Seth is a Good Boy

5 Capítulo 5 - Uma voz familiar pede emprestado um marca texto


Notas iniciais
Espero que gostem do quinto capítulo da vida dos Obrien!

A aula de física estava chata. Era sempre assim, a professora Rainz gastava três ou mais horários explicando a fórmula da velocidade. Estava chovendo. Situação propícia para passar bilhetes, já que na maioria das vezes a energia acabava. Seth estava sentado na segunda fileira e Kyle sentava à sua frente. Enquanto digitava em seu celular Blackberry debaixo da carteira, a Sra. Rainz dizia algo sobre delta. Seth ouviu um "Psiu" vindo da carteira de Roy.

– Psiu! Ei, Roy. — o garoto de olhos castanhos e cabelo amarelo olhou para Seth, que continuou a falar. — Você me chamou?

– Ch-chamei. — Roy estava preocupado se a Sra. Rainz o ouvisse conversando. Por isso enrolou um pedaço de papel, escreveu algo e jogou a bolinha para Seth. O bilhete dizia: "Fiquei sabendo da queda do avião, sinto muito. — Roy." Seth engoliu seco. Agora todos estavam com pena dele. Droga de mídia.

Roy o encarou por alguns segundos, esperando que ele começasse a responder o bilhete. Foi o que Seth fez: "Já estou melhor. Afinal, já era de costume ficar sem Savannah desde de sua mudança. — Seth." A bolinha de papel aterrissou bem na mesa de Thome Harder, que imediatamente leu o papel e cochichou para algumas meninas. Ótimo, agora todos que não assistiam ao noticiário também sabiam. Droga de mídia, droga de mira.

Seth nem sequer pensou em rescrever o bilhete para Roy, que ficou inquieto até o relógio mostrar dez e quarenta e cinco, aula de biologia.

Por volta das onze horas, alguém cutucou Seth. Cutucou e murmurou alguma coisa:

– Seth, você pode me emprestar seu marca texto? — a voz era familiar, mas Seth nem pensou em se virar para ver quem era, apenas retirou a caneta de pigmento fosforescente do estojo e entregou para tal pessoa.

– Obrigada. — o.k., agora ficou estranho. A voz era conhecida. Muito conhecida. Minutos depois, uma mão com as unhas pintadas de rosa claro contornou a carteira de Seth, com o marca texto na mão. Ele sem querer caiu no chão, fazendo um estalo no silêncio da aula de biologia.

Seth abaixou-se para apanhá-lo, e deu de cara com seu companheiro de classe que pediu o marca texto emprestado. Companheira, na verdade. Clair Whitte, a menina babaca que provocou tudo na vida de Seth, estava lá. Parada, indefesa. Seth tomou um susto quando viu aquele rosto conhecido e acabou batendo a cabeça da quina da mesa.

– Ai! — gritou Seth. Todos olharam, inclusive o professor.

– Algum problema, sr. Obrien? — o sr. Freir perguntou.

– N-não. — respondeu Seth, envergonhado.

– Ótimo. Foque sua atenção aqui, no quadro. — Seth concordou, mas logo virou-se para Clair.

– O que faz aqui? — sussurrou, o mais baixo possível.

– Aula experimental. Mas não sei não, acho que não gosto daqui.

– Ótimo. Então vaza. — respondeu, quase fazendo mímicas.

– No meio da aula? Não vou fazer isso. Ei, por que me ignorou no bate-papo ontem à noite? — Clair perguntou, enrolando seus cabelos entre os dedos.

– Foi você que espalhou a notícia falsa de que Kyle estava com Savannah.

– Pois é, foi eu. — nesse instante, o sinal tocou. Clair Whitte desapareceu, provavelmente da escola também. Seth encarou a porta por onde ela havia saído, boquiaberto, pela sinceridade da menina. Thome Harder quase pisou no marcador de texto que ainda estava no chão. O pegou e o colocou sob a mesa de Seth.

– Valeu, Thom. — Seth não chamava Thome de "Thom" há muito tempo. Por isso soou estranho. Thome sorriu, mas logo uma expressão de dúvida cobriu suas covinhas.

– Quem era aquela garota que você estava conversando na aula? — Thome se aproximou.

– Clair Whitte, a menina que espalhou a notícia falsa sobre Kyle e Savannah. — Seth respondeu.

– Puxa, e você ainda fala com ela? Você só pode ter um motivo para isso. — O que Thome disse fez sentido. Se Seth estivesse mesmo nervoso com Clair, nem sequer olharia para ela. Só tinha uma razão para ter feito isso.

– HA-HA, qual motivo? — Seth hesitou, preocupado.

– Gostar dela.

– Isso é um absurdo! V-você pelo menos viu o que ela fez? — Seth aumentou o tom de voz.

– Vi.

– E você acha isso normal? — retrucou Seth.

– Não sei, mas ela podia ter um motivo. Ele pode ter espalhado a notícia falsa sobre os dois para, digamos... "Amortecer" você com a notícia de que Savannah sofreu um acidente de avião. Se você se sentisse mal por algo, nesse caso sobre Kyle e Savannah juntos, não mudaria muito se acontecesse algo pior, que seria o acidente. Ela poderia estar querendo lhe ajudar a enfrentar a situação. — Uau. Thome Harder podia ser o terapeuta de Seth. Fazia completo sentido o que ele disse. Completo.

Seth ficou sem dizer nada, apenas olhou para porta esperando que Clair voltasse até a sala de aula para ele se desculpar. Parece que Thome o convenceu, mas também não era assim. Ele tinha que sair de seus devaneios e conferir se o real motivo era esse. Se fosse, não havia tempo a perder.

Notas finais
Sinto cheiro de romance! Espere para ler os próximos capítulos!