Set Fire To The Rain
1 Capítulo 1
Notas iniciais
espero que vcs do nyah gostem!!!
Capítulo 1
O quarto estava escuro, mas Elena tinha plena consciência de que já amanhecera. As grossas cortinas que cobriam as rústicas janelas impediam que qualquer raio de sol entrasse no aposento. “ Era de se esperar já que só moram vampiros aqui”, pensou. Estava acordada desde madrugada. Dormiu pouco mais de 1 hora e sob muita insistência. Não conseguia simplesmente pegar no sono depois do ocorrido na noite passada. As lembranças recentes invadiam sua mente como cenas de um filme de horror acelerado, mesclando cenas perturbadoras e sons horripilantes, sem uma sequencia definida, como em um pesadelo.
Fazia de tudo para conter seus soluços, não queria que ninguém entrasse e se deparasse com o seu estado. Precisava de um tempo sozinha, velar o próprio sofrimento. Não sabia realmente se suas tentativas estavam dando certo ou se o seu anfitrião estava respeitando este momento. Os ouvidos de Damon captariam o menor dos ruídos, ainda mais se estivesse concentrado, e que com certeza estava, nela. A fronha de cetim ricamente bordada do travesseiro de penas encharcada de lágrimas e a situação bagunçada dos lençóis ilustravam a noite de insônia.
Elena levantou-se com esforço da cama, desenroscando do edredom. Tateou o chão com os pés em busca dos sapatos, mas não os encontrou, provavelmente foram chutados para debaixo da cama. Desistiu a procura e seguiu às cegas e descalça pelo quarto em direção às janelas. Afastou o tecido e uma forte luz veio em direção ao seu rosto e irritou seus olhos sensíveis. Quando se acostumou com a luminosidade, deparou-se com o jardim frontal da mansão dos Salvatore, tomando consciência de que estava no segundo andar da casa, por isso a visão mais ampla. Havia apenas um Audi preto estacionado perto da fachada ao invés dos outros 3 carros da noite anterior. Não viu quando os outros voltaram para suas casas, todos estavam lá quando foi arrastada para descansar. Novamente as expressões nos rostos dos amigos vieram à sua cabeça. Dor e tristeza. Uma lágrima escorreu em sua bochecha, mas nem se deu ao trabalho de limpa-la, elas já eram tão comuns.
A única pessoa em casa além dela era Damon, sabia por causa do carro. Mesmo não precisando gostava de exibi-lo sempre que saía. A jovem riu com este pensamento. Por mais que o vampiro tenha amadurecido ainda teria um pouco do velho Damon.
Encarou o aposento, agora devidamente iluminado. Não era o quarto de nenhum dos irmãos Salvatore, era um de hospedes igualmente requintado, mas com menos traços pessoais. Os móveis ao estilo colonial acompanhavam os do resto da casa. Se não conhecesse tão bem o quarto de Stefan, poderia jurar por um momento que estava lá. “Stefan...” o nome gerou uma pontada de remorso, mas Elena logo se repreendeu, “não foi culpa dele, não foi culpa dele...”. Encarou a porta fechada que dava para o corredor e foi em sua direção. Abriu-a e deu de cara com o topo da escapa. Aos pés já seria a suntuosa sala de estar, com a lareira e o brasão da família, e com Damon acompanhado de uma garrafa de whisky pela metade e outra vazia, isso porque as outras já estariam no lixo.
Tomou fôlego e desceu as escadas sem pressa, com medo do que iria encontrar. Tinha receio de encontrar mais um olhar de pena para ela, o que já estava ficando comum, e pelas circunstâncias, não duvidava que até mesmo Damon lhe dirigisse um. Não que desejasse um mas podia prever. Chegou ao térreo e fitou o salão. Elena franziu o cenho. Estava vazio. As garrafas de whisky estavam lacradas e guardas no armário do canto, a lareira estava apagada mas as cinzas da lenha ainda soltavam fumaça, que seguia pela chaminé. Girou nos calcanhares e foi direto para a biblioteca. Era um aposento menor onde mal se podia ver o papel de parede já que eram quase que totalmente cobertos por estantes abarrotadas de livros, armas e quadros antigos. Havia outra lareira, mas esta estava acesa. Pôde ouvir o crepitar da madeira sendo queimada mesmo antes de atravessar o portal que dividia o ressinto da sala de estar. Sentiu a mudança de temperatura assim que entrou, só então percebeu o quanto estava frio no resto da casa já que o inverno tinha chegado. Os dois sofás próximos ao fogo estavam vazios. Já a poltrona vitoriana com estofamento vermelho apresentava uma figura com a silhueta parcialmente iluminada.
A luz das chamas dançava em seu rosto e refletiam nos profundos olhos azuis. A pele aparentava ser ainda mais alva, já os cabelos negros, que precisariam brevemente de um corte, mais escuros. Não necessária uma corrente de ar para trazer o cheiro de Elena até Damon para que ele soubesse que ela tinha entrado. Conhecia seu cheiro tão bem que mesmo se apenas uma gota de sua essência estivesse diluída no mar, ele a identificaria. Levantou o olhar do fogo e encontrou com o da jovem. Ela estacou. Não era capaz de mover nenhum músculo enquanto ele a encarasse assim. Em seu olhar não havia pena como o esperado, e sim uma sensação de aconchego, solidariedade. Ele estava sofrendo também. Junto com ela. E não por ela. Quando se deu conta, Damon estava parado em pé, a meio metro de distância dela. Poderia estar tão absorta na troca de olhares que nem percebeu quando ele se moveu, ou então ele usou de sua grande velocidade para se aproximar, mas isso não importava. “Um passo e poderei tocar-lo.” Pensou quase que em voz alta.
- Oi. – disse Damon para quebrar o silêncio constrangedor.
- Oi. – respondeu Elena automaticamente.
- Dormiu bem? – ele sabia que não, mas perguntou mesmo assim.
- Não.
As imagens assombrosas invadiram sua mente mais uma vez. Gritos, histeria, sangue. Um segundo depois, a camisa de Damon não a deixava enxergar mais nada enquanto os olhos fechados de Elena brotavam grossas lágrimas e seu rosto era afagado no peito masculino.
Notas finais
saibam que a minha criatividade é movida pelas opiniões de quem lê minha história!
bjo e até a próxima!!!
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