Notas iniciais
uhuul! dois reviews no primeiro capítulo!
um inédito e outro que já conheço de outros carnavais!
hehehehehehehe
sorry mamae!
continuando...
aí vai mais um capítulo
espero receber mais comentários!
bjo!!!

Capítulo 2

Elena não fazia questão nenhuma de conter as lágrimas. Soluçava e gemia como uma criança sentindo dor. Os dedos delicados já estavam dormentes, tamanha era a força que segurava o tecido da camisa de Damon. Mantinha o rosto contra os botões para abafar um pouco o choro, encharcando a peça. Ele não pareceu se importar, ela estava precisando de consolo, era o que interessava. Os joelhos dela fraquejaram e ambos foram ao chão. Acomodou-a melhor em seus braços embalando-a como um bebê. Afastou o rosto dela do peito e arrumou seus cabelos, acariciando-os. Viu sua face vermelha, a trilha úmida das lágrimas em suas bochechas, os olhos marejados e a boca por onde os lamentos de seu sofrimento eram expressos. Os olhos que por tantas vezes brilharam de alegria agora só expunham dor. A pior dor do mundo. Dor que ele já sentiu tantas vezes agora estava nos olhos dela, a única pessoa entre todas que não merecia sentir aquilo, não outra vez, não segundo ele.

Ela sentiu-se esquentar por dentro quando encontrou aqueles olhos azuis tão solidários. Se não soubesse que a pele de Damon era fria como gelo poderia jurar que aquele calor estava vindo dele. Sentia-se como se aquele limitado espaço aéreo entre o peito e os braços dele fosse o lugar mais seguro do mundo, onde pudesse chorar sem vergonha. Suas bochechas coraram com a aproximação. Mas separar-se dele naquele momento estava fora de cogitação. Não tinha força física nem psicológica para isto.

Não sabiam ao certo quanto tempo ficaram abraçados no chão da biblioteca, mas foi suficiente para que os soluços cessassem. Sua condição vampírica permitia a Damon permanecer em uma mesma posição durante horas sem se cansar, mas observou que Elena já se sentia desconfortável apoiada em seus braços duros como pedra. Levantou-a segurando suas costas e joelhos. Levou-a até o sofá e acomodou-a entre as almofadas de penas de ganso. Sentiu a relutância da jovem em sair de seus braços, mas obrigou-a sem dificuldade. Sentiu uma pontada de satisfação e policiou-se para não deixar transparecer. Não era o momento para pensar em seus sentimentos e sim nos dela. Sentou-se ao seu lado e colocou as pernas dela no colo, massageando seus pés. As lágrimas não brotavam mais com tanta intensidade nem havia mais gemidos. Agora o único som audível era o crepitar da lareira. A luz iluminava o rosto fino de Elena, refletindo a umidade abaixo dos longos cílios. O cabelo chocolate esparramado sobre a camurça das almofadas aparentava uma cor avermelhada contra o fogo.

Os olhos miravam um canto qualquer da biblioteca sem realmente ver. Damon sabia que chegara o momento de dizer alguma coisa, mas não sabia o que. Então apenas se empenhou massagear-lhe os pés. Ela fechou os olhos aproveitando a carícia e deu um suspiro de satisfação. Sentia a tensão se esvaindo junto com o nó na garganta. Conseguiu falar finalmente, mas sem abrir os olhos.

— Sabe o que é engraçado?- disse ela.

— O quê? – respondeu Damon estimulando-a.

— Haviam mais almofadas. Sempre que você tinha uma acesso de raiva destruía pelo menos umas 3. – riu ela sem humor.

O sorriso dele não chegou aos olhos, sabia que ela estava puxando este assunto para aliviar a tensão, então permaneceu preparado para consolar-la novamente se fosse preciso.

— Eu era um babaca.

— Ainda é.

— Obrigado.

— Sabe que estou brincando. – a expressão dela ficou séria novamente. – Que hora são?

— 7:15 da manhã. – respondeu sem olhar no relógio.

— Quando eles foram embora?

— Logo depois que você foi se deitar. Caroline queria ficar mas...

— Mas Bonnie precisava mais dela. E os outros?

— Alaric foi para casa. Rebeka sumiu. O de sempre.

— E Jeremy?

Elena tinha a voz embargada quando pronunciou o nome do irmão. Qualquer vestígio em seu rosto de falso humor sumiu. Os olhos marejaram novamente. Sua fragilidade era evidente, estava preste a desabar como antes. Voltou a encarar Damon esperando por uma resposta. O vampiro interrompeu a massagem para pensar em uma maneira delicada de falar. Mas não havia outro jeito de poupar-la.

— Ajudei Bonnie e Caroline a levar-lo para casa. Elas e Alaric estão organizando tudo.

Ela fechou os olhos com força tentando expulsar a cena da mente, algumas lágrimas escaparam com isso. Limpou-as rapidamente com as costas das mãos e ergueu os olhos para Damon. Já ia perguntar sobre Stefan para mudar um pouco o rumo da conversa. Porém isso só a magoaria mais. Não queria realmente saber, perguntar por ele seria apenas um reflexo. Não queria que as imagens dele da noite passada se repetissem. E não estava pronta para falar sobre ele. “Não foi culpa dele, não foi culpa dele...” repetia como um mantra em sua cabeça.

— Eu quero vê-lo. Quero ajudar também...

— Elena...

— Ele é meu irmão, Damon!

Suas emoções estavam à flor da pele. E Damon sabia, então não estranhou a mudança repentina de comportamento. Sabia bem como era, tinha muito disso. Mas seus motivos eram bem menores que os dela, então não a repreendeu.

— Vou levar-la. Mas primeiro você vai tomar um banho e tomar café da manhã.

Ela se sentia como uma criança recebendo ordens. ”Eu estou sendo criança agora”. Pensou enquanto lembrada de Damon a embalando nos braços. O rubor atacou seu rosto novamente, e agradeceu que a luz do fogo disfarçasse um pouco a vermelhidão.

Damon levantou-se acomodando delicadamente os pés de Elena no sofá. Estendeu-lhe a mão para que se levantasse. Fitou a mão alva por um momento até que encontrou com olhos azuis profundos implorando que os obedecessem. Entrelaçou os seus dedos com os dele e levantou. Quando o fez, constatou a proximidade entre os dois. Podia sentir a respiração fria atingir no seu rosto e não duvidava que as batidas do seu coração estavam entrando em ressonância com o peito dele. Ele colocou uma mão em cada lado do seu rosto, fazendo-a olhar em seus olhos. A essa altura, Elena já não respirava.

— Vai ficar tudo bem. – disse Damon com uma voz macia.

— Está tentando me hipnotizar?

— Sem se eu quisesse conseguiria. Você toma chá de verbena todos os dias. Está pior que a xerife Forbes.

Elena deu um leve sorriso.

— Só estou constatando um fato. Te dando uma certeza. Vai passar.

Ela concordou silenciosamente enquanto desviava os olhos e tirava as mãos dele do seu rosto. A impressão que teve quando deu os primeiros passos em direção à escada era de que desaprendera a andar, as pernas estavam dormentes por permanecer tanto tempo deitada. Mas logo se acostumou e seguiu para o segundo andar.

Notas finais
é isso aí galera!
quem gostou comente, por favor!!!