mais acolhedora que já conheceu.
– Não quero voltar para casa, mas também não posso ficar aqui para sempre. Já fez contato com Jude? – não ousou chamar o homem de pai, apenas o fato de pronunciar o seu chamado lhe causava um aperto na garganta, como se estivesse engasgada e vomitar as palavras lhe causasse um mau pior ainda.
– Ainda não. Acredito que está esses dias em desespero, sem saber ao menos onde você está, ou com quem está, deve estar lhe agoniado. Em apenas imaginar como deve estar agora, me divirto muito. Não acabe com a minha diversão. Você não tem esse direito.
– É você quem decide as coisas por aqui... – Lucy caminhou a passos estreitos e lentos em direção à pequena janela que havia na cozinha, que não albergava o seu rosto por completo, de tão pequena que era, mas pôde confrontar seus olhos com a nele que derretia lá fora. Passou cerca de minutos assim, virando o rosto para perguntar, em seguida: – Quer que eu prepare o café hoje?
– Não vai me perguntar se pode comer? Esqueceu-se de que precisa de minha permissão?
– Você não está no melhor dos humores, prefiro não perguntar e eu mesma me convidar, se me permite.
– Pelo meu humor, deveria saber que não permito.
Minutos de silêncios se estabeleceram até que Natsu desse um novo sorriso que Lucy entendeu como uma permissão e a fez se apropriar de uma frigideira e dois ovos dispostos sobre a mesa. Virou-se em direção ao fogo e acendeu uma das bocas, pondo-se a preparar o desjejum.
– Agora que me contou sobre essas coisas, lembro-me de ruídos em noites gélidas.
“Acontecia sempre nas madrugadas. As irmãs nos faziam rezar antes que fôssemos para a cama. Rezávamos no quarto mesmo, com os joelhos ralando no chão e pés descalços, de olhos fechados e quase sempre com um terço na mão, acompanhando desesperadamente as contas do colar, na ânsia de que aquilo acabasse logo e pudéssemos dormir. Isso quase sempre acontecia tarde da noite, quando estávamos muito cansadas e apenas queríamos dormir, como qualquer criança e humano com necessidades. Algumas dormiam no meio da reza e as irmãs as acordavam com palmadas de colher de pau na mão, deixando-as ardida. Quando nos dávamos conta de que era isso que nos esperava se dormíssemos no meio da oração, passamos a juntar forças para rezar e depois descansávamos em sono profundo, como se fosse uma dádiva, a terra prometida. ‘Dormir enquanto fala com o Senhor é pecado’, diziam elas.”
“Depois que isso se passava, nos ajeitávamos na cama para, enfim, dormir. Feito isso, as irmãs nos deixava com um ‘Deus as abençoe’ e apagavam a luz, fechando a porta em seguida. Era rápido. Mal os olhos estavam fechados, nos encontrávamos com o sono profundo, acordando somente na manhã seguinte. De vez em quando, nos dávamos conta de que uma companheira havia desaparecido. Quando perguntávamos a respeito dela, as irmãs respondiam 'o Senhor a levou para um bom lar. Foi adotada’. Éramos pequenas demais para entender porque isso acontecia somente nas madrugadas. E só agora que me contou, posso associar os fatos e encaixar as peças. Até então, preferi apagar da minha memória essas recordações tristes.”
“Mas eu me lembro de um dia ter estado muito calma, sem euforias. As irmãs quase sempre estavam nos ocupando com atividades, e durante a noite, quando estávamos ainda mais cansadas, nos faziam rezar o enorme terço, para que não restasse dúvidas de que, quando dormíssemos, não acordaríamos na madrugada. Esse dia, consegui driblar todos os obstáculos e demorei a pregar os olhos. No meio da noite, ainda acordada, escutei uma melodia de louvor. Não duvidei que viesse da capela do orfanato, onde eram celebradas as missas, mas estranhei o horário. Pensei comigo: ‘as irmãs estão sempre rezando, até mesmo de madrugada’. Tomada pela curiosidade, fui descalça em direção àquela melodia e fraguei uma irmã transando na capela com um homem gordo e de jaleco branco.”
“Na época, eu nem sabia ainda o que era aquela atividade. ‘Eles estão fazendo algum ritual para o Senhor?’, perguntei-me. Mas eles faziam sexo num ritmo tão selvagem e desenfreado que minhas bochechas queimam de constrangimento ao me lembrar que presenciei tal cena obscena. No entanto, não consegui mexer os pés do lugar, olhando veemente pela brecha da porta da capela, e meus músculos só obedeceram o comando do meu cérebro para ir embora quando o homem asqueroso disse ‘traga-me a menina agora’. Instalei-me no final do corredor e fiquei observando a que menina ele se referia, ficando ainda mais assustada quando outra irmã adentrou a capela com Jhoanna, minha melhor amiga, nos braços, e a entregou para o homem, que beijou a testa da menina com desejo e se dirigiu para a outra ponta do corredor, com ela ainda inerte, dormindo, em seus braços. Essas cenas se repetiram por inúmeras noites. Passei a ter insônia e passar o resto do dia cansada, cochilando no meio dos afazeres, mas sempre me preocupada em não ser pega por nenhuma das irmãs, voltando a ficar ativa quando uma se aproximava.”
“Algumas noites, eram os mesmos homens. Noutras, novos homens. Aterrorizava-me a ideia de que eu pudesse ser a próxima. Até que chegou a minha vez de dar adeus ao orfanato. Mas essa ocasião aconteceu durante o dia, e na forma de adoção que sempre imaginei. Jude virou-se para mim com sua esposa, sorrindo e dizendo ‘Olá, Lucy. Somos seus novos pais’. Era como uma família mesmo. ‘Estou a salvo’, suspirei pra mim mesma e corri para abraçá-los.”
– As freiras fodiam com os cirurgiões? – Natsu caiu na gargalhada, enquanto Lucy quebrava os dois ovos na frigideira aquecida. – Que maneira inusitada de servir ao Senhor. Você não cresceu pensando que isso fosse natural?
– Embora fosse muito pequena para absorver aquilo como natural, era uma prática que me causava medo. Anos mais tarde eu soube que se tratava de uma relação sexual, e foi aí que resolvi esquecer-me de vez dessas recordações amargas e dos ruídos nas madrugadas gélidas.
Natsu levantou-se da cadeira e caminhou a passos lentos, instalando-se atrás do corpo de Lucy e com a boca próxima ao seu ouvido, para sussurrar:
– Desculpe ter causado essas lembranças.
– Não temos boas recordações da infância, nós dois.
– Somos muito parecidos, não somos? – rodeou sua cintura com os braços, em provocação.
– Sim, nós somos – Lucy engoliu em seco, sentindo os olhos arderem, mas conteve o choro. Continuou a contar, segundos depois, sem se importar com a presença de Natsu ainda mais perto do que gostaria: – Nos primeiros dias, não foram fáceis.
“Eu me lembro, sim, agora eu me lembro! Jude me observava dormir. Eu não sabia de nada sobre ter uma nova família, sobre as funções dos pais, mas ele me observava dormir. E eu custava a fechar os olhos, pensando na possibilidade de ser levada embora, ou simplesmente porque sentia o medo tomar conta de cada pelo do meu corpo que se arrepiava em temor. Passei meses fazendo o mesmo ritual. Mas ele nunca se aproximou, não sei dizer o porquê, mas ele não tomou a frente. Nunca fui tocada por ele, talvez por isso me custe a acreditar que ele seja o monstro que suas palavras julgam. Mas quem melhor para conhecê-lo senão aquele que passou a vida inteira batendo de frente com ele? Eu acredito no que disse, Natsu. Eu acredito.”
Natsu passou a acariciar a barriga de Lucy, por baixo do blusão. E mesmo sem compreender muito bem o que estava pensando em fazer, deixou-se ser levada. Melhor do que sofrer os seus abusos, a sua maldade, o seu ódio, era receber o calor de suas mãos afagando seu corpo.
– O que está fazendo? – sussurrou incompreensiva.
– Eu não sei – grunhiu em resposta; a voz com um torpor de desejo devasso. – Acho que aquela história de freira fodendo me deixou excitado – Natsu contornou os seios de Lucy, amassando-os em seguida, e terminando a carícia com um beliscão em cada mamilo que fez a garota arquear as costas no peitoral definido do ruivo. Com os corpos chocados, recebeu um chupão, uma mordida – não soube definir bem – no pescoço, que a fez fechar os olhos e sentir uma umidade indecisa se formar no seu vértice.
– Pare com isso – pediu, ainda que o tom de sua voz contradissesse a ordem. – Eu sei que não vai fazer nada que não quero. você não me estupraria. Pare...
O cheiro de panela e ovos queimados pareceu não incomodar a dupla, mas temendo o que poderia acontecer, Lucy foi ágil o bastante para desligar o fogo aceso. O fogo do fogão, quer dizer. O de Natsu estava cada vez mais lascivo, em suas próprias palavras.
– Seria mais fácil se sua voz expressasse medo, e não desejo e um “continue” ao invés de “pare”. Vamos lá, somos dois adultos trancafiados em um mesmo casebre, sem nada pra fazer e sem transar a dias. Assim como se alimentar é uma necessidade humana, isso aqui também é.
Só faltou ele dizer “eu entendo as freiras”.
– Não somos irracionais.
– Foda-se! Eu não tô afim de raciocinar agora – derrubando qualquer objeto que estivesse sobre a mesa, Natsu pegou Lucy pelos braços e a despojou sobre o móvel, tomando-a ali mesmo, num misto de confusão, incerteza e desejo.
O que era aquele beijo tão necessitado? Poderia Natsu sentir aquele desejo insano por uma pessoa que pudesse odiar com todas as suas forças? Não. Natsu não odiava Lucy. Talvez a odiasse, sim, mas no sentindo de desejar, de querer, a pessoa que mais tinha que renegar no mundo, depois do homem que era seu pai, a quem devia odiar, também, e na verdade só sentia-se abandonado e confuso pelas coisas que fez.
– Jude ia adorar nos ver agora.
[...]
Natsu voltou a procurar Lucy horas mais tardes, quando esta descansava, ou apenas refletia, sobre a cama improvisada.
Sentou-se sobre o colchão, dizendo:
– Está feito. Fiz o primeiro contato.
Estava se referindo ao fato de ter falado com o Jude e ter anunciado o resgate por ela, e não ao fato do contato dos olhos dos dois se cruzando, como Lucy desejava. Estava se sentindo incrivelmente carente depois da transa na cozinha. Nunca se sentira tão carente assim, nem mesmo quando Sting passava dias sem dar as caras em sua residência.
– Estava pensando... – começou incerta, sem saber se queria mesmo contar, mas respirou fundo: – Todos os meus relacionamentos deram errado. Acho que isso teria a ver com Jude ou comigo mesma? Onde está o problema, Natsu, você sabe me responder? Acha que a traição de Sting tem a ver com...
– Lucy, Lucy, Lucy. Você e sua mania de se apaixonar por imbecis. Você sabe? Estive te observando por um bom tempo, e não foi à toa que apareci no momento mais oportuno. Fui sua sobra por muito tempo, sem que você se desse conta. Jude é culpado por muitas coisas, mas a única culpada por ter uma vida amorosa de merda é você mesma. Pare de se apaixonar por idiotas, e quem sabe um dia seja feliz – disse por fim, como se estivesse dando um conselho, o que de fato era, para Lucy. Após isso, levantou-se e foi se ocupar de nada, como sempre.
– Parar de me apaixonar por imbecis e idiotas... – repetiu pra si mesma. – E como posso fazer isso? – perguntou antes que Natsu desaparecesse para além da porta. Com a pergunta, o ruivo estacionou e sorriu, sem lhe mostrar o rosto.
– Que tal começar me tirando da sua cabeça? – virou-se unicamente para dizer. – Não sou homem pra você, Lucy. Não sou homem para mulher nenhuma. E não é algo seguro andar se apaixonando pelo cara que mais lhe tratou mal na vida. Tenha isso em mente, a probabilidade de você escapar viva desse casebre aumentou. Ainda que causasse uma dor insana naquele homem vê-la morta, não é você que eu quero ver coberta por sete palmos de terra.
Com essas palavras, foi-se embora.
– Você me mostrou a verdade e não brigou comigo por deixar os ovos queimarem. Tem certeza que me maltratou de verdade, Natsu? Agora penso que cada palavra proferida com ódio foi uma forma carinhosa de dizer “cuidado”. O ato de se preocupar-se, quando será uma maldade? – sussurrou para si mesma, fechando os olhos e traçando um sorriso involuntário. – Talvez tenha sido você o pior e o melhor de todos. Como pode?
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