Notas iniciais
Aqui estou eu de novo com mais um capítulo pros meus leitores. o/ E um abraço do fofo do Leonardo Da Vinci pra galera fantasma que tá aí também que eu sei. rs Vale lembrar que comentários, criticas e sugestões são sempre bem vindos. Boa leitura! AVISO IMPORTANTE: Toda vez em que um novo personagem for introduzido na história haverá um link no nome dele, cliquem no link para visualizar a página da database do Animus referente a ele para obter mais informações sobre o mesmo. Na história, a database do Animus é criada por Felipe e ás vezes recebe comentários dele e/ou de Vinny.

Ficou um tempo calado apenas me olhando, o silêncio chagava a ser constrangedor. Larguei a minha mochila no chão e me aproximei devagar, estendendo a mão para tocar em seu ombro.

– Não tenha medo. Eu não vou te fazer nenhum mal. – Usei de um tom mais gentil e esbocei um curto sorriso, sem jeito com aquela situação.

– Eu não estou com medo! Eu nem sei se está falando a verdade e se isso é possível. Já vi muitas coisas estranhas, mas não pense que por isso vou acreditar em qualquer coisa que uma estranha me diz. Vai precisar de muito mais do que informações e truques de magia pra me convencer. – Se auto-afirmou como previ que faria, se afastando antes que eu pudesse tocá-lo.

Refleti por alguns segundos sobre o que deveria mostrar a Altaïr para que pudesse convencê-lo de uma vez por todas de que eu dizia a verdade, pensei em começar com algum equipamento tecnológico dentre os quais haviam na mochila, mas pelo que acabara de ouvir dele não seria tão convincente, ou melhor, ele não admitiria que havia sido convincente. Resolvi então levar as coisas do “jeito dele” e fazer algo extremamente arriscado, mas que certamente o convenceria de imediato... Se eu não fosse morta antes. Respirei fundo e dei uma curta olhada ao redor, um pouco nervosa. Em questão de segundos saquei a pistola semi-automática e disparei contra um dos cálices sobre a mesa á direita do assassino, o tiro o atravessou como se o metal fosse uma folha de papel e a força do disparo o fez cair no chão instantaneamente. Olhei para Altaïr que mais uma vez se afastou ao desviar o olhar do cálice no chão para mim com a arma na mão ainda apontada na direção da mesa, com os olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma. Pra quem havia acabado de dizer que não faria mal foi de fato uma atitude bem inusitada. Imaginei que a qualquer momento Altaïr ativaria sua lâmina e me atacaria, desta vez para matar, mas não o fez. Continuou ali parado por alguns segundos até que se aproximou, olhando para a arma em minha mão de um jeito estranho. – Por que você está aqui? – Não fez a pergunta que eu imaginei que faria e pelo tom de voz não pareceu assustado como aparentava pela sua expressão mediante ao que acabara de ver, foi mais uma reação de surpresa, mas sem a parte da confusão e do choque de realidade de antes, o que me deixou intrigada.

– Estou aqui pela irmandade, como te disse na primeira vez que nos vimos. Você perguntou pelas minhas armas, acaba de ver uma delas. – O modo como o assassino olhava pra minha arma já estava me incomodando e decidi guardá-la de volta no coldre. – Sinto muito por isso. – Me referi a bagunça e é claro, ao disparo em si. – Mas acho que agora acredita em mim, não? Ou precisa ver mais alguma “bruxaria”? – Não pude deixar de usar um tom mais sarcástico.

Vários guardas entraram correndo armados com suas espadas, certamente atraídos pelo ruído do disparo e imaginando que seu mentor estivesse em perigo, Altaïr fez um sinal com a mão indicando que estava tudo bem e os homens logo se retiraram.

– Curioso. Já vi isso antes. – Falou vagamente, parecia perdido em pensamentos.

– Isso o que?

– Essa coisa. Essa sua... arma que dispara projéteis, já a vi antes. – Afirmou com mais convicção, apontando para mim. – E agora você está aqui com uma arma dessas.

– Desculpa, mas... Como você poderia ter visto? Essa tecnologia está centenas de anos a frente do seu tempo. – Questionei, um pouco confusa de início.

– Você não compreenderia. – Hesitou em dizer, virou-se e pegou o copo no chão, o examinou por alguns segundos e o deixou de volta sobre a mesa.

– Pois tente explicar. Prometo que farei o possível. – Voltei a usar um pouco de sarcasmo e sorri pra disfarçar.

– Mal te conheço, ainda não sei se posso confiar em você. – Disse de forma rude.

– Se não pudesse confiar em mim saberia disso assim que me viu. – Retruquei no mesmo tom.

– O que quer dizer com isso?

– Diz aí! Por que não me matou quando teve a oportunidade no deserto? – Ao perguntar cruzei os braços, esboçando um sorriso no canto da boca.

– Porque vi que não deveria. – Pareceu relutante em responder.

– Viu com seu “dom”? Sua visão de águia? – Perguntei em um tom de voz que demonstrava segurança, de fato eu já suspeitava disso, era a única explicação para ele não ter me matado sendo uma oportunidade tão fácil e tendo em vista que o mesmo suspeitava que eu fosse sua inimiga.

– Você sabe sobre isso? – Teve a mesma reação de quando eu disse aquelas coisas que “não deveria” no deserto, uma mistura de surpresa e confusão, ainda mais se tratando de algo tão intimo.

– Mas é claro que sei. – Voltei a sorrir de canto. – Disso e muito mais. – Não pude evitar e acabei me gabando um pouco, mas disse a verdade.

– O que quer de mim? – Pelo modo como o assassino perguntou imaginei outra vez que pudesse estar com medo e/ou se sentindo ameaçado, por mais estranho que fosse pensar nisso, afinal eu era apenas uma novice e ele uma verdadeira lenda.

– Eu? Nada. Na verdade estou aqui para te ajudar. – Me aproximei outra vez dele e toquei seu ombro como pretendia antes, mas apesar dele não ter se afastado não pareceu gostar muito pelo modo como me olhou. – Estou aqui para te ajudar com a Maçã do Éden.

– Eu não preciso da sua ajuda. – Foi curto e grosso, tirou minha mão do seu ombro. Assim que eu mencionei a Maçã ele pareceu desconfiado.

– Eu sei que não, mas vou ajudar mesmo assim.

– Está perdendo seu tempo. Eu vou destruir o artefato.

– Não vai. – Afirmei com um belo sorriso, confesso que em certos momentos como aquela conversa era muito bom saber do futuro, embora isso fosse perigoso e um verdadeiro fardo, em situações como aquela me dava uma confiança enorme.

– Sim, eu vou. – Insistiu Altaïr.

– Não, não vai. – Reafirmei, ainda sorrindo.

– Me diga... Qual é o seu interesse? – Perguntou ao se aproximar, olhando diretamente em meus olhos como se questionasse um de seus alvos.

– Do que está falando?

– Você não faria o esforço de vir ao passado se não tivesse seu próprio interesse ou talvez o interesse de outros e agora que mencionou a Maçã isso fica ainda mais evidente. Qual é o seu interesse com o artefato? – Seu modo imponente e intimidador era mesmo persuasivo, pensei em dizer o real motivo pelo qual estava lá, mas pelo rumo da conversa deduzi que não era uma boa ideia. Talvez fosse melhor falar sobre a busca pelas demais Pieces of Eden mais tarde, afinal não precisava de muito para deixar o assassino desconfiado, qualquer palavra a mais poderia colocá-lo contra mim e isso era a última coisa que eu queria.

– Eu já disse, estou aqui a mando da irmandade para ajudá-lo com a Maçã do Éden. – Repeti, procurando manter a calma e parecer o mais convincente possível. Me sentia mal por omitir o resto da história, embora fosse a coisa mais prudente a fazer naquele momento.

– Então está mesmo perdendo seu tempo. Se eu fosse você iria embora. – Virou-se de costas e voltou a se aproximar da mesa.

– Não. Estou aqui pra ficar. Essa é a minha missão e eu vou cumprí-la, quer você queira ou não. – Me aproximei dele e voltei a tocá-lo no ombro, puxando-o de leve para que se virasse pra mim e voltasse a me olhar nos olhos, o tom seguro levemente autoritário que usei poderia facilmente soar como desrespeito e lidando com alguém como Altaïr aquilo podia não acabar bem. A reação dele foi cerrar o olhar e me encarar como se fosse me matar ali mesmo por enfrentá-lo, assustador, confesso.

– Pois bem. Já pode se retirar. Vou pedir para que uma das governantas te conduza até seus aposentos. – Virou-se de costas outra vez ao terminar de falar, parecia bem estranho. Ou talvez esse fosse mesmo ele, um homem rude e arrogante que merecia um belo tapa na cara.

– Obrigada. – Peguei a minha mochila e me retirei.

Ao andar por vários e vários minutos pelos corredores da fortaleza procurando pelas tais governantas fui surpreendida por um dos assassinos, o qual reconheci de imediato devido ao estudo que tinha feito sobre a database do Animus: Abbas Sofian, um assassino que cresceu junto com Altaïr e que mais tarde passou a tê-lo como rival. Eu sabia as coisas ruins que aquele desgraçado faria no futuro, tanto para a irmandade quanto para o próprio Altaïr e isso se refletiu no meu olhar que mesclava nojo com uma pitada de ódio.

– O que faz aqui, mulher? – Perguntou como se tivesse alguma autoridade, o ignorei e segui caminhando. – Estou falando com você, infiel. Veio para trabalhar com as empregadas? Ou talvez para o harém? – Provocou, fazendo perguntas infelizes e por mais que eu quisesse continuar seguindo em frente e ignorando parei de caminhar e me virei para ele.

– Sou uma assassina como você. – Respondi sendo o mais breve possível, em um tom sério e o encarando. Me senti ofendendo a mim mesma com aquele “como você”.

– Você? Uma assassina? – Perguntou de forma irônica me olhando de cima a baixo. – Não vejo seu manto ou suas armas, na verdade nunca a vi por aqui. Agora porque não volta pro hárem com as outras mulheres onde é o seu lugar e para de bancar a louca, sim? – Provocou mais uma vez e eu tive que me conter para não “mostrar” as armas que aquele filho da puta não via.

– Abbas, eu acho melhor tomar cuidado com o que diz aos nossos irmãos ou se preferir podemos resolver esse assunto pessoalmente com o mentor, como achar melhor. – Ouvi alguém dizer e quando me virei vi outro assassino se aproximar, o qual também reconheci de imediato: Malik Al-Sayf, um grande amigo de Altaïr e seu braço direito. – Está perdida? Precisa de ajuda? – Perguntou gentilmente, se aproximou de mim e seguimos caminhando juntos, deixando Abbas para trás, calado.

– Sim, mas estou esperando uma governanta que Altaïr disse que viria. – Respondi da mesma forma gentil.

– Ela deve estar atrasada, de qualquer forma posso mostrar a fortaleza se quiser. É nova aqui, irmã?

– De certa forma... Sou sim. – Sorri, um pouco sem jeito com tanta gentileza depois de encarar alguém tão desrespeitoso como Abbas, e também o rude e arrogante do Altaïr. – Ah, não quero incomodá-lo e também preciso cuidar de algumas coisas. E obrigada, aquele cara é um idiota.

– Abbas é um homem de mente fraca, não dê ouvidos ao que ele diz. – Falou em um tom de voz mais sério. – Bem... Se precisar de alguma coisa pode vir falar comigo, terei prazer em ajudar... Erika, não é? – Sabia meu nome e por isso deduzi que Altaïr tinha lhe dito algo.

– Isso. Muito gentil da sua parte. Obrigada, Malik. – Pareceu um pouco surpreso ao ouvir seu nome e fiquei me perguntando se o assassino sabia "de onde eu vinha".

– Segurança e paz, irmã. – Disse gentilmente e se retirou logo em seguida.

Fiquei ali por mais algum tempo até que finalmente uma governanta apareceu e me levou para um quarto. Era um quarto grande e bem decorado que mais se parecia com o de um visitante do que o de um membro da irmandade. Pra quem antes era uma prisioneira em uma cela aquilo era um paraíso. Deixei a mochila no chão e o rifle sobre uma das mesas, já não aguentava mais carregar tudo aquilo. Peguei o meu notebook na mochila e o deixei sobre a escrivaninha, me sentei e fiz algumas anotações, logo depois peguei a câmera e gravei um relatório em vídeo de tudo o que já havia acontecido. Decidi descansar um pouco e acabei adormecendo, quando acordei ainda era de madrugada. Não queria ficar horas ali no quarto sem fazer nada até que amanhecesse então resolvi sair para dar uma volta pelo fortaleza e aproveitando que estaria quase deserta, por que não fazer umas boas filmagens? Caminhei pelos corredores e subi vários lances de escada em direção ao terraço do castelo, onde apesar do medo de altura, seria contemplada com uma bela vista de todo o vilarejo, e claro, do céu e das estrelas naquela bela noite fria. Porém, antes que pudesse chegar fui pega de surpresa por cinco guardas, dois deles me seguraram pelos braços e os outros me ameaçaram com suas espadas e adagas.

– Você vem conosco, mulher. – Falou um deles.

– Ei! O que é isso? – Perguntei de imediato, incrédula com aquela atitude bruta e desrespeitosa. – É um engano. Só pode ser um engano. Me soltem! – Tentei argumentar.

– É o que todos dizem. – Zombou e todos os demais riram.

– Não sou sua inimiga e sim sua irmã. Por favor, me soltem. Estão me machucando. – Mantive a calma e procurei ser educada, sem resultado. Tentei me debater para me soltar, mas também não adiantou, os dois homens eram bem fortes. – Me soltem! – Insisti.

– Calada! – Ordenou o mesmo guarda de antes. – E melhor ficar quieta, minha lâmina é bem afiada e acidentes acontecem.

Por um instante pensei em reagir, mas minhas habilidades de combate não eram nada boas, ainda mais contra cinco assassinos bem treinados, minha única chance de escapar seria usar as armas de fogo, o que eu jamais faria com meus “irmãos”. Era mais do que óbvio que os guardas haviam reconhecido a “fugitiva” e que me levariam de volta para as masmorras. E assim fizeram, me jogaram em uma cela ainda mais nojenta e suja que a anterior, me levantei o mais rápido que pude e corri até as grades, segurando-as e balançando para fazer barulho enquanto gritava a plenos pulmões tomada por raiva: – Altaïr vai saber disso e quando ele souber vocês vão se arrepender, ouviram bem? Se arrepender!

As horas seguintes pareceram demorar séculos para passar enquanto eu aguardava que alguém me tirasse dali, cogitei usar uma de minhas armas para destruir o cadeado e escapar, mas já tinha escapado antes e de nada havia adiantado, também não queria mais ser vista como fugitiva. Esperei, esperei e esperei... Esperei dia todo até anoitecer, cansada, suja, com frio, com fome e em meio ao desespero de que ninguém viesse cheguei a pensar que de fato devesse escapar e ir embora de vez, mas não desistiria da minha missão. Estava quase adormecendo encostada nas grades frias quando ouvi passos e vi a figura de alguém que me deixou feliz e irritada ao mesmo tempo, se é que isso era possível.

– Abram a cela. Ela não é mais uma prisioneira. – Ordenou Altaïr, em seu naturalmente sério tom de voz.

– Mas, mentor. Ela... – Tentou argumentar um dos guardas, mas foi interrompido.

– Ela é uma de nós. – Complementou ao encarar os homens que imediatamente ficaram calados e cumpriram a ordem. Confesso que ouvir aquilo do lendário Altaïr Ibn-La’Ahad era bem mais que gratificante, deixei escapar um belo sorriso mesmo estando irritada com o modo rude com o qual ele me tratava, mas não deixaria que notasse, não mesmo.

– Até que enfim. Já estava na hora! – Fechei a cara e saí de braços cruzados, fitando os guardas como se fosse fuzilar cada um deles. – Sabe quantas horas fiquei aqui? Isso é uma tremenda falta de respeito. – Falei para Altaïr ali mesmo na frente de seus homens, como se não estivesse falando com o mentor da irmandade. – É assim que trata seus irmãos? – Questionei, olhando-o nos olhos, sem medo.

– Já chega. – Foi só o que o assassino respondeu naquele clima tenso onde até os guardas reagiram incrédulos pelo modo como eu o encarava. Altaïr por sua vez sequer mudou de expressão, não ficou furioso como pensei que ficaria.

– É, já chega. Primeiro me trata como inimiga e quase me mata no deserto, depois me traz pra cá como prisioneira mesmo eu tendo deixado bem claro que estou aqui pela irmandade e quando finalmente entende ainda menospreza minha ajuda. Isso sem falar nesses seus homens que me trataram com extremo desrespeito voltando a me prender e aquele preconceituoso desprezível do Abbas. O único aqui que teve uma atitude digna de um irmão foi o Malik. – Acabei liberando toda a minha raiva sem nem me dar conta, quando percebi já havia dito tudo aquilo. – Eu não sei quem você é, mas com certeza não é o grande Altaïr que admiro. Quando o encontrar diga que estou aqui para vê-lo. – Me retirei caminhando pelos corredores, deixando os guardas boquiabertos e Altaïr calado atrás de mim. Embora tivesse toda a razão eu sabia que tinha ido longe demais e que aquilo podia me custar muito caro, mas disse o que precisava dizer. Morreria, mas não voltaria atrás.

De volta ao quarto, a governanta preparava um banho enquanto eu retirava os coldres e guardava as minhas armas antes de me despir. Estava tão distante e perdida em meus pensamentos que nem ouvi baterem na porta, a mulher foi atender e só quando finalmente me dei conta de que ela não estava mais ali e me virei para procurá-la vi Altaïr parado na entrada. Consegui disfarçar o susto, mas minhas pernas estavam tremendo e sentia um frio na barriga enquanto via o assassino me encarar com sua expressão séria característica sem dizer absolutamente nada, segundos que mais pareciam uma eternidade.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar. O feedback de vocês leitores é muito importante. :D