Separados Pela Profecia
14 13- Uma visita inesperada
Notas iniciais
Como minha mãe estava demorando de mais pra voltar, resolvi levantar da cama e ir ver o que tinha acontecido. Nem em importei se estava de pijama ou não, afinal, que mal teria?
Quando cheguei à sala, me arrependi eternamente de estar de pijama. Sentado no meu sofá, falando com a minha mãe, estava o maravilhoso Lucca, com uma camisa laranja, uma calça jeans e um tênis esportivo. Tentei fingir que nem tinha estado ali, tentei ir de fininho de volta pro meu quarto e trocar de roupa, para depois voltar e dizer um olá. Só tentei.
Ao me virar chutei com tudo a mesinha do telefone fazendo tanto barulho que pude até escutar a Sasha resmungando na minha cama. “Pô, que cadela folgada!” pensei.
–Samantha! – disse a minha mãe. – Que ótimo que você está aqui, assim não preciso te chamar. – Virei e dei um sorriso muito envergonhado. “Que legal, ela vai tirar com a minha cara”, pensei só de olhar pra ela. – É claro que, pelo menos, ia pedir pra você tirar o pijama.
Vi o Lucca dar uma risadinha silenciosa e olhei pra ele com um olhar assassino. Na hora ele parou de rir e murmurou um “desculpa” bem baixo.
–Pois é mãe. É que você demorou tanto, que eu achei que você tinha ido fabricar a porta para atendê-la.
O Lucca olhou de mim para a minha mãe, depois de volta pra mim e de volta para a minha mãe. Eu olhei bem sério pra ela, assim como ela fez o mesmo comigo. Não deu 15 segundos e eu e ela começamos a rir. O Lucca ficou perdido e começou a rir junto.
Sentei-me no sofá, ao lado da minha mãe e olhei para o Lucca.
–Então, forasteiro, o que traz você a minha humilde residência? – perguntei.
–Queria te ver... – ele disse baixinho e com a cabeça baixa.
Minha mãe fez um som com a garganta, se levantou e foi para o quarto, me deixando sozinha ali com ele. “Mas que traíra!” pensei.
–Você não ia pro acampamento? – eu disse, tentando quebrar o silencio que tinha se instalado depois que a minha mãe saiu.
–Eu pedi pra ir somente amanhã de manhã. Queria ficar mais um tempo com você...
–Comigo? – perguntei meio surpresa. Geralmente as pessoas querem se livrar de mim o mais rápido possível, não ficar comigo, ou seja, isso é estranho.
–Sim, com você. Com a minha contra.
–Ainda quero entender o porquê que você me chama de “contra” – fiz aspas imaginárias.
–Ah, é simples. – ele disse e chegou mais perto de mim no sofá. – Você tem medo de água e eu sou filho do deus dos mares. – quando ele me respondeu já estava bem perto de mim. Quando a frase chegou ao ponto final, ele me deu um beijo.
Um beijo que teria sido muito bom por sinal, se a monstra da minha cadela não tivesse vindo correndo do meu quarto e pulado no meu colo.
Eu e ele rimos.
–Olá Sasha! – disse o Lucca. – Como vai você?
Como resposta ela bufou.
–Acho que ela tá mandando você pedir permissão pra ela. – disse a minha mãe, passando pela sala. – Afinal a minha, você já tem. – com isso ela saiu da sala e foi na cozinha.
Fiquei olhando pra porta da cozinha com a boca aberta depois peguei e olhei pro Lucca, que estava olhando pra Sasha.
–Então, Sasha, eu posso ficar a sua dona? – ela olhou pra ele com o corpo tenso. – Se ela quiser é claro. – a Sasha relaxou e ele recebeu uma linda lambida.
–Bem, – eu disse me recobrando do choque. – Só fico com você depois de você limpar essa baba toda da cara.
Escutei minha mãe rir da cozinha. “Legal, me ajudar nada, mas escutar a conversa...”
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