Seven Sisters

2 Interlúdio (I)


INTERLÚDIO (I)

Ele sorriu, e seu sorriso nunca lhe pareceu tão triste. Era verdade que o conhecia há muito tempo e, por isso, sabia que ele não costumava sorrir muito. Ria muito menos. Desde que se separaram, desde aquele dia, eles não trocaram mais muitas palavras. Anos de distância e diferentes experiências acabaram por colocá-los em lados separados da vida. Ainda viviam no mesmo pedaço do planeta, mas era como se morassem cada qual em um canto dele.

Ainda agora, aquele sorriso evocava exatamente a mesma sensação: um sorriso estranho. Algo anormal. Algo errado. Não parecia certo naquele rosto que cresceu tanto e, ainda assim, mudou tão pouco com o passar do tempo; porque, afinal, mesmo ele tendo de fato crescido e mudado, algumas coisas fundamentais continuavam as mesmas, coisas que não conseguia nominar e apenas sabia que existiam, coisas preciosas, sagradas.

E aquela era uma delas.

Mesmo assim, ele sorriu daquele jeito, e não parou nem mesmo quando disse:

— ... É curioso. Mesmo sabendo disto, e do que devia acontecer, eu... Sinto-me feliz, não triste. A ciência disto... Faz meu coração estar em paz.

E aquilo o destruiu completamente.

— É estranho pensar assim?

É claro que não.

Quis dizer.

Até mesmo abriu a boca para fazê-lo.

Ele queria desesperadamente consolar aquela pessoa, dizer que não era estranho – que ele nunca seria estranho.

Que, mesmo que não merecesse aquele perdão, o fato dele o estar concedendo não era estranho. Era bem-vindo. Era bonito. Era sagrado e precioso. Era um pequeno fragmento de passado e, ao mesmo tempo, de futuro. Era muito mais do que podia jamais ter sonhado ou desejado secretamente. Era surreal.

E era triste.

Tão triste.

Era a coisa mais triste que já tinha ouvido.

Tão extremamente triste que as lágrimas não conseguiram ficar paradas.

Os lábios, sim – entreabertos e trêmulos, eles não conseguiam dizer “É claro que não”, mas as lágrimas gritavam sem parar.

Ele só esperava que estivessem falando aquilo.

E esperava, ainda mais honestamente, que o outro pudesse ouvi-las.

Tão subitamente como suas lágrimas, tão inexplicavelmente quanto, ele lembrou-se de que também estava chorando quando eles se conheceram.

Que também chorava quando disseram adeus pela primeira vez.

E que também as derramou quando disseram adeus pela segunda vez.

E, agora, também estava pateticamente recorrendo à elas, porque seria esta a terceira vez que diriam adeus – e, sentia no fundo de seu coração, desta vez, seria a última.

Não haveria, nunca mais, outra vez.

Eles não sabiam – jamais adivinhariam tal futuro –, mas se reencontrariam outra vez, sim. A verdadeira última vez.

Um deles estaria dentro de um caixão.