Separação
7 Capítulo 7
— Como está sendo sua estadia aqui? – perguntou o psicólogo da clínica.
— Sinceramente melhor do que eu esperava, antes de vir pra cá me sentia excluída e observada a todo instante mas aqui todos somos diferentes de cada modo e não acho que isso impeça de aproximar alguém aqui
— E como está sua relação com os outros pacientes?
— Acredito que agradável, Eliza tem me ajudado muito e....
Quando mencionei o nome de Eliza foi a primeira vez que ele me olhou nos olhos desde que entrei, mas o olhar não era alguém interessado pra saber mais sobre ela ou sobre nossa relação e era como se estivesse desconfiado de algo, depois voltou seu olhar para prancheta anotando mais coisas com aquela letra indecifrável.
— Acho melhor acabarmos por aqui mas antes de você ir tenho uma tarefa pra você- enquanto falava nesse momento se levantou e abriu uma das gavetas da escrivaninha e se aproximou de mim com muito papeis nas mãos — gostaria que escreve-se cartas para todos que um dia você feriu e amou um dia, para mostrar a todos como está se recuperando e pedindo desculpas pelos seus erros.
Ele me entregou várias folhas e envelopes com um sorriso um tanto simpático e sinistro ao mesmo tempo o que me fez perceber que algo estava errado com meu comentário. Assim que sai ele fechou a porta com força e ouvi ele ligando para alguém mas antes de poder escutar o que estavam falando, um dos enfermeiros apareceu me levando para meu quarto onde passei a tarde toda tentando escrever algo naquelas cartas pensando na real razão para elas e do que eu poderia me arrepender.
Assim que terminei de escrever e entregar as cartas para um dos enfermeiros, comecei a escrever outra que era a única que não poderia ser entregue pois seria para meu filho, porem antes de conseguir termina-la fui chamada para o jantar. Procurei Eliza por todo lugar pois sempre comíamos juntas, foi então que percebi que ela tinha sumido o dia inteiro e pensei que talvez meu comentário sobre ela teria a ver com isso.
Depois de tomar meu remédio para ajudar a dormir comecei a escutar o barulho de chuva lá fora e por mais que digam que isso ajudasse alguém a dormir só me mantinha mais acordada me fazendo lembrar aquele ultimo dia que ouvi a palavra “mamãe” saindo da boca do meu filho. Ouvi barulhos de conversas do lado de fora do quarto e resolvi conferir, era Eliza conversando com alguém que não conseguia ver o rosto por causa da escuridão do corredor mas me parecia ser um homem pela altura e porte físico.
Assim que a conversa terminou Eliza foi andando em direção ao terraço onde ninguém tinha acesso, não sabia o que eles conversavam mas com atitude nervosa dela durante a conversa parecia ser algo sério. Resolvi segui-la para perguntar por onde esteve e percebi que a porta que deveria estar trancada com correntes estava ligeiramente aberta me fazendo ficar com mais intrigada com o que ela iria fazer ali. Assim que atravessei a porta tudo começou a ficar embaçado por conta da chuva mas conseguia vê-la de longe de costas na beira do terraço e sabia o que ela faria, comecei a chama-la mas os gritos foram abafados pelo barulho da chuva caindo ou então ela apenas resolveu me ignorar, porem a cada grito que dava eu corri em sua direção e quando estava a poucos metros dela senti alguém me empurrando para a beira me fazendo perder o equilíbrio e cair.
Tentei me segurar, tentei gritar, tentei levantar porem tudo passava lentamente até atingir o chão o que me fez sentir uma dor terrível no corpo inteiro e sentir algo quente escorrer pelas minhas costas o que provavelmente seja sangue, enquanto era socorrida eu olhava pro terraço e via Eliza olhando pra baixo assustada. Todas aquelas pessoas falavam algo mas não conseguia entender pois era apenas como se minha vida fosse colocada no mudo e a única coisa ao longe que conseguia ouvir era a chuva caindo na grama. Foi quando tudo desapareceu e não estava lá no chão sentindo dor mas na minha antiga casa revivendo todos momentos felizes que passei desde a infância até os dias atuais e sendo aquele o meu fim eu apenas conseguia sorrir por saber que conseguirei ver meu filho novamente.
Fale com o autor