Seven days
4 Dia 4 – Quarta
Notas iniciais
"Lamentar uma dor passada,
no presente, é criar outra dor
e sofrer novamente."
(William Shakespeare)

Quarto dia
QUARTA-FEIRA
Sentiu-se incômoda. Dividir a cama novamente com Natsu Dragneel foi uma experiência estranha. A sensação não foi a mesma da noite de domingo. Ficou até constrangida e não conseguia olhá-lo nos olhos. Para que não fugisse enquanto dormisse – embora fosse avisado pelo sistema de segurança que tinha montado ao redor do casebre – Natsu algemou suas mãos à dela e tiveram que passar a noite assim, um de frente para o outro, e Natsu não estava disposto a dormir antes que Lucy adormecesse. Pela pressão do seu olhar, pelo frio extremo que fazia à noite ou simplesmente porque o cansaço estava sempre vencendo o seu corpo naqueles dias, Lucy foi a primeira a fechar os olhos e embalar profundamente em um sono comprido.
Não houve perguntas depois que Lucy presenciou a cena fraca de Natsu. Ele ficou carrancudo e irritado demais depois disso para que Lucy ousasse buscar mais detalhes da sua vida. Preferiu ficar calada, antes que ele descontasse nela a frustação de não ter mais o filho e a esposa vivos. Pouco tempo depois – coisa de minutos – se recolheram no colchão.
Na manhã de quarta-feira, logo após o café da manhã – Natsu não fez objeções para que Lucy não se alimentasse –, Natsu pediu para que Lucy se sentasse no colchão, sentou-se na cadeira da mesinha velha e disse que lhe contaria uma história muito interessante para passar o tempo.
– Sobre o quê? – Lucy estranhou. Ele estava sem ser rude com ela desde que acordaram e até a sua voz estava mais branda. Não pensou que ele lhe contaria um conto de fadas, longe disso. Aquela ausência de dureza com ela significava que a crueldade, quando viesse, seria bem mais intensa.
– Você vai adorar descobrir o motivo que te trouxe aqui. Isso começou há muito tempo. Há vinte e quatro anos atrás.
– Nessa época eu não era nem nascida.
– É. – Sorriu, mas não foi um sorriso simpático ou diabólico, foi um sorriso neutro. – Tem razão.
Lucy, curiosa, deixou os ouvidos bem atentos e os olhos longe da neve que caía lá fora. Seus sentidos se concentraram em Natsu, porque a partir das coisas que contasse, poderia usar uma delas ou um sentimento novo para persuadir Natsu a libertá-la daquele cativeiro. Ele começou:
– Isso começou no verão de 1990.
“Annie era uma menina de dezesseis anos. A vida de Annie era um inferno, e se transformou num inferno pior ainda depois que seu amado pai morreu e sua mãe se casou novamente. Ela certamente não sentia nenhum tipo de sentimento ruim pela mãe, mas estava longe de aquela mulher ser sua melhor amiga e confidente, porque sempre foi mais distante. O novo marido da mãe de Annie, por sua vez, era o mesmo que ela: na dele. E estava bom até que fosse assim. Annie ia para a escola, passava o resto do dia na casa de suas amigas, ou divertindo-se com elas em algum lugar, até que caísse a noite e pudesse voltar para casa para jantar e dormir. Mas essa paz não reinou por muito tempo.”
“Certo dia a mãe de Annie viajou à trabalho e ela teve que ficar em casa com o padrasto. Era um feriado e suas amigas tinham outros compromissos, além do que, aquele era um dia em que Annie queria acordar mais tarde do que costumava acordar e ficar em casa mesmo. Mas Annie acordou antes das nove da manhã, sentindo coisas estranhas pelo corpo. E sentindo isso, acordou e deu de cara com o padrasto, que tinha amarrando-a na cama e estava passando a mão pelo seu corpo, com o pau duro pra fora, se esfregando dela. Annie até quis gritar, mas apanhou muito para que não fizesse isso. E o padrasto de Annie abusou cruelmente de Annie. Estuprou-a e arrancou fora a sua virgindade. E as amigas de Annie até que a chamavam de careta, por ser virgem com 16 anos. Agora, pense comigo, Lucy, elas teriam um motivo para tirar sarro de Annie?”
“E Annie passou os próximos quatro meses sofrendo abusos constantes do seu padrasto. Ele a ameaçou de matar sua mãe, se contasse algo para ela ou o denunciasse, e ainda que Annie não fosse tão próxima da mãe como gostaria, e nem a mãe dela, amava-a. Mas houve um dia em que Annie não resistiu mais tantos abusos, teve um aborto. Decidiu ir embora, e sua mãe ficou contra ela.”
“Sem alternativas, Annie ficou pulando de casa em casa, passando um dia na casa de uma amiga, e outro, na casa de outra. Mas aquilo estava se tornando cansativo demais, Annie não encontrava as palavras certas para contar o que acontecera a ninguém. Sabia que a culpariam por isso. Annie era uma menina muito bonita, com um corpo bonito, e apesar de ter sido virgem até os 16 anos, estava sempre flertando com os garotos. O que diriam, quando contasse? ‘Foi sua culpa, Annie. Você o seduziu. Você é uma pessoa cruel, Annie, dando em cima do marido da sua mãe. Você a odeia! Você fez isso de propósito. Ele não te estuprou. Você o estuprou.’ Isso se parece com um conto de fadas para você, Lucy? Acho que não, não é? Você estava mesmo esperando algo mais realista. Como isso.”
“Annie passou alguns dias vivendo nas ruas e se alojou num beco próximo a uma casa de prostituição. Ela viu homens bonitos entrando lá. Homens de todos os tipos, na verdade. E ficava olhando aquelas mulheres, menos bonitas do que ela, vestindo roupas caras, comento do bom e do melhor. Mas não passava em nenhum momento pela sua cabeça virar prostituta. Apenas invejava aquelas mulheres, mas acreditava que fazer sexo com aqueles homens seria novamente um tipo de estupro, já que não conseguia se sentir atraída por nenhum deles. Annie arranjou um emprego mais decente de um período em uma lanchonete e alugou um pequeno cômodo perto do emprego.”
“Annie sentia-se doente naqueles dias. Tinha consciência de que estava desnutrida e anêmica, e o pouco salário que ganhava com o novo emprego ainda não dava para suprir a necessidade que os dias na rua causaram. Até que Annie deu-se conta de que sua barriga estava crescendo demais. Comprou um teste de farmácia e estava lá, novamente, a comprovação de que estava grávida daquele canalha. Um aborto àquela altura da gravidez iria por em risco a sua vida. Decidiu levar a gestação até o fim, e quando a criança nascesse, iria abandoná-la na porta de alguma família rica.”
“Mas quando a criança nasceu, mesmo que fosse fruto de um estrupo, Annie não teve coragem de abandonar o bebê de imediato. Queria pelo menos amamentá-lo até os seis meses, mas ao final desse período, o amor de mãe que Annie teve pela criança, diferente do que sua mãe sentia por ela, não deixou com que se livrasse da criança, e decidiu que iria cuidar dela. Para isso, precisada de um novo emprego, pois o salário que ganhava na lanchonete não era o suficiente nem mesmo para ela.”
“Mas Annie não tinha estudos suficientes – largou a escola –, Annie não tinha nada. Nenhum emprego queria aceitar Annie, ainda mais porque ela não poderia ficar o dia todo fora, por conta do filho, que ainda era um bebê. Então Annie pensou novamente naquela casa de prostituição, onde as mulheres faturavam muito. Annie era nova demais ainda, mal acabara de completar 17 anos, e seu corpo tinha voltado completamente ao formato original. Se duvidasse, Annie estava até mais bonita agora.”
“Pensando nisso, Lucy, um dia Annie resolveu entrar naquele lugar e falar com o responsável sobre os seus desejos e anseios. O velho Rudolf, como se chamava, olhou Annie da cabeça aos pés e deu um sorriso largo, sabendo que estava diante de uma mina de ouro. Annie era, de longe, a mulher mais bonita dentro daquela pocilga. Falsificaram uma identidade para Annie e ela começou a trabalhar naquele lugar.”
“No começo, Annie só tinha relações sexuais com quem quisesse. Annie era nova, a mais bonita. Os homens não escolhiam Annie, Annie era quem escolhia os homens com quem queria transar. E quando Annie descia as escadas, naquele seu vestido vermelho que combinava com os seus cabelos de mesma cor, os homens que estavam embaixo, no bar, ficavam na maior expectativa, sofrendo e rezando interiormente para que fossem escolhidos por Annie. E Annie olhava com ar de superior para eles e apontava o seu dedo gracioso para o escolhido da noite.”
“Annie começou a faturar muito. Ficava com o seu bebê durante o dia e à noite pagava uma babá para ficar com a criança.”
“Certo dia, um homem veio com uma proposta milionária para Rudolf. Ele era de longe um dos homens mais respeitados e ricos de Los Angeles. Ele ofereceu metade da fortuna que tinha na época só para ter relações sexuais com Annie. Então o velho Rudolf acabou por convencer a nossa querida protagonista e deixou-os a sós naquele quarto do andar acima. Até então, Annie não sabia quem era o homem, mas estaria rica no dia seguinte e nunca mais precisaria trabalhar naquele lugar. Poderia dar uma vida ainda melhor para o seu filho, que era a razão de sua vida. Mas quando o homem entrou no quatro e trancou a porta, Annie estacionou-se gélida. Era o seu padrasto. E ele bateu em Annie, abusou de Annie, e disse que sabia que a coitada tinha um filho seu e que iria matá-lo, se ela não se rendesse às suas vontades.”
“A babá contou à criança que viu a mãe morrer na sua frente, com um tiro dentro da boca, vindo da arma daquele homem. Mas ele poupou a vida da babá e disse que cuidasse da criança, mas nunca lhe dissesse nada, caso contrário ele voltaria para matá-la, matar a criança e matar também os seus parentes mais próximos, dizimando tudo aquilo que amava.”
“Coincidência ou não, a babá estava de casamento marcado com um dos melhores amigos daquele homem, e casou-se com ele sem saber, até porque o caráter de ambos diferiam muito, e eles não eram mais tão amigos desde que perdeu tudo para o homem cruel. Você consegue notar algo nesse momento da história, Lucy? O padrasto de Annie enriqueceu porque deu um golpe no marido da babá que cuidou do filho de Annie. Você quer nomes? Daqui a pouco você os terá.”
“Mas voltemos à história. A criança cresceu naquele círculo familiar saudável, criada com amor e carinho. Tornou-se um homem de bem. A sua mãe adotiva sempre deixou claro que embora passassem necessidade, ele nunca deveria roubar nem fazer o mal à ninguém para o próprio bem. Mas como a criança poderia? Quando contou toda a história de sua vida à criança de Annie, o padrasto de Annie, como prometido voltou para matá-la. E sabe como a criança soube disso? Porque a criança presenciou a cena, mas o homem cruel não teve coragem de atirar na criança, e tampouco matar seu pai adotivo, a quem ainda tinha algum tipo de pena ou respeito.”
“Mas a criança jurou que um dia se vingaria daquele homem que arruinou sua vida. E negava a sua própria existência, sabendo que era filho daquele homem. Mas não culpava à sua mãe adotiva por ter lhe contado a verdade, mas agradecia a ela em silêncio, por nunca ter lhe ocultado a verdade.”
“A criança cresceu e se tornou um homem feito. Veja só, o homem feito até chegou-se a se apaixonar por uma garota incrível e teve um filho com ela. Aqueles nove meses foram os mais felizes de sua vida, e ele estava entusiasmado com o novo emprego. Mas, se por um lado estava a sua maior felicidade, a sua ruína estava no outro. Seu pai adotivo foi diagnosticado com um câncer terminal. Como aquele emprego poderia sustentar a esposa, o filho e pagar o tratamento do pai doente?”
“Mas a vida pensou em uma solução para ele.”
“Você consegue imaginar no que aquele homem se tornou, Lucy? Não? Pois eu te digo: em um assassino de aluguel. Homens poderosos o contratavam para assassinar pessoas que já estavam marcadas para morrer. Aquele homem tinha um pouco de sangue frio, não é? Ele tinha que ter herdado algo do seu maldito pai. A sua descoberta se deu quando ia passando por um galpão abandonado e viu um homem estendendo uma arma para outro. E aquele homem de arma estendida se tremia todo, sem coragem de atirar naquele que estava esparramando no chão. Então o nosso protagonista se aproximou e perguntou calmamente o que aquele homem tinha feito. Então o homem respondeu ‘ele estuprou a minha esposa. A minha amada esposa.’ O nosso herói se aproximou mais ainda, tomou a arma de sua mão e ele mesmo fez as honras de matar aquele homem estendido no chão, sem um gota de arrependimento ou falta de coragem. Depois, entregou a arma para o dono e disse a ele que se sentisse vingado.”
“O homem gritou de volta ‘a arma! Leve-a com você, para que ninguém saiba que você o matou e não seja culpado por isso.’ Então ele voltou e ficou com a arma. Aquela arma foi o seu único objeto de trabalho nos primeiros meses. Jogou um anúncio em sites na internet e deixou claro no anúncio: sou assassino de aluguel de outros assassinos, estupradores, ladrões e outros bandidos que precisam ser exterminados da face da Terra.”
“E ele passou a fazer disso o seu emprego. Ficou famoso pela polícia norte-americana e autoridades do mundo inteiro. Mas ele era silencioso demais e ninguém tinha uma única pista de quem era aquele homem. O caso só veio à tona quando ele conseguiu ser preso. Mas está enganada se pensa que ele foi preso por conta dos assassinatos que cometia. Ele se entregou. Se entregou quando resolveu comprar uma nova arma e, sem querer, atirou na esposa grávida de nove meses, matando ela e seu filho. Deus! Ela estava a mulher mais linda no seu último mês de gestação.”
“Os próximos anos foram um inferno. Não porque o nosso protagonista ficou preso, mas porque ficou com a cena da mulher pondo sangue pela boca na sua cabeça. Tirava-lhe o sono e a felicidade. E ele passaria muito mais anos na cadeira se fosse pagar por tudo que cometeu em sua vida, mas deu-se o luxo de pagar apenas pelo crime de ter matado as duas pessoas mais importantes de sua vida, com exceção de seu pai, que estava reagindo mais ou menos bem ao tratamento.”
“Mas sabe, Lucy, estando preso, o dinheiro para o tratamento de seu pai logo se esgotou. Tinha um câncer raro, que exigia tratamento muito caro. Então, além de ter que sair da cadeia porque seus anos de setença pela morte do filho e da esposa se acabaram, tinha que sair porque precisava arranjar dinheiro de alguma forma para manter o tratamento de seu pai. Claro que ele fugiu. Quando julgado, foi sentenciado pelas mortes que cometeu. Mas ele nunca considerou isso um grande crime a que tivesse que pagar. Ele estava fazendo um favor à sociedade limpando a Terra de monstros como eles.”
“Mas agora a sua identidade estava revelada.”
“Então ele passou dias e mais dias articulando um novo plano.”
“Certo dia, ele buscou saber o que sei pai biológico andava fazendo da vida, e descobriu que ele havia se tornado em um monstro ainda pior. Estava envolvido com casos de pedofilia e estuprou duas crianças menores de cinco anos, mas pelo poder e dinheiro que tinha, tudo ficou encoberto. Então ele soube que o velho havia se casado de novo, não estava mais com a mãe de Annie, que havia morrido há cerca de cinco anos, de câncer de colo de útero. Ele casou-se com uma linda mulher loira, para manter as aparências. Mas a mulher tinha a alma tão podre quanto ele, e ajudou-o a adotar uma menina que se parecesse com ela – para que ninguém desconfiasse de que não era sua filha –, num orfanato na Alemanha. Ninguém sabe dizer se foi a desgraça desse pequeno anjinho adotado ou não. Ela estava morando justamente em um orfanato cheio de irregularidades, onde as freiras vendiam as meninas para um cirurgião louco que as transformava em bonecas sexuais humanas e as vendia por fortunas exuberantes.”
“Esse era outro ser que precisava ser morto. Ele arrancava os membros das meninas e colocava parte de plásticos nos cotos. Arranca-lhes os dentes, os cabelos, implantando cerdas sintéticas. Arrancava as cordas vocais. A única coisa que esse monstro deixava intacto eram partes vitais do corpo e o órgão sexual. Depois, treinava essas ‘bonecas’ consigo mesmo, para que elas aprendessem a dar prazer ao novo dono.”
“Esse anjinho teria virado uma dessas bonecas um dia, mas estaria melhor do que sendo abusada por um pedófilo? Aquele homem que a ‘comprou’ não era um monstro melhor. Mas ele milagrosamente começou a gostar da menina demais para vê-la sofrer, do modo como fazia com Annie. Ele amava a sua filha. Passou a amá-la mais que qualquer coisa no mundo, independente da idade que tivesse. E esperou pacientemente que ela crescesse, reprimindo esse amor e a vontade de tocar seu corpo como mulher.”
“Então pense comigo, Lucy, se o nosso herói quisesse se vingar plenamente do pai, acha que ele faria isso machucando-o ou tocando naquilo que lhe é mais precioso na vida, a sua filha?”
– Você consegue dar nome aos personagens desse conto de fadas? – Satirizou.
Lucy, que chorava muito a cada vez que Natsu ia se aprofundando na história, conseguiu levantar os olhos vermelhos para Natsu e dizer: – Annie é sua mãe. Você é o assassino de aluguel. Eu, Lucy, sou a criança do orfanato da Alemanha, e Jude, meu pai, na verdade é o seu pai. Eu faço parte da sua vingança, por isso estou aqui.
E Lucy caiu em um choro profundo, numa lamúria de lágrimas que tomou quase toda a quarta-feira. Sentia-se até mesmo febril depois de tantas confissões amargas e pesadas, que fizeram um marco e um estrago na sua vida. Quando tomou as forças novamente, foi fazer uma pergunta a Natsu, que estava pensativo, tocando violão na cadeira da cozinha. Interrompeu:
– Mas eu não entendo – ela começou, com voz fanhosa –, por que me odeia tanto?
– Como é possível que um homem como ele te ame? Ele fez da minha vida e a da minha mãe um inferno! Como ele pode ter amado você?! Eu não aceito isso, Lucy Heartfilia. Se aquele homem tivesse que amar alguém na vida, seria Annie. Ele teria largado a minha avó e confessado amor pela minha mãe, isso seria aceitável. Amado o filho que teve com ela. Mas ele nos odiou! Ele passou a vida fazendo mal a nós dois! É por isso que eu te odeio profundamente, Lucy Hertfilia. – Natsu tomou um tempo para proferir um soco na mesa da cozinha, que acabou por abrir um buraco. – Odeio você! Odeio ele! Odeio os dois!
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