Separação
6 Capítulo 6
Apenas conseguia ouvir perguntas confusas sobre como invadi a casa dos Müller, algo que não me lembro de ter feito, apenas me fazendo lembrar como cada vez mais estou distante do meu antigo eu, de como estou cada vez mais afastada de cada pessoa ou momento que um dia significava algo para mim. Eu parei de escutar quando meu advogado falou que eu deveria ter um tratamento especial numa clínica por causa da minha “situação”, se nem ao menos a pessoa que está tentando me defender acredita em mim quem poderia?
Tentei lembrar o que tinha feito uma noite antes se realmente eu fiz aquilo, me esforcei tanto que minha cabeça apenas doía, eu tomei alguns drinks admito porem não lembro de ter feito algo contra alguém principalmente contra os Müller, realmente passei na frente na casa deles aquela noite como as testemunhas falaram e de ter visto a filha deles saindo de lá no carro de algum cara que não conseguia ver o rosto mas não parecia meu ex marido e tão de longe algum parente dela. O único crime que poderia ter cometido é ter vomitado na grama do vizinhos deles mas não era por isso que eu estava ali, se não foi eu aposto que ela saberia quem foi, porém em quem eles acreditariam em uma mulher bêbada que já teve problemas com aquela família ou numa gravida filha das pessoas mais ricas da cidade?
Tive que aceitar ir para a clínica bem longe da cidade ou então iria para a cadeia, quando sai da delegacia estava lotado de jornalistas e conhecidos mas isso era o esperado por ser uma das poucas notícias emocionantes que essa cidade algum dia teve. Quando vi minha antiga amiga no meio da multidão com um sorriso debochado sabia que tinha algo nessa história que não se encaixava mas não saberia dizer o que.
Depois de cinco semanas morando nesse lugar cheio de pessoas com problemas vi que talvez eu estivesse algum problema mesmo e comecei a acreditar que talvez tenha feito algo mas também comecei a acreditar que estou melhorando. Fui diagnosticada como alcoólatra, depressiva, bipolar e mais outras coisas que não conseguia lembrar o que fazia meu pai e meu irmão terem que vir me visitar toda semana apesar de acharem que sou mais uma louca bêbada é que precisava de ajuda, toda vez que eles me visitam sinto que mais desconfortável que eles por tudo aquilo mas me sinto feliz por me apoiarem e me ajudarem. Voltei a desenhar o que me fez perceber que isso ajudava os outros pacientes por ter outra visão daquilo e me ajudava a me sentir melhor.
Estava perdida nos meus pensamentos pintando um quadro de dois pacientes mais velhos que estavam jogando damas quando vi uma ruiva baixinha vindo na minha direção correndo, era a Eliza uma das poucas amigas que fiz nesse lugar, soube que morava na cidade ao lado e tinha problemas com drogas, foram as únicas coisas que fiquei sabendo dela além de ser a mais animada desse lugar.
— Jane, tem uma mulher querendo te ver
— Quem? – perguntei confusa por não ser o dia de visita
— Ela insistiu muito se é que me entende – ela falou rindo e fazendo um sinal de dinheiro com as mãos
Foi quando eu vi uma mulher loira alta conversando com um dos enfermeiros que logo em seguida apontou na minha direção.
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