Separados Pela Profecia
13 12- Conselhos de mãe
Notas iniciais
Bem, acabei de lhe contar o que aconteceu... Agora você sabe o porque eu tenho certeza que essas férias vão ser mais longas e dolorosas que todas as outras. E caí entre nós, eu sempre me senti bem com as férias, afinal era fim de problemas, de brigas e de expulsões por um tempinho muito bom.
Enfim, ele me trouxe em casa. Quando eu entrei já estava com saudade. Não sei se nós estávamos namorando, ou só tínhamos ficado, mas era saudade então eu não sabia lidar com isso. Jamais senti falta de ninguém, nem do meu pai, um cara que eu nunca vi na minha vida.
Cheguei ao meu quarto, larguei a bolsa no chão e fui tomar um banho. Quando saí, a Sasha estava ao lado da porta, me olhando com desconfiança.
–Eu sei, eu sei. Mas eu não consegui! – disse pra ela, mesmo ela não dizendo nada.
Como não tinha nada pra fazer, passei a tarde toda jogada no sofá, comendo, desenhando e vendo televisão. Acabou que eu comi um monte de porcaria e não prestei atenção em nada do que passou na teve. Porém, desenhei muito. Desenhei uma matilha com uma loba supreendentemente, emanando poder na frente, liderando, uma praia com lindas pedras preciosas enterradas na areia, um céu negro, que relampeava em alguns pontos sobre um mar agitado... Nem me importei, levei os desenhos para o meu quarto.
Minha mãe ia trabalhar até mais tarde e eu havia saído mais cedo por ser o último dia de aula. Como ainda faltava uma hora e meia pra ela chegar, resolvi fazer a janta.
Sou um desastre cozinhando, mas quando eu me desafio eu consigo fazer as coisas e aquele foi um dos momentos em que eu mesma me surpreendi. Depois de uma hora e meia, exatas, a janta estava pronta. Quando coloquei o último prato em cima da mesa, minha mãe entrou.
–Nossa! – disse ela admirada com a comida. – Você que fez?
Eu olhei pra mesa, olhei pra minha mãe e voltei a olhar pra mesa.
–Acho que foi... Não lembro... – respondi. Ela sorriu.
–Vou colocar as coisas no quarto, já venho aqui.
Ela saiu da cozinha e eu sentei-me à mesa. Sobre ela tinha um suco natural de morango, uma lasanha, arroz e hambúrgueres. Eu nem sei fazer lasanha... Sem falar que a minha mãe só faz lasanha quando eu estou deprimida...
–Bem, eu voltei. – disse ela, me surpreendendo na entrada da cozinha. – Lasanha? O que aconteceu?
–Eu simplesmente pensei que queria fazer uma comida especial pra nós, mas não me lembro de cozinhar nada... – disse tentando mudar de assinto.
–Não é disso que eu estou falando... E você sabe disso, então pare de tentar mudar de assunto. – como sempre, não deu certo a minha ideia de mudar de assunto.
–Eu prometi pra mim mesma uma coisa, mas não cumpri agora eu vou sofrer...
–Vamos fazer o seguinte: nós comemos depois deitamos na sua cama e você me conta o que aconteceu. Pode ser? – ela perguntou, segurando a minha mão.
Assenti pra ela e começamos a comer. Uma refeição silenciosa até. Terminamos de comer e limpamos a cozinha. Minha mãe foi tomar um banho e eu fui direto pro meu quarto.
Em cima da minha cama, encontrava-se a possessiva Sasha, que mexia com o focinho na minha bolsa procurando bolachas.
–Sem bolachas hoje, bebê. – ela bufou e jogou a minha bolsa no chão com as patas. – Ok, ok, já deu né? Deixe-me deitar também. – ela foi para o lado deixando espaço pra eu deitar.
Assim que eu deitei minha mãe entrou no quarto. Levantei minha cabeça e ela sentou, deixando a sua coxa como travesseiro para mim.
–Muito bem, vamos começar... Como foi a aula?
–Boa... – comecei a fazer carinho na Sasha, queria tentar me acalmar, mas não conseguia.
–Boa? Mocinha pare de tentar me enrolar! – ela disse me fazendo cócegas, automaticamente me fazendo rir, o que aliviou um pouco o nervosismo.
–Tá bom, tá bom! – deu um sorriso. – Acho que “mágico” é a palavra certa.
–Explique-me.
Então eu contei tudo pra minha mãe, sobre a vontade de fazer essa sexta ser inesquecível, sobre a estufa, a relutância em quebrar a minha promessa, o beijo. Tudo! Ela ouviu com atenção, não me interrompeu em momento algum. Ficou fazendo carinha em minha cabeça, enquanto eu me deixava levar pelas emoções.
–E agora, – falei, com lágrimas nos olhos – ele vai para aquele tal acampamento. As férias já iam ser uma tortura sem o meu melhor amigo. Agora vão ser piores, sem “o carinha que eu estou afim” – fiz aspas com as mãos.
–Minha filha, amor adolescente é assim... – disse ela. – Essas férias vão passar daí vocês vão poder usar o tempo que quiserem pra ficarem juntos.
–Mas elas vão demorar de mais mãe...
–Porém vão acabar... Seja otimista minha filha!
–Tá bom, mãe. Eu vou tentar ser. – dei um sorriso. – As férias tem que passar voando.
Lá na entrada, a campainha tocou.
–Deixe-me ir ver quem está na porta. – disse a minha mãe.
Levantei a minha cabeça para deixa-la levantar. Quando ela levantou, afundei no travesseiro e abracei a Sasha bem forte, enquanto minha mãe saía pela porta.
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