Serial Killer - O Despertar.
4 Ep. 3 - The Little Sister.
Notas iniciais
Rodrigo
Enquanto Caio avançava, Rodrigo estava calmo, esperando o irmão que atacava lentamente – talvez fosse difícil demais segurar a espada –, quando finalmente o alcançou, o guardião sorriu e desviou do ataque, fazendo a espada chocar-se contra o chão, fazendo um barulho alto. O impacto fez Caio soltar a espada e Rodrigo aproveitou para chutar a barriga do irmão, jogando-o contra a parede.
– Chama isso de ataque? – Rodrigo pegou a espada do irmão no chão e a jogou para ele. – Você pode fazer melhor que isso.
Caio tentou segurar a espada, mas ela caiu no chão e ele teve que se abaixar para pegar. Rodrigo optou por não atacar ainda, embora fosse tentador. O garoto levantou a espada e tentou atacar novamente. Rodrigo segurou a lâmina com a mão direita e passou o pé entre as pernas do irmão, fazendo-o cair. Ele jogou a espada no chão, ao lado do garoto.
– Retiro o que eu disse – disse Rodrigo. Guardou a espada e caminhou na direção da porta. – Você não pode fazer melhor e, definitivamente, não está pronto.
Ele sorriu quando notou a espada vindo em sua direção. Desviou a cabeça dois centímetros para a direita e a arma atingiu a parede. Então ele virou e Caio estava encarando-o completamente diferente. Os olhos brilhando em um vermelho vivo e impiedoso, os dentes afiados como os de um vampiro e com marcas negras no corpo; sem mencionar as garras no lugar de suas unhas.
– Repita – disse Caio, furiosamente. – Diga que não estou pronto agora!
Rodrigo revirou os olhos, sacou a espada e correu na direção de Caio, que tentou atingi-lo com um golpe no peito, mas o garoto desviou com facilidade e cravou a espada na barriga do irmão, fazendo-o voltar ao normal em segundos.
– Você não está pronto.
– Como...? – Caio o olhava incrédulo.
– Poder não significa eficácia. – Ele tirou a espada e jogou Caio na parede do banheiro. – Não adianta você ser incrivelmente forte e rápido, se seu oponente é mais preparado. Seu soco poderia ter me matado, mas para matar alguém, você deve ser capaz de atingi-lo. – Rodrigo aproximou-se novamente, introduzindo a espada no joelho de Caio, que gritou com a dor. – Além disso, não seja tão previsível.
– Rodrigo, já chega – disse Mirella, que estava parada atrás do guardião. Rodrigo tirou a espada e virou-se para a garota. – Você provou seu ponto, mas a vontade de Agatha ainda é maior que a sua. Se ela diz que o garoto está pronto para ser treinado, assim será.
– Pronto para ser treinado? – Rodrigo guardou a espada e bufou. – Ele tem a mente de uma criança.
– Meu trabalho é mudar isso, o seu é protegê-lo. Não se meta na minha tarefa, e eu não precisarei interromper a sua – disse Mirella. Ela olhou Rodrigo nos olhos. – Estamos entendidos?
– Sim, mestre – disse Rodrigo. – Posso ir com vocês?
– Agora não – disse Mirella. – Samuel está esperando você. Parece que tem um problema no portal.
– Demônios?
– Provavelmente – assentiu a garota. – Sei que não é seu trabalho, mas não importa. Agatha quer sua ajuda.
– Sim, senhora. – Rodrigo suspirou e correu em direção à janela. Saltou por ela e sua águia gigante passou por baixo dele, arrastando-o pelos ares. – Bem na hora. Ache o Samuel.
A águia parou no ar por alguns segundos e, logo depois, disparou em direção ao Sul. Eles sobrevoavam a praia de Copacabana, mas não no sentido que Rodrigo gostaria. A águia seguiu na direção do Atlântico. Ela voou por cima da imensidão azul por quase cinco minutos, até que pousou em uma caverna cercada por água e desapareceu, deixando Rodrigo lá.
– Drigo? – Samuel apareceu atrás dele, saindo da escuridão. Seu novo visual era o mais antigo, o verdadeiro. Os cabelos dourados e lisos caídos sobre os ombros, o peitoral coberto por uma armadura de batalha, os olhos azuis brilhando sobre o nariz perfeito e a pele alva como a neve. Isso sem mencionar o belo e enorme par de asas brancas. – Finalmente.
– Asas brancas? – Rodrigo sorriu. – Isso quer dizer que...
– Temporariamente – disse o garoto, não tão feliz. – Agatha disse que terei que fazer por merecer.
– Está triste por ser expulso do Paraíso, ou por ser expulso dela? – Rodrigo deu uma risadinha.
– Ambos – disse Samuel, tentando controlar o riso. – Bem, eu o chamei aqui para algo maior que uma conversa entre amigos.
– Claro. Qual o problema?
Samuel apontou para dentro da caverna, onde havia um buraco na parede do tamanho de uma pessoa, mas em formato circular.
– É recente. Alguém abriu um portal aqui – disse ele, olhando para Rodrigo. – Um demônio.
– Pode ter sido a Jenn. Queria sair um pouco do mundo dela e passear um pouco.
– Não foi o Oráculo. – Samuel pegou um punhado de terra no chão, com resíduos negros. – Veja isso, é uma espécie de metal raro que só existe no Inferno. É capaz de matar um humano só de chegar perto dele, e causa sérios danos em um anjo quando atinge sua pele de raspão. Dependendo da gravidade do ferimento, pode matá-lo.
– Então... a não ser que Jenn tenha dado uma passadinha para visitar Mateus...
– Temos um demônio a solta – completou Samuel.
– Pode rastreá-lo?
– Já fiz isso – disse o anjo. Ele apontou para a parede, onde tinha a marca de uma mão de sangue. – É tão recente quanto o portal. Pelo cheiro, posso dizer facilmente que é sangue de demônio. Dá-me alergia. – Rodrigo riu, embora a gravidade da situação exigisse uma postura mais séria. Samuel continuou: – Ele está fraco. Machucado. Talvez tenha fugido do Inferno.
– Por que um demônio fugiria do Inferno?
– Não sei. – Samuel deu de ombros. – Por que adolescentes revoltados fogem de casa? Bem, se ele está machucado, não pode ter ido longe.
– Talvez o demônio tenha brigado com a mãe.
– Madrasta, mas quase – disse alguém das sombras. Rodrigo pegou sua espada e Samuel fez o mesmo, seguindo a voz até o demônio. – Você é bom, Samuel. Confesso. No entanto, cometeu um erro.
Um corpo humano caiu do teto escuro, todo aberto.
– Não era sangue de demônio.
– Apareça, agora – exigiu o anjo.
– Seu desejo é uma ordem, mi lorde – disse em um tom irônico e despencou do teto, caindo de pé. Ela tinha olhos azuis como os de Samuel, cabelos negros e brilhosos, a pele marcada por cicatrizes, o corpo muito bem formado e estava nua; algo que não despertou interesse em Rodrigo, que aprendera a não se atrair por demônios. – Ou devo dizer... irmão.
– Raquel? – Samuel a encarou incrédulo. – Não é possível.
– Também senti saudades, Samuel. – Ela sorriu e se aproximou do anjo, acariciando seu rosto. – Acho que nós dois crescemos muito, não?
– Estou perdido aqui – disse Rodrigo, ainda com a espada erguida.
– Esta é minha irmã, Raquel – disse Samuel, sem abaixar a espada. Olhou para a garota. – Ela não é um demônio.
Raquel sorriu e abriu as asas alvas com detalhes vermelhos.
– Eu sou um anjo.
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