Notas iniciais
Quero agradecer pelos ótimos comentários e elogios que recebi sobre último capítulo. Fico muito feliz sabendo que já estão acompanhando e gostando. xD Vale lembrar que comentários, criticas e sugestões são sempre bem vindos. Boa leitura! AVISO IMPORTANTE: Toda vez em que um novo personagem for introduzido na história haverá um link no nome dele, cliquem no link para visualizar a página da database do Animus referente a ele para obter mais informações sobre o mesmo. Na história, a database do Animus é criada por Felipe e ás vezes recebe comentários dele e/ou de Vinny.

– Que irônico. Ser levada a irmandade como uma prisioneira. Se o Felipe visse isso iria me zuar pro resto da vida. – Acabei pensando alto demais e falando.

– O que disse? – Perguntou Altaïr olhando para trás enquanto cavalgava.

– Não, nada... É uma honra. Exceto pelas cordas, é claro. – Voltei a brincar, só pra disfarçar. Apesar das condições nada agradáveis era de fato uma honra visitar um lugar que significava tanto para a irmandade, nossa “casa”.

– Você é estranha.

– Disse o homem que anda por aí com um artefato “mágico”.

Com a noite caindo e meu extremo cansaço acabei adormecendo ali mesmo sem que conseguisse evitar. Quando acordei me vi em uma cela no que parecia ser uma masmorra, com dois guardas vestindo mantos brancos dos assassinos me vigiando. Minhas mãos ainda estavam amarradas, me sentia bem fraca e tinha muita sede. Por um instante achei estar delirando quando vi uma espécie de imagem holográfica de Vinny surgir e falar comigo:

– Erika? Erika, você está me ouvindo?

– Vinny? – Me levantei desesperada, quase caindo por estar sem forças. – Vinny, me tira daqui! – Os guardas se assustaram com aquela “pintura que se movia” e saíram correndo, provavelmente achando que eu era uma bruxa ou coisa do tipo.

– Calma. Estou fazendo os cálculos pra te tirar daí, ainda não acredito que funciona. Funciona! – Por algum motivo parecia todo feliz por eu ter viajado no tempo.

– Olha, se funcionasse mesmo eu estaria revivendo memórias e não presa aqui como estou agora. Vai me tirar daqui ou não vai? – A essa altura eu estava começando a ficar irritada.

– De acordo com o Animus você está em 1193, sabe me dizer o local onde está? Preciso das coordenadas para traçar um caminho até você e criar uma abertura temporal.

– Masyaf... – Respondi vagamente.

– Vou tentar criar a abertura o mais próximo que puder de você, mas não garanto. É a primeira vez que faço isso. Na verdade ainda nem acredito que funcionou. – Voltou a ficar todo entusiasmado.

– Tá, tá... Vai logo!

– Abrindo em 3... 2... 1. Procure por um clarão de luz ofuscante.

– Hm... – Olhei ao redor e não vi nada. – Acho que não funcionou não.

– Pois saia daí e procure, mulher!

– Eu não sei se você percebeu, mas eu estou presa. Isso sem falar que estou exausta... Esgotada.

– Eu fiz o que pude. Agora é com você.

Peguei a primeira coisa que encontrei por ali, um copo velho de metal que estava jogado no chão, na certa era usado para dar água aos prisioneiros. O usei para bater nas grades da cela visando chamar a atenção de algum guarda. Quando um deles finalmente apareceu e viu o holograma de Vinny que ainda estava ali, ficou paralisado perto o bastante da cela para que eu pudesse, com as mãos ainda amarradas, usar o pouco de força que me restava para puxá-lo por entre as grades e fazê-lo bater a cabeça contra as mesmas, forte o suficiente para que ele desmaiasse. Por sorte o homem caiu perto o bastante para que eu conseguisse tatear seus bolsos e roubar a chave, com muita dificuldade, é claro. Abri a porta da cela do modo mais discreto possível, tentando não fazer barulho com medo de atrair outros guardas. Roubei a adaga do guarda no chão e com ela consegui cortar as cordas que prendiam minhas mãos, novamente com dificuldade e sentindo muita dor pelo modo como estavam apertadas. Assim que as retirei vi o estrago, meus pulsos avermelhados e com ferimentos leves que sangravam, mas disso cuidaria depois, precisava sair dali e encontrar a tal abertura temporal de Vinny antes que fosse vista e consequentemente morta.

– UAU! Se a Anne visse você agindo assim iria até te promover de rank com certeza. Acho que você deve estar assistindo muitos filmes de ação ultimamente. – Debochou Vinny.

– Pois é, não achei que essas coisas realmente funcionavam. – Ri baixinho, embora ainda estivesse irritada. – Agora cala a boca antes que te ouçam e eu me foda por sua culpa.

– Tá bom, tá bom. Vai lá, super agente especial. – Voltou a debochar.

O corredor estava aparentemente vazio, na certa eu tinha assustado todos os guardas com a minha “bruxaria” holográfica. Segui caminhando devagar, segurando a adaga que roubara do guarda atenta para qualquer imprevisto. Subi por uma enorme escada em espiral que me levou até o topo do castelo, para o meu azar dei de cara com vários guardas que imediatamente começaram a me seguir, eram muitos e no estado em que eu estava não teria a mínima chance, se é que eu teria alguma chance em condições normais. Desesperada, corri para o outro lado, olhando ao redor e procurando pela abertura temporal como se minha vida dependesse daquilo, e na verdade dependia. Senti que iria desmaiar ali mesmo, não tinha mais força, quando vi um clarão vindo de uma das portas, contra a qual me joguei em meu último ato consciente.

Acordei em meu quarto, totalmente desorientada. Teria sido aquilo tudo um sonho louco? A resposta era não, as ataduras nos meus pulsos comprovavam que tudo era real, pro meu azar... Ou seria pra minha sorte? Ainda não sabia.

– Ah! Você acordou, amiga. Se sente melhor? – Perguntou Felipe gentilmente, trazendo uma bandeja com o café da manhã.

– Sim, um pouco melhor. Obrigada! – Respondi ao me sentar da cama e pegar a bandeja das mãos dele.

– Foi uma aventura que vai, literalmente, entrar pra história. Vinny ainda não acredita que deu certo e Anne... Bom... – Parou de falar de um modo que não aparentava ser coisa boa.

– Deixa eu adivinhar: Ela está furiosa.

– Furiosa é pouco, mas parece que o Vinny já está conversando com ela. Não se preocupe com isso agora. Você deve estar exausta e com fome, vou deixar que coma e descanse. Venha falar com a gente assim que se sentir melhor, tá? – Assenti com a cabeça e ele se retirou.

Aproveitei para fazer o que Felipe havia sugerido, comi e descansei tentando não pensar em tudo o que havia acontecido, como se fosse possível não pensar. A verdade é que eu não queria ter voltado para o presente, mas era minha melhor opção tendo em vista as circunstâncias nas quais eu estava e confesso que tive um pouco de medo do que poderia ter acontecido se eu tivesse escolhido ficar, talvez eu tenha agido como uma garotinha fraca e medrosa. Algumas horas depois fui encontrar os meus colegas de equipe para conversar e explicar o que havia acontecido e logo de cara não fui muito bem recebida por Anne, mas eu já esperava.

– Finalmente! Bom... Deixa eu ver... Primeiro você passa por cima da minha autoridade dizendo que “decidiu” participar das missões, depois usa o nosso Animus sem a minha permissão. Erika, me dá um bom motivo pra eu não te expulsar da irmandade. – Questionou Anne, furiosa.

– Hm... “Tudo é permitido”? – Brinquei. Felipe que estava lá atrás no computador tentou segurar o riso e Anne só pareceu ainda mais furiosa. – Eu só fiz o que achava certo. – Respondi em um tom mais sério.

– E você tem noção do que fez? – Voltou a me questionar.

– É Erika, você tem noção do que fez? – Vinny chegou repetindo a pergunta em um tom de voz sério. – Você viajou no tempo, o que significa que acaba de se tornar uma das figuras mais importantes da história, senão a mais importante. – Mudou para um tom mais gentil, esboçando um largo sorriso. – E o melhor, provou que a teoria mais louca que já tive estava certa. Erika, eu te amo! – Correu para me abraçar todo entusiasmado, eu nunca o tinha visto tão feliz e não era pra menos, agora as coisas faziam um pouco mais de sentido.

– Então isso é coisa sua? Era de se esperar. – Falei rindo assim que desfizemos o abraço.

– Se lembra de quando a Anne recuperou um artefato da civilização precursora há dois anos atrás?

– Sim, o “The Eye”. Como não me lembraria? É um artefato extremamente poderoso e é claro, perigoso. Foi uma grande vitória tirá-lo das mãos da Abstergo.

– Exato. Segundo as nossas informações ele foi encontrado pela Abstergo em um dos templos construídos pela civilização precursora. Minerva usou esse artefato para calcular probabilidades para possíveis futuros visando alertar a humanidade sobre o desastre solar. Foi com esse artefato que ela se comunicou com Ezio, ou melhor, Desmond. Eu passei os últimos dois anos estudando essa tecnologia com a teoria de que se eu encontrasse um modo de combiná-la com a tecnologia que usamos no Animus ao invés de projetar memórias em uma simulação virtual poderíamos simplesmente ir direto á elas quando aconteceram. E funcionou, Erika. Você viajou no tempo. Eu ainda nem acredito. – Vinny voltou a me abraçar, com o mesmo entusiasmo de antes, só que desta vez todo emocionado.

– E é por isso que eu deveria expulsar os dois. – Anne cortou o momento “kawaii”, apontando o dedo pra nós dois e nos encarando enquanto o abraço era desfeito. – Imaginem o que pode acontecer se uma tecnologia como essa cair nas mãos erradas. Não há limites. Toda a história pode ser alterada. Vocês tem a mínima ideia das consequências do que fizeram?

– Acho que foi você Vinny que acabou de se tornar uma das figuras mais importantes da história. Eu sabia que você era um gênio, mas não imaginava que era o maior deles. – Dei uma breve pausa e voltei meu olhar para Anne, meu tom de voz que era gentil ao felicitar Vinny pela sua incrível façanha mudou para um bem mais sério ao falar com Anne. – O que eu fiz foi só um acidente, não vai se repetir.

– Por falar nisso... Vai! Conta logo como foi e o que aconteceu. Preciso registrar tudo o quanto antes. – Vinny correu para o outro lado da sala pra buscar uma câmera e quando me dei conta já estava me filmando.

– É sério isso? – O fitei revirando os olhos.

– Vaaai! Fala logo! Fala! – Com tanto entusiasmo parecia uma criança quando ganha um brinquedo novo, mas era compreensivel tendo em vista tamanha descoberta.

– Certo... – Respirei fundo. Felipe se levantou e chegou mais perto para ouvir, ficando parado ao lado de Anne. – Eu fui parar em um deserto e no começo achei que a simulaçõa tinha dado errado. Me desesperei quando percebi que tudo aquilo era real e que era eu ali e não um avatar em computação gráfica do Altaïr. E falando nele, depois de caminhar por horas eu acabei encontrando ele em um poço e...

– Você o que? – Anne me interrompeu de imediato, incrédula. Parecia ter visto um fantasma. – Isso é algum tipo de brincadeira, Erika? Estou cansada dessas suas gracinhas.

– Não, por mais estanho que pareça estou falando sério. Eu encontrei Altaïr e ele quase me matou.

– Quase? – Questionou Anne.

– É, ele deve ter achado que eu tinha sido enviada por algum inimigo.

– Babado, amiga. O boy já foi logo mostrando a lâmina, é? – Brincou Felipe. – No bom sentido, claro. É... Não tão bom assim. Ah, vocês entenderam.

– Sim e foi assustador, incrível, mas assustador. Eu disse a ele que estava lá pela irmandade, mas não adiantou muito sem um manto e armas, então eu apelei pro que eu sabia e falei algumas coisas pra deixar ele confuso.

– Espera. O que você disse? – Anne voltou a questionar, claramente preocupada.

– Relaxa! Nada muito importante. Citei a acensão dele pro cargo de mentor, os estudos da Maçã do Éden... Essas coisas.

– Relaxar? Nada importante? Isso já pode ter mudado as coisas, Erika. Eu acabei de falar sobre as consequências dessa loucura. – Anne reagiu com um literal “facepalm”, dava pra notar que ela estava tentando conter a raiva que ainda era visível junto com sua preocupação. – E como ele reagiu?

– Não muito bem. Disse que eu sabia demais e me levou como prisioneira até Masyaf.

– Você esteve em Masyaf? – Anne questionou mais uma vez, parecia ainda não acreditar no meu relato.

– Sim e se não fosse pelo Vinny eu nem sei o que teria acontecido comigo.

– Erika, você precisa voltar lá. – Vinny parou de filmar e deixou a câmera sobre uma das mesas onde ficavam os computadores, se aproximando de mim.

– Enlouqueceu, garoto? – Anne o encarou como se fosse fuzilá-lo.

– É, nessa eu to com a Anne. Acho que você enlouqueceu. – Ri baixinho em tom de deboche para disfarçar o nervosismo que aquela sugestão do Vinny me fez sentir.

– Ih... A cientista maluca recalcada pirou de vez, tá louca. – Debochou Felipe.

– Cala a boca você! – Se impôs Vinny.

– Ui estressadinha! – Felipe debochou mais uma vez.

– Vocês não veem a oportunidade que temos aqui? Estamos não um, mas centenas de passos a frente dos nossos inimigos agora. Podemos acabar com essa guerra de uma vez por todas. Quando em centenas de anos nossa irmandade teve uma oportunidade como essa? – Vinny passou a caminhar dando algumas voltas pela sala, parecia pensativo.

– Que parte sobre consequências você não entendeu? – Anne cruzou os braços e voltou a encarar Vinny com um olhar fuzilante.

– As consequências existem, mas temos que levar em consideração as nossas chances também e acho que na situação em que estamos elas pesam bem mais. Ou vai esperar até que as poucas equipes que sobraram também sejam dizimadas e a irmandade deixe de existir? – Eram de fato boms argumentos por mais louca que fosse tal ideia. Vinny conseguiu deixar Anne calada, o que definitivamente não era nada fácil.

– E o que você sugere? Que eu vá pras cruzadas e saia caçando templários loucamente até que não exista mais nenhum pra contar história e a ordem deles seja extinta? – Brinquei pra descontrair.

– Na verdade eu estava pensando mais em adquirir conhecimento e "ferramentas". Se tem alguém que pode nos ajudar a acabar não só com a guerra contra os templários, mas também com o plano de dominação da Juno esse alguém Altaïr. Não existe outro assassino mais sábio do que ele. Imaginem tudo o que ele descobriu durantes seus anos e anos estudando a Maçã do Éden.

– Querida, ele deixou o codex justamente com o propósito de passar esse conhecimento. Nunca leu não? Tudo o que ele descobriu está escrito lá, “gênio”. – Felipe enfatizou, debochando novamente.

– Acha mesmo que está tudo lá? Eu duvido muito. E de qualquer forma, se Altaïr conseguiu tudo aquilo estudando uma Piece of Eden, imagine o que não faria com várias. No próprio codex existe um mapa para outras delas, o mapa que a Maçã mostrou a ele, nada mais justo do que ELE encontrá-las, não? E é aqui que você entra, Erika. Você precisa voltar ao passado e ajudá-lo a encontrar outras.

– Sei não... Eu não quero interferir na história, ainda mais com a história de alguém tão importante pra irmandade. – Na verdade eu até queria voltar, mas ao mesmo tempo tinha medo do que pudesse acontecer.

– Eu não acredito que vou dizer isso, mas... O Vinny tem razão. – Anne surpreendeu a todos apoiando aquele plano ridiculamente louco depois de ter ficado calada só ouvindo a conversa como se nem estivesse ali, na certa estava pensando sobre os prós e contras de tudo aquilo. Todos ali ficaram boquiabertos ao ver sua mudança repentina de opinião, até mesmo Vinny. – É a nossa chance de fazer alguma coisa para mudar a história.

– Até você, Anne? Você que estava agora pouco falando sobre consequências? – Agora eu temia que acabasse tendo mesmo que voltar ao passado. – E mesmo se eu fosse, o que não estou dizendo que vou fazer, Altaïr me mataria assim que eu chegasse lá. Ou já esqueceram que ele me levou a Masyaf como prisioneira? Não somos muito bem amigos.

– Não se for do jeito certo. – Todo sorridente e entusiasmado Vinny me conduziu para fora dali, caminhando devagar.

– Então está decidido. – Concluiu Anne.

– Ei! Espera. Eu não concordei com isso. – Falei em voz alta olhando para trás numa última tentativa falha de me livrar daquilo, já estava no corredor sendo conduzida por Vinny para sabe se lá onde.

– Isso não vai acabar bem... – Ouvi Felipe dizer enquanto voltava ao seu trabalho com a database.

Vinny me levou até uma sala onde vesti uma roupa toda preta. Camisa, calça, botas de cano alto e um sobretudo com o capuz “pontudo” característico da irmandade com um belo desenho de águia atrás. O visual de filme de ação ficava completo com um cinto e coldres em ambas as penas e nas costas, também da cor preta.

– Legal! Onde vai ser a gravação do Matrix? – Perguntei rindo, de fato só faltavam os óculos escuros para que eu parecesse o Neo. Mas uma coisa que eu não podia negar era que aquele visual era foda pra caralho e me fazia sentir uma verdadeira assassina.

– Engraçadinha. – Vinny riu junto comigo e abriu um dos armários da sala de arquivos, dele tirou uma maleta prateada bem grande e quando a abriu vi que haviam várias armas de fogo dentro da mesma. Pelo visto aquela sala guardava bem mais do que arquivos. – Você teve treinamento com armas de fogo, não teve?

– Tive, mas não achei que fosse precisar. Você sabe... Não temos muita ação por aqui. – Voltei a rir.

– Mas vai. Agora vai. – Vinny foi tirando as armas da maleta uma a uma, me mostrando e colocando-as em meus coldres. Uma pistola semi-automática 9mm, uma pistola-metralhadora compacta Uzi 22lr e uma arma de choque Taser. Eu já estava achando um exagero até ver ele tirar da maleta uma M4A1, só podia estar brincando comigo.

– Não, na moral... Um fuzil já é demais. Vou pra uma guerra e não tô sabendo? – Tentei falar sério, mas acabei rindo outra vez. Eu não imaginava mesmo uma situação como aquela.

– Tecnicamente a M4A1 é uma carabina e de certa forma você está sim indo pra uma guerra: A terceira cruzada. – Vinny e seu jeito chato, sempre cortando a minha graça. – É uma missão de extrema importância e risco, precisa estar bem preparada pra qualquer coisa. – Completou, falando de forma mais gentil enquanto ajeitava a arma no coldre que eu tinha nas costas. Essa por sua vez era bem pesada e chegava a incomodar, talvez eu precisasse de um tempo para me acostumar.

– É, mas essa arma torna o “se esconder em plena vista” meio impossível, não? Isso sem falar que levar algo assim pro passado é extremamente perigoso.

– Pra onde você vai não fazem a mínima ideia do que seja. E não vai precisar ficar andando com ela por aí pra cima e pra baixo, use em casos extremos. Com a mira telescópica, ponteiro laser e silenciador acoplado vai se sentir uma atiradora de elite... E alguém vai ter uma morte terrível, tão rápida que vai cruzar os portões do inferno com medalha de ouro. – Tentou ser engraçado, enquanto eu estava cada vez mais confusa com tudo aquilo. – Aqui nessa mochila tem alguns equipamentos, tanto para os armamentos quanto tecnológicos. Fique á vontade pra levar mais alguma coisa se quiser, mas seja rápida. Estaremos te esperando na sala da estação do Animus. – Me entregou uma mochila grande e de cor preta que fez a tal arma parecer uma pena tamanho era o peso, estava exagerando mesmo ou talvez eu que fosse fraca.

Fui para o quarto onde fiquei pensando por alguns minutos, ainda confusa, sem saber ao certo se eu queria ou não encarar tudo aquilo, minha cabeça chegava a doer tamanho era o dilema que se passava em minha mente e certamente não iria melhorar assim tão rápido. Acho que nunca tive tantas dúvidas em toda a minha vida e quanto mais eu pensava mais sentia a pressão de uma missão como aquela, talvez eu estivesse pagando por desejar tanto fazer parte da ação, talvez esse fosse o meu karma. Antes de encontrar meus colegas de equipe aproveitei para pegar mais algumas coisas, afinal não sabia quando iria voltar... Se é que voltaria.

– Aí está ela. Toda poderosa! Pronta? – Perguntou Felipe assim que entrei na sala, já sentado no computador de frente para o Animus e com um belo sorriso, sempre tão gentil e carinhoso.

– Estou. Eu acho... – Respondi vagamente enquanto me acomodava na poltrona do Animus, o que não foi muito fácil carregando todas aquelas coisas.

– Leve isso. Fiz umas modificações de acordo com a tecnologia precursora que estamos usando. Com isso vai ser mais fácil te rastrear no passado sem precisar ficar escaneando todas as memórias de Altaïr atrás de você. Caso precise pode nos contactar e em casos extremos se estiver em perigo e não houver outro jeito pode enviar suas coordenadas pra cá e fazer com que a abertura temporal se crie automáticamente, mas eu não recomendaria fazer isso... Não sei se realmente funciona. De qualquer forma não perca isso, as consequências podem ser desastrosas. – Vinny prendeu um daqueles Apple Watch no meu pulso esquerdo.

– Ah, mas eu prefiro Android. – Brinquei, porém ninguém riu.

– Encontre outras Pieces of Eden e volte o mais rápido possível. Aprenda o que puder e tente não interferir muito nos acontecimentos do passado. – Advertiu, como uma mistura estranha de pai, chefe e professor.

– Você disse que queria uma missão, agora tem uma e talvez seja a mais importante delas. Não me decepcione, garota. – Foi o jeito da Anne se despedir, não me surpreendeu.

– Carregando sistema. – Vinny tomou o lugar de Felipe, que não pareceu nada contente. – Abertura temporal em 3, 2, 1...

Pra minha sorte, ou não, cruzei a abertura temporal ainda consciente. Fui parar diretamente na entrada da sala do mentor, onde Altaïr estava de costas pra mim, o reconheci de imediato pelo manto preto como o qual segundo os registros Al Mualim antes usava. Mal entrei e o assassino já notou a minha presença, quase que imediatamente arremessou uma faca que prendeu o capuz do meu sobretudo na parede e por pouco, muito pouco, não atingiu meu pescoço.

– Então você voltou? – Virou-se pra mim e caminhou na minha direção, me encarando com seu olhar sério e intimidador, chegou bem perto e antes que tirasse a faca eu mesma o fiz, em uma atitude pra disfarçar o susto.

– Suas recepções são sempre assim calorosas? – Perguntei rindo baixo ao devolver a faca, deixando-a na mão dele como alguém devolve uma caneta emprestada. – Acha que me intimida, não é? Se fosse me matar já o teria feito na primeira vez que teve a oportunidade. E eu duvido que o grande Altaïr Ibn-La'Ahad erraria um alvo tão próximo. – Como fizera antes fingi não estar nem um pouco assustada e falei em um tom de voz que demonstrava segurança, quando na verdade eu estava com as pernas tremendo e não fazia ideia do que poderia acontecer. Alguém tão sério como Altaïr era bem difícil de “decifrar”, minha única arma era bancar a atriz e encarar a situação como se não temesse o assassino.

– Primeiro você me diz coisas das quais uma estranha não deveria saber, depois assusta meus guardas com um truque de pinturas que se movem, escapa sozinha das masmorras e como se não bastasse vai embora em o que segundo relatos era um portal tão ofuscante quanto a luz do sol. Agora está aqui de volta como se nada disso tivesse acontecido. O que é você? Uma bruxa? – Me questionou de forma imponente como se eu fosse um de seus alvos, ainda bem próximo de mim e olhando fixamente em meus olhos chegou a puxar e segurar a minha camisa, sedento por respostas.

– Não, não sou uma bruxa. – Tentei não rir, tive até que cobrir a boca com a mão livre. – Sou sua irmã de credo de um lugar bem distante, mais precisamente 822 anos. – Dei uma pausa, agora eu falava bem mais sério, tão sério quanto ele. – Eu venho do futuro, Altaïr. Venho do ano de 2015. – Completei, olhando em seus olhos e falando devagar. Pela primeira vez o vi parecer surpreso e até assustado, por mais que tentasse esconder. O assassino me soltou e se afastou calado dando alguns passos pra trás como se estivesse com medo, o que vindo de alguém tão corajoso como ele eu até duvidava. Estaria o lendário Altaïr com medo ou só precisava de um tempo para assimilar o que eu havia dito? Eu não sabia. Tentei imaginar o quanto ele poderia estar confuso e me questionei se tinha feito a coisa certa ao dizer a verdade.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar. O feedback de vocês leitores é muito importante. :D