"Você sempre foi uma criança teimosa, você sabia disso?

É claro. Nunca cheguei a ver você se negar a comer todo o jantar, espalhar brinquedos pela casa ou tirar sarro dos coleguinhas da escola. Nunca cheguei a ver a professora mandar observações na sua agenda escolar ou uma reclamação da diretora sobre você ter lixado o muro do colégio. Nunca cheguei a presenciar você estragar rosas, sujar águas ou quebrar pedras. Não conheci você, de fato, como um criador de tempestades. Mas conheci a tempestade que havia dentro de você.
E é engraçado. Corri com um balde e tentei aparar com ele as goteiras. Que goteiras! Pesadas como chuva. Os raios, os trovões, as palavras... Todas proferidas com a intenção de machucar. Mas tome isso como algo engraçado, também: isso ocorre por conta da temperatura quente da terra. É bem isso. Você estava de cabeça quente. Eu entendo. Eu perdoo.

Eu só sinto por não ter tido tempo de cuidar de você como gostaria. De ter de “educar”. Toda criança tem direito à educação, está na constituição. Não foi porque não quis, só... não deu tempo. Mas amor... Olha, eu não sei que nome dar a isso. Mas eu gostei muito de sentir aquelas coisas por você. Aquelas mariposas confusas. Aquela “tempestade” dentro de mim.

Você não é só uma criança teimosa, me desculpe pelo termo, pela nomeação. Você é uma criança de sorriso lindo. Sorria mais vezes. Seria pedir muito? É triste não ver uma criança sorrir. É a coisa mais triste do mundo."

xxx

Sexto dia

SEXTA-FEIRA

A sexta-feira foi marcada por ansiedade e negociações.

Desde o começo da manhã, Natsu estava pendurado no telefone. Os homens de Jude estavam travando acordos em relação à liberdade de Lucy, mas Natsu gostaria de falar pessoalmente com Jude, e insistiu fielmente nisso, ainda que os subordinados tenham negado. Jude simplesmente não queria falar com ele. Àquela altura do campeonato, eram sabidos os motivos que levara Natsu a fazer o que fez.

Lucy encarou-o entediada, ao término do que devia ser a sétima ligação do dia.

– Você é muito inteligente – comentou, com o braço e a cabeça descansados sobre a mesa da cozinha –, não faço a mínima ideia de como conseguiu me trazer para cá. Deve ter usado bem as suas cartas. Há um sistema de segurança num casebre velho como esse, que te assegura dormir sem se preocupar se irei fugir ou não. No entanto, você faz ligações para Jude mesmo sabendo que ele dispõe de poder suficiente para rastrear o telefone e não sente medo de ser encontrado.

– Cedo ou tarde, teríamos que dar um basta nisso aqui. Gostaria muito de brincar por mais tempo, mas eu tenho que correr contra os minutos. Meu pai depende do seu resgate para continuar o tratamento. Então deixe para se rebelar contra Jude quando bem depois de eu te entregar volta a ele, tá legal?

– Não é mais por vingança que está fazendo isso? Se era só mais um sequestro comum com a finalidade de conseguir grana, por que não outra pessoa mais fácil?

– Porque eu não sou um criminoso.

– Sim, você é.

O fato de Natsu ter sido preso por ter assassinado pessoas do “mal” não conferia a ele um título de super-herói, tampouco as coisas que fez com ela. Mas mesmo assim gostava dele, tinha que admitir.

– Jude agora sabe que eu estou mesmo com você. Pense nas coisas que ele imaginou que fiz com você. No mal que lhe causei. Mal me aguento de rir, de satisfação, só de pensar. O seu desespero agora é fatal. Está se corroendo por dentro, eu tenho certeza.

Lucy olhou com incerteza os olhos tristes de Natsu. Mal se aguentava de rir? Onde estavam as gargalhadas? Se ficasse olhando por muito tempo, tudo que Lucy encontraria em seu rosto seriam lágrimas. Lágrimas que fazia o máximo de esforço para conter. No quão foi fraco, era nisso que Natsu pensava. Gostaria de ter prolongado a brincadeira por mais tempo. Teria mesmo coragem de matar Jude quando se encontrassem? Ou ele não viria pessoalmente buscar, resgatar, a menina de seus olhos?

O dia inteiro fora tomado pelas incertezas.

Lucy sentiu-se diferente, também. Não sabia dizer bem o que estava sentindo, dar nome às coisas que passavam pela sua cabeça, só estava... Estranha. Isso! Estranha! Essa era a palavra. Claro, quis muito sair daquele casebre. Mal podia contar os minutos para poder tomar um banho quente e comer algo de verdade, que não fosse aquela comida ruim que Natsu ou ela preparava, ou aquele pão com gosto de mofo. Ao mesmo tempo em que não queria, tinha que admitir. Talvez aquelas paredes velhas e mal rebocadas fizessem parte do seu coração, agora.

Coração... Isso é algo forte para se dizer. Definitivamente não era isso. No entanto, algo estava errado.

– Eu vou para o quarto – ironizou ao pronunciar “quarto”. Aquela acomodação com um colchão velho estava longe de algo digno de ser comparado com um quarto.

– Logo você poderá voltar para o seu quarto de verdade. Ânimo! – Natsu também não pôde deixar de soltar o seu comentário ácido e irônico.

Ânimo? Que ânimo? Está aí! Por que Lucy não conseguiu encontrar tanto ânimo quanto pensou que teria quando se visse perto dos segundos finais?

[...]

– Droga! – levantou-se entediada.

Era estranho, também, que justo naquele dia o tédio fosse pegá-la de jeito. Não que nos outros dias tivesse sido diferente, mas para as vésperas da sua liberdade, as coisas deveriam estar acontecendo de outro modo, não?

Lucy olhou ao redor do quarto. A pouca luz... As paredes... A mesa velha e quebrada... O teto... O colchão duro e maltratado. Nada ali se comparava à sua cama com colchão fofinho e travesseiro de penas de ganso que lhe esperavam em Los Angeles. E nunca pensou que confirmaria isso, mas estava sentindo falta do calor. Daqueles quarentas graus que tanto quis trocar por alguns segundos de neve e frio amigo.

Mas como seria depois que estivesse em casa? O que diria a Jude? “Estou saindo de casa, descobri que você é um filho da puta. Beijos”? Sair de casa não é o certo a se dizer. Já vivia a sua própria independência, o seu apartamento decorado com tanto carinho e escolhido a dedo por longos meses. Sair da família, era isso que tinha que sibilar.

E a coragem?

Como seria não ver Natsu nunca mais, também? Iria visitá-lo na cadeia aos domingos e levar uma cesta com sanduíches de pasta de morango? Vamos ser realistas, ele não conseguiria escapar dessa vez. Tampouco conseguiria ficar muito tempo com o dinheiro que estava esperando obter para o tratamento do pai de criação, e tampouco Jude faria questão de ajudar o homem o qual não teve arrependimentos de roubar. Antes seria uma satisfação vê-lo morrer e não ter mais alguém para testemunhar a roubalheira de anos atrás.

Pensou em juntar as suas economias, a sua parte no dinheiro de Jude para ajudar o pai de Natsu, mas como faria isso? Antes ou depois de dizer que estava dando adeus a tudo aquilo? É certo que Lucy não queria mais fazer parte da família Heartfilia. Agora se envergonhava até do sobrenome. Lucy. Como soava mais bonito quando dito solitariamente! Lucy estava bom. Lucy bastava. Lucy, e só Lucy. Unicamente Lucy. Lu-cy. LUCY!

Natsu entrou sorrateiramente no quarto e sentou-se na cadeira da mesinha, como se a indagação da sua falta já não fizesse o coração de Lucy pesar dentro do peito. Precisava mesmo vê-lo agora e morrer de saudades antecipadas? Olhando aquele olhar de menino magoado e a boca rosada, teve a certeza: sim, precisa muito. Como precisava! Precisa tanto que doía.

– Dopei você enquanto gozava, e não foi algo bonito de se fazer – começou falando, surpreendendo Lucy pelo assunto escolhido da vez: o começo! Justo o começo! – A verdade é que dopar você não foi bonito, não importa a situação em que tenha feito isso. Mas eu escolhi o seu momento mais vulnerável. E ver você desfalecendo... Essa imagem eu posso dizer que foi bonita. Você não é feia, Lucy – sorriu.

– Vou encarar isso como um elogio, apesar de achar que não foi um – riu também.

Natsu pendeu o corpo um pouco para frente e entrelaçou os dedos, descansando os braços sobre os joelhos, enquanto pensava nas palavras; enquanto seu pensamento vagava para poucos dias atrás, onde tudo começou.

– “Isso vai ser mais fácil do que roubar doce de uma criança”, eu pensei comigo mesmo. Quem inventou isso? Não é fácil roubar doce de uma criança. Criança chora, esperneia. Você não, Lucy. Você sorria. Seu sorriso era bonito. E como eu ficava com raiva de você por conseguir sorrir daquele jeito... “Eu vou estragar esse sorriso para que possa sorrir também”, pensei depois. Você deve ter muita pena de mim enquanto digo isso.

– Não... Eu só...

– Mas quem não sentiria, não é mesmo? Agora você percebe que o lobo mau do início não passa de um gato covarde. Você está rindo por dentro, perguntando-se em como se deixou enganar por uma imagem desdenhosa. Confesse. Era isso que eu faria se fosse você.

– Como conseguiu me trazer para cá? – perguntou ela, a fim de tirar sua atenção daqueles olhos triste. – Quer dizer, você me dopou! Não consigo imaginar uma maneira de viajar horas com um corpo adormecido ao seu lado sem ninguém perguntar nada a respeito. Sem passaporte... Sem uma investigação precisa da polícia norte-americana, que é a melhor do mundo nesse quesito.

– Digamos que eu fiz uns amiguinhos enquanto estive no xilindró – piscou um olho. – Não foi fácil, devo confessar. Mas passei anos planejando isso, não tinha como nada sair falho.

– Então esteve preparando isso desde muito tempo... – não foi uma pergunta. Foi uma reflexão.

– Eu disse, não disse? Sei mais sobre você do que imagina – ficaram ambos em alguns minutos de silêncio, depois que Natsu disse isso. Lucy não pôde concluir se era bom ou ruim o fato de Natsu saber grandes coisas a seu respeito. – Consegui falar com Jude... – disse depois de um certo tempo, com o rosto apreensivo, meio incerto.

– Então você pediu uma recompensa pessoalmente... – surpreendeu-se, como o esperado. – O que Jude disse?

– Antes de dizer que iria me encontrar e arrombar o meu rabo, assim como fez com minha mãe, ou depois disso? – riu.

– Ele não disse isso.

Ter a certeza do seu ódio... era algo que Natsu queria tanto quanto ter a certeza de... Bem, era como dar nome ao fato. A culpa estava em Jude. Só em Jude. Natsu não tinha culpa de nada. Era nisso que queria acreditar. Tinha que acreditar! Era a verdade, afinal de contas. Nunca foi o vilão, sempre foi a vítima.

– Não, mas ele gostaria de ter dito.

– Você exagera às vezes.

– Lucy, Lucy... Você é muito ingênua em relação a Jude. No fundo, você acha que ele irá mudar algum dia. Você não quer acreditar no que lhe disse a seu respeito. Você espera que ele ainda seja o pai amoroso quando chegar em casa. Aquele que vai alisar os seus cabelos e lhe presentear com coisas caras e um cartão de crédito sem limites de compra.

– Você também – retrucou sem pensar. – Por mais que tente, não consegue esconder a vontade de que isso aconteça. As suas esperanças são mais fortes e vivas que as minhas. Confesse: você o ama. Você ama o seu pai. Sempre amou.

– É muito normal amar o cara que passou a vida estuprando a sua mãe, não é? Se eu lhe estuprasse agora, acha que seu filho iria me amar? – deu um riso sarcástico.

– Há uma grande possibilidade de isso aconteceu, já que transamos sem proteção alguma.

– Tsc. Não fode – passou um tempo refletindo. – Eu gostaria, Lucy. Eu gostaria de ter a coragem para te estuprar na frente dele, de te matar na frente dele. Eu queria não medir esforços se fosse para machucá-lo. Mas por mais que eu seja um monstro, isso eu não tenho coragem de fazer. Talvez eu possa te dar uns socos, umas tapas, uns chutes... Mas não vai passar disso.

– Você, no fundo, é uma criança. Uma criança chorona, precisando de colo. Quer deitar-se no meu colo?

Natsu olhou confuso para a expressão receptiva de Lucy.

– Você é masoquista, não é?

– Eu não sei, Natsu... Mas eu meio que entendo como se sente. E se sentisse tal dor, gostaria que alguém acariciasse o meu cabelo, me recebesse em um abraço e me dissesse palavras de carinho.

Natsu riu para si mesmo.

– Vamos lá – o ruivo caminhou em sua direção e deitou-se em seu colo, meio que suando. – Faça o seu trabalho.

– Vai ficar tudo bem... – sussurrou Lucy, ao sentir as lágrimas quentes sobre as coxas. – Vai ficar tudo bem.

– Sim, vai – refletiu a pobre “criança”, pensando no seu propósito. – É claro que vai. Tem que ficar!

Sentir a maciez do seu cabelo de forma tão plena e tranquila foi algo que Lucy nunca imaginou, embora tenha contido o desejo de fazer isso nos dias em que esteve trancafiada com ele. Quando olhava em seus olhos sempre via uma fera, um leão selvagem, rei das florestas e das pessoas. Faminto, sedento por sua carne, querendo arrancar pedacinhos. Era uma caminhada direta para o precipício, porém ainda quis fazer isso. Emaranhar seus dedos naqueles fios ruivos. Como um homem tão maltratado tinha cabelos tão bem cuidados? Algo nele tinha que estar intacto, pensou.

E sentir suas lágrimas na sua pele, oh, Deus, que dor! Como consolar um leão?

– Você sabe? Quando era criança, as freiras não nos faziam carinho. A disciplina era rígida. Mais rezávamos do que conversávamos. Quando não era isso, varríamos a capela, cortávamos batatas, líamos a Bíblia. Eu senti muita falta disso.

– Você deve ser muito religiosa.

– Eu? – Lucy sorriu. – Sabe de uma coisa? As coisas não funcionam bem por pressão. De tanto serem obrigadas a rezar, acredito que a maioria das meninas tenham se tornado ateias. E pensando nas atrocidades por qual passaram nas mãos daqueles homens que vinham buscá-las nas madrugadas, acredito que nem sejam mais humanas.

– Elas não estão certas? Se Deus existisse mesmo, gozaríamos de felicidade plena.

– Ao contrário, Natsu. Só seremos capazes de sentir a felicidade plena quando conhecermos a dor. O que será felicidade para você, se não souber o que é dor? Então essa tempestade com raios, acredite, vai passar.

Natsu poderia ter respondido: “Essas meninas, você acha que um dia elas poderão conhecer o que é felicidade? Acredita mesmo nisso?”, mas apenas levantou-se das pernas de Lucy e a tomou por um beijo. Por que destroçar o seu coração bondoso dizendo o que sua mente insana pensava? Já não era demais o que havia feito a ela? Preferiu acreditar, por um simples segundo, naquele mundo bonito no qual ela vivia. E quem sabe assim, beijando-a com toda a intensidade, pudesse fazer parte dele por apenas um segundo? Como gostaria... Ter a inocência de Lucy, a pureza.

– Se você tivesse aparecido antes de Lisa, tenha certeza, eu teria me apaixonado por você – sussurrou em seus lábios.

– Devo tomar isso como algo positivo? – sussurrou de volta, embriagada.

Natsu afastou o rosto para lhe olhar direito nos olhos e responder:

– A mulher por qual eu me apaixonei está morta, então não. Você é sortuda porque sairá daqui viva.

– Você fala como se não fosse sair também... – as palavras de Natsu a incomodaram.

– Vivo, Lucy? Eu nunca estive vivo. Morri no dia em que minha mãe morreu e eu descobri a verdade. Sou uma carcaça em busca de vingança.

– Discordo. Você é um coração em busca de atenção.

Natsu desapareceu pela porta.

Voltou para o seu mundo. O mundo de Natsu, não o de Lucy.

[...]

Naquela noite, os dois dormiram juntos, mais próximos do que o de costume. O telefone celular ficou no meio dos dois, como uma criança precisando de proteção. Natsu confiou que Lucy não pudesse fazer nada contra a maré, já que as ondas a levavam para a melhor direção possível – ainda que hora ou outra quisesse voltar para a ilha abandonada em qual viveu por alguns dias.

Também pudera! Natsu não conseguiu pregar os olhos e tampouco Lucy. Ao pensar que aquela poderia ser a última noite que passavam juntos, Lucy não quis dormir. Quis observar o seu rosto fingindo dormir. Natsu sabia que Lucy estava acordada e optou por fingir.

Recuou a mão na primeira vez em que a estendeu em direção à sua face. Por que estava fazendo isso? Por que insistia seguindo os instintos, o desejo da carne? Seria difícil lidar com a falta depois que não pudessem mais se ver. Sempre foi assim com os amores anteriores. Passava vários dias sofrendo a necessidade. E dessa vez sentia um sentimento mais intenso, consequentemente uma dor de perda mais intensa depois. Quase insuportável. Talvez ficasse doente, depressiva. Talvez fosse passageiro, quem sabe permanente.

No segundo momento, depositou os dedos de leve em seu rosto, percorrendo um caminho lento em direção aos lábios de Natsu. Que fosse para a merda todos os medos! Depois lidaria com eles. Agora, queria mais sentir. Que depois sofresse com os medos, isso é verdade, mas que não se somasse a isso o arrependimento.

Lentamente, Natsu abriu os olhos. Lucy não retirou a mão de seu rosto.

– Não consegue dormir? – perguntou de olhos quentes.

– Não sou a única – sussurrou mais baixo do que nunca. – Essa será a última vez, não é?

– É o que parece.

Aos poucos, os lábios foram se aproximando para o último beijo. Mas a vontade, o desejo de ambos, não chegou a se concretizar. O telefone celular começou a vibrar no meio dos dois. Natsu pegou o eletrônico com o objetivo de verificar as horas e, só depois, de quem se tratava a ligação. No entanto, seus olhos foram tomados e petrificados em cima daquelas quatro letras piscando incessantemente no visor: J-U-D-E.

Atendeu depositando olhos arregalados sobre a imagem de Lucy, que o olhava de modo semelhante, entendendo quase nada, mas tendo certeza de quase tudo.

– Alô.

– Estou aqui – a voz falou no outro lado da linha. Aquela voz que há tanto tempo não tinha o desprazer de escutar. – Espero que esteja preparado para morrer. Você não vai sair vivo dessa, está me ouvindo?

– Digo o mesmo.

Era três e quarenta da madrugada.

Sétimo e último dia...