Seth is a Good Boy
7 Capítulo 7 - A tal loira de vestido vermelho
Notas iniciais
– Seth, você estava aqui o tempo todo? Estávamos te procurando, cara! — Thome anunciou, abrindo a porta encardida do banheiro masculino do Harley's Bar.
Seth não respondeu. Na verdade, ele não ouviu. A música estava realmente muito alta. Seth estava molhando o rosto quando Thome chegou.
– Seth? — arriscou Thome. — Seth! — dessa vez ele gritou. Seth olhou para ele, assutado. Seu rosto estava vermelho e ele parecia um pouco tonto.
– Ah, oi. Finalmente achei você. Onde você estava? — Seth cambaleou um pouco pra direita.
– A questão é onde você estava. Você bebeu?
– Mais do que devia. O coquetel de frutas do cardápio dizia "com pouca porcentagem de álcool."
– Ah, então é isso. Você estava no Open Bar. — Thome aproximou-se de Seth, aproveitando para guiá-lo para fora do banheiro.
– Estava. E foi a pior coisa que eu poderia ter feito. Ei, eu estou sóbrio, você não precisa me ajudar! — ele disse, tirando os braços de Thome de seus ombros.
– Por que "pior coisa"? O que aconteceu? — nesse instante, Noah abriu a porta do lavabo. Ela gritava:
– Finalmente! Achei que ele nunca mais viria!
Assim, os três seguiram para uma mesa de canto, no fundo do bar. Lá, a música era mais baixa e, claro, como Seth pedira, era o mais longe possível do Open Bar.
– Aqui está bom. — Seth disse, um pouco mais sóbrio, apontando para uma mesa de vidro coberta de desenhos e escritos feitos com (talvez) canivetes. Thome sentou e virou-se para Seth.
– Agora me conte o que aconteceu no bar.
– É Open Bar. — corrigiu Seth.
– Que seja! — Thome se irritou. Noah anunciou que buscaria cervejas e os dois assentiram com a cabeça.
– Clair estava lá. Eu evitei olhar para seu rosto, mas a voz... A voz era a mesma da escola. — Thome não estava entendendo nada. Mas quando a palavra "escola" saiu da boca de Seth, ele tirou de letra:
– Ah, sim! Clair Whitte, a garota que você está com dúvidas. Não é?
– Dúvidas, não. Apenas curioso para saber o que ela realmente queria depois de tudo. — Seth corrigiu mais uma vez.
– Onde ela está? — Thome o ignorou.
– Não sei, depois que ouvi a tal voz, sentei-me em outro lugar e pedi mais três coquetéis! Depois fui ao banheiro. E agora não faço ideia de onde ela está. Se é que ela está aqui. — Seth respondeu, fazendo uma vista grossa para ver se achava a garota.
– Você tem certeza de que era a voz dela?
– Sim. Quer dizer, se não for a voz de Clair, deve ser um mutante. — brincou Seth, tentando descontrair o interrogatório. Thome o encarou por alguns minutos. Ele estava falando sério? Se sim, a garota estava o perseguindo. Não basta na escola, e agora no bar? O Harley's Bar não era conhecido, e Thome duvidava que Clair fosse do tipo de garota que o frequentava. Pelo menos isso é o que ele pensava sobre ela. Noah voltou com as duas cervejas. "Sunday Mornings” começou a tocar quando Seth se levantou da mesa.
– Aonde você vai? – Noah e Thome falaram em coro. Eles não queriam perder Seth de vista mais uma vez.
– Descobrir logo quem é aquela menina, se ela é mesmo Clair. – Seth respondeu, engolindo seco o resto de vodca e batendo o copo de vidro na mesa, seguido de um forte estalo.
A música era baixa no fundo do bar, e agora, onde ele estava, estava muito alta e tocava algo com uma letra realmente horrorosa. O salto de uma mulher loira esbarrou no tênis Brook Brothers de Seth.
– Ai! – ele reclamou. A moça nem ouviu e continuou a dançar, provavelmente muito bêbada para o perceber. Na verdade, mesmo sóbrio ninguém perceberia Seth. Ele era o tipo de garoto invisível, quieto.
Agora as banquetas do Openbar estavam vazias. Droga, ele a perdera. Talvez o bartender sabia de algo. O homem era jovem e vestia um blazer branco, parecia chapado ou algo assim. Seth o chamou três vezes, mas ele não ouvia. Na quarta vez, ele gritou. Ele aproveitou que a música lenta começou e falou:
– Licença, você viu uma garota loira de vestido vermelho? Ela estava aqui há alguns minutos.
– Garoto, eu atendo centenas de pessoas em uma noite. Há dezenas de mulheres loiras e de vestidos vermelhos. Olhe à sua volta. – “realmente”, Seth pensou.
– Obrigado. – seu tom de voz abaixou, decepcionado. Provavelmente o garçom nem ouviu seu agradecimento, pois ficou o olhando como se ele não tivesse pagado a conta, indignado.
Como todos da família, um Obrien nunca desiste. Mas essa era sua deixa. Ele ouvira a voz uma vez, e teve sua chance, mas ele a desperdiçou. Se ele realmente tivesse um destino com Clair, ele teria virado e falado com ela ao invés de mudar de lugar. Trouxa. Ele foi andando pela pista, observando cada sorriso amarelo das pessoas bêbadas e eletricamente dançantes. A felicidade delas chegava a ser irritante. Ele olhou uma última vez para o balcão do bar, e nada de Clair. Agora “Wish You Are Here” do Pink Floyd tomou conta do bar. Isso é música que se toque em bar? Não. Mas ela o fez lembrar de Savannah. Há duas semanas ele não ouvira falar mais do avião em que ela provavelmente morreu. Ele estava evitando ver noticiários e pensar nela. Estranho. Agora ele não sentia mais aquela dor no peito em pensar na morte dela.
Seus olhos ainda estavam paralisados no copo de Jack Daniel’s com gelo que alguém de unhas pintadas segurava. E quem o segurava? Uma garota loira de vestido vermelho. E não era uma das dezenas que o bartender citou. Era ela.
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