Serial Killer - O Despertar.

3 Ep. 2 - Red Riding Hood.


Notas iniciais
Espero que gostem ^^

Caio.

Em seu sonho, Caio estava sentado em um banco de praça, cercado por nada. Literalmente. Era tudo escuro, não havia uma luz sequer; nada além de um banco no meio da escuridão. Mesmo ali, ele sentia o chão sob seus pés e, mesmo sentindo o chão, ele não conseguia se levantar do banco. Ao longe, ele viu uma garota se aproximando. Ela usava uma capa vermelha e seu rosto era claro e limpo – como se nunca tivesse passado pela puberdade. Seus olhos eram azuis e tinha uma trança ruiva que Caio mal conseguia ver. Ela carregava uma lança na mão direita e um cajado na esquerda.

– Olá, Caio – disse a garota. Ela estava calma e sua voz era muito melodiosa. – Eu me perguntei quanto tempo demoraria para nos conhecermos. Infelizmente, foi mais rápido que o esperado.

– É... oi.

– Ora, que rude da minha parte. – A garota sorriu e sentou-se ao lado de Caio. – Eu me chamo Agatha, muito prazer.

– O prazer é todo meu, mas... – Caio olhou ao redor. – Onde estamos?

– Na sua cabeça – disse a garota, olhando para o vazio da escuridão. – Quero dizer, você está sonhando.

– Ah, isso esclarece muita coisa – disse Caio, sendo irônico. Era óbvio que estava sonhando, não existe um lugar como aquele na vida real. – Então, por que estamos aqui?

– Você acabou de matar um homem. – Agatha não fora muito cautelosa ao dar a notícia. – Sujou suas mãos com sangue de um bêbado e nem sequer lembra. Após esse sonho, isso vai mudar; você vai lembrar. E, a parte que parecerá mais assustadora, você não vai dar a mínima.

– Ah, legal. Sou um psicopata.

– Pior – disse a mulher, olhando para ele. – Você é um psicopata com superpoderes.

– Hã... certo – disse Caio, sem acreditar em nada. Era só um sonho, de qualquer forma. – Eu posso voar?

– Não.

– Me clonar?

– Não.

– Me teleportar?

– Não.

– Mover objetos com a mente?

– Também não.

– Okay, eu sou um péssimo psicopata com superpoderes – concluiu o garoto.

– Seus poderes são um mistério – disse Agatha. – Mesmo para mim. Tudo o que sei é que terá sede de sangue.

– Então... sou um vampiro?

– Não. – Agatha revirou os olhos. – Não esse tipo de sede. Quando ficar irritado com algo ou alguém, vai ter vontade de arrancar a cabeça da pessoa. Terá que lutar contra essa vontade.

– Por quê? – Caio sorriu. – Parece divertido.

– Porque se você sair por aí arrancando a cabeça de alguém, eu vou ter que arrancar a sua e jogá-lo no Inferno – disse Agatha, encarando-o impaciente. O sorriso de Caio desapareceu e ele engoliu em seco. – Há uma guerra se aproximando. Meu tio, Mateus, que controla todo o Inferno, está prestes a invadir o Reino dos Deuses e destruir todos que lá habitam. Eu não poderei impedi-lo sozinha. Precisarei de você, mas, para isso, você precisa de treino.

– Okay, moça – disse Caio, olhando para Agatha meio assustado. – Como você disse, isso é um sonho. Vamos com calma.

– Quando você acordar, quero que procure Mirella.

– A bêbada?

– Ela é uma guardiã – disse a garota. – Assim como seu irmão, mas os dois têm trabalhos diferentes. O dele é te proteger, o dela é ensinar.

– Me proteger? O Drigo? – Caio riu. – Acho que precisam de um guardião mais útil.

– Isso não é uma piada, Caio – disse Agatha, séria. – Você matou um homem hoje e fez isso de uma forma tão brutal e cruel, que assustou até os policiais que acharam o corpo.

– Espera... – Caio olhou para ela. – Eles vão me prender?

– Claro que não. – Agatha sorriu. – Eu cuidei para que culpassem outra pessoa.

– Quem?

– Samuel.

– O quê?! – Caio berrou. – Você é louca?!

– Não se preocupe, Samuel é um anjo – disse ela. – Ele sairá da cadeia, mudará de aparência e problema resolvido.

– Certo... você é louca.

– Errado – disse Agatha. – Eu sou uma deusa. A única, atualmente.

– Não sabia que existiam deuses no manicômio.

Agatha estalou os dedos e Caio comecei a levitar, então bateu o cajado no chão e o lugar se transformou em um belo jardim florido.

– Como dizias? – Ela o encarou.

– É... deusa, né? – Caio sorriu.

– Exatamente. Da magia e do amor – explicou Agatha. Caio assentiu com a cabeça, tentando organizar o pensamento. – Acho que já está na hora de acordar. Mirella te explicará o resto.

– Espere – disse o garoto. Ela o olhou. – Se você é a deusa da magia, deve prever o futuro, certo?

– Errado. Eu tenho algumas visões, como o Oráculo, mas não é tão claro.

– Mesmo assim – disse Caio, com as bochechas vermelhas. – Você já viu algo sobre... hã...

– A Gislaine? – completou Agatha. Caio assentiu com a cabeça e a deusa sorriu. – Passar bem, Caio.

E o garoto acordou.

Ele estava em casa, deitado na cama. Rodrigo estava sentado na cama dele, e Gabriela estava ao lado dele.

– Finalmente – disse Rodrigo, olhando para o irmão. – Você apagou na festa.

Caio olhou para Gabriela, que sorriu.

– Você falou com ela, não é?

– Quem? – perguntou o garoto.

– Agatha, é claro – disse ela, como se fosse óbvio. – A deusa da magia e do amor. Soberana do mundo. Mandona. Ah, você sabe...

– Sim, eu falei com ela – confirmou Caio.

– Ótimo! – Gabriela saltou da cama e sorriu. – Cansei de fingir. Rodrigo, ele está pronto.

– Você acha? – Rodrigo levantou atrás da namorada e olhou para o irmão. – Ele parece uma criança assustada.

– Eu tô bem aqui – disse Caio, mas ninguém deu a mínima.

– Minha irmã disse que ele estaria pronto assim que visse Agatha – disse a garota, olhando para Rodrigo. – Ele viu Agatha.

– Ela disse pra procurar a Mirella – lembrou Caio.

– Eu disse. – Gabriela riu para Rodrigo. – Bem, vamos.

– Agora? – Caio olhou para ela. – Acho que já tive aventuras demais por uma noite.

– Uma noite? – Rodrigo riu. – Cara, você dormiu por uma semana.

– Oi? Como? – Caio arregalou os olhos.

– Vamos logo. – Gabriela puxou o braço dele e Caio saltou da cama.

Um momento muito embaraçoso seguiu-se: ele estava de cueca. Rodrigo riu da cena e jogou uma toalha para Caio, que se cobriu rapidamente.

– Eu vou... – Ele andou na direção do banheiro e quase bateu de cara com a parede, mas conseguiu parar antes. – Tomar banho.

Após o banho, Caio vestiu uma bermuda e uma regata – estava um calor infernal. O sol brilhava forte, mas Rodrigo estava vestindo uma espécie de roupão.

– Cara, o que é isso? – perguntou Caio.

Rodrigo saltou na direção do irmão e o chutou contra a parede do banheiro. Caio se levantou e colocou a mão nas costas. Ele tentou falar alguma coisa, mas Rodrigo chutou a parte traseira de seu joelho, fazendo-o agachar, então jogou Caio de volta para o quarto e sacou duas espadas. Jogou uma para Caio, que o encarou assustado com a espada na mão.

– Você pirou?! – gritou o garoto.

– Agatha acha que você está preparado, mas eu não tenho tanta certeza – disse Rodrigo, apontando a espada para o irmão. – Prove.

Caio levantou e apontou a espada para o irmão.

– Vocês precisam de tratamento – disse o garoto, antes de defender um golpe do irmão. – Cuidado, isso corta!

– É a ideia – disse Rodrigo. – Vamos, lute!

– Okay, maluco. – Caio apontou a espada e avançou.

Notas finais
Verdade seja dita, só tô postando os 7 capítulos por causa do Natal u.u' Gostaram? Comentem! ^^