Sentidos, o Imperador
1 Prologo
Notas iniciais
Naquela manhã o castelo acordou vazio, á noite houve uma festa estrondosa onde súditos e mais súditos se esbaldaram até altas horas da manhã, os empregados também cansados decidiram não acorda cedo, pois sabiam que o imperador estaria ocupado no seu quarto. Ainda dava para ver o que sobrou da bagunça no pátio principal havia várias roupas e corpos pelo chão, no chafariz o anjo cuspia água que ao cair se misturava com o vinho que deixou aquele espaço com uma cor de sangue e as pilastras cobertas de ouro foram todas descascadas mostrando o abandono que estava aquele castelo.
Não parecia um castelo real, o Imperador Sancras estava transformando aquilo num verdadeiro bordel, quase todos os dias se tinha festas todas movidas de bebedeiras e escândalos, sem contar que as festas continuavam no quarto do Imperador, com homens e mulheres possuindo ele e a sua cama. Depois que seu pai morreu a vida de Sancras tinha se transformado literalmente, quem lhe disse que vida de imperador era fácil!? Ele tinha que cumprir várias obrigações: Receber os convidados e diplomatas para fazer parcerias para o reino; manter o reino em segurança e longe do conhecimento do mundo “civilizado”; planejar estratégias para que o povo tenha confiança nele; incentivar os jovens há se alistar no exército real (que não esta nos seus melhores dias, porque a maioria dos jovens do reino não acreditam mais na tradição do povo e preferem viver uma vida comum); Treinar e saber usar seu poder real ,que é proteger o seu reino e os reinos antigos aliados dos radares humanos e dos inimigos; e claro, promover festa para os novos soldados (Porém, ele não precisava de motivos para fazer festas).
Naquela noite Sancras tinha ido para o quarto sozinho não tinha achado ninguém muito interessante na festa, ele não queria repetir os mesmos parceiros e parceiras. Ao acordar se sentiu sozinho, como sempre. Tinha sonhado com seu pai, o Imperador Tenas, morrendo nos seus braços o fazendo prometer que cuidaria do reino doando a sua própria vida e fazendo as escolhas certas.
Coitado do Imperador Tenas, tinha morrido de infarto deixando um único filho e a sua mulher foi morta durante uma invasão e a partir daí ele ficou completamente depressivo e calado. Perguntava-se constantemente o que adiantava ter poderes para proteger todo um reino e não poder proteger sua própria família.
Sancras nunca teve intimidade com o pai, ele praticamente foi criado pelo seu tio, um fênix, um homem que sempre o ensinará como usa seus poderes e lhe ensinou os valores da vida. Agora Sancras era o único descendente real vivo e precisava rapidamente ter um filho, pois era muito perigoso não se ter uma continuação e se ele morresse todo o império iria morrer com ele e seria mais um reino antigo extinto da face da terra.
Ele se levantou da cama e foi até seu banheiro para tomar banho, estava no verão fazia um calor quase insuportável. Ele tirou sua roupa e começou a se admirar em frente ao espelho, ele tinha 28 anos, mas tinha um corpo perfeitamente desenhado seus tríceps e bíceps colocados moderadamente no lugar adequado, olhos azuis da cor do mar, cabelos cortados na altura da orelha e um sorriso encantador capaz de excitar qualquer ser humano. Toda vez que contemplava seu corpo ele passa a mão na marca de nascença, uma coroa no peito, e se lembra de sua enorme responsabilidade.
Ao terminar o banho ele sentiu uma sensação estranha pelo corpo. Sentiu que tinha alguém o observando, o instinto protetor, marca da família, confirmava a sua desconfiança. Vestiu suas roupas depressa pegou sua espada que fica guardada no baú debaixo da cama e caminhou em direção da porta. Ao abrir — lá olhou para ver se tinha alguém no corredor, não havia ninguém.
Correu diretamente para as escadas com a espada na mão, que não lhe passava nem um pouco de segurança. Precisava chegar até o quarto de seu guarda costa e pegar sua arma. Ao chegar no meio da escada ele ouviu uma melodia triste sendo tocada no piano a mesma melodia que sua mãe tocava quando ele era pequeno e essa melodia foi tocada no enterro de seu pai. Seu coração disparou, imagens da sua infância começaram a passar por sua cabeça, imagens que mostravam como todos da sua família se foram. Ele precisava se concentrar nos seus poderes será que ele podia usá-los para protegê-lo também? Sancras sabia muito bem a resposta.
Ele correu escada abaixo, seu coração estava saindo pela boca e sua esperança também, na sua corrida ele pensava quem seria capaz de matá-lo? Seus Súditos, não. Se eles o matassem perderiam os benefícios que tinham, então será que era o espírito de seu pai que voltou para assustá-lo?Também não. Então resolveu não perder tempo para conferir quem era que estava ali, pensou seriamente e reverteu seus planos. Ao acabarem as escadas foi direto para a porta principal do palácio.
− Alteza, bom dia. Conseguiu dormir bem? – uma pequena risada – Trouxe o seu café.
Sancras virou bruscamente com sua espada na mão apontando para o homem que estava atrás dele, o homem estava usando uma capa vermelha que cobria todo seu corpo e seu rosto também era coberto por um capuz que dava para ver somente a sua boca que agora estava no meio de um sorriso sarcástico. Segurava uma bandeja com uma maça e uma xícara, fazendo daquilo uma coisa completamente natural. O medo se espalhou por Sancras seu instinto dizia para não lutar com o homem e se mostrar paciente, então como muitas vezes seu instinto já o salvara foi isso que ele fez.
− Bom dia meu servo, dormir muito bem. – Sancras fez uma pausa para retomar o fôlego – Quem és tu e o que fazes aqui uma hora dessas? – retomando de novo o fôlego continuou. – Pode deixar o café em cima da mesa. − Sancras tinha pedido o favor para que o homem ficasse o mais longe possível dele.
O homem caminhou até a mesa em movimentos circulares, como se estivesse dançando, colocou o café em cima da mesa, puxou uma cadeira, sentou se e olhou diretamente para o imperador. Nesse momento Sancras conseguiu ver os olhos dele que eram de um verde intenso que ressaltava na escuridão que era o seu rosto, e ele se lembrou que conhecia aquele homem de algum lugar.
−É o seguinte, eu sou um de seus admiradores alteza, e estava ontem aqui na sua festa. Eu mesmo me certifiquei se todos tinham ido embora e dispensei os empregados à noite e informei a todos que estaríamos ocupados no quarto. – o homem soltou uma risada um pouco sensual e continuou – Agora somos você e eu, ninguém vai nos atrapalhar, Ok?
Sancras desejava que as palavras do homem fossem mentiras, sua mente se perguntava toda hora o motivo dele querer ficar sozinho com ele, seu instinto lhe dizia que era algo com intenções sombrias. Então ele não pensou duas vezes se virou e abriu a porta e começou a correr pelo pátio do castelo. Tinha planejado pelo menos ganhar tempo contra o adversário até achar uma arma, só assim conseguiria escapar vivo. Ele passou tão depressa que nem viu uma peça de roupa no chão e escorregou, caindo muito perto do chafariz suas roupas que eram brancas ficaram encharcadas de vinho e água. Quando tentou se levantar o homem chutou a sua espada e o empurrou novamente para o chão, fazendo com que seu rosto sangrasse com a batida.
− Aonde pensa que vai em, Imperador? Esqueceu que não pode se livrar de mim assim tão fácil. − O homem virou Sancras para que ele pudesse vê-lo – Talvez você ainda se lembre de meu pai matando sua mãe foi uma cena tão dramática, que pena ele não ter me contado os detalhes.
Sancras de repente voltou para aquela noite. Seu pai á frente do exército tinha se esquecido de certificar se o castelo estava bem protegido, então dois homem com mesma capa que esse atacaram sua mãe e ele. S dois correram e ela disse-lhe para se esconder no lugar mas distante possível que seu tio e ela mataria aqueles estranhos, foi a primeira fez que tinha usado seu poder em seu favor e seria a última. Não conseguiu ver seu tio chegando nem ajudando sua mãe, ele estava muito concentrado em se proteger. Ouviu muitos gritos e som de espadas, se encolheu tanto que um tempo depois todo seu corpo doía. Só saiu do esconderijo quando ouviu a voz do seu pai gritando com seu tio “foram eles, foram os Aceltas”. Um calafrio ferrenho cobriu seu corpo eles iriam fazer agora o que não fizeram anos atrás, matá-lo. E dessa fez ele não tinha mas seu tio para protegê-lo.
− POR FAVOR, NÃO ME MATE – Pediu Sancras não demonstrando choro, mas demonstrando muito medo.
O homem deu um sorriso, começou a se inclinar em direção a Sancras quando chegou bem perto de seu ouvido, começou a falar:
− Quem disse que eu vim te matar? – houve um tempo de silencio, então o homem retornou a falar. − È o seguinte alteza, eu vim te fazer uma proposta,é tão fácil que eu acho que não precisava isso tudo. – falava ele gentilmente, dava para perceber que era forçado − Você para de proteger os Fênix com seu poder mixuruca que eu te dou um exercito respeitável novamente. E meu mestre mandou avisar que eu não podia perder a viagem.
Sancras não podia concordar com aquilo ia completamente contra todas as tradições, mas era sua vida que estava em jogo. Porém os fênix eram tão importantes em sua vida, seu tio o mesmo que tinha salvado-o e criado-o era um fênix. Não, ele definitivamente não pode fazer isso. Unio todas as suas forças e disse:
− Nunca eu vou fazer isso, pode informar a seu mestre.
− Eu vou perguntar só mais uma vez. – Ele se inclinou para mais perto da orelha de Sancras − Você tem certeza que não quer trocar a segurança daquele colégio de bosta dos fênix pelo seu exercito novamente fortalecido. E pode ter certeza se você não fizer isso por bem vai fazer por mal, então se decidiu ?
Sancras antes de responder lembrou-se do que seu tio tinha lhe ensinado sobre os fênix e dos Aceltas, então percebeu que só havia uma maneira de conseguir avisá-los. Procurou na sua mente algum canal seguro para mandar tal mensagem, o único naquele momento era os seus poderes. Sancras bolou um plana muito rapidamente, diminui completamente o território de proteção dos fênix até chegar a diretoria, fez aquilo duas vezes . Então reabriu de novo os olhos e disse pausadamente:
− Sabe meu querido, seu final vai ser igual ao seu pai, morrer nas mãos de um fênix.
O homem chegou bem perto da boca de Sancras e disse num tom de raiva:
− Resposta errada alteza. – E o beijou levemente. – Tenha péssimos sonhos.
Sancras de repente sentiu sua boca queimando seus olhos estavam vendo uma escuridão se aproximando, mas antes de apagar ele conseguiu sentir que alguém já tinha recebido sua mensagem e rezava para que essa pessoa tenha entendido. E seu ultimo ato antes de apagar foi voltar a proteger toda aquela área, e restou somente seu corpo banhado pelo vinho e a escuridão profunda.
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