Sensations

5 Osculum.


Notas iniciais
Quem quer me matar levanta a mão. \o Vou ser sincera. Andei um tantinho ocupada nesses últimos tempos e MUITO cansada. Gente, eu estou com um sono incontrolável. E bem, sim. Andei sem saber o que fazer na fic pq tive muitas ideias. O capítulo ficou grande para compensar a espera. Acredito que postarei mais alguma coisa até domingo, mas não prometo. So, boa leitura.

Entrei em sua casa confiante. Olhei lentamente os elementos que se encontravam dentro dela. Sem dúvidas um lugar acolhedor do qual eu não teria pressa em sair. A meia-luz criava um ambiente centrado indicado para reflexões. Em uma mesa de canto, fotografias espalhadas. Um casal jovem que se abraçava, um menino brincando na areia da praia... Uma pequena com maquiagem de palhacinho.

Sorri.

-Eu sugiro que se apresse. –Me disse ela se encaminhando para mim. –Meus pais chegam dentre de uma hora e com certeza não vão gostar de ver um homem comigo aqui.

-Bem... Dependendo das circunstâncias, é necessário que eu os conheça.

-Meus pais não compactuam com tráfico de menores.

Lhe dei um meio sorriso.

-Sempre assim?

-Sempre assim o que? –Encarou-me cruzando os braços.

-Uma jogadora? Está sempre a postos pra começar uma luta.

-É o que os soldados fazem, certo?

Não consegui evitar o sorriso.

-Fascinante.

-E então? O que deseja de mim?

-Simples. Eu venho acompanhando seus trabalhos há algum tempo e devo lhe advertir que eu acho absolutamente fantástico.

-Obrigada pela parte que me toca, mas seja direto. O que quer de mim?

-Não gosta de elogios?

-Não gosto de perder tempo.

-... Certo. –Imitei seu gesto e também cruzei meus braços. –É assim que quer ser tratada?

-Tempo é dinheiro. É bom me acostumar com o mundo dos negócios.

-Apenas cuidado. É uma artista realmente muito boa... –Dei-lhe as costas a fim de encarar as fotos novamente, mas cedi ao impulso e voltei-me a ela. –Você consegue perceber a dimensão da sua arte?

-... Não. Nunca ninguém percebeu, por que deveria agora?

-Como pode falar isso?! Deus, você é tão nova, tem tanta coisa pra viver.

-Nem todos conseguem se alimentar só de arte, Jared. É necessário mais do isso. É necessário sorte e isso eu não tenho.

Fiquei na sua frente, olhei em seus olhos. Ela era forte demais, pois me encarava com a mesma audácia com que fizera os vídeos.

-Por que fez esses vídeos?

-Eu me sentia sozinha e no fundo eu acreditava que isso fosse chegar a alguém. Eu não quero ser reconhecida, mas também não quero que outros artistas se percam como eu fiz. Me descobri tarde demais e não tenho mais como voltar atrás.

-Eu estou aqui.

Ela sorriu.

-Não acredito em contos de fadas.

-Todo artista acredita um pouco em contos de fadas. Pare de se reprimir tanto. Está se matando.

-Olha, eu te agradeço muito...

A interrompi colocando um dedo sobre seus lábios.

-Eu não fiz nada ainda... Ainda.

Lhe dei as costas.

-Quantos anos tem?

-Dezessete.

-Ótimo. Terminando o colegial?

-Deveria estar, mas repeti um ano.

-Ok. Vamos ao ponto. Quero que trabalhe comigo.

Ela riu incrédula.

-Eu gostei bastante desse seu documentário em forma de diário. E penso que poderia continuar com ele a fim de retratar o dia-a-dia da banda e o seu dia pessoal.

-Como um reality?

-Algo mais pessoal. Que se focasse nos seus sentimentos.

-E como sugere isso?

-Você viaja comigo em turnês e cuida da agenda da banda e a minha pessoal.

-Não é a Emma que faz isso?

-Ela está grávida. Lhe dará as coordenadas e você assumirá o seu lugar.

-Isso daria um ótimo filme.

-O que?

-Isso daria um roteiro de um filme. A fã que conhece o ídolo que lhe promete mundos. Oh!

-É claro que... Vou arcar com seus estudos e suas necessidades pessoais.

-E se eu não quiser tudo isso?

-Bem, eu posso te processar por direitos autorais, pois é da minha vida e do meu trabalho que está retratando.

-É uma ameaça?

-Uma condição.

Ficamos em silêncio.

-Por que?

-... Eu posso estar na frente da maior artista que já conheci e que talvez o mundo já deu a luz. Eu nunca iria me perdoar se te deixasse escapar.

Seu olhar me dizia que estava desarmada. Finalmente conseguira lhe tocar intimamente.

A porta havia sido aberta.

-Chegamos. –Uma mulher encarava a mim com algumas sacolas na mão. –Não avisou que tinha visitas, filha.

-Mãe, esse é o Jared.

-Haha, Jared Leto? –Rindo irônica, voltou-se a sala para me cumprimentar. Mas ao aumentar a luz, sua expressão mudara para surpresa. –Oh, meu Deus.

-Ele viu os meus vídeos na internet. Aqueles que você disponibilizou.

-... E...

-Poderia conversar com você? –Será que entendia inglês?

-Falo pouco inglês. –Me respondeu.

-Então a Mia não se importaria em traduzir. –A olhei e vi que estava impaciente.

-... Claro.

Por intermédio de Mia, expliquei a situação para sua mãe. Ela me ouviu atentamente e durante alguns momentos, afagava a filha como se a parabenizasse. Quando chegamos ao assunto do emprego, se mostrou firme. Era natural que se preocupasse com os princípios dela. No fim, terminou por concordar. Disse que o pai chegaria em breve do trabalho e conversaria sobre, mas acreditou que ele não se oporia.

-E quando pretende levá-la?

-Isso só depende dela.

-Então, Mia. Pode ir quando quiser. Claro que vou morrer de saudades, mas se a vida está lhe dando isso... Quem sou eu pra impedir?

-Na verdade... Ela não me respondeu ainda se quer trabalhar comigo.

Mia permanecera em silêncio.

-E é claro que poderia levar alguém da família, caso se sinta desconfortável.

-Ah não. Ela irá sozinha, tem de aprender a se virar. -Sorriu ao falar.

Mia me olhava agora me analisando.

-Não me decepcione, Jared.

-Nunca.

-Isso é um sim?

-... É, mãe. É um sim.

A mãe lhe abraçara. Mia, apesar de se conter, sorria um pouco. Era só uma armadura para não se machucar. Eu não iria machucá-la, mas queria que se entregasse a mim de corpo... E alma.

Outra vez a porta fora aberta e um homem nos olhava. O pai.

-Oi, amor. Temos visita. Você não vai acreditar! Mas antes, colocarei a mesa. Jared, aceita jantar conosco?

-Será um prazer. –Lhe sorri.

-Por que não mostra nossa casa enquanto isso, Mia?

-Será bem... Divertido.

Ela havia me mostrado todos os cômodos. Chegamos a seu quarto e me senti aliviado por não encontrar pôsteres colados na parede.

-Bonito quarto.

-Parabéns. Mais uma conquista.

Me sentei em sua cadeira giratória e coloquei os óculos escuros que se encontravam em cima da sua escrivaninha.

-Obrigado. Mas os meus desejos mais profundos estão um pouco distantes nesse momento. Quando conseguir, te aviso para que possamos comemorar.

-Combinado.

-Quando descobriu que era uma artista?

-Desde pequena, só não aceitava. Minha mãe era bailarina e isso me influenciou.

-Tem jeito de autodidata.

-Sou.

-Sabe... –Me inclinei para frente. –Quando te vi no vídeo, acreditei que tivesse uns 13 anos.

Ela sorriu e isso me arrepiou. O primeiro sorriso instantâneo que eu havia lhe proporcionado.

-Todo mundo fala isso. Já me deram 11 uma vez.

-Quem te falou? Uma criança? Seu corpo não é de uma pessoa de 11 anos.

-...

-Desculpe.

-Você não tinha um show hoje?

-Cancelei.

-Se você continuar assim, vou ficar arrogante.

-Ficar?

Ela me olhou com uma mistura de riso e repreensão. Levantei e me aproximei.

-Tenho pena dos caras que gostam de você.

-Poupe suas condolências. Não há caras que gostam de mim.

-Você deve ser cega, então.

-Devo admitir que não saiba quando alguém gosta de mim, mas sei que não tem ninguém.

-Eu acho difícil acreditar.

Acariciei seu rosto.

-Você é tão bonita, Mia. Mas tão insegura...

-Eu sou uma adolescente. –Disse me tirando os óculos e jogando-os na cama.

-Será? Acho que é uma adulta disfarçada.

Um riso. Estávamos avançando.

-Prefiro falar com as pessoas sem óculos. Óculos são refúgios da alma.

-De todas as mulheres que já passaram na minha vida, você é a mais intrigante.

-Fico feliz em saber...

Não deixei que terminasse. Meus lábios já estavam colados nos dela. Um beijo simples, mas que fez toda a diferença. Ela me olhou e podia jurar que pedia por mais. Seus dedos foram até o local. Chegou a se aproximar de mim e estive pronto para dar o que pedisse.

-Se for por isso que quer que eu trabalhe para você é melhor que me deixe em paz.

A maneira tão serena e segura com que falou, fez com que me sentisse um completo idiota. Droga, estava sendo tudo tão rápido demais. Eu a reclamava rápido demais.

QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO COM JARED LETO?!

Amor.

-Me desculpe. Não vai mais se repetir.

-Seremos estritamente profissionais.

-... Claro. Me desculpe mais uma vez.

-É melhor que vá agora.

Concordei com a cabeça olhando para o chão. Se meus olhos parassem novamente em sua boca, não responderia mais por mim.

-Viajaremos em três dias.

-Três dias?

-Algum problema? –Peguei novamente seus óculos e o coloquei.

-Não é muito cedo? Preciso acertar os detalhes de matrículas escolares...

-Até amanhã tudo estará resolvido. Não se preocupe.

-E o visto da passagem? Não tenho passaporte.

-Conheço algumas pessoas da embaixada. As coisas serão agilizadas.

-... Certo.

-Tudo bem?

-Sim. Irei me despedir de meus amigos amanhã.

-Ok. Nos vemos amanhã para retirar seus documentos.

-Uhum.

-Então... Até.

-Até.

Fui até a porta.

-Jared.

-Sim.

-Meus óculos.

-São o refúgio da alma. É o que eu preciso nesse instante. Agradeça sua mãe pelo convite do jantar e peça-lhe pra repassá-lo para amanhã.

-Sim, senhor.

Dessa maneira, saí sorrindo e deixando-a... Por enquanto.

Notas finais
Reviews? Peço novamente para que por favor, ajudem-me a divulgar a fic. Ninguém vai perder a mão, certo? ;) Ah, qualquer erro de ortografia, me falem. Beijoletos.