Seth is a Good Boy
6 Capítulo 6 - Um coquetel de frutas, por favor
Notas iniciais
O sinal havia tocado há cinco minutos, e Seth ainda estava nos corredores da Sta. Jeremy. Digitou o código do seu armário, que se abriu em seguida. O cheiro de livros novos dominava aquele cubículo de armário. Ele era minúsculo, não cabia nem sequer uma formiga. Quer dizer, uma formiga até que cabia. Mas um livro? Nem pensar.
Como toda sexta-feira, Seth deixou suas apostilas e seu estojo no "armário-gaveta", para evitar levar peso para casa. Fechou a porta de lata, digitou o código e, ao olhar para frente, deu de cara com Thome Harder. Engraçado, Thome e Seth eram muito amigos, mas logo isso acabou. Agora lá estavam os dois, voltando a se falar.
– E aí, Seth? Costuma ter programas sexta à noite? — perguntou Thome, dando três tapinhas nas costas de Seth.
– Costumo me programar com minha televisão, mas minha irmã tirou as pilhas do controle. — os dois riram juntos. Seth continuou. — Brincadeira. Por enquanto não vou fazer nada. Quer sair para beber alguma coisa mais tarde? Chame uma galera. — Seth não era assim. Não costumava chamar uma "galera" para sair. Geralmente, ele e Kyle saiam para beber sozinhos.
– Ótimo. Vou levar uma amiga, Noah Rhodes. Lembra dela?
– Acho que não. -mentiu. Seth sabia quem era Noah, mas tinha um passado repugnante com ela. Por isso fingiu que não se lembrava. Em uma dessas festas de adolescentes, que por acaso Seth evitava, Thome apresentou Noah para Seth. Naquela noite, Thome não estava sóbrio o suficiente, e acabou dizendo que Noah era sua prima. Logo, quando Seth estava sozinho com a garota, disse: "Deve ser muito bom ter um primo como Thome, huh?" Assim, Noah achou que Thome estava usando ela para conseguir certa fama, e os dois brigaram feio. Mas não tinha nada a ver. Thome estava só bêbado mesmo.
– Com certeza você vai se lembrar dela quando vê-la hoje à noite. Nos encontramos no Harley's Bar? Ah, e chame Kyle. — disse Thome, acompanhando os passos de Seth.
– Combinado. — Seth respondeu, mesmo não tendo total certeza se queria se reencontrar com Noah.
Ao abrir a porta da frente de sua casa, Katherinne pulou nos braços de Seth. Isso não era normal. Ela disse, quase gritando:
– Você está melhor, não está?
– O quê? Katherinne, não consigo respirar! — Seth disse, cambaleando e tentando tirar os braços da irmã de seu rosto.
– Eu vi seu sorriso enquanto você entrava pelo portão, não disfarce.
– Eu sorri pois o vizinho me cumprimentou!- Seth respondeu, colocando sua mochila no chão da sala.
– Tá, mas você está feliz, certo? — Katherinne cruzava os dedos. Seth sentiu pena.
– Sim. Por você! — e assim começou a fazer cócegas na irmã.
Louise estava jogando em seu iPhone, mas quando viu Seth subir as escadas, logo abriu um grande sorriso. Isso também não era normal! O mau humor de Louise atingia seu ápice de manhã e depois da aula. Nesse meio tempo, sorrisos eram praticamente extintos.
Seth entrou em seu quarto e, depois de uma ducha, sentou em sua escrivaninha. Ficou ali, parado, observando a quantidade de trabalhos e registros que tinha para fazer. "Que preguiça", pensou. Logo, ele lembrou de Sara Hamilton, a menina estudiosa de sua sala que cobrava para fazer a tarefa dos outros alunos. Mandou um SMS a ela e pediu para realizar os trabalhos, tudo. Sua consciência pesou um pouco, ao contrário de seu bolso, que não pesou nada. Ele pagou apenas 15 dólares. George entrou em seu quarto em seguida.
– Vai sair, filho?
– Vou sim. Como você sabe? — Seth perguntou, desconfiado. George riu.
– Suas irmãs. — ele piscou o olho para Seth e encostou a porta do quarto.
Seth voltou-se para sua escrivaninha. Reparou no folheto de sua banda de rock favorita, pregado no porta retratos havia muito tempo, mas ele nunca tinha pensado em ir. Ótimo, agora ele tinha um programa para o próximo fim de semana.
Antes que perdesse a hora, Seth começou a se arrumar. Calça jeans ou social? Blusa ou camiseta? Que seja. Bermuda e regata. "Droga", pensou. Estava atrasado. Desceu as escadas em um só pé, acenou para suas irmãs, arrancou um casaco que estava pendurado atrás da porta e pegou a chave de um dos carros de George. A última vez que andara naquele Volkswagen Eos foi para levar Savannah a um jantar. Só para ocasiões especiais.
No sinal vermelho, seu celular tocou. Seth conferiu se não havia nenhuma viatura circulando por perto e atendeu.
– Alô?
– Seth, cadê você?
– Quem fala? — respondeu, mudando a marcha.
– É a Noah. — Seth engoliu seco. Há muito tempo não ouvia aquela voz.
– Puxa, sua voz está diferente! Estou chegando, Harley's Bar, certo?
– Isso. — o silêncio foi tanto, que Seth pensou que a ligação havia caído. Mas não, era apenas falta de assunto com Noah. A ligação não durou nem mais dois minutos, os dois se despediram rapidamente.
O Harley's Bar não costumava ser cheio como estava naquela noite. Homens falando alto, mulheres (ainda meninas) usando salto alto e rindo com as amigas. Típico bar onde Thome levaria Seth. Ele fez uma vista grossa procurando os dois na multidão (sim, multidão) de pessoas, mas nada. Mesas do canto, área VIP e pista de dança. Nada.
Cinco minutos procurando por duas pessoas é muito para paciência de Seth. Logo, ele resolveu ir ao Open Bar, onde as bebidas eram pagas junto com a entrada.
– Um coquetel de frutas, por favor. Duplo. — Seth anunciou ao Barman. Um gole, dois. Isso já estava ficando chato. Onde estavam Noah e Thome? Seth tomou outro gole e, enquanto brincava com o canudo, alguém sentou-se ao seu lado e pediu ao Barman:
– O mesmo do que ele, por favor. — era a voz da pessoa que pediu emprestado o marca texto.
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