Notas iniciais
é isso aí gente!
animei e postei mais m capítulo para vcs!
modesta parte, esse sim é um capítulo emocionante!
segurem os lencinhos e deixem um comentário no fim!
bjooooo

Capítulo 6

Elena acordou na manhã seguinte agarrada ao próprio travesseiro. Abriu os olhos e viu que o tecido que segurava não era o suéter de Damon, mas o cheiro dele estava impregnado em toda a roupa de cama. Ergueu-se sentindo os músculos doerem e os ossos estralarem. Olhou em volta pelo quarto à sua procura não o encontrando. “Talvez esteja no banheiro.” Arrepiou-se com a imagem que surgiu na sua cabeça. A silhueta nua de Damon vista através no vidro fosco do Box, o corpo ensaboado, a água da ducha batendo no seu rosto e escorrendo pelo seu pescoço, peito, ventre, virilha... Balançou a cabeça tentando livrar-se da cena. Mas sabia que no fundo desejou ser uma barra de sabonete bem cheirosa.

Levantou da cama e vestiu as pantufas. Foi para o corredor e não ouviu barulho de chuveiro nenhum. Sentiu uma movimentação no andar de baixo e um chiado de óleo quente na frigideira. Desceu as escadas indo direto para a cozinha e não acreditou no que estava vendo.

— Isso sim merece uma foto. – disse ela de bom humor.

O balcão estava lotado de produtos com as embalagens abertas. Havia uma caixa de ovos pela metade, um pouco de farinha esparramada, um pote de manteiga, entre outros. E pilotando o fogão e virando panquecas na frigideira com uma habilidade invejável, estava Damon. Suas roupas eram diferentes das da noite passada. Usava apenas uma camiseta branca com jeans pretos e sapatos fechados. Sua tradicional jaqueta de couro estava pendurada no encosto de uma das cadeiras da bancada. “Ele realmente tomou banho.” Ela teve uma leve vertigem, mas foi bem sucedida em esconder-la.

— Era o mínimo que eu podia fazer. – disse ele com um sorriso torto.

Ela tentou disfarçar uma pontada de tristeza que atingiu o seu rosto. Não tinha muita habilidade em esconder suas emoções como Damon então falhou na sua tentativa. Ele parou de se concentrar por um instante no que estava fazendo e a olhou nos olhos.

— Sabe que não precisava fazer nada disso.

— Eu quero.

— Damon...

— Deixe-me cuidar um pouco de você, Elena. Alguma vez já passou pela sua cabeça o fato de eu gostar de fazer isso?

Ele encarava os olhos chocolate dela com tanta intensidade que a energia entre os dois era quase palpável. Nunca viu Damon ser tão sincero como agora. O estômago vazio se revirou e os joelhos enfraqueceram fazendo-a perder um pouco do equilíbrio. Antes que fosse ao chão, sentiu mãos frias a carregarem e acomodar-la em uma das cadeiras da bancada.

— Viu como está precisando de cuidado? Se não fosse por mim teria se esborrachado.

Voltou ao fogão a tempo de não queimar uma panqueca. Elena ainda estava desconcertada. Apoiou-se no mármore da bancada e obrigou-se a encarar as pontas dos dedos dos pés. Mas a presença de Damon era forte demais para simplesmente ignorar-la. Quando levantou os olhos, um prato com uma montanha de panquecas com manteiga estava bem à sua frente. Incluindo um copo de leite e algumas frutas.

— Ia levar na sua cama, mas você acordou.

— Como teve tempo para preparar tudo isso?

— Bem, as frutas já estavam prontas, o leite estava na geladeira e não é preciso nenhuma estratégia de guerra para fazer panquecas.

Explicou com o seu usual sorriso debochado. Um meio de lado, sem mostrar os dentes e que revelava uma covinha na bochecha esquerda. Arrastou a cadeira com a jaqueta e sentou-se ao lado da jovem. Acariciou os dedos delicados com uma mão e com a outra suspendeu o queixo dela obrigando-a a olhar nos olhos. A grande diferença de temperatura fazia com que a pele de Elena parecesse ainda mais quente. Damon gostava desta sensação quando a tocava, principalmente agora que ela não estava fazendo objeção nenhuma ao carinho. Deu um sorriso satisfeito e este gesto fez com que ela corasse levemente. Afastou um pouco o rosto para deixar-la mais confortável e entrelaçou os dedos com os dela.

— Como está se sentindo hoje? – lembrou-se dos ruídos que ela fazia na noite em tudo aconteceu. Ele conseguiu ouvir claramente o choro abafado pelos travesseiros e as molas do colchão quando ela se revirava na cama. Conseguiu segurar uma careta de dor.

— Um pouco melhor. Dormi um pouco mais. – agora qualquer traço de humor se fora. Elena estava aos poucos voltando à realidade depois de um breve momento de descontração. A preocupação de Damon a despertara para o que tinha acontecido.

— Que bom. Agora pode tratar de comer tudo porque eu sei que você só está com o café da manhã, que eu fiz ontem, no estômago.

Realmente ela não comera nada desde que saiu da mansão Salvatore na manhã passada. O luto e as horas em que ficou velando o corpo do irmão não a permitiram sentir fome. Nem quando chegou em casa no final da tarde ela pensou em comida. Em resposta ao pensamento, sua barriga roncou tão alto que até mesmo um humano comum conseguiria ouvir e se assustar, imagina um vampiro como Damon. Como a situação tinha certo grau de seriedade ele não sorriu debochadamente nem fiz uma piada sobre o assunto. Elena livrou seu rosto da mão dele e voltou-se para suas panquecas, literalmente atacando-as com o garfo.

— Estão maravilhosas, Damon. – disse ela com a boca cheia.

Elena nem percebeu, mas sua mão entrelaçada com a de Damon até o fim da refeição.

Enquanto lavavam os pratos, Damon reparou que Elena permaneceu muito silenciosa desde que começou a comer. Segurou-se muito para não fazer-la falar. Sabia que quando estivesse preparada ela puxaria assunto. Foi só quando a louça já estava limpa e guardada que ela encarou Damon. Ele retribuiu o olhar atenciosamente, pronto para receber o seu desabafo e abraçar-la se possível. Mas ela não se mexeu, apenas ficou encostada no fogão apertando os dedos nervosamente.

— Eu não sei o que fazer com tudo isso. – falou subitamente olhando em volta do aposento.

— Com o que? – perguntou Damon confuso.

— Com esta casa, com as coisas da Jenna, do Jer. Não posso manter mais tudo isso para mim. Não gosto da idéia de doar o que pertenceu a eles, mas sei que é preciso. Seria uma atitude masoquista guardar tudo. Dói pensar que terei que mexer nos objetos, empacotar-los. Sinto que estou tentando me livrar deles.

— Não. Você estará seguindo com a sua vida. Jenna e Jeremy entenderiam. Você não precisa doar para estranhos, distribua entre os amigos, para que eles mesmos tenham uma lembrança deles. – disse enquanto se aproximava.

— E a casa? Não posso continuar nela depois de tudo o que aconteceu aqui. – a expressão de dor no rosto dela só piorava.

— Venda-a. está em ótimo estado e encontrará facilmente um comprador.

— Para onde eu iria?

— Para minha casa! – disse ele com um entusiasmo um pouco exagerado. – Quer dizer. A casa é sua, já que está no seu nome. E também, você passa mais tempo lá do que aqui, então não seria uma mudança tão drástica. – completou com um leve sorriso para confortar-la.

Estavam tão próximos agora que Damon mal precisaria estender o braço para tocar-lhe o rosto. O olhar atencioso dele confortou-a. Era a primeira vez que Elena sentia-se tão bem desde que tudo aconteceu. O vampiro estava se tornando um dos seus pilares, e ela tinha certeza que passar por esse momento sem ele seria quase torturante. Bonnie precisava mais de apoio do que ela e Caroline não é exatamente boa em consolar as pessoas. Agradeceu mentalmente por ele ter mudado tanto, ter se tornado um homem que ela podia admirar e confiar. Envolveu a cintura dele com os braços abraçando-o carinhosamente. Sentiu as mãos frias afagarem suas costas e seus cabelos, o queixo masculino repousado no topo da cabeça.

— Você é incrível, Damon.

— Onde está a droga do celular numa hora dessas!

Ambos deram risadas sinceras com a piada fora de contexto.

----------X----------

Bonnie permaneceu debruçada na cama desde que a trouxeram a força para casa na tarde do dia anterior. Vários lenços sujos e amassados estavam a sua volta. Nem deu-se o trabalho de trocar de roupa. Ainda vestia blusa de manga comprida preta e o casaco de linha da mesma cor. Seus sapatos estavam jogados em um canto qualquer do quarto. O sanduíche que Caroline preparou para ela na noite passada ainda estava no criado mudo, intocado. A amiga permaneceu com ela até pouco depois de anoitecer e teve que ir pelas insistências da sra. Forbes. Mas não sem antes obrigar-la prometer que não faria nenhuma besteira.

Desde que Caroline foi embora a casa ficou em completo silêncio. Ninguém entrou convidando para uma festa ou para um jantar que quase acabaria em um incêndio, nem ninguém entrou desesperado pedindo por ajuda mágica para salvar a cidade de um vampiro descontrolado. Nada disso aconteceu porque eram coisas que Jeremy faria. E ele não estava mais lá nem nunca estaria. “Ele não voltará.” Este foi o pensamento de Bonnie enquanto voltava a limpar as novas lágrimas que escorriam. Sentia-se impotente. Desta vez não pudera fazer nada para salva-lo como fizera tantas vezes. Considerava o que estava passando como um castigo por mudar tanto o curso da natureza. Estava pagando o preço por trazer os mortos de volta à vida, como fizera uma vez com Elena e Jeremy.

Segurava firmemente o anel de lápis-lazúli entre os dedos. Ele era o único meio que poderia proteger Jeremy, mas foi covardemente arrancado. Ela conseguiu recuperar-lo perto do corpo inerte de Klaus, morto logo depois de dar a ordem mortal a Stefan. “Stefan...”. A raiva tomou conta dela com a lembrança. Esmurrou violentamente o travesseiro quase rasgando a fronha. “Malditos vampiros!”. Sua reação tinha uma razão. Sua família e seu coração estavam destruídos por causa dos vampiros. Sua avó, que amava tanto e que a ensinou sobre bruxaria, lhe foi tirada por atender aos caprichos de uma daquelas criaturas e agora Jeremy, que lhe ensinou algo muito mais importante e complexo do que magia, foi morto por um vampiro a mando de outro. Ele a ensinou a amar, a amar de verdade, tão intensamente como deveria ser. E ele se fora sem que ela pudesse perdoar-lo e ser perdoada pelo incidente com Ana. O nó na garganta se apertou e ela afundou o rosto novamente no travesseiro.

— Bonn...

Uma voz grave a fez arrepiar e sentar-se num pulo no colchão. Por um momento pensou que era puro fruto de sua imaginação fértil e de sua fragilidade. Mas quando fez uma breve procura pelo quarto com os olhos deparou-se com a última figura que esperaria encontrar. Jeremy estava encostado descontraidamente na cômoda de nogueira. Bonnie esfregou os olhos esperando que a imagem dele sumisse. Quando isso não aconteceu, ela teve certeza que não se tratava de uma ilusão ou um truque que sua própria cabeça estava lha pregando. Ele estava realmente lá, podia sentir sua energia pura e reconfortante. Tentou aproximar-se e foi impedida pela mão de Jeremy.

— Jer... é você!

— Sim, sou eu sim. – disse ele com um sorriso.

— Então você está...

Ele negou levemente com a cabeça e seu sorriso sumiu.

— Não estou. Eu vim me despedir, Bonn.

— Você não pode me deixar, Jer. – disse e sentiu as lágrimas voltarem aos seus olhos.

— Chegou minha hora, Bonn. A de todos chega um dia, é a natureza. – um soluço escapou dos lábios de Bonnie.

— Eu odeio a natureza!

— Não diga isso! É uma bruxa. É sua obrigação respeitar a natureza.

— Ela deve estar me punindo agora.

— Não está. Ela está te tornando uma pessoa ainda mais forte, mais capaz de superar seus desafios. Nada acontece por acaso.

— Vou sentir sua falta.

Ele aproximou-se dela quase a tocando, mas sabia que se tentasse sua mão simplesmente a atravessaria.

— Não precisa sentir minha falta. Estarei sempre com você. Eu nunca vou te deixar, Bonnie. Eu amo você. Me perdoe pelo que aconteceu com a Ana.

— É claro que perdôo. Desde que também me perdoe por ser tão infantil em não querer ouvir suas explicações.

Jeremy deu seu típico sorriso maroto.

— Eu perdôo. Mesmo achando que o babaca da história fui eu.

Ambos deram uma pequena risada e se calaram.

— Eu amo você, Jer.

— Não vou me esquecer isso. E lembre-se que eu te amei muito também. Não esqueça que a sua vida continua e que eu espero que você encontre uma pessoa que possa te amar como eu te amei ou até mais.

— Nunca vou me esquecer de você.

— Nem eu de você. Nunca. Diga à minha irmã que eu estou bem e que a amo. Agradeça a Matt, Tyler e Alaric pela amizade, pode dizer isso a Damon também. Fale para Stefan que eu sei que não foi culpa dele e que ele foi um bom amigo. Promete?

— Prometo.

— Perdoe-o, Bonn. Ele não merece se sentir culpado por isso. Você sabe que ele é boa pessoa.

— Eu vou tentar.

Ficaram se encarando por alguns momentos. Bonnie se esforçava para decorar cada traço do rosto de Jeremy. Os olhos infantis, o nariz delicado demais, a pintinha preta na bochecha e os lábios finos e vermelhos.

— Adeus, Bonnie.

Ele deu um sorriso sincero que desapareceu como fumaça junto com o resto do corpo. O quarto parecia mais iluminado e o ambiente estava tranqüilo. O coração de Bonnie estava definitivamente mais leve e um pequeno sorriso brincou nos seus lábios. Sentia-o por perto agora, era como se nunca tivesse estado sozinha, e realmente nunca esteve.

— Adeus, Jer.