Seven Wishes - Dip
3 Riqueza - II
【ℂapítulo 2】
『Riqueza』
As mãos do louro batiam na mesa a cada segundo que passava. Olhou para a lousa negra e o professor continuava a dar aula ensinando sobre acontecimentos na história que não interessavam Pip. Direcionou sua visão até o relógio no canto da sala, estava muito longe para ver as horas exatas mas sabia que em poucos minutos o sinal bateria indicando o fim das aulas do dia, que era o que ele almejava.
Voltou seus olhos para o caderno aberto ao meio em qualquer matéria, o professor nem ao menos gastava seu tempo olhando se os alunos estavam prestando atenção. Sendo que a maior parte conversava no fundão enquanto Pip sentava na segunda fileira atrás de Butters que prestava atenção na aula. O britânico pode sentir uma bola de papel batendo em sua cabeça, olhou para trás e viu Clyde rindo. Não conseguiu pensar em infantilidade maior que a do moreno.
Pegou sua caneta e começou a rabiscar linhas aleatórias entre as folhas do caderno, quando seus olhos passaram por sua mão reparou que o símbolo romano havia desaparecido por completo e sua mão voltara ao normal. Logo seus pensamentos foram desviados com o estrondoso som do sinal batendo, Pip fechou o caderno e colocou em sua mochila junto com seus outros, e poucos, pertences. Se abaixou para pegar a mochila no chão, logo que se levantou de novo se deu de cara com Damien.
– Está pronto? — Damien dizendo as palavras não pareceu notar a respiração pulmonar de Pip as alturas devido ao susto que ele o proporcionou ao surgir do nada, ou se notou apenas não ligou para isto.
– Pronto para o que? — Pip colocou sua mochila nas costas enquanto tentava voltar sua respiração ao normal. O demônio olhou para seu lado esquerdo sem mexer a cabeça, Pip virou-se para ver o que ele olhava, era apenas a janela que dava vista para a saída lotada. Pip deduziu que ele estava falando sobre sair da escola.
Andaram pelos corredores sem preferirem nem ao menos uma sílaba. Ao estarem de fora do colégio a atenção de Pip fora em direção a um conversível prata com um homem sentado no volante, Damien foi até o carro e Pip o seguiu. Ao chegar mais perto não pode deixar de notar em todos os detalhes brilhantes do veículo, o britânico não entendia muito de automóveis mas acreditou ser uma Lamborghini.
O demônio sentou no banco da frente e Pip se sentou no banco de trás sem entender o que acontecia. A solução mais lógica era que o desejo do pacto realmente teria dado certo e ele agora estava rico, mas continuava sem entender direito. Era tudo algo muito impressionante e repentino ao olhar do louro.
O que pareceria ser um chauffeur se virou para Pip do banco de trás e abriu um sorriso largo no rosto.
– Bom dia senhor Pirrup — O motorista pegou seu chapéu e abaixou para cumprimentar e logo em seguida colocou de volta — Para onde quer ir?
Pip ia se pronunciar mas foi interrompido por Damien.
– Para casa — O motorista olhou para o demônio com uma cara de ódio como se dissesse "Eu não perguntei para você idiota" e Damien olhava para ele como se dissesse apenas "Foda-se, eu quero que o carro vá para a casa dele".
Quando o carro começou a andar Pip sentia o vento batendo em seu rosto, ele somente relembrava como era bom andar de carro, fazia tanto tempo que ele não sentava em um veículo, sempre dependia de suas pernas para ir a qualquer lugar, nem ao menos tinha dinheiro para um ônibus. E agora lá estava ele andando em uma Lamborghini só dele, não deixou de tirar um sorriso de satisfação do rosto.
– Eu quero...ser rico — Aquela frase ainda não saia da mente de Pip, ele poderia ter desejado tantas coisas, mas a primeira coisa que pensou foi realmente aquilo. Não conseguia viver mais um minuto naquela miséria e pobreza, tanto que poderia se considerar mais pobre que o Kenneth McCormick.
O conversível estacionou na frente de uma casa enorme. E provavelmente a palavra "Enorme" seria pouco aos olhos do garoto e era muito maior que a da família Black. Pip abria a porta do carro ainda sem reação para aquela casa gigantesca. Casa? Acho que o termo mais correto seria mansão em todos os casos.
Pip seguiu Damien até o portão da casa, lá tinha um homem de idade dentro de um cômodo pequeno onde só via as coisas ao redor por uma grade. O velho sorriu ao ver os dois.
– Olá senhor Pirrup e senhor Thorn — O homem apertou um botão e o portão abriu permitindo a entrada dos dois na mansão. A frente era coberta de flores por todos os cantos e os vidros cobriam a maior parte da entrada.
– Essa casa, surgiu do nada? — perguntou Pip.
– Pactos tem a capacidade de mudar o tempo e a realidade. Em todos os casos, essa casa sempre existiu.
Pip não entendeu direito o que ele quis dizer, mas preferiu deixar de lado. Aquilo não importava agora. A atenção de Pip mudou para a porta sendo aberta por uma mulher loura com vestes de empregada, ela fez um gesto para que os dois entrassem na mansão. Aos passos vagarosos e expressões de surpresa, o garoto quase teve um infarto.
Lustres em todos os cantos, vasos decorados, quadros de pintores famosos que Pip não sabia dizer se seriam replicas ou não, tapetes de veludo e uma grande escada de vidro que parecia levar ao segundo andar. O britânico não tinha palavras para descrever tudo o que estava lá, e acreditou fortemente em estar sonhando. Logo um homem de terno se aproximou com uma bandeja em seus braços.
– Aceitaria um copo de água? O almoço logo será servido — Pip concordou com a cabeça e o homem pegou a jarra e despejou no copo dando nas mãos do britânico que agradeceu. Assim que o possível mordomo se afastou Pip virou-se para Damien — Isso é...
– Incrível — Damien interrompeu o louro tirando as palavras da boca dele, afinal o demônio estava acostumado com essa reação das pessoas. Viveu o suficiente para verem pessoas o contratando, desejando, e quando o período do pacto acaba, sofrendo no inferno.
De repente uma mulher de cabelos rosas, sim, rosas mesmo e ainda forte que destacavam seu rosto, entrou no cômodo correndo e ao deparar com o Pip fez um sinal de desgosto.
– Sério pessoal, como vocês podem deixar o mestre sair por ai com essas roupinhas de brecho? — Pip arregalou seu olho, é claro que aquelas roupas que ele usava eram baratas e ruins, mas mesmo assim ele ainda gostava delas — Temos que dar um jeito nisto.
A mulher arrastou ele para um quarto no segundo andar. Durante o caminho ele pode perceber nos mínimos detalhes o tanto que a casa era luxuosa. Chegando no quarto os olhares de Pip foram apenas para uma cama de casal enorme a qual ele não hesitou em sentar nela, era tão agradável a sensação de estar sentado em algum lugar macio e confortável. A mulher entrou em algo que parecia ser um closet e poucos segundos depois trouxe uma muda de roupas e deixou no canto.
– Vista — A mulher saiu do quarto deixando Pip sozinho, ele se levantou da cama e pegou as roupas e trocou, olhou para as etiquetas e nem ao menos reconheceu as marcas que estavam descritas nela. Olhou para o espelho e percebeu que aquele não era ele, era um Pip que ele não reconhecia.
– Agora, você é um novo Phillip Pirup — Sorriu dizendo no espelho.
Sim, era um novo Phillip. Um que não era apenas o "Francesinho Babaca" mas sim o "Francesinho Babaca que tem dinheiro", por mais que ainda não seja um Francês, e o dinheiro poderia mudar muito em sua vida, o jeito que o tratariam, talvez até respeitariam ele. Por mais que acabasse ganhando amigos falsos ele acreditou ser melhor do que não ter amigos.
Mas era apenas isto que ele queria.
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