Notas iniciais
Desculpem a demora, amores!
Estive sem tempo. Sabem como é pré-semana de teste, né? Bem, esse capítulo ficou grande sempre pra compensá-los. ;)
Volto a agradecer novamente as reviews e as recomendações.
Pra hoje mais duas indicações de músicas:

1 - LoveGame da Lady Gaga.
2 - Forever Love (Digame) da Anna Nalick.

Caso, não consigam achar as músicas, aqui vai um link onde podem encontrá-las:
http://www.kboing.com.br/lady-gaga/1-1017076/#
http://www.kboing.com.br/anna-nalick/
O primeiro link é direto. O segundo tem a listinha das músicas e é só procurar e clicar.
Espero que gostem.

Divirtam-se. ;)

Liga a câmera.

Senso. Momento para reflexão.

Há tempos que me digo contrária a idéias sem sentido para realidade, porém embarco nesta agora. Existe um que me trás novas esperanças, faz-me acreditar na potencialidade dos meus sonhos e na beleza de minha pele, mas... Hei de duvidar de tal simplicidade.

Sinto-me inebriada diante de novas expectativas. Uma jornada espera para ser escrita e essa viagem parece jamais me acordar.

-Pausa e um olhar duvidoso. -Isso tudo não é um sonho, é? –Olha para baixo aflita. — Se for, por favor, jogue-me água fria ou incendeie os meus lençóis. –Olha novamente a câmera suplicando. — Não posso suportar mais sofrer por me iludir de novo.

Eu esperei tanto tempo pra te ouvir dizer meu nome que mal posso acreditar em meus ouvidos. –Sorri.

Lívida e livre. Poderia eu concordar? Aceitei. Entreguei-lhe o livro das fases.

Só não destrua o meu ideal de felicidade. Estive morta e desconstruída. Se tua covardia ousar me cegar... –Murmúrio. Sorriso que se transforma em sombrio – A tua beleza desmoronará, monstro.

Desliga.

Mia volta para seu lugar ao lado de Jared. O lugar escolhido para sua confissão não era lá muito higiênico, mas era o único modo de ter seu início de forma privada.

Ele ainda dormia e estava aliviada que não tivesse percebido sua ausência. Um pouco de baba escorria pelo canto de sua boca e ela não pôde evitar rir.

Sentou-se ao seu lado e retirou alguns lenços de sua bagagem de mão. Limpou suavemente, mas se assustou quando lhe segurou a mão provando estar acordado.

-Onde esteve?

-Fui ao banheiro, onde mais poderia ir? –Recolocou o braço de suas poltronas.

-Eu não sei. –Lhe disse um pouco desconcertado.

-É claro que não sabe. –Ela sorriu, se acomodando melhor.

-Você me assusta um pouco. Às vezes acho que pode querer desistir de tudo.

-Se isso acontecer, irei lhe avisar. Talvez não olhando nos seus olhos, mas avisarei.

Houve silêncio.

-Olhe para mim.

-Por quê?

-Olhe.

Ela o olhou diretamente.

-Está com medo?

-Estou.

-Eu vou te proteger.

-Não confio em você.

-Se não confiasse, não teria aceitado vir comigo.

-Não me peça para te ver como um amigo, Jared. Eu aceitei isso por que acredito que no final eu estive certa o tempo todo. Só quero me dar essa oportunidade para não me lamentar mais tarde.

-Tantos fantasmas...

-Sim, muitos. E você? Se tornará mais um?

(Jared’s POV)

Ela me encarou. Não consegui a resposta necessária, mas... Soube que o necessário para que confiasse em mim era tratá-la indiferente aos outros que me cercavam. Essa era a única maneira. Mia aparentemente não gostava de caras aos seus pés. Não serei mais um.

-Está apaixonada por aquele cara que beijou na porta da escola?

-Não.

-Ele está?

-Não sei.

-Sim, está.

-Se responde as próprias perguntas...

-E se te disser que estou apaixonado?

-Te desejarei boa sorte.

-Por você.

-Te chamarei de idiota.

Idiota?!

-Você é louca?

-Você não se apaixona Jared. Você ama a si próprio e a sua beleza. Não venha me dizer que está caído de amores por uma adolescente. Eu sou sua nova conquista até que ache a próxima. Me usará em seu âmbito criativo, considerando que suas idéias estão ultrapassadas. Já não tem mais o fôlego de antigamente e uma pessoa jovem será o seu Viagra de todos os dias. Apenas cuidado. –Ela se apoiou no braço de sua poltrona e olhou para dentro de mim. – Cuidado, Jared Leto. Meus efeitos colaterais o levarão a morte.

Era a minha vez agora. Apoiei-me no mesmo braço em que estava e lhe encarei com a minha frieza.

-Cale a boca.

Ela sorriu.

-Olhe quem está mostrando as garras. Te atingi forte, gostosão?

Segurei-lhe o pulso.

-Disse pra calar a boca.

Aproximou-se de mim, deixando nossos rostos muito próximos... Próximos demais.

-Vem calar.

A maneira como seus lábios se moveram, me fizeram duro. Seu perfume inebriava meus sentidos e tive certeza que estava pronto para atacá-la.

-Aceitam mais alguma coisa antes de desembarcarem? –A aeromoça perguntou, interrompendo.

Mia ainda me olhou alguns segundos sorrindo, quando aumentou seu sorriso dirigindo-se a ela.

-Sim, aceito. Poderia me trazer um mousse de chocolate?

Duvidei que quisesse mesmo um mousse de chocolate. Com certeza pediu para que lhe tomasse tempo e fugisse dos nossos assuntos. Desviei meus olhos de seu rosto, percorri seu pescoço, seu colo, chegando aos seus seios. Tão pequenos e desejáveis.

Eu quase podia senti-los ao contato de minhas mãos. Minha boca salivava ao pensar em minha língua percorrendo toda a sua extremidade. Sim, eu os desejava e muito.

-O que deseja, senhor?

-Seus seios.

-O que disse, senhor?! –A aeromoça me olhava surpresa.

Mia quase se engasgava de tanto rir.

-Quero dizer, não desejo nada. Obrigado.

-Com licença. –Ela finalmente havia ido.

Massageei minhas têmporas e me esforcei para esquecer o ocorrido.

-Há quanto tempo não transa? –Perguntou inocente levando outra colher de doce a boca.

-Como é?

-Há quanto tempo não transa?

Ela ainda esperava minha resposta. Eu poderia chamar isso de espontaneidade?

-Sabe o que é transar ou já esqueceu por causa do Mal de Alzheimer?

-Deveria levar mais a sério quando te mando calar a boca.

-Quanta hostilidade! Eu querendo ajudar e você me mandando calar a boca.

-Se quiser me ajudar, senta no meu pau e já vai ser o suficiente.

Dessa vez seu rosto estava em chamas. E meu orgulho interior aplaudia minha performance.

-Agora, se não quiser, cale logo a porra da boca e me deixe em paz.

-Ok. –Levantou-se e caiu “acidentalmente” em cima de mim derrubando seu doce em minha roupa.

-Oh! –Colocou a mão sobre o rosto em sinal de falso pesar. – Não foi por querer.

-Vai me pagar por isso.

-Espero pra ver.

Mia se levantara e se dirigira ao banheiro.

Ficara lá até o final da viagem. Esperei que voltasse, mas não aparecia. Tentei não demonstrar preocupação, mas fora em vão. Dirigi-me a aeromoça que esperava na porta:

-Sabe se uma moça de cabelos castanhos e franja, com mais ou menos um metro e meio de altura passou por aqui?

-Boa noite, senhor. Sim, ela já desembarcou.

-Desembarcou? Como, se não a vi?!

-Passou por aqui não tem mais de 5 minutos.

-Merda!

Coloque LoveGame — Lady Gaga para tocar.

Desci correndo as escadas, pulando os últimos degraus para ganhar tempo. Ela fugiu, mas... Tinha me prometido que me avisaria se desistisse de tudo. DEUS, POR QUÊ ADOLESCENTES SÃO TÃO IDIOTAS?!

Procurei-a pelo aeroporto, mas seria impossível encontrá-la com aquele movimento intenso de pessoas. Fui ao microfone, pedi para chamá-la e rezei para que aparecesse logo.

Tinha as palmas de minhas mãos coladas uma contra a outra e encostadas aos meus lábios. Olhava para todos os lados a fim de vê-la, quando a avistei me observando do outro lado do saguão. Ao perceber que fora descoberta, correu. Larguei minha bagagem de mão e fui atrás dela. A vi esbarrar em várias pessoas, ela se desculpava, mas estava... Rindo?

Meu fôlego estava para terminar, quando não encontrou saída. Se virou para mim e lhe dei um sorriso diabólico.

-Fim da linha.

Ainda insistiu em fugir, mas consegui alcançá-la. Terminamos caindo juntos no chão. Esforcei-me para não rir, mas ela me vencera novamente.

-Estava com medo que tivesse ido embora?

-Eu iria atrás de você até o fim do mundo.

-Aonde você considera o fim do mundo?

-Em seu início.

-Groenlândia?

-... Bem pensado.

-Estou interrompendo alguma coisa? –Uma voz masculina estava sim interrompendo aquele momento. E eu não precisava olhar pra saber que era...

-Shannon.

Mia não esperou eu me recompor. Se levantou limpou um pouco as suas calças. Shannon ofereceu-me a mão e eu aceitei.

-Estou vendo que conseguiu mesmo trazê-la. Sempre consegue.

-Shannon, essa é a Mia. Mia, esse é o Shannon, meu... –Me interrompeu.

-Irmão e baterista. Prazer, sou sua fã.

-Mais bonita que eu esperava. Meu irmão sempre teve bom gosto. A única coisa que eu não entendo é que o seu tipo físico não é o típico dele.

-Está me chamando de gorda? –Ela riu.

-Não. Suas curvas, isso que quero dizer.

-Ainda acho que está me chamando de gorda. Dizem que quando um homem critica uma mulher pelo corpo, está interessado nela.

-Você lê mentes?

-É o meu segredinho. –Sussurrou.

-E eu sou um Power Ranger. Só não conta pra ninguém. –A imitou em seu gesto.

Pigarreei interrompendo o lindo momento de afeto.

-O Tomo veio?

-Não, ele está na casa da Vicky.

-Certo. Vou levá-la pra casa para que possa guardar suas coisas.

-Já vai colocá-la para ralar? Isso é escravidão, Jared. Pode te processar.

-É uma boa idéia. –Mia sorriu.

-Hey, se não estiver muito cansada quer sair pra tomar alguma coisa mais tarde?

-Pode ser. –Ela lhe sorriu.

E o seu sorriso era adorável. Senti ciúmes por não ter me presenteado com um desses ainda.

-Vou pegar as malas.

Mia saiu e olhei para Shannon.

-Está flertando com ela?

-Está com ciúmes?

-Claro que não.

-Eu confesso que achei e ainda acho loucura trazer uma fã obsessiva para trabalhar conosco, mas... Pode ser proveitoso.

-Ela não é uma fã obsessiva. Muito pelo contrário.

-Alguém está com o ego ferido.

-...

-Relaxa, cara. Eu sei que você não vai se apaixonar por ela.

-...

-Não é?

-Eu não sei.

Shannon me segurou pelo braço.

-Ela tem quantos anos?

-Dezessete.

-Você não é louco de se envolver com uma menor de idade. Eu sei que quer muito descansar e ter uma família, mas ela não pode te dar isso agora. Tem uma vida toda pela frente.

-Eu sei o que estou fazendo.

-Espero que saiba.

Encontramos Mia pegando suas bagagens. Eu a ajudei e depois entramos em um táxi. Shannon saltou perto de uma lanchonete. Ele me surpreendeu, pois a beijou na testa provocando mais ainda o meu ciúme.

-Eu te perguntei tantas coisas, mas esqueci o fundamental. Qual seria o nosso destino. Nova York. Sempre foi meu sonho vir para cá.

Não a respondi, mas ela também não fez questão de me ouvir. Estava encantada demais observando as ruas.

Coloque Forever Love (Digame) – Anna Nalick para tocar.

Chegamos ao meu apartamento. Nossas malas foram levadas para dentro. O cheiro lembrava a mofo, mas segundo Mia:

-Lembra-me livros velhos.

Seus dedos acariciavam as paredes e ela se prendia a pequenos detalhes. Não a interrompi a fim de mostrar seu quarto. A segui e senti um imenso prazer quando terminou por encontrar o meu. Seu olhar saltou para a minha foto impressa na parede. Ela sorriu e negou com a cabeça ainda de costas:

-O cúmulo do egocentrismo.

Caminhou até minha parede de vidro. Tocou as cortinas tendo a vista da cidade. Não havia percebido o quão próximo estava dela e como tinha chegado a pegar uma mecha de seu cabelo.

-Há tantas coisas belas para se deixar impresso. Por que uma foto sua? Ame mais aos outros e não a si próprio. É um desperdício.

-Por que não me deixa te amar?

-Eu nunca seria capaz de correspondê-lo.

O impacto daquela frase quase me fez dobrar os joelhos. Não dera tempo para me reestruturar.

-Me mostre meu quarto.

-É esse.

-O que quer dizer? –Estava confusa.

-Se não é capaz de me amar, aprenderá a me conhecer e parar de me julgar.

-É o preço que tem que pagar.

-É o que estou fazendo.

Soltei seu cabelo e me afastei.

-Agora, sinta-se à vontade para tomar um banho e descansar. Entrarei em contato com algumas pessoas e farei algo para nós comermos.

-... Certo.

Lhe dei as costas e fechei a porta atrás de mim sem olhá-la novamente. Eu a derrubaria ou ela me executaria no final.

Liga a câmera.

Confiança. Cartão de embarque.

Eis o meu início. Sim, meus caros. Acabo de realizar essa conquista por todos nós.

Nesse momento... – Batuca na mesa. – Encontro-me só.

Aliás, minto! –Levanta o dedo indicador no ar, rindo. – Há um amigo que gostaria que conhecessem. – Mexe na câmera, virando-a para uma garrafa de vidro. – Esse é Jack, Jack Daniel’s. — Vira a câmera novamente para si. – Encontrei-a escondida pelos cantos. Eu acho significativamente engraçado e interessante um ser tão naturalista possuir tal. –Segura a lente e arregala os olhos. – Esse é o nosso homem. – Corte.

Apóia o cotovelo na mesa e o queixo sobre a mão. – Bem, espero que me aturem, pois serei sua única fonte útil da verdade. Não me desperdicem. – Sorri. –Até, mais soldados.

Desliga.

Notas finais
Reviews?
Até domingo acredito que farei mais uma atualização.
Na semana que vem, meus testes começam e não tenho certeza se atualizarei mais de uma vez.
Mas é certo que por semana teremos 2 capítulos.Espero que não me matem. =P
Até mais, minha gente.
Beijoletos.

P.S.: Erros ortográficos, já sabem! Me falem.