Notas iniciais
Sem beta meninas, perdoem-me os erros. Só mais dois capítulos :'( está acabando!

Como dizia John Winston Lennon: Imagine...

E eu imaginei... Eu podendo viver como eu sempre quis, fazer o que eu sempre quis... Mas, não era assim que as coisas funcionavam , tudo estava mudado, eu não era mais a garota de dezoito anos que fora cheia de esperanças fazer o teste naquele dia a seis anos atrás, eu não mais a jovem Valerie Novack, agora eu era outra pessoa, com outros desejos, com outras limitações e com um novo amor. Eu sempre me lamentei por não ter conseguido entrar na Royal, por ter Esclerose Múltipla, mas, se tudo isso não tivesse acontecido, talvez eu não tivesse conhecido Eric Dawson, ou talvez eu tivesse, mas as coisas não aconteceriam da forma que aconteceram e eu não posso reclamar de nada, pois todas essas barreiras só me fizeram saber que ele era a pessoa certa para mim. Talvez essa segunda chance que eu estava tendo era para mostrar que as coisas vêm no momento certo e esse parecia ser exatamente o momento certo.

Mamãe só faltou rasgar a carta tomando de minha mão para saber se o que falava era mesmo verdade, seus olhos se encharcaram mais de lágrimas quando ela terminou de ler e logo em seguida ela me arrastou ao telefone mais próximo da casa e me intimou a ligar imediatamente para a Royal:

– Vamos, Valerie!

– Mãe, eu não tenho certeza...

– Como assim, Valerie? – perguntou boquiaberta mexendo a cabeça fazendo com seus belos brincos sacudissem – não era isso que você sempre quis?

Era. Só não sei se é o que eu quero agora. – eu continuava a me questionar sobre isso

– Então decida – respondeu ela tentando ser compreensiva, mas mamãe era péssima em esconder seus sentimentos, principalmente a irritação, estava mais do que claro.

Por fim, ela me deixou sozinha com meus pensamentos e por um segundo eu quase a chamei de volta, porque eu não queria ficar sozinha naquele momento, pois meus pensamentos estavam me massacrando. Foi quando eu decidi ir pedir ajuda à alguém do outro lado do oceano:

– Alô? – Meredith perguntou do outro lado da linha.

– Meri é Valerie – me identifiquei.

– Oi, Val – respondeu ela, sua voz estava um pouco instável, meio rouca, como se ela estivesse chorado durantes dias.

– Meredith, o que houve? Está tudo bem?

Foi quando do outro lado da linha ela pôs-se a chorar e eu entrei em pânico, o que diabos houve com Meredith?

– Valerie... – ela sussurrou – e-eu...

– Me dê o telefone, amor – era a voz de Peter – alô? Valerie é você?

– Sim, Peter, sou eu. O que houve com Meredith, pelo amor de Deus?

Ela perdeu o bebê, Valerie – ele disse e foi como se ele tivesse me dado um choque de 220 WW.

– Oh meu Deus, Pete! – agora sou eu que queria chorar junto com Meredith – e Meredith está bem, digo, fora... – eu não conseguia mais pensar em nada.

– Tudo bem, Valerie – diz Peter forçando uma voz natural, mas era visível que ele não estava nem um pouco bem – todos estamos sem chão também!

– Faz muito tempo?

– Uma semana e meia – ele parece sussurrar agora, creio que para Meredith não ouvir – Foi aborto espontâneo segundo os médicos mas... ela não para de chorar, Valerie, e-eu – ele parecia tão perdido – eu não sei o fazer.

– Leve ela ao médico, Pete – aconselho – eles darão alguns calmantes para ela, é o melhor que se pode fazer agora.

– Oh, Valerie – ele parece querer chorar agora – ambos queríamos tanto essa criança...

– Todos nós, Peter – comento – mas, vocês são jovens.

– Obrigada, Valerie – responde – Meredith e eu temos sorte de ter você.

– E eu de ter vocês.

Desligo o telefone um pouco atordoada.

Sem Meredith para conversar e com Charlie em Milão eu só poderia falar apenas com uma pessoa mesmo: Eric. Eu não podia nem ao menos esperar ele sair do trabalho, eu iria lá para conversar com ele. Pego meu casaco, deixo um bilhete para mamãe e pego um táxi até a New Perspective Records. Quando chego pergunto a recepcionista de Eric e ela diz que ele está no estúdio no meio de uma gravação, decido por esperar. Meia hora depois alguém abre a porta e levanto rapidamente achando que é Eric, mas na verdade é Hanna, ela me olha e sacode a cabeça:

– Tsc, tsc, tsc. Não é hora uma boa hora, boneca.

Eu estou prestes a perguntar a ela o porquê dessa afirmativa, mas sou interrompida com o barulho alto de Eric abrindo a porta do estúdio e fechando-a com toda força. Em seguida um homem por volta dos quarenta, barrigudo, com a barba por fazer e usando terno sai do estúdio também berrando:

– Seu americano idiota! As coisas não funcionam assim na minha gravadora!

Eric que está de costas para ele aperta as mãos em punho e eu temo que ele vá fazer alguma merda quando começa a tremer e estou pronta para entrar no meio dos dois, mas Hanna vem até mim e me segura. Todos que estão ali ficam olhando, as pessoas que estão no estúdio também saem pra ver, por fim Eric se vira, dá um passo de cada vez em direção ao homem e fica cara à cara com ele:

– Vai se foder, seu velho estúpido – Eric fala bem lentamente – você é um bosta, se acha o dono do mundo e na verdade não é nada! Não vou me surpreender sem em menos de um ano essa gravadora não vai por água a baixo! Salvem-se quem puder! – ele se vira olhando para todos e por último me vê, no primeiro momento ele parece assustado, mas em seguida sorri aliviado e me chama para sair dali com ele.

Quando estamos do lado de fora na rua ele me abraça de repente, seu corpo ainda está tremendo, eu quero perguntar o que houve, mas sei que não é a melhor hora. Seguro em sua mão e o guio até seu carro, ele senta no carona e desta vez eu vou dirigindo, faz um tempo que não dirijo, mas é como andar de bicicleta, certo?

Enquanto vamos andando, ele parece estar mais calmo e faz até um comentário de como eu dirijo muito ruim. Quando paro seu carro na sua vaga no estacionamento do seu prédio Eric de repente me beija, foi algo de surpresa mesmo, eu estava prestes a abrir a porta e tinha acabado de desligar o motor quando ele me beija:

– Eric... – sussurro enquanto suas mãos estão tateando o zíper de meu jeans.

– Val, eu não sei o que eu faria sem você... – sussurra entre beijos.

Um pouco – na verdade bastante – desengonçada vou deslizando seu casaco para baixo e o arrastando para o banco de trás, ele não tira suas mãos um segundo sequer de minha calça:

– Ahhh! – soltou um suspiro abafa quando sinto seu polegar estimula meu clitóris.

~x~

Subimos pro seu apartamento em seguida e fomos tomar um banho. Fui para a cozinha fazer um chá para Eric, enquanto ele se sentou no sofá na sala de estar e dali mesmo começou a me explicar o que havia acontecido na gravadora:

– Ele quer que todo mundo faça do jeito dele, sabe? Não quer ouvir mais ninguém. Todo mundo faz suas vontades e eu não sou assim, não sou do tipo que fica ouvindo você mandar sem questionar e aí ele ficou puto, começou a me dar mais trabalho e eu achei que ele ia me dar uma oportunidade de crescimento, mas ele só queria que eu fodesse mesmo! Então tudo que acontecia ali era minha culpa, toda merda que dava eu que tinha que arrumar e eu fazia, mas não recebia nem um muito obrigado. Mas, chega um momento que a gente cansa, sabe Val? E hoje foi esse dia. Sinto muito que você presenciou isso.

– Está tudo bem, eu só fiquei um pouco assustada.

– Perdão – se desculpa mais uma vez.

Peguei duas xícaras e coloquei os saches de chá dentro de cada uma, logo em seguida coloquei a água que eu tinha acabado de ferver e fui em direção a Eric no sofá, entregando uma xícara para ele:

– Chá depois do sexo? – pergunta brincalhão – já virou rotina.

– O que eu posso dizer? – digo dando de ombros – eu sou inglesa.

Ele dá um risinho e me dá um beijo rápido:

– E então, o que vai ser agora? – pergunto.

– Eu não queria contar a ninguém até que estivesse tudo certo, mas você é minha companheira e eu não quero esconder nada de você. Lembra quando eu fui visitar um amigo dos tempos de Juilliard?

– Sim, lembro – concordo.

– Bom, ele tem um projeto de fazer uma gravadora para o comércio digital, sabe? É algo ganancioso, mas eu tenho total fé que possa dar certo – ele faz uma pausa pensando que eu vá falar algo, mas eu faço um gesto para que ele continue e então ele o faz – E ele me convidou para participar desse projeto, ele está me mantendo atualizado, disse que o banco já aprovou o empréstimo e agora é só saber quem está dentro e quem está fora.

– E você está dentro ou fora?

– Isso depende de você.

– De mim? Como assim depende de mim? Eric você só pode estar brincando, eu não posso fazer isso, eu não posso decidir o seu futuro.

– Não é mais só o meu futuro, é o nosso futuro, Valerie.

– E onde será a cede dessa gravadora?

– Dublin – ele responde.

Eric estava colocando um grande peso em minhas costas, apesar de ser nosso futuro como ele mesmo disse, eu não posso tomar essa decisão e além do mais, eu não posso tirar essa oportunidade de Eric, mesmo que eu queira não era certo. Então eu dei a Eric o poder de decidir nosso futuro, ele ficou um pouco um receoso, mas, por fim disse que queria fazer isso, queria para mostrar que era merecedor de uma garota como eu — o que eu achei uma grande tolice, porque era eu que achava que não era merecedor dele -, além de fazer o que gosta e ter a liberdade de fazer como e do jeito que quer — coisa que nos últimos tempo não estava fazendo Na NP Records e também ganhar mais para sustentar ambos:

– Mas, pense pelo positivo quando tudo acabar, será só você e eu — disse tentando me confortar — e vai ser bom para nós um tempo.

– E de quanto tempo você está falando?



– Cinco, seis anos. — responde – Não se sabe ao certo, creio que o tempo necessário para gravadora começar a dar lucros.

Seis anos? Seis longos anos longe de Eric? Será que eu conseguiria? Mas, então eu pensei por um instante, me lembrando que pela manhã eu tinha recebido a carta da Royal. Talvez esse quatro anos não seriam tão longos com minha mente ocupada, ocupada com dança…

– Eu recebi uma carta da Royal — digo por fim a ele.

– Sério? — pergunta surpreso, mas não tanto quanto eu imaginava que ele ficaria, em seguida ele completa — eles foram rápidos.

– Como assim? — pergunto desconfiada e Eric faz uma cara de quem falou demais -Eric William Dawson, o que você aprontou?

– Eu meio que mandei uma carta pra Royal em seu nome.

– Eric, isso é crime!

– Eu sei, eu sei. Mas, é que eu vi naquele dia você em seu estúdio, dançando, toda feliz e eu vi que você realmente amava aquilo e que quanto o destino foi injusto de tirar sua paixão pela dança e então eu conversei com Janis, que é advogada e ela me deu uns conselhos.

– Que tipo de conselhos?

– Pra você mandar uma carta para Royal dizendo que eles cometeram um grande erro quando te impediram de dançar, que apesar de sua doença, isso não altera em nada em seu talento com a dança e que você merecia uma segunda chance.

– Só isso? — perguntei desconfiada e ele fez uma careta levada.

– E claro se eles não fizessem isso, nós meteríamos um processo neles!

– Eric! — o repreendo soltando um risinho.

– Ah, e eles também terão que te dar uma assistência durante as aulas, com médicos de plantão que entendam do assunto e estejam previamente treinados.

– Oh céus! Você é incrível, Eric Dawson — me jogo em seus braços sem temer e ele me segura. Porque é isso que Eric faz, quando eu sinto que vou cair ele sempre me segura, sempre me segurou e sempre me segurará e é por isso que eu o amo.



~x~

As semanas seguintes foram as mais felizes e mais tristes de minha vida. Eric que agora estava definitivamente desempregado passava a maior parte do tempo comigo, era ótimo tê-lo por perto, é claro, mas era doloroso saber que em pouco tempo ele estaria longe de mim. Minha mãe ao saber da partida de Eric ficou completamente abalada, quando digo isso, digo sem nenhum exagero, ela chegou a oferecer um emprego para ele nas companhias de papai, mas Eric claro não quis. Ela relutou tanto a aceitar Eric e agora estava aos prantos por que ele iria embora. Pensei logo em seguida. Mas, por outro lado ela estava mais do que feliz com minha volta a dança, chegou a alugar um estúdio e uma professora só para eu treinar no teste. Por fim Eric e eu decidimos assim: Ele iria para Dublin junto de seu amigo e os outros sócios da gravadora e eu tentaria entrar para Royal. Tudo era uma questão de esforço e sorte, mas se tudo desse certo como planejado Eric estaria melhor economicamente e eu estaria formada, eu não poderia dançar pelo mundo, mas eu poderia lecionar como professora de balé e finalmente poderia estar junto de meu Eric.

Quando mamãe soube dos meus planos não ficou muito contente, principalmente pelo fato de que nos planos eu iria morar em Dublin e ficar longe de sua vista para sempre. Enquanto eu treinava, Eric estava lá me apoiando, cuidando de mim, claro que ele tinha que se dividir um pouco entre uma ligação e outra de seu colega, mas para mim tudo aquilo bastava.

Quando o grande dia chegou e Eric tinha que partir todos os medos que haviam sumido nas últimas semanas veio à tona, os sentimentos que eu estivera evitando naquele momento em especial eu não tive escapatória. Eu não queria ir ao aeroporto, vê-lo entrar no avião e partir para longe de mim seria doloroso demais. O ajudei a organizar seus pertences no dia anterior e decidi passar a noite com ele, enquanto estávamos deitados em sua cama, abraçados juntinhos e cercados por caixas e mais caixa, ele fazia um cafuné em meu cabelo, enquanto eu pensava no que seria de mim sem ele, eu estava prestes a cair no sono quando sua voz baixinha soou no meu ouvido:

Feche os olhos e eu te beijarei. Amanhã sentirei sua falta. Lembre-se que sempre serei verdadeiro. E quando eu estiver longe. Vou te escrever todo dia e mandar todo meu amor pra você. Vou fingir que estou beijando os lábios dos quais sinto falta. E torcer pra meus sonhos virarem realidade e quando eu estiver longe vou te escrever todo dia. E mandar todo meu amor pra você! Todo meu amor, vou mandar pra você! Todo meu amor, querida serei verdadeiro...

Notas finais
E aí gente? O que vocês acham que vai ser agora? Me falem quais são suas apostas pro final dessa história! Bjuxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx (brega) Música que Eric canta no final: https://www.youtube.com/watch?v=gWvurnpKjE4
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.