Sentidos, o Imperador
4 Capítulo 3 - TaTo
Minha cabeça está rodando, era uma dor insuportável, não consigo distinguir qualquer barulho, dói demais. Não consigo mover meus olhos de formar alguma e qualquer coisinha que eu faço a dor volta muito mais violenta do que da última vez, então eu prefiro ficar quieto sem tentar se mexer.
As vozes que há alguns minutos eu ouvia se calaram o silencio era tão desconfortante. Tentei me lembrar de cada detalhe daquela noite, mas eu sempre me perguntava como eu tinha conseguido fazer aquilo, na maioria das brigas eu sempre acabava perdendo e quando eu não perdia era porque alguém ia ao meu socorro.
No meu antigo colégio eu nunca fui popular, normalmente eu andava muito na biblioteca ou então com meus amigos que eram cracks no futebol, a única coisa que eu me destacava era o xadrez. Desde pequeno sempre fui muito apegado a jogos de estratégia, aos sete anos de idade eu ganhava de todo mundo no Banco imobiliário, no Wars e na Batalha naval. Conheci o xadrez aos 8 e a partir daí nunca mais parei. Ganhei nas competições escolares, estaduais e regionais, quando eu ia fazer minhas inscrições da competição nacional minha mãe proibiu por um motivo que nunca entende.
Agora, na segunda noite como órfã eu já me meto em encrenca que pelo visto tem sido muito comentada. A recordação de todas aquelas pessoas olhando pra mim, algumas rindo, outras completamente assustadas e perguntando entre se o que eu era. Sinto tanta vergonha por tudo que acorreu que acho não ter cara suficiente para voltar.
− Preciso ir agora não posso ficar mais aqui tenho muito o que fazer – Houve um bocejo de outra pessoa que estava na sala. – Quando ele acorda leve-o para a diretoria, lá você receberá ordens do Sr.R – uma pausa um pouco demorada e alguém começou a caminhar e ao chegar na porta falou − Boa sorte irmão até mais, se cuida.
− tchau irmão, pode deixar que eu foi fazer isso tudo.
Então a porta bateu um pouco alta demais fazendo com que minha cabeça voltasse a doer, mas dessa vez eu já conseguia mexer meu corpo e então experimentei abrir meus olhos. A luz que vinha é tão forte que não conseguir enxergar nada por alguns minutos. Quando abrir novamente o olho reparei toda a sala. A sala é branca, mais já está bem encardida todas as paredes, ao total tinha três móveis : uma mesa de centro (completamente lotada por causa das coisas que no momento não consigo identificar), uma cadeira (que está ocupada pelo Roger) e a maca que eu estou.
O ar aqui é tão melancólico e mesmo sendo uma enfermaria tinha cara de funerária. Nunca gostei de hospitais, fui no máximo umas seis vezes e a maioria delas foi quando eu era pequeno. Não me lembro nem da ultima vez que tinha ficado doente ou tive algum problema. Claro que minha mãe sempre me mandava fazer ma revisão na clínica perto da minha antiga casa, mas nunca deu nada.
Olhei para o Roger que estava cochilando e pela cara dele tinha sido acordado recentemente e mandado para ficar na minha companhia. Ele havia trocado de roupa e estava vestido com uma regata e um short, e observei que estava com alguns livros na mão. Então, lembrei que hoje é uma segunda-feira e que devia está na escola.
Tentei me levantar mas algo estava preso no meu braço e ao tentar tirá-lo o pedestal foi direto ao chão fazendo um barulho tão grande que minha cabeça latejou fortemente.
− Acordou em valentão. – O Roger falou com uma voz sonolenta. – Já está se sentindo bem? Porque tem fãs eufóricos querendo te ver. – ele se levantou o pegou o pedestal e continuo. – Você virou assunto desde ontem. – ele fez umas caretas.– Mas você nem me disse que já tinha noção do que era. Meu irmão ficou achando que eu já sabia demorou um tempo pra eu o convence que estava falando a verdade.
Eu também não sabia que tinha esses poderes e a única coisa que eu fiz foi seguir a voz na minha mente. Tudo aconteceu tão rápido que nem eu conseguir entender, a minha mão de repente virou uma pedra. E isso não é o pior, o pior é que todos agora me consideravam um lutador ou algo parecido. Mas, eu não era aquilo e muito menos sabia o que eu sou. Resolvi então falar.
− Eu não sei o que eu sou Roger.
O silencio reinou por alguns segundos, Roger estava com uma cara de completo espanto olhando pra mim. Eu queria que ele falasse algo mais em vez disso ele voltou a se sentar e fez a pergunta que eu não queria responder.
− Então como você fez aquilo ?
Eu não podia falar a verdade para ele, se eu saísse espalhando que tem uma voz na minha cabeça que me ajuda sempre que estou em perigo, com certeza eu iria ser internado. E além do mais, se eu falasse que tinha uma foz ele iria saber de quem é e eu não saberia responder. A mentira demorou um pouco pra ser formulada, mas saiu.
− Alguma coisa dominou meu corpo. – falei tão rápido e baixo que o Roger deve ter tido dificuldade para entender.
Outro longo momento em silêncio e dessa fez que quebrou foi o Roger.
− Você está mentindo, eu consigo sentir pela sua voz. – ele falou tão devagar para que eu pudesse sentir o impacto das palavras. – Eu sei que você está escondendo alguma coisa.
Não sei como ele sabia daquilo, então insistir.
− Foi isso que aconteceu, eu não estava no domínio do meu corpo. – dessa fez saiu mais convincente
− Até quando você vai mentir.
− Você precisar acreditar em mim foi isso que aconteceu. – dessa vez saiu com um suplício.
− E você precisa entender que eu consigo captar as mentiras. – Ele se andou e ficou do meu lado. – Então você vai falar a verdade ou vai ficar calado?
Respirei fundo e organizai as palavras na minha mente. Mais uma mentira não ia adiantar só ia piorar as coisas porque o Roger ia querer saber o porquê de eu está mentindo. Falar a verdade era melhor caminho, é só omitir algumas coisas e dar informação principal, mas como eu faço isso? Como não tenho muito tempo eu comecei a falar prestando atenção em cada palavra que sai da minha boca, para não complicar ainda mais as coisas.
− Uma voz me dizia o que fazer. – Respirei fundo e continuei. – Eu só fiz o que ela mandava.
Ficamos mais uma vez em silêncio. Roger que já voltava para se sentar na cadeira, começou a andar como uma barata tonta, ele ia e vinha com a mão na cabeça. Por um momento fiquei tonto com aquele movimento.
− Por que você não me falou isso antes? – Ele falou e continuou andando. – Você não precisava mentir, eu sei que é difícil mais você pode confiar e mim. – Ele parou na minha frente e continuou. – você é meu companheiro de quarto então não quero e nem gosto de muitos segredos,ok?
− Eu mentir porque estava envergonhado, não queria que ninguém me chamasse de maluco. – Levantei da cama. – Por favor dar pra me tirar desse quarto insuportável.
− Há é claro. – ele pegou alguma coisa em uma sacola que estava na mesa com uns livros, e vir que era uma roupa. – Peguei isso lá no seu guarda-roupa. Se troque no banheiro e vamos até a diretoria o diretor quer conversa com você.
Fui até o banheiro e troquei de roupa, ele trouxe uma camisa regata já gasta e uma bermuda jeans. Vesti apressadamente e formos em direção ao prédio da diretoria. Quando sairmos o sol já estava quase se pondo então o horário está entre 4hs e 5hs. O prédio onde acabarmos de sair é onde fica as coordenações de todas as matérias e também fica a enfermaria.
Ao chegar na sala da diretoria ficamos num sofá que cabia no máximo umas 4 pessoas magras. O tom do sofá era de um vermelho vivo exorbitante. Na sala havia também um balcão onde deveria está uma secretária, mas nesse momento não tem ninguém. A porta da sala do Sr. R. ficava do outro lado e tinha uma fênix enorme num quadro bem no centro da porta, é a mesma fênix que tem na parte de trás da camisa de cerimônia.
O momento em silêncio durou muito pouco, um barulho vinha da porta de entrada e quando foi aberta do outro lado estava o cara das cicatrizes o mesmo que eu tinha batido. O Roger começou a falar, mas não consegui prestar atenção em nada o olhar daquele cara era sombrio demais e ele me encarava. Sustentei por mais um tempo os olhos negros dele e quando desviei voltei a olhar pro Roger então perguntei.
− O que ele está fazendo aqui?
− O mesmo que você né idiota. – Ele olhou pra mim como aquilo fosse a coisa mais normal do mundo e continuou. – Os dois vieram para conversa com o Sr. R. e depois vão receber a punição.
− Punição?
− É punição. Do tipo... lavar o refeitório, ajudar na cozinha e a pior de todas limpar os estábulos. – Ele falou aquilo como se estivesse me dando medo.
− Mas foi ele que começou, ele que devia limpar.
− Ele pode ter até começado mais foi você que deixou mais uma cicatriz.
Me perdi tanto naquele conversa que me esqueci que o cara estava a alguns metros da gente e podia ouvir tudo. Isso não importava mais só de imaginar eu ficar limpando um estábulo com aquele cara já é para morrer de medo. Pelo que eu conheço de caras com esse perfil eu ia apanhar muito e fazer o trabalho todo sozinho.
Meus pensamentos foram interrompidos pelos rapazes que saíram da sala do Sr.R, eram uns cinco e um deles era o Thiago (o maconheiro). Ele acenou para eu e o Roger que retribuímos o aceno e voltamos a olhar a porta da sala do Sr.R que agora está aberta.
− Boa tarde Sr.R . – Quem falou foi o Roger eu continuei calado olhando para a cara dele.
− Boa tarde a todos, podem entra os dois brigões e os outros esperam aqui fora. – O Sr.R vez um jeito para eu e o cara da cicatriz ir segui-lo, porém eu andava tão devagar que o Sr. R teve que completar. – Os dois podem ser mais rápidos.
Ao entra na sala o ar-condicionado está tão frio que me fez tremer. Ali havia uma mesa, uma estante cheia de troféus e três cadeiras, duas de um lado da mesa e uma do outro lado. As paredes são verde-oliva e nelas tinha um quadro com a foto do Sr. R.
Quando o Sr. R fechou a porta uma sensação de medo invadiu meu corpo o cara da cicatriz agora está do meu lado e também olha pra mim. O Sr.R passou para o outro lado da mesa e mandou nós dois sentarmos eu esperei o da cicatriz sentar primeiro para eu poder sentar. Ficamos um tempo e silêncio, o Sr. R alternava seu olhar passando por nós dois diversas vezes, então começou.
− Eu queria muito saber o assunto da briga dos dois mais como o tempo é pouco e eu sei que é bobagem pura eu vou logo para a parte do discurso. – Nesse momento ele olhava direto para o da cicatriz. – Judas, não pensei em momento algum que você pudesse fazer isso e principalmente em um novato você deveria mostrar para ele como nós somos educados e respeitamos um aos outros. Estou muito decepcionado com você, muito mesmo.
− Desculpa Sr.R – Falou o Judas.
Quando eu ouvir o nome dele tive vontade de me acabar de rir, mas segurei a risada principalmente que agora o Sr. R virou e olhou para mim.
− E você Victor me surpreendeu muito. Em todo seu histórico não tem uma observação e agora você faz isso. Não pense que só porque está num orfanato pode ficar batendo em todo mundo, ficar abusando da autoridade ou muito menos que ira fazer isso e ficar impune. Você precisa aprender muita coisa ainda sobre esse orfanato e a primeira delas é que eu não permito nenhum tipo de briga que não seja no ringue e ainda sim sobre supervisão, você me entendeu Victor?
− Entende sim, e desculpa Sr.R e isso nunca mais ira acontecer.
− Tenho certeza que não ira acontecer mesmo, agora, por favor, dêem as mãos.
Meu coração gelou. Eu sempre detestei esse negocio de da a mão a uma pessoa depois que briga acho isso super desnecessário principalmente numa briga como essa. Eu não conhecia aquele garoto, ontem foi a primeira vez que nos vimos então porque dar as mãos? Me assustei quando eu vi a mão do Judas estendida bem na minha frente.
A mão dele é complemente estranha, talvez fosse uma mistura de a mão de uma macaco com a mão de alguém que vivia o tempo todo amarrado em uma corda. A mão está tão calejada que os calos se amontoam um em cima do outro. Essa é a mão mais feia que eu já vi na vida.
Erguei a minha para que ninguém na sala percebe se que eu estava com nojo da mão do Judas. Na hora do aperto ele apertou tanto que pensei que fosse quebrar minha mão. Enquanto essa cena deplorável se passava o Sr. R folheava alguns papeis e ao acabar entregou para cada um.
− Essa é a punição de vocês. – Ele se levantou e pegou sua maleta. – entrego isso a quem estiver responsável pelo local. Todas as instruções estão no papel. E por favor não voltem a brigar. – abriu a porta do escritório. – Agora vão embora eu já estou com fome.
Ao sairmos percebi que havia mais uma pessoa na sala, o rapaz que veio com o Judas. Ele é negro, alto, olhos negros, cabelo cortado. Corpo um pouco malhado, forte e sujo. Voltei o olhar para o Roger que me esperou no sofá. E antes de eu conseguir falar alguma coisa, ele pegou o papel da minha mão, começou a rir. Me irritei e falei.
− Gostaria de saber o motivo da risada. – falei indo em direção ao corredor.
− Vocês vão limpar o estábulo, isso sim é castigo.
− Eu não acho graça.
− E eu apostei com meu irmão que vocês iam limpar a janela e ele que vocês iam limpar o ringue. Merda ninguém ganhou.
− Vocês apostam o castigo que os outros tem que pagar. Isso é falta do que fazer ou gostam mesmo da miséria dos outros? – falei carregado no cinismo. – Claro que eu já ia me esquecendo que a segunda opção nem conta. Porque já ta na natureza dos irmãos.
− Eu já falei para você não falar do meu irmão assim. – Ele mudou completamente o semblante. – Você pode até brincar comigo ,mas não com meu irmão, entendeu?
− Entendi.
Para falar a verdade eu não entendia e também sabia que o Roger sabia disso mais resolve ficar calado dessa vez. O irmão dele era praticamente um Deus ou algo assim. Talvez mais tarde eu pergunte a ele o porquê mais agora é melhor ficar calado para não irrita a única pessoa que ficou comigo até agora.
Continuamos andando pelo corredor e formos direto para a parte da enfermaria, onde estávamos alguns minutos atrás. Entramos no quarto onde eu fiquei e pegamos algumas coisas que ficaram, demoramos uns 3 minutos no máximo. Quando sairmos fomos direto para uma sala que fica do lado do quarto e me surpreende ao abrir a porta.
− Oi Roger. – falou Sheila, a menina que tinha implicado comigo por causa do jantar, mas ela agora estava toda de branco e ainda mais bonita do que no jantar. – Oi brigão.
− Oi – falei ao mesmo tempo que o Roger.
− Victor você já conhece a Sheila, ela é namorada do meu irmão e enfermaria vou te deixar com ela um momento e volto já. – Ele falou sussurrando só para que eu ouvisse, e continuou dessa vez falando mais alto – Acho que devo deixar os dois sozinhos, até mais.
O Roger saiu tão rápido que nem deu tempo de falar nada. Eu estou no quarto sozinho com uma garota que implicou comigo no primeiro dia, eu estou sentindo algo estranho. Da maneira que o Roger falou era como se ela queria ficar sozinho comigo, será que ela está afim de mim? Não isso não pode ser porque ela namora com o irmão do Roger que por sinal esquece o nome mais uma vez.
− Então está se sentindo melhor, o brigão.
Tomei um susto tão grande que pulei da cadeira. Me senti envergonhado porque ela estava rindo então eu lembrei da pergunta e respondi:
− Claro, to me sentindo muito bem.
− Que pena, se fosse por mim você continuava naquela cama, pelo menos seria uma luta a menos aqui fora. – A voz tão carregada de cinismo que da medo em muita gente. − Não é mesmo brigão.
− Meu nome não é brigão, é Victor. – falei completamente irritado por causa da maneira como ela falava comigo. Ela até parece que é superior em alguma coisa do orfanato, tive que me segura para não mandar ela procurar o que fazer. Mais pensando bem quem estava sem fazer nada sou eu, então é melhor continuar calado e falar o necessário.
− Claro, Victor. É assim que você que ser chamado não é. – falou se movendo na minha direção com um remédio nas mãos. – Não pense que você manda na minha boca, só porque é um tato. Pra mim não é nada e vai continuar sendo um nada mesmo tendo esse poder e mesmo brigando com um homem das pedras, você entendeu BRIGÃO.
Ela falou aquela ultima palavra tão alto que doeu meu ouvido, e sinceramente eu entende poucas partes do grande discurso, principalmente a parte do negócio do tato. Eu sei que a Sheila não é a pessoa ideal para se discutir esse tipo de assunto, ou seja, continuei calado olhando para cara dela, que infelizmente é muito bonita. O silencio demoro só mais alguns segundos, ela estendeu a mão e me deu o remédio e a hora das dosagens e passou um tipo de autorização para eu poder levar o jantar pro quarto.
Quando acabei de agradece – lá fiquei super-envergonhado, pois ela virou a cara e foi embora me deixando falar sozinho. Ao sair da sala segue em direção a frente do corredor para ficar esperando o Roger, ao passar pela segunda sala avistei Alice e fui até lá.
− Oi Alice, tudo bem.
− Oi Victor, claro que estou bem, e vejo que você também, que bom né? Pensei que havia ocorrido algo de grave em você, foi uma briga memorável, acho que você é o primeiro aluno a brigar no primeiro dia de orfanato. Será que isso faz de você um delinqüente, porque se fizer eu definitivamente não posso andar com você. Desculpa, mais estou falando a verdade aqui no orfanato é assim, temos que andar com pessoas que são influentes nas suas missões. É eu sei que você não sabe ainda das missões, mas logo vai perceber que eu estou certa...
Alice continuou a falar, mas depois dessa parte eu não conseguir entender mais nada de tão rápido que ela falava. Eu não sei como é que ela não para nem para respirar. A salvação veio quando ela fez uma pergunta e eu não respondi foi a brecha perfeita para eu falar:
− Desculpa Alice, é que eu estou completamente cansado e só estou procurando o Roger. Você viu ele por aí?
− O Roger, eu não o vi, mas tenho certeza de que deve está com o irmão, o Ricardo. É só você ir para diretoria que ira encontrá-lo.
Antes de Alice falar mais alguma coisa eu me despedi e sair correndo pelo corredor tentando me lembrar para onde eu deveria ir agora. Eu sabia que a diretoria do orfanato fica no segundo andar do prédio principal. Que é completamente diferente da diretoria da escola. Quando comecei a subir os degraus o Roger já estava descendo.
− Cara você é super apressado, já tava indo lá te buscar. – recuperou o fôlego e falou. – Ela te passou o remédio e a solicitação.
Fiz que sim com a cabeça e ele continuou.
− Então vamos logo, eu tenho muita coisa para te contar quando chegarmos no quarto.
Caminharmos rapidamente até o refeitório, já era umas 6 horas da noite. Percebi isso porque o refeitório estava um pouco cheio para a janta. O que me incomodou dessa vez não foi a fila que está enorme, mas como as pessoas me olhavam, parecia que eu era alguém sobrenatural. Reparei em todas elas e não conseguir identificar ninguém. A medida que o tempo ia passando a fila transcorria, o Roger permaneceu calado pó todo o tempo, talvez esteja guardando palavras para daqui a pouco. A minha fez na fila finalmente chegou, eu apresentei o atestado e moça me deu duas quentinhas e dois copos de suco, um para mim e outro para o Roger.
A janta hoje é sopa de legumes. Não tinha muito macarrão era mais molho e legumes. Esperei o Roger falar com o Thiago, que está tentando fura fila, também cumprimentei – o e me assustei, pois ele foi o único que não falou nada do ocorrido de ontem há noite. Não demorou muito e o Roger se despediu dele, estavam falando de algo sobre vídeo-game não conseguir reparar muita na conversa.
No caminho de volta ao dormitório eu deixei minha cabeça rodar entre os meus pensamentos. Nas ultimas 72 hs tinha acontecido muita coisa estranha e a de ontem á noite foi MUITO ESTRANHA. Eu preciso saber o eu sou o mais urgente possível, eu preciso saber a verdade sobre esse colégio, e o pior de tudo eu preciso saber o que é essa voz na minha cabeça.
Quando chegamos ao saguão do dormitório o Roger foi até o seu armário e tirou alguns livros e mandou eu fazer o mesmo. O número dos armários era o mesmo números dos quartos, a única diferença é a letra depois do numero. Se a letra for A, o armário é da pessoa mais velha do quarto ou aquela que tem mais tempo naquele quarto. Se a letra for B, o armário é da pessoa mais nova. No meu caso meu armário é o 306B. Ao abrir meu armário pequei o bilhete que estava bem em cima dos meus livros, nele dizia:
As atividades passadas na classe hoje foram as seguintes: * Física – pag. 45 á 48 *Matemática – pag. 60 á 65 * Geografia – atividade em dupla ( proponho que faça com o seu colega de classe, Roger.) As atividades acima serão cobradas na próxima aula das matérias citadas.
Atenciosamente : Sra. Antonieta Leynforge
A senhora Antonieta é a diretora de ensino de todo o colégio. Peguei os livros das atividades e o Roger falou que não necessitava porque ele já está levando e como somos da mesma turma poderíamos reversa as atividades.
Quando entramos no elevador entramos cheios de coisa que quase minha quentinha caiu. Ainda bem que o Roger está do meu lado e me ajudou. Ao sairmos me encontrei com o vigia do corredor. Demos boa noite e seguimos para o quarto.
Eu fui tomar um banho enquanto o Roger começou a abrir a sua quentinha. Quando eu terminei de tomar banho ele já tinha terminado a quentinha, então trocamos de afazeres. A quentinha já não está tão quente como no refeitório e o gosto da sopa parecia vencido, comi tão rápido que deu tempo de separar as roupas sujas antes do Roger sair do banheiro.
Quando ele saiu eu já estava sentando na cama bebendo suco. Eu esperei ele colocar uma bermuda e sentar na sua cama, então finalmente ele começou a conversa.
− Cara eu nem sei como eu vou começar, é a primeira vez que em faço isso – Ele esfregava suas mãos impaciente – Eu sei que você deve está se perguntando o que todos fazem nesse orfanato, e porque você fez aquilo no refeitório. – Ele ficou caldo por 1 minuto e continuou. – Quando eu vim para cá com meu irmão, eu era muito pequeno tinha uns 8 anos e o Ricardo tinha 12. Eu lembro que quando ele me falou a verdade eu fiquei super contente, mas muito tempo depois eu vim entender realmente o que carrego. – Ele pegou um travesseiro e se apoio na cabeceira da cama. – Victor, eu tenho certeza que você já ouviu falar sobre reinos antigos, como os maias e os astecas. Não é?
− Sim.
− O orfanato da fênix é um reino antigo que não foi extinto da humanidade. Somos como os ciganos e os feiticeiros não perdermos nossas características nem nossos poderes.
− Como assim? Eu não to conseguindo entender nada.
Em vez de me ajudar a esclarecer minhas dúvidas o Roger cada vez mais piorava, pois eu queria saber de onde veio e como surgiu? Qual é o poder que eu tenho, como adquirir? E se é um povo antigo como ninguém nunca falou? Preferi guarda minhas dúvidas e deixar o Roger continuar.
− Nos nascemos a milhares de anos atrás e ao contrário da sociedade moderna não evoluímos aos seus costumes, nos adaptamos. Logo no começo éramos muito bem requisitados e conhecidos, pois tínhamos os sentidos apurados. Algo na nossa genética fazia que pudéssemos ver, ouvir, sentir, cheirar e tocar com muito mais precisão do que os outros povos, ou seja, todos os nossos sentidos eram muito evoluídos. Todo povo era assim, mas com o tempo fomos mudando, e foi nascendo alguns que só tinha a audição e a visão apurado, outro só com o paladar e o tato e assim por diante. Nossos ancestrais ficavam cada vez mais preocupados, mas nada se podia fazer.
− Então nos somos esse povo antigo que tinha esses poderes do sentido?
− Sim, temos isso no nosso sangue.
− Então eu tenho todos os sentidos apurados?
− Não, só um. Porque cada vez mais que o tempo passava mas os Fênix e os Aceltas iam se misturando. Então chegou no tempo em que cada um só podia ter um sentido apurado.
− Então qual é o meu ?
− O seu sentido, é o do Tato.
Fale com o autor