Set Fire To The Rain
5 Capítulo 5
Notas iniciais
poxa, nenhum comentário no outro capítulo...
mas enfim! aqui está mais um capítulo e espero que quem ler goste e comente.
bjooooooo
Capítulo 5
Elena espalmou as mãos no peito de Stefan e o afastou delicadamente, de modo que não ferisse seus sentimentos. Continuou encarando-o de perto com os lábios há uma distância nem um pouco segura. Desviou os olhos para os sapatos para pensar em algo coerente para dizer.
— Desculpa. – disse ele quebrando o silêncio.
— É melhor que isso não aconteça por enquanto. Eu pedi um tempo e é isso que teremos.
— Tudo bem. Acho que me descontrolei.
Os dois estavam constrangidos com a situação. Se fosse possível, Stefan estaria tão corado quanto Elena. Afastaram-se alguns passos para diminuir o desconforto. A jovem voltou a esconder as mãos nos bolsos da jaqueta e fitava fixamente as botas. Ele despenteava nervosamente os cabelos já desgrenhados pelo vento. O silêncio que se seguiu foi suficiente para que pensassem no ocorrido. Uma estranha culpa a invadiu. Sabia que beijar Stefan seria comum e natural, já que teoricamente estavam apaixonados, mas se indagava sobre o porquê daquilo ser não errado no momento. A atração entre eles era evidente, mas tinha a impressão de que tocar-lo como antes era um pecado. E que obviamente teria conseqüências.
— Tenho que ir para casa.
— Eu te levo.
Falaram ao mesmo tempo e uma nova onda de calor subiu às bochechas dela.
— Se você quiser uma carona, eu posso te levar para casa.
— Eu aceito. Damon foi levar as meninas, então acho que estou a pé. – Elena deu um risinho nervoso tentando descontrair-se.
— Só vou fazer mais uma coisa.
Elena congelou. Prendeu a respiração e contraiu os músculos. Manteve o maxilar travado para não beijar-lo novamente. Estranhou quando não a tocou quando se aproximou, ele apenas se agachou e depositou uma rosa vermelha na lápide de Jeremy. Ela não tinha idéia de onde a flor surgiu e nem se deu ao trabalho de perguntar. Ele encarava o nome esculpido no mármore com um olhar de pesar. Seu sofrimento era quase palpável e a culpa estava estampada em seus olhos. Elena foi invadida por um desejo súbito de abraçar-lo, garantir-lhe de que estava tudo bem e dizer-lhe para não se sentir assim. Conteve-se e se ateve apenas a observar a cena. Stefan deu umas batidinhas carinhosas na pedra e se dirigiu para o estacionamento. Olhou uma última vez o túmulo do irmão, sentindo o nó na garganta voltar. Então obrigou-se a dar os primeiros passos e seguiu o vampiro até o carro.
O trajeto de 15 minutos pereceu ter sido percorrido em horas, principalmente porque foi todo feito em silêncio. Quando chegaram em frente à fachada branca despediram-se com um aceno. Elena observou o Mustang de Stefan seguir pela rua até desaparecer dobrando a esquina. Sentiu o peso que a presença dele causava se esvair e a sensação de controle de suas próprias ações voltar. Ainda estava confusa com o que aconteceu no cemitério. Pensava que mesmo com toda a tristeza se sentiria eufórica em finalmente ela e Stefan poderem ficar juntos. Ao invés disso sentiu-se extremamente perturbada, confusa. A volta dele parecia atrapalhar alguma coisa e não solucionar. Começava a duvidar se o que desejou durante tanto tempo fosse mesmo o que queria. “Claro que é! Eu amo Stefan!”. Atribuiu sua confusão ao distanciamento que tiveram. “Nada pode ter mudado. Ele é meu namorado! Tenho que amar-lo. Tenho...”.
Balançou a cabeça tentando afastar esses pensamentos e rumou para a entrada da casa. Quando entrou, tudo estava estranhamente silencioso. Nenhuma luz estava acesa e não havia ninguém na cozinha, como sempre havia, nem ninguém em toda a residência. Estava sozinha. Pela primeira vez Elena estava sozinha em casa e tinha a certeza de que ninguém mais chegaria. Jeremy não deixaria mais seus tênis sujos e fedidos jogados na sala, nem roubaria seus doces, nem iria quase incendiar a casa acidentalmente tentando impressionar Bonnie com um jantar. Não ouviria seus berros de manhã brigando com ela para usar o chuveiro, nem pediria uma carona para ela para ir à escola. Ele não voltaria nunca mais. O tripé dos Gilbert estava finalmente destruído. Primeiro Jenna, depois Jer. Sobrara apenas Elena para carregar a herança nas costas.
O som de soluços irrompeu na sala. Elena deslizou as costas pelo portal de madeira até sentar no chão, só então permitiu-se chorar.
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Há horas que Damon dirigia sem rumo pela cidade. Já havia escurecido quando decidiu o que faria. Iria caçar. Fazia meses que não sentia a adrenalina da perseguição. Alimentar-se de sacos de sangue e de animais pequenos não davam-lhe a emoção que desejava. Precisava de algo mais fresco, mais substancial, algo que sentia medo. Gostava do medo que causava às suas vítimas. Seu lado psicopata estava retornando por causa da raiva que sentia. Achava que era justo causar dor já que o machucaram. Queria ver alguém sofrendo mais que ele, pois só assim não daria tanta importância à própria dor.
Enquanto passava por uma rua deserta avistou uma jovem andando despreocupadamente pela calçada. Provavelmente voltava para casa depois um dia cheio de trabalho. Nem imaginava que algo de ruim poderia acontecer a ela. Vestia um sobretudo pesado, cachecol branco e uma toca combinando. Tinha os cabelos negros e era bem alta. Bem o tipo do vampiro. Tudo que precisava fazer era aproximar-se com o carro e lançar-la um belo sorriso. Depois só precisaria hipnotizar-la para entrar no carro. O plano mortal era montado em sua mente. Já sabia até como se livraria do corpo. “Ninguém caminha no bosque.” Tudo estava pronto, ensaiado e decidido. Mas conforme foi se aproximando os cabelos negros tornaram-se chocolate, as bochechas azuis de frio ficaram coradas e os olhos claros agora eram marrons. Sua cabeça estava tão perturbada que enxergava Elena em qualquer lugar. Imaginou o quanto ela ficaria chateada se descobrisse o que estava prestes a fazer. Mesmo esse sendo o objetivo, não era capaz de levar a diante. Seu rosto decepcionado valeria mais de mil bofetadas. Desistiu então da caçada, acelerou o carro e passou direto pela garota.
Elena não saía dos seus pensamentos. Quando mais tentava esquecer-la mais se lembrava. Quando mais desejava odiar-la mais a amava. A amava muito. Não negava mais isso. O seu amadurecimento contribuiu para que aceitasse a sua paixão pela namorada do irmão. “Namorada do meu irmão...” apertou o volante com força com este pensamento. Antigamente fazia questão de magoar-la para que se afastasse para que ele não corresse o risco de se apaixonar novamente. Mas foi em vão. E agora estava pagando o preço por ter sentimentos.
Tentou distrair-se observando a rua. Sentiu uma grande familiaridade com a vizinhança. Quando se deu conta de onde estava avistou a casa branca com as venezianas uns 15 metros a frente. As luzes da varanda estavam todas acesas, iluminando a entrada e uma parte do gramado da frente. Sentiu uma pontada de preocupação o atingir. Tinha que dar uma olhada nela nem que fosse para vê-la dormir. Quando estacionou o carro no meio fio reparou que havia alguém sentado no branco de madeira da varanda. O vento que batia nos cabelos longos trazia o cheiro até ele, então não precisou olhar uma segunda vez para saber que era Elena que estava ali, enrolada em um cobertor de lã. Quando o viu, cumprimentou-o com um aceno e ele retribuiu com um sorriso. Rapidamente já estava do lado dela, abraçando-a com um dos braços.
— Não nos falamos muito hoje. – começou ela.
— Não falamos muito hoje também. – disse Damon com certo humor.
Elena deu um leve sorriso que não chegou aos olhos.
— Desculpe por ter que me aturar de manhã.
— Aquilo não foi nada. Estava cumprindo o meu dever.
— Perdoe-me mesmo assim.
— Está passando por um momento difícil, Elena. Te chamaria de coração de pedra se não agisse daquela forma.
— Antes você não achava um coração de pedra tão ruim.
— As pessoas mudam.
Ela levantou o rosto para encarar-lo e seus narizes quase se tocaram. O coração de Elena começou a pular no peito, rezou para que ele não ouvisse. Damon inclinou-se inconscientemente para ela, como se fosse um reflexo ou algo natural ficar tão próximo assim. Elena corou e ele voltou para sua posição original, mas sem deixar de abraçar-la.
— Como foi sua conversa com Stefan? – tentou mudar de assunto para não deixar-la mais constrangida, mas claro, não deu certo.
— Tranquila.
— E...?
— O que?
— Vocês estão juntos ou não?
Ele estacou por um instante.
— Não. Achei melhor ter um tempo para pensar no que aconteceu.
Uma pitada de ânimo invadiu Damon. Teve que se segurar para não dar um sorriso satisfeito. Mesmo assim decidiu não entrar mais no assunto Stefan.
— Como está se sentindo?
— Péssima, triste, sozinha...
Damon fez um movimento brusco aproximando o rosto no dela, segurando cada lado da face de Elena.
— Você não está sozinha! Nunca estará! Lembra que eu prometi que nunca te deixaria?
Agora ela tinha certeza que seu peito ia explodir. Sentia a pulsação em cada vaso sanguíneo do corpo, em especial um perto da virilha. Sua pele queimava debaixo das mãos frias e sentia que suava mesmo no inverno. O estômago estava revirado e agradeceu por estar sentada já que não sentia mais os joelhos. Seu cérebro trabalhava a mil por hora para formular uma resposta para ele, mas o órgão não decidia se concentrava-se nas palavras ou na boca de Damon que estava tão perto. Conseguiu juntar apenas 3 letras.
— Sim.
— Então nunca mais na sua existência diga que está sozinha. Vou estar sempre com você. Não sei se percebeu, mas eu sou bem durável.
Os dois riam verdadeiramente. Elena nunca imaginou que voltaria a rir assim tão rápido. Para Damon tudo era possível.
— Você é incrível, Damon.
— Posso gravar isso e por como toque?
Agora ela quase gargalhou, mas conteve-se. Não queria ter que ouvir reclamações dos vizinhos essa hora.
— Não é melhor você ir descansar? – disse ele enquanto se afastava. Ela ficou estranhamente decepcionada.
— Não tem ninguém em casa. Acho estranho dormir assim.
— Pode passar a noite na minha.
— Não quero ter que topar com Stefan.
— Duvido muito que ele esteja lá. Com tanto complexo de culpa que ele tem não vai aparecer por lá tão cedo. Ho! Desculpe, Elena! – disse ele realmente arrependido.
— Tudo bem, não fiquei magoada. Mas enfim. Prefiro não correr o risco.
— Então eu poderia ficar aqui com você.
Elena se sentiu tendo o segundo infarto do dia por causa dele. Suas costelas iam rachar logo se o seu coração não voltasse ao normal. Estava ficando cada vez mais constrangida. Sabia que ele estava ouvindo.
— Faria isso?
— Não seria a primeira vez.
Deu um leve sorriso e guiou-o para dentro. Arrepiou-se toda quando subia as escadas e tinha ciência de que Damon estava logo atrás dela. Apenas a sua presença já causava graves efeitos nela. Chegaram no quarto, ele tirou o blazer e os sapatos e deitou-se na cama esperando por ela. Elena desenrolou-se do edredom revelando o seu pijama de manga comprida cinza. Era de longe uma peça considerada sensual, mas era confortável e quente. Descalçou as pantufas e se acomodou no peito largo coberto pelo fofo suéter de lã. Incrivelmente, seus olhos ficaram pesados e adormeceu instantaneamente com os carinhos que recebia na cabeça. Damon observou-a relaxar com o seu toque e ficou ouvindo o leve ressonar da respiração. Sentia o coração dela pulsar contra seu peito e imaginou que por um instante fosse o seu próprio que voltara a bater.
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