Serfon, um colégio nada normal
1 Dance com esta melodia
Notas iniciais
– Então é assim que começaremos, com uma lua branca se elevando cada vez mais no alto céu e com todos olhando estupefatos para a nossa apresentação. Então vocês dois desceram do teto e começaram a dança com tochas nas mãos, enquanto os meninos que menos ensaiaram irão entrar com os carneiros e eu soltarei os morcegos. É isso ai galera, é o nosso dia, é a nossa apresentação. Nós não vamos perder! — Ele falou com certo entusiasmo na voz, mas isso não é normal!
– Você tem certeza que isso é uma apresentação, tem mais cara de ritual... — Tentei dizer escondendo o espanto.
– O que você disse?
E foi assim que começamos os ensaios para a mais nova apresentação do vice-diretor Robert que iniciaria o ano letivo de 2014, entretanto a história não começa aqui, vamos retroceder alguns meses e depois de algum tempo poderemos voltar a essa apresentação maluca...
Meu nome é Diego, tenho 17 anos e eu estou entrando para o colégio Serfon no ano de 2013, e infelizmente estou entrando no segundo semestre do ano. E pra infelicidade geral da nação, não sou o melhor em lembrar onde fica a bendita sala. E a propósito falarei para vocês como foi que me encontro aqui.
Embora possa dizer que não fiz muita diferença em sair da minha cidade natal e vir até aqui, contarei o porque de tudo isso. Minha mãe ama música mais do que tudo e meu pai ama dança mais do que tudo. E eu, bom eu, não gosto de nenhum dos dois e vim morar com minha avó. E, sim, eles ainda não sabem disso, então silêncio ou mato vocês.
O único lugar disponível para que eu frequentasse o ensino médio foi aqui e embora ela estivesse receosa em me matricular, o fez sem remorso. Sim, ela não tinha coração por fazer isso com o próprio neto!
Mas agora um assunto mais importante, onde fica a sala da primeira aula. Tem um rapaz ali, vou perguntar pra ele.
– Por gentileza, poderia me informar onde é a sala 10-b? — Tentei parecer o mais confiante possível.
– Ei, você é o novato chamado Diego não é? — Ele abriu um sorriso convidativo.
– Sou, e você seria? E como sabe meu nome?
– Bom digamos que eu sei de tudo, me chamo Leonardo, pode me chamar de Léo. E sei o seu nome pelo motivo da aula já ter começado e estarem procurando por você.
– Então pode me dizer onde fica?
– Apressado não acha? — Ele riu, estava achando graça de tudo isso enquanto eu estava desesperado?
– Um pouco. — Tentei parecer convincente o suficiente.
– Interessante, primeiro dia de aula, chega atrasado e ainda tem pressa. Nossa, estou abismado, realmente abismado! — Algo nele me fazia levantar uma pequena suspeita de estar zoando com a minha cara. — Mas siga por esse corredor, no final de todas as seis aulas eu te procuro.
– Hum, é... Obrigado!
Logo após só se ouvia o sussurro no corredor.
– Boa sorte garoto, você vai precisar.
E sai correndo, todas as salas pareciam já ter começado com as aulas e a minha provavelmente não seria diferente, mas assim que eu entrei...
Ouvi um grito e uma pessoa pulou na minha frente recitando:
– E mesmo que tudo esteja perdido eu sei quem ilumina o meu caminho, eu sei quem fez as estrelas do céu para a noite iluminar, eu sei quem me protege dia após dia. Mesmo no meio do fluxo do tempo, eu continuarei, tenho um objetivo e nada mais me importa se não atingi-lo. Posso morrer hoje mas então meu coração estaria em outro lugar, e ele só pertence a uma pessoa e é apenas a esta pessoa que eu irei entregar. Se eu fizer um movimento precipitado será que tudo isso pode mudar? Os ponteiros do relógio apontam em direções contrarias as quais não consigo identificar. A minha vida tornou-se um jogo, uma dança para ser mais preciso. Uma dança que me levará aos confins do que eu posso fazer. Eu não quero mais escutar, não quero ver se longe de ti vou estar. Aproxime-se, estou contigo, não estou? Pra que ter medo!!
Cai no chão como se nada mais existisse a minha volta e só tive tempo de dizer isso:
– Porque você é um cara psicótico que está vestido de vermelho com a cara pintada como se fosse fazer uma peça de tragedia e ainda pede para não ter medo?
– Tentei entender pelo seu ponto de vista, mas, eu apenas estou fazendo as coisas como deveriam ser não é? Como você pode dizer que está com medo, e logo medo de mim!!
Continua...
Fale com o autor