Notas iniciais
Gente esse capítulo está sem betagem, então podem haver alguns (vários) erros de digitação, concordância e tals, mas se vocês notarem coloquem no review para que eu possa arrumar. Mas, assim que eu tiver um tempinho eu dou uma revisada e arrumo tudo, ok? Bom, esse é o antepenúltimo da fic x.x fiquem ligados, estamos na reta final! ;) beijinhos! Enjoy!

– Valerie? Está acordada, amor?

Estava. No passado, né? – aperto meus olhos e os abro, frustrada por ele ter me acordado do belo sonho que eu estava tendo, jogo meu travesseiro em sua direção, mas não o acerto.

– Você tem uma mira péssima! – brinca ele e eu estou pronta para jogar o outro travesseiro nele, quando vejo que ele não está sozinho.

– Clara? — pergunto olhando para a pequena garotinha de cabelos pretos, pele pálida e olhos castanhos.

– Você está melhor? – pergunta receosa.

– Claro, meu anjo – me aproximo dela e ajoelho em sua frente segurando suas mãozinhas frágeis – não está vendo como estou bem?

– É que tio Eric disse que você estava doente, eu fiquei com medo.

– Não precisa ter medo, Clarinha! Eu já estou bem melhor!

Olho para Eric sorrindo, Clara era uma menina tão graciosa e tão inteligente, quem diria que ela tinha apenas quatro anos?

– Clara! – ouço a voz de Miranda vinda do corredor, pelo pequeno vão da porta ela consegue enxergar Clara e rapidamente entra no quarto atrás da filha – Clara Maria Dawson, eu estava te procurando? O que está fazendo aqui importunando seus tios? – ela pega Clara e lhe lança um olhar de reprovação, mas cinco segundos depois ela beija a bochecha da filha. Não havia como, Clara era uma garotinha apaixonante.

– Ela não está importunando ninguém, Miranda – responde Eric – ela estava apenas preocupada com a tia Val.

Miranda olha para filha e depois para mim:

– Está melhor, Valerie? – pergunta Miranda.

– Sim, bem melhor.

– Então vamos, não é Clara? Papai e vovô já estão na praia fazendo a fogueira.

– E nós vamos comer marshmellows? — perguntou Clara esperançosa.

– Siiiim! – respondeu Miranda animada, fazendo a filha pular de felicidade quase caindo de seu colo – opa! – ela se vira para nós e pergunta – e vocês virão para a fogueira?

– Já estava indo chamar, Val – responde Eric e ela sorri saindo do quarto, Eric se volta para mim e segura minhas mãos – você realmente está bem? – faço que sim com a cabeça e ele me mostra mais uma vez aqueles belos dentes brancos – você quer conhecer a fogueira dos Dawson? – a malicia transborda em suas palavras.

– Adoraria! – respondo com a mesma sonoridade maliciosa que ele.

Eric me dá um beijo rápido e diz que vai esperar no andar de baixo. Vou até minha mala e pego um vestido florido, o mesmo vestido que usei quando Eric e eu passeamos no Hyde Park logo depois de começarmos a namorar, era um vestido antigo, mas importante para mim e não vejo melhor oportunidade para usá-lo do que essa. Vou ao banheiro tomar um banho, estou vestindo um conjunto de dormir que Eric colocou em mim no dia anterior quando tive minha crise no almoço dos Dawson, mas graças a Eric, eu não passei vexame na frente de todos, ele parecia me conhecer agora mais do que nunca, ele rapidamente percebeu que eu não estava bem e me levou paro o andar de cima em nosso quarto, me medicou, me deu banho e me locou para dormir. Apesar de ter estragado esse momento importante com os pais de Eric, agradeço a Deus, pois poderia ser bem pior.

Logo depois do meu banho, visto um casaco para sair, pois apesar de Los Angeles, era final do outono e o frio começava a surgir. Quando estava lá fora, de longe pude ver que todos que estavam no almoço estavam lá, em volta da fogueira que David e Arthur haviam acabado de acender, era uma cena feliz e na qual eu só tinha visto em filmes.

Assim que chegamos à primeira coisa que perguntam a mim é se estou bem, Eric contou a todos que eu tive uma queda de pressão ou algo do tipo, todos engoliram bem a mentira de Eric e eu fico imensamente feliz por isso. Arthur segurava um violão, ele brincava tocando uma melodia e depois começou a tocar Supicious Mind de Elvis, aos poucos todos acompanhavam sua melodia com um coro, era maravilhoso. Aos poucos vários clássicos iam sendo tocados pelo Arthur, depois de sua última canção Arthur estendeu o violão para David:

– Sua vez, Zan – disse num tom brincalhão em seguida David pegou o violão das mãos do pai.

– Zan? – perguntei com a minha curiosidade incessante

– Zan dos supergêmeos – explica o Arthur – sabe, aquele desenho dos gêmeos alienígenas?

– Dave é Zan e Janis é Jayna – completa Eric.

– Os apelidinhos idiotas de Arthur, Valerie — diz Magali revirando os olhos.

– Vocês são gêmeos? – pergunto surpresa.

– Bivitelinos, para ser mais exato – explica David.

– Uau!

Eu sabia o que eram gêmeos bivitelinos, eles eram diferentes, mas tinham algumas as feições parecidas. David também não era nada mal, tocava bem, acho que era o genes dos Dawson, ele escolheu Layla de Eric Clapton. Em seguida o violão passou para Janis, que cantou nada mais, nada menos que uma das músicas mais lindas de sua xará Janis Joplin, The Rose. Era incrível como o gosto musical dos Dawson era refinado, era uma família musical com toda certeza.

Por fim, o violão chegou a Eric, ele brincou um pouquinho com as notas, acho que ele estava pensando em alguma música para tocar, quando finalmente ele começa:

– Há alguém aí que vai ouvir minha história. Sobre a garota que veio para ficar? Ela é o tipo da garota que você quer muito. Que te deixa com pena de si mesmo. Ainda que você não se arrependa por um único dia. Ah garota, garota!

Era Girl dos Beatles, era uma música divina, eu era realmente apaixonada por ela, em seguida quando a música acaba ele começa outra e não é simplesmente uma música qualquer, é a minha música, a música que Eric escreveu para mim:

Abra seus olhos e lute. Faça com que as coisas parecerem boas, mesmo que não estejam. Conte as estrelas para passar o tempo. Até que eu possa te ver novamente e tudo esteja bem – todos parecem atentos ouvindo a música, eles parecem gostar de verdade, mas para mim era totalmente diferente, pois a música era para mim, sobre mim. Eric não tira seus olhos um segundo de mim – Você parece de porcelana, mas é inquebrável. E quando eu olho para você sou o homem que eu sinto que posso ser. Não há luz, nem trevas, somente eu e você! Não há luz, não há trevas, somente eu e você! – da última vez que eu a ouvi, ela acabava ali, Eric não a tinha acabado, mas o contrário do que achei ele não parou por ali – Seus olhos são meu paraíso, minha perdição. Nada é errado, nem certo quando estou com você. Você era a peça chave do quebra-cabeça da minha vida e não quero, nunca mais te perder. – ele tinha completado a música – Você parece de porcelana, mas é inquebrável. E quando eu olho para você sou o homem que eu sinto que posso ser. Não há luz, nem trevas, somente eu e você! Não há luz, não há trevas, somente eu e você! Não há luz, não há trevas, somente eu e você!

Todos aplaudiram a canção de Eric:

– Oh Deus, filho, que música incrível! – disse Arthur indo até o filho dar os parabéns.

– Claro que é pai, eu tenho uma musa melhor que Pattie Boyd – Eric me lança um olhar e eu tomo um tom rosado.

De repente olho em volta e dou de cara com Maya, era parece ferver de raiva, ela me olha como se com apenas um olhar fosse capaz de matar. Quando Eric se aproxima de mim para me abraçar por trás, ela joga sua tigela de marshmallows ao chão e sai correndo no meio da escuridão. Todos encaram a cena um pouco surpresos, me viro para Eric e ele não parece ver surpresa na atitude de Maya, então sou direto e pergunto o que está me incomodando desde o momento que vi Maya Espinosa ontem no almoço de Ação de Graças:

– O que você teve com ela?

– O que?

– Não se faça de desentendido Eric Dawson – digo brava.

– Vamos caminhar? – sugere me estendendo a mão e assinto.

Enquanto vamos saindo da roda em volta da fogueira, Clara passa sobre nós gritando:

– MÃAAAE ME DÁ UM MARSHMALLOW!

Eu poderia cair na risada se eu não tivesse prestes a ter uma D.R. com Eric. Vamos andando pela noite escura, onde a única luz que podia se ver era a do luar, quando estamos bem afastados do pessoal Eric começa:

– Maya e eu fomos namorados.

– Sim, e?

– Nós terminamos e ela parece que ela superou.

– “Parece” não, ela não superou, Eric – digo irritada.

–Hei, hei – ele para e então se esquiva para minha frente me impedindo de continuar a andar – porque está irritada? Maya é passado! Eu estou com você, você é meu presente e meu futuro – ele me encara com aqueles olhos, como era possível, mesmo na mais triste escuridão, aqueles olhos continuavam a brilhar com tamanha intensidade de sempre.

– É-é... Eric, é que só de pensar você com outra pessoa...

– Ah, então você sabe o que eu passei quando soube de você e Conrad, eu me corroí de ciúmes, mas eu sabia que ele era seu passado e que você é minha e eu sou seu.

– E-eu... – eu não sabia o que dizer.

– Eu te amo, Valerie. – ele diz de repente, sem nem anunciar e eu fico surpresa, muito surpresa, mais do que surpresa eu fico em choque, pois é a primeira vez que o ouço dizer e apesar de eu ter escutado de outras pessoas dessa vez é diferente, pois não é meu pai me dizendo, não é minha mãe, nem minha irmã ou Meredith, é Eric, meu namorado, meu amante, meu amigo e o homem que eu quero construir um futuro, uma vida a dois.

~X~

Acordar com Eric Dawson ao meu lado era o melhor de estar na casa dos Dawson, sentir seu corpo colado ao meu logo pela manhã era incomparável. Nós dormíamos em posição de conchinha, quando sinto alguém contra minhas costas. Fico um tanto quanto tentada a me virar, mas desde que chegamos à casa em Los Angeles Eric e eu nem se quer chegamos a nos tocar, apesar de dormirmos no mesmo quarto durante esse tempo, eu meio que tinha receio e ele respeitou isso. Mas, eu começava a sentir a falta de seu toque e de me sentir completa novamente, é quando me viro e vejo que Eric está acordado, ele sorri para mim maliciosamente e eu retribuo e de repente estamos lá nos beijando com tanta paixão. Seu toque é desesperado e sei que ele está sentindo o mesmo que eu, nos amamos em silêncio, mas com ardência, com paixão e acima de tudo com amor.

Só tínhamos aquele dia e então decidimos aproveitar ao máximo, Eric me levou para conhecer a loja de música de seu pai, era um local agradável e eu realmente adorei os vinis que tinha lá, Eric disse que eu era apaixona pelos Beatles e Arthur então disse “Essa garota é para casar, meu filho, não a deixe escapar”, fiquei constrangida, mas feliz pelas palavras dele. Eric diz que precisa visitar um amigo dos tempos da Julliard e me deixa na loja de flores de sua mãe, fico encantada com a aura daquele lugar:

– É tão lindo aqui! – comento com Magali – tão colorido, tão cheio de vida! Lá em casa nós nunca pudemos ter flores, mamãe era alérgica.

Ela sorri para mim e diz que as flores dela sempre estarão ali sempre que eu puder, então ela vai me contando um pouco mais sobre sua paixão e passamos um longo tempo ali. Eric chega mais tarde e me leva à praia, passamos o resto do dia ali, sem preocupação alguma.

Eu estava começando a sentir falta de Los Angeles já, aquele lugar era maravilhoso e olha que eu nem tinha entrado no avião ainda naquela altura do campeonato. Mas, quando eu finalmente entrei no avião o mesmo processo da ida, ocorreu na volta, eu tomei meus medicamentos ficando completamente sedada. Depois da minha chegada os dias pareciam correr, o natal parecia que tinha chegado e ido embora com a mesma velocidade, o ano novo nem se fale, de repente Charlie estava partido com Conrad para Milão e eu tinha que voltar a minha velha rotina de não fazer nada.

Foi numa segunda-feira qualquer, onde eu acordei só por acordar, apenas esperando a noite para que eu pudesse ver Eric. Fui tomar café, a mesa só estava mamãe, meu pai já havia saído à tempos. Mamãe lia sua Elle, quando Mercedez chega com a correspondência, entrega a mamãe que nem ao menos olha para ela, apenas a deixa de lado. Ela termina o café e deixa as cartas lá, quando me levanto passo os olhos por ela e veja a que a primeira é destinada à Valerie Novack. Arqueio a sobrancelha confusa e pego a carta, quando viro-a de lado para abrir vejo o brasão da Royal Academy of Dance e meu coração dispara e engulo seco. Por que a Royal me mandaria uma carta depois de quase sete anos? Com as mãos trêmulas rasgo o envelope e tiro a carta e lentamente vou lendo:

Cara srta. Valerie Novack

Com base na carta que fora enviada pela senhorita que com grande prazer veio por meio desta convidá-la para um novo teste para o curso de balé clássico da Royal Academy of Dance de Londres. Esse curso tem como o Certificate in Ballet Teaching Studies (Certificado de Estudos do Ensino de Ballet) que consiste nos módulos abaixo:

* Conhecimento do Syllabus da RAD Parte 1

*Conhecimento do Syllabus da RAD Parte 2

*O Bailarino Saudável

*Planejamento para Ensino Efetivo

*Prática de Ensino

*Professor de Dança Free-Lance

Se houver um interesse da mesma, entrar em contato em no máximo um mês a partir da data de envio desta carta para o agendamento do teste que consiste em uma apresentação de dança de no mínimo meia hora, esteja preparada e boa sorte!


Phillip Richardson
Presidente da Royal Academy of Dance



Eu não consigo respirar, como eu... Eles estavam me dando uma nova chance? Como isso era possível? Respira Valerie, respira! Será possível a pessoa morrer de alegria, eu preciso:

– AHHHH! – grito esvaziando meus pulmões.

– Jesus Cristo! – minha mãe surge assustada correndo até mim – o que houve, Valerie? Você está bem?

– Mãe – olho para ela emocionada – a Royal me mandou uma carta, e-eles querem que eu vá fazer um teste!

Pela primeira vez há muito tempo eu vejo minha mãe sorrir, seus olhos enchem de lágrimas e ela simplesmente me abraça.

Notas finais
Layla - Eric Clapton: https://www.youtube.com/watch?v=Q_L-0Ryhmic The Rose - Janis Joplin: https://www.youtube.com/watch?v=c-fUhdZalEs Girl - The Beatles: https://www.youtube.com/watch?v=AVr_6kE1vio