Ser Bi
9 Capítulo 9 - Destino Travesso
Notas iniciais
Os momentos esquecidos,
O sentimento se rompido,
Mas o verdadeiro sempre presente".
| Samuel Medrado.
Minhas terças-feiras já tinham um compromisso cercado, sempre passar por lá e comprar algo que nem inferia o que, mal sabia o preço e muito menos como iria consumir. Não bastava ir e esperar a iniciativa dele, assim como Thaís, isso era tarefa minha, só minha.
Era sabadão e antes de eu e Thaís irmos ao salão, passamos lá. Era um dia diferente: chovia e era um dia singular aos outros dias, um dia em que eu não costumava ir. Porém ele estava trabalhando. Idem como sempre, foi rapidamente me atender. Comprei o que desejava — ou melhor, o que vi pela minha frente — e fui embora. Thaís estava a me esperar na esquina enquanto observava alguns DVD's no camelô. Fui ao seu encontro, sem mais segundos ela perguntava como foi e eu disse que não foi (risos). Como se havia de esperar, ela mandou eu voltar e perguntar. E que não revir-se sem os dados.
Ia eu novamente, tomei intrepidez: era perguntar ou perguntar.
– Tem quantos anos? — Dirigir-me.
– Dezesseis.
– Como? — Não havia entendido.
– Dezesseis — Repetiu.
– Tem face? — Já morto de vergonha. Enquanto ele voltava com o troco, respondeu:
– Tenho.
– Qual é? — Enterrado.
– Jhon Silva.
O rapaz do caixa já observava a nossa mini-conversa e meu pequeno questionário. Durante as perguntas Jonas ficou no minimo sem graça e a reação conclusiva não foi muito agradável, uma expressão de susto e um pouco de negação. Sair com o que precisava saber e em casa minha caça começou. Vira e mexe, revira e remexe e nada de Jhon Silva nenhum. Terminei minha busca e não consegui encontrar.
Posteriormente á aquele dia nunca mais havia ido lá e algumas semanas depois me veio a notícia por meio de Thaís que ele havia parado de trabalhar no caffé. Nunca mais tive notícias e nunca mais nos vimos.
Nos abraçávamos e trocávamos carinhos todos os dias. Amanda já era uma amiga minha, aliás, a anos. Estudávamos juntos na Imperialização e depois havia a reencontrado no curso preparatório pro vestibular do IFEM. Não somos da mesma turma, mas temos uma amiga em comum, que é Miriam.
Em uma conversa de nós três, entrou um papo no qual fiquei desnorteado, simplesmente perdido. O assunto era que Amanda estava com ciúmes porque uma garota havia ficado ou estava ficando com o garoto que ela gostava. Era boato. Ela me apontou a mina, era a Kenny. Na vez de eu interpelar de quem ela gostava, quem era afinal de contas o garoto, uma surpresa. Nada mais nada menos que Sidney! Você não está cego caro leitor, ela também estava presa e apaixonada pelo Ney. É evidente, fiquei chocado.
Ao longo das datas após, continuei do mesmo jeito com ela, aprendi que isso não era de jeito algum e maneira qualquer para que eu e ela nos afastássemos. O carinho para com o outro permanecia. Aumentava.
O professor de Biologia havia orientado um trabalho em equipe, uma maquete. Não, ela não foi transferida, entrou pro meu grupo, a tinta da célula em que pintávamos caiu, fomos pegar juntos, rolou um clima e nos beijamos; não. Estávamos com o resto da tarde de sexta livre, então gozamos a por o trabalho em ato e como Mandinha tinha aula vaga, participou.
Dávamos alguns selinhos de brincadeira — pelo menos era pra mim — e surgiu, advinha? um pedido.
– Ei momôzzi, namora comigo?
E na brincadeira, disse o SIM. Thaís foi a favor e Miriam contra (ciúmes). Amanda já queria divulgar nosso namoro no Facebook e eu pedi pra que deixasse pra domingo, ela rejeitou o parecer. Queria pra dois dias depois para que eu conversasse com Sidney. Nem lembro mais o que iria conversar, mas tomei censo de que não podia levar a minha conjuntura com Amanda como uma segunda opção pós conversa.
E no face já estava nosso "relacionamento sério". Poucas curtidas e muitos comentários. Segunda-feira no colégio já se falava do nosso namoro e os que não comentava, certamente já sabia.
O namoro estava cada dia avançado, e eu tinha que terminar antes de ficar ainda mais complicado de isso ser feito. E marquei.
Pra não ter a conversa de um jeito feio e errado que seria no chat do facebook, apenas marquei nossa DRsinha por lá. Pela manhã fiz um exame de rotina e depois fui ao CCA. Estendi pro dia seguinte e a partir do mesmo nosso encontro estava em ação.
– Eu quero terminar com você porque eu tô gostando de outra pessoa, mas eu quero que a nossa amizade continue como sempre foi — Iniciei.
– Claro. Não é porque disso que a nossa amizade vai acabar.
– Agora quero um abraço — Pedi aliviado. Nos abraçamos.
Riu sempre que lembro de Miriam falando a Amanda (Amanda que me contou):
– Amanda, Sandro não combina com você!!! — Era verdade. Não se pode colocar um cão em um aquário.
Sandro,
Notas finais
Para o amor é preciso o preciso,
E nada se faz preciso, se não se há amor".
| Samuel Medrado.
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