Seth is a Good Boy
11 Capítulo 11 - Rick oferece um trago de uma "belezura"
Notas iniciais
Seth apalpou pela terceira vez seu bolso da calça para conferir a presença da chave do carro. Ele sabia que a chave estava lá, mas sua ansiedade fazia com que ele insistisse em verificar diversas vezes. O Harley's não estava cheio como de costume. Pelo contrário: Um velhinho bebia sua dose diária de Vodca no balcão e um garoto digitava freneticamente em seu celular, sentado numa cadeira de madeira com as pernas naturalmente abertas. Olhando de um lado para o outro, Seth não encontra quem quer encontrar. Ele mandara a mensagem para Clair há quinze minutos, e pior: ela visualizou e não respondeu. Ela viria? Estaria presa no trânsito? Ah, é. Clair não dirige à noite. O pai dela acha perigoso. Será então que ela está à espera de um táxi? Não, não. Era feriado, táxis eram mais frequentes do que os próprios turistas. Não haviam mais suposições em sua cabeça. Clair não viria. Um carro prateado encostou no meio fio em frente ao bar. O coração de Seth disparou como um cronômetro sem limites. Três adolescentes desceram do Volvo, um com uma Heineken na mão e outro com um buquê de rosas. Droga. Não era Clair.
Outros desesperantes dez minutos se passaram e o Harley's começou a ficar cheio. Segundo as contas de Seth, haviam mais de trinta pessoas no lugar. Trinta. Por quê nenhuma das trinta poderia ser Clair? Já sei. Porque Seth é azarado. Suas mãos tocaram seu bolso mais uma vez. A chave do carro estava lá. Depois, mais três tapinhas em sequência foram dados sobre a calça. "Que droga! A porcaria da chave não vai sair andando por ai, Seth!", pensou ele, tentando praticar um pouco de terapia com si mesmo. De repente, uma vontade de ir ao banheiro tomou conta de seu corpo. Ele não queria usar o banheiro de verdade, mas queria entrar lá por pura ansiedade. Talvez para se esconder.
Seis grandes passos foram dados até a porta do toalete. Aparentemente as cabines do banheiro estavam vazias, nenhum som era emitido. Seth conferiu seu celular, para ter certeza que Clair não tinha respondido sua mensagem. O som da água escorrendo pela pia de certa forma o acalmou.
– Vai um trago? — era o mesmo adolescente que segurava um buquê de rosas na entrada do bar. Agora ele segurava um cigarro levemente queimado, entre seus dois finos dedos. — Você parece estar nervoso.
– Não, eu não fumo. Obrigado. — Seth não admitia pessoas enxeridas. E daí que ele parecia nervoso? Não é só por isso que ele vai aceitar um trago de um cigarro de um sujeito que ele nem conhece, apesar de já ter sim fumado.
– É, eu também não fumava até meu colega me apresentar essa belezura aqui. — ele balançou o cigarro, mostrando para Seth.
– O mesmo colega que bebia uma Heineken antes mesmo de entrar no bar? — Seth disparou. O garoto fumante fitou Seth por alguns segundos, tentando entender o momento em que ele o ofendeu para ter recebido uma resposta como aquela. — Desculpa. — Seth anunciou, seguido de risadas. O garoto deu um leve sorriso, mas não riu.
– Tudo bem. Você está com algum problema?
– É, não exatamente. Não é nada com o bar, e sim com uma espécie de "convite não correspondido.". — Seth contou, apalpando o bolso da calça mais uma vez.
– Que droga, heim? Ainda bem que nunca passei por isso. — o garoto disse, meio sem graça. Ele olhava pelo canto dos olhos para a lixeira do banheiro, mas logo disfarçou. Seth seguiu seu olhar, diretamente para a lata de lixo. Lá estava o buquê de rosas que o garoto segurava anteriormente. Pelo jeito ele já havia sim passado por convites não correspondidos.
– E as rosas? Era para agradecer seu colega por ter lhe apresentado o fumo? — Seth acrescentou um pouco de humor em sua acusação. O garoto chegou a ficar vermelho de tão sem graça. Ou será o efeito da droga? Deve ser os dois.
– Esperto você. Era para uma garota, também. Estamos quites. Chega de papo furado. Preciso voltar ao bar, é... Como você se chama?
– Seth. Seth Obrien.
– Tá, Seth. Boa sorte com a garota. — e o garoto cujo nome-não-foi-identificado andou em direção à porta. Ao jogar o cigarro no lixo, um papel caiu ao lado da lixeira. Seth o pegou. Era uma carteira de identidade. Bingo. O garoto se chamava Richard Archigall. O apelido deve ser Rick.
– Ei, Rick! — Richard se virou, abrindo a porta do toalete quando ouviu Seth o chamar.
– O quê? Agora vai querer um trago? Eu acendi um agora e... — ele parou. — Como sabe meu nome?
– Sua carteira de identidade, você deixou cair.
– Ah, legal. Obrigado. — respondeu Rick, guardando-a no bolso. Ele continuou olhando para Seth, parecia estar esperando que ele dissesse algo. Antes de sair do banheiro, Seth pegou o baseado na mão de Rick, e alguns segundos depois soltou a fumaça. Que determinado.
– Não fuma, não é? Sei. — Richard riu, e saiu andando pelo bar, agora extremamente cheio.
Todo aquele papo no banheiro fez Seth se esquecer de tudo. Suas mãos rapidamente se encaixaram em seu bolso traseiro à procura do celular. Nenhuma nova mensagem. Ela não viria.
Seth se sentou no meio fio do bar, a fim de esfriar a cabeça e tirar o cheiro do cigarro de Rick de seus macios cabelos. Sem mais nem menos, um par de mãos macias e longas tamparam seus olhos cinzentos. Seu coração foi à mil, um enorme sorriso estampou seu rosto. Ela foi. Ela realmente leu a mensagem dele! Ela estava ali! Seth segurou o antebraço dela e, ao sentir sua pele macia e suave, ele teve vontade de tirar suas mãos de seus olhos, para ele poder ver como ela é linda. Foi o que ele fez. Segurou seus braços e delicadamente os contorceu, virando-se cara a cara para ela.
– Sabia que te encontraria aqui. — Savannah disse suavemente, olhando nos olhos de Seth. Ele não sabia o que estava sentindo. Só sabia que o "ela" não era o ela que ele esperava.
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