Ser Bi

8 Capítulo 8 - Amor Impossível


Notas iniciais
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

Álvaro de Campos

Quando a Ana entrou na minha vida.

Vocês devem se perguntar como eu falava da Alice e agora já estou falando da Ana, mas sou assim mesmo e aconteceu sem eu puder evitar.

Colega? Amiga? Nada disso, apenas a minha professora por quem eu me apaixonei perdidamente!

Brava, um jeito meigo e um belo olhar. Aaaah! E aquele sorriso...

Linda e exuberante. Não parei mais de pensar, sonhar e desejá-la. O sentimento só foi aumentando, aqueles ciúmes bobos foram aparecendo.

A Ana por quem chorei, por quem perdidamente me apaixonei. Um amor impossível!

Essa era a missão do meu coração confuso que antes pensei que fosse incapaz de se apaixonar por alguém assim tão diferente e ao mesmo tempo igual a mim.

Então olhares surgiram, sorrisos e... Lágrimas. Era só um novo sentimento se apossando do meu coração, só isso e nada mais.

Convite enviado na rede social. Aceito... Ooooh Que FELICIDADE!!

Umas curtidas aqui e ali!! Fotos lindas do meu amor iam se passando aos meus olhos fascinados de desejo.

Chegou o dia do seu aniversário, e eu claro, não podia deixar de dar aquele abraço, poderia ser minha única chance de sentir o toque e o perfume da minha amada.

Procurei por todo o CCA com o Sandro, e lá estava ela na sala dos professores, mas fiquei com vergonha de entrar, pois ela não estava sozinha e então deixei pra depois.

Logo depois do almoço voltei a procurá-la... Mas o carro já não estava mais lá. E então bateu aquele desespero, aquele arrependimento de não ter dado logo os parabéns quando tive a oportunidade. Bem que dizem: “Não deixe para depois o que se pode fazer agora”.

E então lágrimas começaram a rolar, e o Sandro logo depois sairá do almoço também a minha procura e perceberá que eu ali estava aos prantos. “Cisco... que velha desculpa”. E lá estava o Sandro para me consolar.

Já na hora de ir para casa, falei ao Sandro:

– Vamos por aqui. Nunca se sabe — saímos em direção ao local onde ficam os carros.

Avistei vários carros brancos e para minha surpresa e alegria ali estava o dela. E começou a busca implacável pelo colégio a procura de Ana para que finalmente eu desse aquele abraço tão esperado e desejado.

Avistei-a por uma janela. Reconheci pelo cabelo... E então pedi ao Sandro que a esperasse comigo para dar o tão esperado parabéns e o tão desejado abraço. No começo o Sandro não concordou, pois queria ir para casa, mas quando ele viu que se tratava de amor decidiu esperar.

E então esperamos e esperamos, até que enfim ela saiu da sala em que dava aula. Sai afobada para falar com ela e o Sandro coitado, todo desajeitado a me acompanhar (risos). Vimos ela entrando na sala dos professores,mais uma vez hesitei em entrar pois havia gente. O Sandro tentando de todas as formas fazer com que eu entrasse, mas sem sucesso. Então resolvemos esperar ela sair da sala para que eu pudesse dar os parabéns.

Mas tentem me entender: é difícil abraçar o amor da gente de um jeito totalmente avurassado.

Então o Sandro teve a idéia de ficarmos esperando perto da Xerox, como se fosse por acaso ela passar ali e a gente aproveitasse e a cumprimentasse. Aguardamos um pouquinho e sairam os três alunos que estava com ela. Agora sozinha era minha chance, era chegada à hora! Acreditem se quiser, quase não bato na porta, mas tomei coragem e...

TOC-TOC. Puxei depressa a fechadura.

Ela já olhava para a porta e disse:

– Oi meu anjo!

E eu já entrando, dei parabéns e o abraço que eu tanto desejava. Sentia o toque e o cheiro do meu amor! Ooh... Pra não ficar de fora, o Sandro também a parabenizou.

Thaís

Notas finais
Não escolhemos a quem vamos amar, e às vezes nosso coração quer se aventurar no amor proibido. Sabemos que não devemos, mas a paixão é maior que a razão.