Seth is a Good Boy

14 Capítulo 14 - Escambo injusto


Notas iniciais
Gente!! Mil desculpas pela demora! Volta às aulas, sabe? Bom, demorou mas saiu! Boa leitura!

Estranho. Da última vez que Seth dormiu na casa de Kyle ele não roncava. Mas, naquela manhã, o despertador humano substituiu o galo que cantava toda manhã no bairro. Seth acabou dormindo na casa do amigo, já que se saísse da casa de Kyle à caminho da sua correria o risco de se esbarrar com Savannah. E, definitivamente, não era isso que ele queria num sábado tranquilo. Bem, nem tão tranquilo.

Seth abriu os olhos, vagarosamente, até reconhecer o ambiente em que dormia. Ele esfregou os olhos, bocejou e virou-se para cama de Kyle. Como tanto barulho poderia sair de uma só pessoa? Curioso com a pergunta, Seth inclinou-se para Kyle, que babava no travesseiro. Ele aproximou seus ouvidos do rosto de Kyle, e nada. Quem estava roncando era Roar. "Não sabia que gatos roncavam mais que gente.", pensou Seth. Antes de abrir a porta e descer para comer alguma coisa, Seth jogou uma almofada na cama de Kyle, com intenção de acertar a gata. A maldita gata que roncava feito um porco.

O corredor estava gelado. Ainda bem que nem era inverno ainda. Estava quase agradável de andar por ele de pijama e casaco. Os pais de Kyle estavam viajando para as Ilhas do Caribe, para comemorar os vinte e oito anos de casamento. Por isso, a casa ficou nas mãos de Kyle e da gata Roar. Citei a gata pois certamente ela é mais responsável que Kyle. Na geladeira, três iogurtes de morango e um resto de leite na xícara de porcelana era a refeição. Pelo visto, ninguém fazia compras há meses naquela casa.

– É só o que tem e eu não estou a fim de ir comprar mais se acabar. Foi mal. — Kyle murmurou, sentando na banqueta da cozinha.

– Se acabar? Bom, cara, praticamente não tem comida aqui. O que você come quando dá fome?

– Por que é que você acha que eu dou flores pra minha vizinha? — respondeu ele, apontando para uma caixa de papelão cheia de rosas.

– A senhora Harper te dá comida em troca de flores? Definitivamente, você é muito folgado. — Seth riu. — Bom, já que não tem rango e eu estou com fome, vou nessa. — disse enquanto andava em direção ao quarto para se vestir.

– Tá. Vou entregar a dose diária de flor para Sra. Harper. Afinal, eu já estou com fome.

Seth começou a correr, literalmente correr. Assim, ele estaria colocando a ginástica em dia e ao mesmo tempo 'fugindo' de Savannah. Por um momento, parou no ponto de ônibus. Ele se sentou ao lado de uma senhora sorridente. Ele se perguntou se era ela a Sra. Harper, vizinha de Kyle. Se fosse, o almoço dele já era. Ele parou um pouco para pensar. E se ela fosse a Sra. Harper? E se ela estivesse fugindo de Kyle para não ter de dar comida para ele em troca de rosas murchas? Bom, certamente Kyle não ia gostar disso. De certo modo, isso despertou algo em Seth. Ele estava fugindo de Savannah. Pela mesma lógica, ele concluiu que Savannah não gostaria de saber que ele estaria fugindo dela. Era o mesmo esquema. Seth, neste caso, era a Sra. Harper. E Savannah, era Kyle. Determinado, ele se levantou do banco de metal gelado, e entrou num ônibus com destino para o bairro de Savannah, sem nem mesmo perguntar à senhora se ela se chamava Harper para saber se sua teoria estava correta.

– Pra onde vai, amigão? — perguntou o motorista do ônibus. — De repente eu posso te deixar no local exato, já que o ônibus está vazio.

– Sem problemas. Pode me deixar no bairro que é o seu destino mesmo, prefiro andar. Obrigado.

As rodas pararam de rodar e as portas se abriram, chiando. O motorista se virou para Seth e sorriu, como se fosse uma espécie de despedida. Ele retribuiu o sorriso e desceu as escadas do ônibus.

Por incrível que pareça, o ponto era exatamente na porta da casa de Savannah. Ele tocou o interfone. Uma voz feminina e risonha atendeu.

– Quem é? É a encomenda da Macy's?

– Er, não. É... — Seth sabia que se falasse seu nome talvez Savannah o mandasse ir embora. Mas ele voltou com sua teoria. Ela queria vê-lo.

– Quem?

– É o Seth. Seth Obrien. Savannah está? – respondeu Seth, na ponta dos pés para alcançar o aparelho que era alto demais para ele. Não que ele fosse baixinho.

– Só um minuto. – e a voz interrompeu-se por um “clic”. Ela havia desligado o interfone.

Seth sentou-se no meio fio em frente a casa dela. Escorreu seus longos dedos pelo seu cabelo macio, colocando-o todo para trás. Um barulho de chave veio do portão principal. Seth levantou-se rapidamente, ajeitou a gola da camiseta a acariciou seu topete mais uma vez. Fungou e esperou que alguém saísse pela porta. “Alguém”, não. Um alguém não basta. Tem de ser a Savannah. Os dois tinham muito o que conversar e ela muito a esclarecer. A trava do portão automático se soltou e Savannah colocou a sua cabeça para fora. Ela não disse nada, só esperou que ele dissesse algo.

– Oi. – clássico de Seth Obrien. Um “oi” simpático seguido de um sorriso sem graça.

– Oi.

– Podemos conversar ou você está ocupada agora? – perguntou Seth, inserindo suas mãos no bolso do seu jeans.

– Na verdade, estou, sim. Minha amiga está fazendo minhas unhas. – será que é por isso que ela não colocou a cabeça para fora do portão?

– Ah, tudo bem. Já vi minhas irmãs fazendo unha no salão. Não me importo.

– Seth, eu não posso agora. – Savannah afirmou, colocando seus cabelos atrás da orelha.

– Tá legal... Podemos conversar outra hora. – Seth já estava de saco cheio do fato de Savannah estar sempre adiando a conversa dos dois. Mas finalmente cedeu para a garota, que não parava de roer as cutículas.

– Tá. Me liga mais tarde. – disse ela, recuando sua cabeça para dentro do portão.

– Não. – Seth colocou a palma da mão da tranca para impedir que ela batesse a porta na cara dele. – Seria bom se conversássemos pessoalmente. Por favor.

Ela revirou os olhos e deixou o portão encostado. Três passos depois, puro silêncio. Seth espiou pela greta que ela deixara aberta e se perguntou se ela se esqueceu de fechar. Na verdade, não. Algumas eternidades de minutos se passaram e Savannah voltou com uma bolsa pendurada nos ombros, esfregando um algodão cheio de acetona na unha.

– Vem. Vamos resolver isso logo. – e ela bateu o portão.

Notas finais
E aí, o que achou? Comente se possível! Até breve com mais um novo capítulo!