Sephiroth

8 Capítulo 7 - A Fênix


Notas iniciais
Desculpem a falta de atualização. Estava me sentindo um pouco desmotivada, mas agora, voltei!
Beta: Nana
Capítulo dedicado a Shiniz e a Lizzy, que tanto me ajudaram e apoiaram! Obrigado!
Ps: Desculpem os erros e as desformatações.

Tóquio, 04 de Fevereiro de 2008 – 08:23 p.m.



Aoi’s Point of View




Corri assustado, ignorando as pessoas ao meu lado. Olhava de segundo a segundo o mapa no computador, para checar se eu estava seguindo o caminho certo. Bom, aparentemente, estava.



Estava muito difícil de locomover. Uma fumaça escura e espessa inundava os corredores, por causa disso os springers se acionaram, molhando tudo e todos – inclusive o computador!



Os sons de destruição estavam mais claros agora. Parecia que um rolo compressor estava esmagando as instalações da NeoCell!



O que teria dado errado?!



Geneticistas passavam por mim, mas eu não estava inclinado a ouvir suas conversas. Mas os gritos me deixavam curioso:



A sala das cobaias está destruída!



Metade dos geneticistas do Cubo estão mortos!




Ele está destruindo a NeoCell!



Estaquei no lugar ao ouvir isso. Ele... Ele quem? Seria...



Não pode ser!



Uruha estaria vivo?!



Eu preciso vê-lo!



No ato mais louco de toda a minha vida – correndo o risco de ser mentira – dei meia-volta e corri sentido contrário. Fechei o computador e deixei-me guiar pelos sons de concreto desabando. A estrutura do prédio estava severamente avariada, com certeza.



Meu coração estava acelerado. Seria mesmo verdade? Estaria Uruha vivo? Ele veio se vingar, ou... Libertar-me?



Esbarrei em muitas pessoas, e eles diziam que eu estava indo para o lado errado. Alguns até tentaram me puxar de volta, sem sucesso. Eu estava obstinado, precisava ver se era o loiro mesmo! A qualquer custo!



Ao virar em um corredor, encontrei a última pessoa que esperaria ver: Kai.



E ele parecia bem nervoso.



–– O que você está fazendo fora da sua cela?



–– Fugindo. Coisa que você também parece está fazendo, nee Kai!



O moreno estreitou os olhos e mostrou as garras. Minha respiração sumiu ao vê-las.



–– Você tem tanto medo delas, não? Fica todo cheio de marra, mas se borra ao ver minhas garras! – debochou. Ele se aproximou de mim, e eu não conseguia sair do lugar. Alguma coisa naqueles olhos escuros me prendia.



–– Por que você está aqui? Não deveria estar protegendo o idiota do Akira? – perguntei curioso. Ele era o guarda-costas do geneticista, deveria estar cuidando de sua segurança, ainda mais com a possibilidade de Uruha estar no prédio.



–– Vim buscar você. Suzuki-sama já está a nossa espera.



–– Quer dizer que o poderoso Akira mandou o seu melhor homem para me escoltar? – ri alto. – Essa é a piada do século, sabia?



Kai avançou para cima de mim rapidamente, e logo me vi entre seus braços – o computador acabou indo ao chão molhado –, tendo uma das garras estrategicamente posicionada no pescoço.



Ofeguei diante do contato repentino, ainda mais com aquela coisa apertando a garganta. Qualquer movimento brusco e eu perderia a cabeça!



–– O que está acontecendo Kai? Quem está destruindo a NeoCell? – As feições de moreno se contorceram, transformando-o em algo semelhante a um demônio.



Ele não respondeu, e começou a caminhar rapidamente, levando-me ao encontro de Akira.



–– Diga Kai! Quem é?



Novamente fiquei sem resposta.



Tudo isso me levava a um ponto: Uruha estava vivo, e era ELE quem estava causando toda essa destruição pela NeoCell.



Só de pensar nessa possibilidade meu coração disparou de felicidade. Uruha vivo... E vindo atrás de mim... Resgatar-me!



–– É o Uruha não?!



A reação de Kai foi a pior possível. Eu e a minha boca grande!



Fui jogado contra a parede molhada, com as mãos presas acima da cabeça e... Mantida unidas por uma das garras que tanto me assombravam.



Gritei o mais alto que consegui ao ter a palma das duas mãos perfuradas. Argh, aquilo doía demais...



–– Esse desgraçado está morto! E mortos não ressuscitam!



O sangue começou a escorrer por meus braços, chegando até a minha cabeça. Eu sentia o metal, que atravessava a carne, pulsando de raiva. Aquilo era reflexo do ódio de Kai por Uruha?



Com um movimento rápido, me vi liberto daquela prisão dolorosa. Encarei as mãos ensaguentadas e com um buraco significativo entre elas, sem saber o que fazer. A dor era tão lasciva que embaçava minha visão.



Tive os cabelos agarrados brutalmente e o rosto prensado contra o granito frio do piso – que continha uma lamina d’água avermelhada. Ele enlouqueceu!




–– Agora você vai calar a boca e me deixar em paz, certo?



Não consegui responder, apenas assenti com a cabeça, desnorteado.



Ele podia ser pior do que o Uruha nervoso...



Kai me colocou sobre seu ombro e voltamos a correr por corredores enfumaçados e molhados. Tirei esse tempo para encarar o estado das minhas mãos... Estavam assustadoramente doloridas, com uma fenda grande, dando para distinguir a carne com clareza.



Ele era louco. Pior do que o Uruha, sem sombra de dúvida.



Movi, bem devagar, dedo a dedo, a fim de descobrir se algum ligamento havia sido comprometido.



E para minha total infelicidade, ao mover o indicado, médio e anelar uma dor pungente brotou – o que me fez morder o lábio inferior, contendo o gemido. Na outra mão os mesmos ligamentos haviam sido danificados.



Desolado, abaixei a cabeça, deixando as lágrimas se misturarem à água e ao sangue em meu rosto. As coisas tomaram rumos muito mais obscuros do que eu imaginava.



Kai deslizava suave pelos corredores da NeoCell, seus passos não eram escutados. Os locais por onde passávamos estavam completamente desertos, o que me fez crer que todos da instalação já haviam sido evacuados.



Ou, estavam todos mortos.



Uruha teria matado tantas pessoas assim?



Balancei a cabeça, tentando afastar tais pensamentos sobre o loiro. Ele... Já fez isso uma vez, e convenhamos, ele tem um excelente motivo para isso. Mas daí a acabar com todos...?



Passamos por uma porta dupla de metal e paramos abruptamente, o que me assustou. Eu não entendi o porquê de tal ação, e só esperei o moreno se manifestar.



Estranhando a falta de movimentação, virei um pouquinho para a direita, dando de cara com uma mancha monumental de sangue na parede metálica.



–– Kai? O que está aconte-



Não deu tempo de concluir a frase, logo estava sendo arremessado com força contra o chão. Saí escorregando sobre o sangue contido ali, manchando minhas roupas e fazendo minha cabeça girar.



Só parei de deslizar porque algo me impediu, e fiquei com muito receio de ver o que era. Aos poucos minha respiração voltava ao normal, e vi com exatidão o local em que estávamos.



Até hoje tenho pesadelos com o que vi.



O local era um hangar, pelo menos deveria ser. As paredes altas de metal estavam completamente manchadas pelo líquido carmesim. Pedaços de corpos mantinham-se espalhados pelo lugar... Eram braços, pernas, troncos...



Cabeças. Tudo devidamente organizado em pilhas.



A visão deu-me náuseas.



Ao voltar–me para o helicóptero percebi que havia pessoas mortas lá dentro também, os vidros pintados com sangue – provavelmente dos pilotos, que permaneciam em seus lugares.



Aqueles deveriam ser as pessoas que conduziriam Akira para fora.



Akira... Suzuki Akira...



Agora eu sabia o porquê de Kai manter-se ainda parado, como uma estátua, encarando as hélices do veículo de fuga.



Todas as duas hélices estavam viradas para cima e devidamente retorcidas, formando uma espiral um pouco disforme. E atravessando nelas, estava o corpo do geneticista... O corpo sem vida de Suzuki Akira.



Seus os olhos estavam vidrados e o rosto com uma expressão de mais absoluto terror.



Seja lá quem fez isso – grandes possibilidades de ser mesmo Uruha –, fez com que ele sofresse bastante, pela quantidade de hematomas.



Um arrepio amedrontado passou pelo meu corpo, aquilo era... Cruel e assustador!



Encarei Kai, que ainda estava parado, observando. Seu corpo tremia levemente, as mãos fechadas no punho e os dentes trincados. Lentamente, as garras surgiram de ambas as mãos, e seu olhar penetrante se focou em mim.



–– Tudo isso... Tudo isso só tem um culpado... Você, Shiroyama Yuu... Se você não tivesse aparecido com Sephiroth, tudo estaria bem... Suzuki-sama estaria bem!



Encolhi-me de medo. Os olhos escuros transbordavam um ódio sem limite, e senti-me fraco. Tão fraco que quase não conseguia me movimentar. Firmando as mãos machucadas no chão – e guinchando de dor no processo – tentei me afastar dele, mesmo que estivesse subindo num emaranhado de pedaços humanos.



O moreno ria das minhas tentativas de fugir dele, e eu sabia que seriam ineficazes também. Quanto mais eu tentava subir pelos corpos, mais eu me afundava no meio deles e mais minhas mãos latejavam.



Comecei a gritar, com medo. Eu estava em um cenário de filme de terror, com um maníaco a minha frente, esperando o momento certo para acabar comigo.



–– Isso, Shiroyama! Grite! Grite bem alto! Ninguém vai ter ouvir mesmo! Você é um imbecil, sabia? Vou fazer questão de arrancar seu coração com você ainda vivo – à medida que ele falava, gesticula com as garras, imitando o movimento. Aquilo só serviu para me deixar mais aterrorizado. – Arrancarei suas vísceras bem devagar, para sentir exatamente a sensação de tê-las sendo retirada do corpo... Está me ouvindo Shiroyama? Vou matar! Vai finalmente encontrar seu amado Uruha no inferno!



A distância entre nós foi reduzindo, e a cada passo que ele dava, meu coração deva um salto no peito. Completamente fora de controle.



Kai já estava aos meus pés, com as garras em riste, pronto para atacar. Em seu rosto estava estampada a satisfação por realizar o ato. O metal brilhava, e já sentia aquilo me matando.



Fechei os olhos, deixando uma última lágrima escorrer, a espera do impacto.



A minha vida havia chegado ao final.



–– X ––

Os segundos se passaram, e nada aconteceu.



Pelo contrário, ao invés das garras se chocassem contra mim, uma barreira metálica o impediu. O som de metal contra metal ressoou por todo hangar, me sobressaltando.



Fiquei indeciso se devia ou não abrir os olhos, por fim, cedi: parado de costas para mim, usando uma roupa branca – agora totalmente vermelha de sangue – estava Uruha.



–– Ele não tem nada a ver com isso, Kai. Sou eu o causador, sou eu o assassino de Akira – disse calmo, totalmente controlado.



Eu estava completamente estático. Uruha estava realmente vivo! Meu cérebro – e meu coração – recusava a acreditar. Também pudera, vi de perto a sua morte... Então como?



Tenho certeza de que Kai tinha as mesmas dúvidas.



–– Então o Primogênito não morreu? Não atingi seu coração com força suficiente? Mas tudo bem, posso dar uma surra em você de novo, e dessa vez, vou arrancar a sua cabeça. Só para ter certeza.



–– Você é muito confiante, sabia? É triste saber que uma pessoa como você é tão devoto do Akira. Ele te destruiu, Kai, assim como fez comigo! Você não consegue enxergar isso? – eles se afastaram alguns passos de mim, e nesse movimento, vi o que causara tantos cortes perfeitos nas vítimas do hangar.



Uma espada. Não uma espada qualquer.



Se Kai tinha um par de garras, Uruha tinha uma espada. Ela era meio disforme, e despontava de seu braço direito. Tinha, visualmente, um metro e meio de comprimento, a lâmina tinha a largura de seu braço e com a ponta um pouco curva. A mão ficava por baixo da mesma, era como se ela saísse da própria pele!



Arregalei os olhos. Então era assim que Uruha matava as pessoas? Com uma espada que saia de si mesmo?



–– Esta tentando me persuadir a aliar-me a você? – Kai riu com gosto. – Faça-me o favor, não tente. Não vai conseguir!



–– Ruki já descobriu como nos curar, Kai. Temos uma chance de voltar a ser quem éramos! – argumentou Uruha alegre.



Finalmente! Depois de tanto sofrimento, uma notícia boa!



–– E quem disse que quero voltar a ser o fracassado do Uke Yutaka? Me poupe! Estou muito bem assim – rejeitou.



Uke Yutaka... Então esse era o nome verdadeiro de Kai...



Como pode haver pensamentos tão discrepantes nee? Um, querendo voltar a ser uma pessoa normal, enquanto o outro deseja continuar forte.



–– Você não me deixa outra escolha... – disse Uruha com uma nota de tristeza na voz.



–– Desde o início não houve escolhas. Tudo sempre caminhou para este fim.



Observei os dois tomarem posição de ataque. Ambos com suas armas em riste, prontos para atacar.



O moreno então lançou um olhar muito significativo para mim. Não entendi a principio, mas sugeria que eu era o ponto fraco de Uruha.



–– Não ouse atacá-lo. Esse duelo é só nosso – advertiu o loiro, olhando pela primeira vez para mim.



Os olhos castanhos brilharam de fúria ao ver meus ferimentos, mas ao mesmo tempo me transmitiram calma e segurança. Como se dissessem que tudo ia terminar bem.



–– É injusto! – protestou Kai. – Você matou a pessoa mais importante na minha vida! Eu deveria fazer o mesmo!



Uruha estreitou o olhar ao moreno, claramente ameaçando-o: –– Você já o feriu. E não sabe o quanto estou nervoso por isso. Se você encostar num fio de cabelo do Yuu... Vou te dar uma morte muito mais dolorosa do que a do Akira, entendeu?



–– Acha que eu me intimido com suas palavras? Eu não tenho nada mais a perder, Primogênito. – riu amargo. – Então, vai ficar só de conversinha ou vai vir para cima de mim?



Uruha redeu-se a provocação e partiu para cima dele.



Logo os sons de metal chocando-se preenchiam o ambiente, sempre que isso acontecia, uma lufada de ar era expelida. Eu não conseguia acompanhar os movimentos, era tudo muito rápido e minha cabeça já estava dolorida pela perda de sangue.



Fechei os olhos, exausto. Estava tudo tão caótico! O retorno de Uruha e o caos provocado por ele, tanto sangue, tantas pessoas mortas!



Só queria acordar na minha cama quentinha, e descobrir que tudo não passou de um pesadelo no sense.



Mas não era assim que as coisas funcionavam: estava tudo acontecendo. Eu escutava perfeitamente o duelo dos dois, e sabia que só um sairia vivo.



Eu desejava que fosse Uruha o vencedor, obviamente. E estava bastante angustiado por vê-lo lutando e não poder fazer nada... Droga, eu amava ele!



E já o perdi uma vez... Não quero que isso aconteça de novo. Nunca mais!



Não sei por quanto tempo àquela batalha perdurava, não tinha mais noção de nada – além da minha própria dor. Ouvia os gemidos sofridos de ambos, o barulho de suas armas mortais, seus pés se arrastando velozes pelo chão escorregadio... Podia sentir a mágoa, a tristeza, a angústia e mais uma pá de sentimentos ruins envolvidos ali.



O duelo não era apenas por vingança. Acho que eles queriam também provar de sua própria existência, provar que de suas feridas saiam sangue – como a de todos os outros humanos comuns.



Um grito agudo tirou-me de meu torpor. Apertei os olhos, para saber de onde vinha, e na hora, me alarmei: Uruha estava caído no chão, ferido.



Com dificuldade, apoiei as mãos machucadas nos corpos abaixo de mim e levantei. Eu não podia deixá-lo morrer! Não podia!



Cambaleante, caminhei até ele, sobre o olhar atento de Kai.



–– Que bonitinho! Vai acudi-lo?



Ignorei suas diversas palavras zombeteiras, as dores, o cansaço, a tontura, os protestos de Uruha dizendo que eu não deveria me aproximar...



–– Não Uru, eu não posso... – falei com voz fraca e olhos marejados. – Eu já te perdi uma vez... Por favor!



Meus joelhos cederam próximo a eles, meu corpo estava no limite, não agüentaria mais nada. Tudo o que eu mais queria era ficar perto dele e segurar sua mão.



Vi o loiro levantar-se com dificuldade, e dirigir-se a mim.



–– Yuu, está tudo bem. Não precisa se preocupar – e sorriu. Mostrando aqueles dentes pequenos, dando-me força.



Apenas anui, fechando meus olhos e entregando-me a escuridão que chegava sorrateira.



Em pouco tempo os sons da batalha ficaram distantes... A minha mente foi ficando vazia...



Até finalmente eu perder a consciência.



Notas finais
Bom, não irei mais demorar tanto para postar. Recebi umas injeções de ânimo e opiniões muito interessantes, que me deixaram animada. Muito obrigada pelo apoio, fofas.
Domingo que vem a gente se vê!
A.L