Notas iniciais
Não me matem pela demora ;u; principalmente vocês Maria Clara e Caty-Senpai u.u Eu demorei tanto pelo motivo que estou planejando fanfics de Halloween. Duas na verdade szzz e relaxem que vão ter Yaoi e Dip, ambas as duas *U* Lorey, aproveitem esse capítulo :333

【ℂapítulo 3】

『Solidão』

O fran... – quer dizer, britânico – se encolhia na cama puxando a coberta mais para cima. Nunca tinha dormido em uma cama tão macia como aquela, tão confortável ou quente. Sempre acostumado a dormir em algo no chão a ponto de sentir o cimento em sua pele. Conseguia ouvir o forte barulho da chuva batendo na janela, se revirava de um lado para o outro mas não conseguia pegar no sono.

Por fim levantou-se e andou até a janela, abriu a mesma, sentiu o cheiro de umidade no vento e o salgado cheiro das árvores transbordando pureza. Respirou de novo, aquilo era uma benção para seus narizes, um ar tão puro e cheirando a hortelã.

Mas Pip estava com sono, morrendo de sono, mas algo o impedia de dormir. Sentia-se tão vazio naquela casa enorme, com medo, como se a qualquer momento um monstro saísse do guarda-roupa e fosse atacar ele. Sabia que tinha vários empregados na casa, mas mesmo assim parecia estar deserto e vazio. Ele estava tão sozinho em meio a tantas pessoas...

Abriu a porta do quarto e resolveu dar uma volta para mansão. Olhou para o relógio no canto da parede e percebeu que eram três horas da manhã, tinha ido tentar dormir cerca de dez horas da noite e ficou remexendo na cama ou dando voltas para o quarto até então.

O corredor parecia assustador, na verdade, estava assustador. Escuro e desértico, ainda mais naquela mansão enorme. O louro procurou o interruptor para acender a luz, demorou alguns minutos clicando em todos os lugares da parede até que finalmente conseguiu acender a luz iluminando o corredor. Percebeu o tapete no chão e conseguiu reparar nos detalhes abstratos do mesmo, as linhas jogadas e entrelaçadas provocavam uma harmonia com o ambiente.

– Fazendo alguma coisa senhor Pirrup? – Pip se virou e viu o mordomo de terno e cabelos morenos, olhos tão azuis quanto o oceano. Não era tão velho, aparentava ter vinte anos ou um pouco mais. Pip um pouco depois de chegar na mansão descobriu que o nome dele era Jared.

– Eu te acordei? – Fora a primeira reação do britânico, preocupado como sempre com suas ações. Se aproximou do mordomo com preocupação, desde que chegou na casa o mesmo foi tão tímido com os funcionários e mal aceitava os serviços deles. Ajudou eles mais do que foi ajudado.

– Eu já estava acordado – Era a verdade, nenhum funcionário da casa tinha o costume de dormir durante a noite. Eram como corujas, sempre atentos e alerto perante a qualquer situação. A unica hora que se davam o luxo de dormir era justamente quando não tinha ninguém em casa e mesmo assim revezando turnos, dormiam certa de cinco horas por dia – Mas você não respondeu minha pergunta.

– Ah sim, eu vou dar uma volta pela casa – O britânico olhou para a escada perto e apontou enquanto balançava a cabeça de um jeito envergonhado – Então vou indo...

– Se precisar de algo é só chamar – A postura de Jared era tão reta e certa, com elegância ao segurar seus braços, Pip se perguntou como ele aguentava ficar daquele jeito.

Pip desceu as escadas com as mãos no corrimão pisando cautelosamente na tentativa de não acabar se acidentando e caindo dos degraus – já que era difícil enxergar a escada com pouca iluminação. Logo que retirou sua mão do corrimão percebeu a poeira acumulada na palma, estranhou por não terem limpado aquela área.

O candelabro enorme era a unica coisa que iluminava o saguão semi-escuro, uma peça antiga e digna de ser apreciada com paciência dando atenção aos mínimos detalhes. Eram várias lampadas no mesmo candelabro, Pip contou oito na parte de cima, seis na do meio e quatro na de baixo. As repartições eram bem feitas e parecia até ter saído de um museu.

Pip ouviu barulhos vindo de algum lugar, pareciam ser utensílios domésticos: pratos, talheres, panelas, facas. A curiosidade o foi maior do que a razão, sendo assim o mesmo resolveu seguir os ruídos, andou pelos corredores escuros e chegou até a cozinha. As luzes estavam acesas e parecia que tinha uma mulher lá dentro, Pip ainda não teve tempo de conhecer todos os empregados contudo não tinha visto ela ainda.

A mulher aparentava ter mais de sessenta, cabelos grisalhos encaracolados curtos como um corte masculino, um rosto meio quadrado e um nariz que parecia ter sido acertado por um soco. Os olhos apresentavam fadiga, olheiras se formavam em baixo das pálpebras e suas sobrancelhas eram quase que unidas. Ela levantava uma faca enorme a altura de sua orelha e batia com tudo na mesa cortando alguma ave.

O louro reparou em uma cicatriz formada em seu pescoço descendo pelo corpo – não conseguiu visualizar tudo já que a roupa cobria. Pareciam ter sido feitas recentemente, não lembrava acidente, talvez fosse uma cirurgia que a velha fez, porém não era possível confirmar nada, não é como se Pip fosse especialista nesse tipo de coisa.

Demorou alguns segundos para a velha virar seu rosto e perceber o britânico apoiado na parede da cozinha. A velha franziu a testa e fechou os olhos como se não quisesse mais conversa, ignorou o garoto e voltou a cortar a ave. Quando Pip já ia sair da cozinha para não incomodar a cozinheira, o britânico se surpreendeu com a voz dela.

– Não é seguro andar sozinho a noite garoto – Aquilo parecia mais uma lamentação do que uma alerta, deixou o clima tenso e medonho quebrando qualquer sinal de coragem de Pip ao andar pela casa no escuro. Se ela queria assustar Pip, então parabéns, ela tinha conseguido.

– O que você quer dizer – Silêncio...a mulher não disse nada e continuou a cortar a ave como se não tivesse ouvido – Com licença...mas o que você quer dizer? – O silêncio continuou apenas sendo interrompido com as batidas da faca na mesa. Pip acreditou que seria melhor sair do cômodo e não incomodar mais a empregada. Não se sabe até onde a paciência dela iria, e é melhor não irritar alguém com uma faca enorme na mão.

Recuando a passos curtos para trás o britânico logo se encontrou perdido na escuridão da mansão a noite, não via exatamente nada, mas o mesmo não andou cuidadosamente, sendo assim esbarrou em várias paredes e até derrubou algumas coisas. Levou um susto quando esbarrou em alguém que aparentava ser uma pessoa.

– Parece que já conversou com a Ethel – Aquela voz...Damien... – Dá para parar de fazer tanto barulho, cacete! Tem gente tentando ter um momento de paz.

– Me desculpe...eu me perdi...

– Que tipo de pessoa se perde em sua própria casa? – O britânico não conseguia ver as expressões no rosto do demônio proferindo as palavras, mas algo dentro dele dizia que Damien exibia um sorriso sarcástico.

– O tipo de pessoa que acaba de ganhar uma mansão – Pip sentiu as mãos do demônio encostando as dele – Mas o que? – Agradeceu por estar o escuro, não queria que o demônio visse as expressões dele. Mas o que garantia que o demônio não visse no escuro?

Damien não proferiu mais nenhuma palavra, parecia guiar o garoto pelo escuro nos corredores silenciosos. Pip não sabia como ele sabia o caminho, se realmente via no escuro ou se o mesmo tinha se aventurado o suficiente na mansão para ter a planta dela decorada na cabeça.

Quando finalmente pararam de andar, o demônio soltou a mão suada de Pip. O britânico não queria largar a mão fria e macia de Damien, queria continuar com ela presa mas não ia dizer isso para ele.

– Chegamos. Acho que o interruptor fica... – Damien parou de falar ao momento que conseguiu acender a luz. Pip percebeu no momento que estava com seu corpo quase colado ao do demônio, deu um passo para trás na hora – Meu quarto é aqui perto, se precisar de algo é só chamar que eu venho – A voz dele parecia mais como se fosse obrigação, um simples "Você me contratou e eu sou obrigado a fazer isso, então não ache que eu goste"

O demônio não disse mais nada, apenas saiu andando pelo corredor enquanto o britânico entrava no quarto. Pip correu até a cama e pulou em cima dela abraçando fortemente o travesseiro enquanto suas pernas enroscavam no lençol.

– Acho que não estou tão sozinho assim – murmurou o britânico por fim.

Notas finais
Eu estava me segurando para não chamar o mordomo de Alfred ;-; Mas o que acharam do capítulo???? SZ
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.