Sensations
13 Liber.
Notas iniciais
Mais um capítulo dessa emocionante história. Pra hoje, a mesma sugestão de música do capítulo passado. Vejam como uma continuação da cena passada.
A música é:
1 - Romeo & Juliet (Aimer) por Andre Rieu.
Link direto:
http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/andre-rieu/romeo-e-juliet-aimer/2401453
Tenho novidades e falo com vocês lá embaixo.
Divirtam-se. ;)
Coloque Romeo & Juliet (Aimer) para tocar.
Não se assuste, amor. É tudo por ti.
Sua vida está em minhas mãos e tenho prazer em lhe proporcionar bem-estar.
Eu prometi que nenhum homem mais a tocaria.
Nunca mais vai acontecer.
Nunca.
Apoiei sua cabeça a meu ombro.
Liberte-se.
A valsa conduzia-nos. A brisa era leve. Nossos olhos se fecharam instantaneamente e tudo o que podíamos presenciar eram reminiscências de tempos de luz.
Um vestido esvoaçante. Um murmúrio desejado por anos.
Eu finalmente tinha encontrado tua alma, querida.
Oh, Deus! Faça com que esta última chance seja permanentemente eterna. Mantenha-a nos meus braços através do infinito.
Rasgue minha pele. Dê-lhe asas.
Ser puro e frágil.
Mas nunca a tire de mim.
É a única que pode me oferecer felicidade e retirar-me das trevas.
Salvai-me.
Condenou-se.
Permita que meu egoísmo em possuí-la seja meu pecado mortal.
Jogue-me no inferno, se necessário.
Mas nunca a tire de mim.
Amor.
Mia.
As luzes se apagam.
-O que faz aqui?
Ainda sentia seu corpo contornando o meu. Estávamos no meio do número quando as luzes faltaram, mas em nada isso me salvaria da minha explicação.
-Mia, eu... Sou o seu par.
-O que está dizendo?! Me enganou o tempo todo? Como pode querer se tornar um bailarino de uma hora para outra? Isso não existe!
-Fale baixo. Não podem nos ver, mas podem nos ouvir. Vamos para o camarim e te explicarei tudo.
-Não vou a lugar nenhum com você. Deixe de ser ridículo. Tire essa roupa, que ela não te pertence. São os meus sonhos, não os seus!
Deixou-me batendo os pés. O som era ainda mais audível por causa das sapatilhas de ponta. Segui-a.
-Quinze minutos para a volta das luzes. –Gritou um auxiliar ao passar por mim.
Mia entrou no camarim e segurei a porta antes que a fechasse.
-Saia daqui.
-Vai me ouvir. –Tranquei-nos. –Eu fiquei preocupado com todos os seus ensaios e o tempo de duração. Achei que outro homem não teria tanto cuidado para te tocar enquanto dança.
-E achou que se tornando bailarino em dias iria resolver o problema.
-Não tinha outra opção.
-Não seja hipócrita. Fez isso tudo por causa de Mikhail.
-E qual o problema? Você é minha, estou protegendo o que me pertence.
-Não sou a porra da sua propriedade. –Ironizou retocando a maquiagem.
-Abaixe o seu tom comigo. –Fitei-lhe pelo espelho.
-Vai me obrigar, papai?
Caminhei até ela, tirei o que havia em sua mão e joguei longe.
-Menina mimada! Não consegue perceber que fiz tudo isso por você? Que eu treinei exatamente a mesma carga horária que faz todos os dias para aprender a merda dessa dança pra estar contigo?
Um tapa.
-... Nunca mais chame o meu trabalho de merda. A única merda aqui é você.
Um revide.
-Nunca mais bata no meu rosto, garota.
Seu rosto continuou virado. Ela o segurou e lentamente me encarou com olhos úmidos.
-... Me pagará por isso.
O que eu tinha feito?
-Mia, me desculpe.
Cuspiu em mim.
-Eu tenho nojo de você. Não sei como pude ter sido tão idiota de ter aceitado participar de toda essa sujeira em que vive sempre exposto.
-Mia, por favor. Eu perdi a cabeça, me desculpe.
-Quer saber? É um grande mentiroso. Não é um grande artista, Jared. Apenas um alpinista social. Nunca seria capaz de se manter no topo.
-Eu estou no topo.
-Graças a mim. –Se aproximou de mim e tivemos os rostos muito perto. –Farsa.
Inspirei profundamente. Seu olhar era desafiante. Perdi-me nele. O fascínio que ela me exercia era irreversível.
-Aos solistas, preparem-se. –O mesmo auxiliar de antes nos chamou.
-Vamos? –Ofereceu-me a mão.
Aceitei-a com o mesmo tom.
Encontramos com Mikhail entre as coxias. Soltou-me e fora confabular com o seu “mestre”.
-Essa falha quanto à luz custará caro para o Teatro. –Resmungou.
-Quase me esqueci de te agradecer pela surpresa de meu marido. –Disse venenosa.
-Não perca seu tempo me agradecendo. O faz à pessoa errada. Fui contra desde o início. Pode tornar o ballet um conto para piadas.
Mia dirigiu a Mikhail um olhar puro, mas não silencioso.
Tudo aconteceu muito rápido. Quando dei por mim, os lábios mais doces que já havia tocado, estavam sobre a chama de outrem.
Já entrava no palco. Um empurrão me fez acordar.
Eu lembro de que uma vez me disseram que o show deveria continuar... Mas quem disse isso alguma vez viu o amor de sua vida dedicando seu afeto a outro?
Lâmina flamejante rasgava as minhas entranhas.
Tudo o que eu fazia era pra lhe ter feliz.
Podia compreender?
Durante toda a encenação, a moça que vi dançar foi aquela que desejei ao fim dos atos.
Era linda.
Era um anjo.
Era a minha vida.
Morreu por mim em cena, mas seria capaz de fazê-lo em vida?
Que pensamento cruel e insano!
Jamais desejaria algo mau, mas apenas ter conhecimento do que se passa dentro daquele peito me faria mais tranqüilo.
Eu só desejaria a tua morte se prometesse a outro homem o amor que pertence a mim.
-Quantas vezes, no ponto de morrer, ledos se mostram os homens? É o clarão da despedida, dizem quantos o doente está velando. Oh! Poderei chamar clarão a esta hora? Ó meu amor! Querida esposa! A morte que sugou todo o mel de teu doce hálito poder não teve em tua formosura. Não; conquistada ainda não foste; a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso o pálido pendão da morte. Tebaldo, jazes num lençol de sangue? Oh! Que maior favor fazer-te posso do que com esta mesma mão que a tua mocidade cortou, destruir, agora, também, a do que foi teu inimigo? Primo, perdoa-me. Ah! Querida esposa, por que ainda és tão formosa? Pensar devo que a morte insubstancial se apaixonasse de ti e que esse monstro magro e horrível para amante nas trevas te conserve? Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui desejo permanecer, com os vermes, teus serventes. Aqui, sim, aqui mesmo fixar, quero meu eterno repouso, e desta carne lassa do mundo sacudir o jugo das estrelas funestas. Olhos, vede mais uma vez; é a última. Um abraço permiti-vos também, ó braços! Lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selem este contrato sempiterno com a morte exorbitante. Vem, condutor amargo! Vem, meu guia de gosto repugnante! Ó tu, piloto desesperado! Lança de um só golpe contra a rocha escarpada teu barquinho tão cansado da viagem trabalhosa. Eis para meu amor. -Bebe. -Ó boticário veraz e honesto! Tua droga é rápida. Deste modo, com um beijo, deixo a vida.
Desperta. Ela ainda possuía vida. Meu coração estava acalentado.
-Que vejo aqui? Um copo bem fechado na mão de meu amor? Certo: veneno foi seu fim prematuro. Oh! Que sovina! Bebeste tudo, sem que me deixasses uma só gota amiga, para alivio. Vou beijar esses lábios; é possível que algum veneno ainda se ache neles, para me dar alento e dar a morte. -Beija-me. -Teus lábios estão quentes. Ouço barulho. Preciso andar depressa. Oh! Sê bem-vindo, punhal! -Apodera-se de meu punhal. -Tua bainha é aqui. Repousa ai bem quieto e deixa-me morrer.
Seu corpo novamente está comigo.
Pelo infinito e além.
Fomos presenteados com palmas e elogios. Mia rapidamente se desviou de mim. Encontrei-a enxugando lágrimas novamente em seu vestiário.
-Deve bater antes de entrar. –Disse tentando se recompuser rapidamente.
-Parabéns, minha querida.
-Não deve me parabenizar. Você foi a grande surpresa da noite.
-As luzes só se sentiam atraídas pela tua beleza.
-Deixei a Julieta no palco, meu caro. Não estou certa sobre ouvir o Romeu ainda.
-Pare de me tratar mal.
Expirou olhando para baixo.
-... Me desculpe. Só estou cansada.
-Quero que saiba que não fiz isso para minha publicidade. Fiz por que a amo e por que quero estar com você em todos os momentos.
-Me sufoca.
-Tenho noção, mas é mais forte do que eu. Meu ciúmes me domina e não sei como lidar com tal.
-Ah, Jared. –Sorriu melancólica. –Estou exausta. Não sei se posso suportar. Modifica-se conforme passam os dias e sempre preciso aprender a amar um alguém novo.
-Tem certeza de que não está falando de si própria? Sou o mesmo sempre, meu amor.
Dessa vez seu sorriso tinha mais humor.
-Perdoe-me, meu bem. Mal sinto meu corpo. Talvez minha boca esteja anestesiada e não me dou conta das palavras que saem dela. –Levantou-se mostrando dor.
A acudi rapidamente, segurando-a.
-Não se preocupe.
-Apóie em mim.
-Estou pesada. Acabaria jogando-me por inteira.
Peguei-a no colo.
-Ah não, meu amor. –Suplicou.
-Poupe-se, vida. Encoste tua cabeça em meu ombro e durma.
Mia obedeceu-me sem mais pestanejar. Saí do teatro com a mesma roupa da atuação diante da surpresa, preocupação e admiração de todos. O último olhar que notei fora o de Mikhail invejando-me.
Mesmo com o meu carro estacionado, dei preferência a um táxi. Não quis deixar deixá-la por um segundo.
Chegando em casa, senti que ela suava, mas tinha as mãos frias. Seu corpo se contorcia um pouco. Deitei-a e contemplei por alguns instantes seu semblante desprotegido. Beijei sua testa e senti-a quente.
-Está com febre.
Meu desespero foi tremendo. Liguei para um médico da família com urgência. Este não demorou a chegar.
-Não se preocupe, Jared. É normal que ela esteja com febre. Se consegue notar, seus seios estão inchados. O leite deve estar empedrado pelo frio, o que ocasiona essa reação.
-O que fazer então?
-Dê-lhe banho quente e atente-se a região do colo. Logo o líquido sairá e ficará melhor.
-... Certo.
-Se não houver melhora, estarei disponível a qualquer momento.
-Obrigado.
Após a ida do médico, acordei-lhe.
-Acorde, pequena. Tem febre e precisa de um banho.
-Estou fedendo? –Sorriu preguiçosamente.
Contagiei-me também.
-Não fede. Apenas exala mau cheiro.
-Sinto-me lisonjeada.
-Um médico veio aqui agora pouco e disse que o leite pode estar empedrado.
-Minha mãe teve o mesmo problema.
-Me alivia saber que não é nada grave.
-Está traumatizado com Romeu e Julieta. Já disse que não te deixarei, bonitão. -Acariciou meu rosto. –Me ajude a levantar.
-Vou te ajudar no banho.
-Ficarei honrada.
Banhei-lhe com cuidado. Durante a maior parte do tempo deixou sua cabeça encostada em meu ombro. Vi que não tinha forças para segurar um sabonete, o que me espantou, pois durante todo o Ballet esteve perfeita.
Logo, o leite começou a escorrer. Mia notou o meu olhar e riu.
-Assustado?
-Extasiado e... Excitado.
-Faça amor comigo.
-Está fraca. É melhor descansar.
Seus joelhos fraquejaram. Segurei seu corpo. Com paciência enxuguei-a e tive dó dos ferimentos que encontrei em seus pés. Levei-a até a cama ainda nua e fiz rápidos curativos.
-Cuida de mim tão bem e te trato como qualquer. Não mereço seu carinho.
-Tenho o que mereço. Escolhi-te como minha mulher, independente de como me recebe.
-Prometo te ser a melhor esposa.
Sorri.
-Gosto do teu jeito, víbora.
-É sério, Jared. Não quero te tratar mal.
-Esqueça isso. Durma agora.
-Faça amor comigo primeiro.
-Mia...
-Faça. –Contorceu sua coluna como se para oferecer. –Estou fervendo.
Tomei sua boca. Deslizei suavemente meus dedos pelo resto de seu corpo. Por mais que a desejasse intensamente, decidi poupá-la de algum esforço. Ela se abriu para mim receptiva e suculenta. Era uma tortura ter de me controlar.
Beijei seu ventre, demorando-me mais nele. Os arfares dela me fizeram voltar a ter os seus lábios. Estimulei sua suavidade. Respondia-me se movimentando sua cabeça lentamente entre os lençóis. Sem mais suportar, penetrei-a. Estoquei no início lento para degustá-la. Apertou-me para que atendesse a sua necessidade de chegar às estrelas em um futuro próximo.
Liberação.
-Eu te amo.
O último orgasmo ainda me arrepiava, mas o modo como me confidenciou aquilo me presenteou com outro. Entrei ainda mais dentro dela, obrigando-a a soltar mais um grito de êxtase.
Olhamos-nos durante um bom tempo. Seu rosto ainda se mostrava retorcido pelo prazer.
-Já vais partir? O dia ainda está longe. Não foi a cotovia, mas apenas o rouxinol que o fundo amedrontado do ouvido te feriu. Todas as noites ele canta nos galhos da romeira. É o rouxinol, amor; crê no que eu digo. –Passou os dedos pelos meus lábios.
-É a cotovia, o arauto da manhã; não foi o rouxinol. Olha, querida, para aquelas estrias invejosas que cortam pelas nuvens do nascente. As candeias da noite se apagaram; sobre a ponta dos pés o alegre dia se põe, no pico das montanhas úmidas. Ou parto, e vivo, ou morrerei, ficando. –Beijei sua mão.
-Não é do dia aquela claridade, podes acreditar-me. É algum meteoro que o sol exala, para que te sirva de tocheiro esta noite e te ilumine no caminho de Mântua. Assim, espera. Não precisas partir assim tão cedo. –Estava a suplicar.
-Que importa que me prendam, que me matem? Serei feliz, assim, se assim o quiseres. Direi que aquele ponto acinzentado não é o olho do dia, mas o pálido reflexo do diadema da alta Cíntia, e também que não foi a cotovia, cujas notas a abóbada celeste tão longe ferem sobre nossas frontes. Ficar é para mim grande ventura; partir é dor. Vem logo, morte dura! Julieta quer assim. Não, não é dia. –Fora a minha vez de acariciar seu rosto com a ponta de meu nariz.
De repente, pareceu assustada.
-É dia; foge! A noite se abrevia. Depressa! É a cotovia, sim, que canta desafinada e rouca, discordantes modulações forçando e insuportáveis. Dizem que ela é só fonte de harmonia; não é assim, pois ora nos divide. Há quem diga que o sapo e a cotovia mudam os olhos. Oh! Quisera agora que ambos a voz também trocado houvesse, pois ela nos separa e, assim tão cedo, como grito de caça mete medo. Oh vai! A luz aumenta a cada instante.
-A luz? A escuridão apavorante. –Tentei tranqüilizá-la.
-Então, janela, que o dia entre no quarto e a vida fuja.
-Adeus, adeus! Um beijo, e desço logo. –Retirei-me dela e levantei.
Ela se sentou na cama preocupada.
-Já foste? Meu senhor! Amor! Amigo! Notícias quero ter todas as horas, porque um minuto encerra muitos dias. Fazendo a conta assim, ficarei velha antes de ver de novo o meu Romeu.
-Adeus. Não deixarei passar um só momento sem te mandar contar o meu tormento. –Beijei-lhe a testa.
-Oh! Pensas mesmo que ainda nos veremos? –Mostrou-se tão atônita que me esfaqueei por dentro por seguir tão corretamente as falas.
-Não o duvides; todas estas dores nos servirão ainda unicamente para doces deixar nossos colóquios.
-Oh Deus! Um coração tenho agourento. Vendo-te assim, tão longe, só parece que estás sem vida, dentro de um sepulcro. Ou vejo mal, ou estás, realmente, pálido. –Algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto.
-Podes crer-me, querida; de igual modo tu me pareces. A aflição sedenta nos bebe todo o sangue. Adeus! Adeus! –Simulei minha saída pela porta do quarto. Ouvi-lhe ainda sussurrar as últimas palavras.
-Ó fortuna! Fortuna! Os homens todos de inconstante te chamam. Se inconstante fores, mesmo, que tens a ver com ele, pela fidelidade tão famoso? Sê inconstante, fortuna, pois espero que em vez de o seqüestrares muito tempo, logo o farás voltar.
Olhava para o lado com a mão no peito. Quando terminou a última frase, percebeu ser observada por mim.
-É a Julieta mais bonita de todos os tempos.
-É suspeito para falar.
-Digo a verdade. É uma ótima atriz.
-Não estou atuando.
Fiquei sem ter como responder.
-Te amo de verdade.
As palavras não saíam!
-Mas entendo o que quis dizer. Obrigada. –Sorriu cândida.
Alívio.
-Ligue para a entrega em domicílio. Tenho fome.
-Mulher minha não come comida pronta. Vou fazer alguma coisa.
-Adoro sua comida.
-Mentirosa.
-É verdade! Eu prefiro o yakissoba do Tomo, mas eu sou mais a sua.
-Se não estivesse grávida, eu te fazia passar fome.
-Que menino maldoso. –Jogou-me um travesseiro.
-Agora sou menino?
-Ou que velhinho travesso.
-Tá, agora você pegou pesado. –Joguei-me em cima dela.
-A comida! –Disse rindo.
Mais tarde, enquanto comíamos a campainha tocou. Bufei.
-Vai ficar tocando.
-Eu atendo.
Segurei sua perna.
-Não mesmo.
-Pode ser alguém da companhia.
-... Tudo bem. –Levantei.
Passei a mão pelos cabelos impaciente e abri a porta sem ao menos olhar pelo olho mágico.
-O que foi?
-Oi pra você também, irmãozinho.
-Diga logo o que quer.
Seus olhos pareciam ver através de mim.
-Mia.
-Shan, é você?
-Sim, chatinha. –Entrou esbarrando em mim. –Me assustou te ver sendo carregada. O que aconteceu?
-Exaustão. Já estou melhor, bolinha. Fique tranqüilo.
Shannon a abraçou.
-Nunca mais me assuste assim.
-É bom pra testar seus reflexos. –Acariciou seu queixo. –Como estive dançando?
-Linda como sempre.
-E o seu irmão?
-Me lembrou muito aquele filme que eu adoro... Lembrei! Bambi.
Mia bateu no braço de Shannon.
-Tem certeza que estava com exaustão?
-Idiota. Come conosco?
-Na verdade seria uma boa. Se não se importa, Jared, chamei os caras para virem também.
-A Mia deve descansar.
-Será ótimo recebê-los. –Me ignorou.
-Mia.
-Não estou doente. E além do mais, ficarei sentadinha conversando. –Piscou.
-Vou encomendar umas pizzas.
-Frango e catupiry para mim. –Disse Mia sorrindo.
-Sempre.
Derrotado, sentei-me ao lado dela.
Os caras chegaram e mimaram Mia de todas as formas possíveis. Seja tocando ou cortando os pedaços da pizza para ela. Em todo o momento mantive meus braços em seu entorno. Pensei que fosse protestar, mas sempre se aconchegava um pouco mais a meu peito.
Quando todos foram embora, trocou carinhosos gestos com Shannon. Tive vontade de arrancá-la de cima dele, mas me contive. Logo ele se foi. Ela disse que tomaria mais um banho, pois suava.
Estava deitado quando chegou vestida em uma linda camisola perolada de seda. O telefone tocou.
-Eu atendo. –Pegou o celular. –Alô. –Pausa. –Sim, é ela. –Seu sorriso se desvaneceu. –Estou indo para aí agora. –Desligou e pôs-se a correr.
-O que está acontecendo, Mia?
-Mikhail sofreu um acidente.
-E por que você deve ir?
Me olhou confusa.
-Jared, eu sou a pessoa mais próxima dele nesse momento.
-Por quê? Por que tiveram um caso?
Sua expressão se tornou dura.
-Me ofende ao falar assim.
-Me desculpe, mas não concordo que saia correndo agora para visitar alguém a qual você mesma diz que a relação é apenas estritamente profissional. Há poucas horas esteve com quarenta graus de febre.
-Como consegue ser tão insensível? É um ser humano.
-Ele tem família e amigos. Cuidarão dele.
-Me necessita lá.
-Chega! –Aumentei minha voz.
Se assustou.
-Te reteve durante a maior parte dos dias nos ensaios de Giselle e Romeu & Julieta. Não deixarei que se desgaste novamente. Carrega um filho meu e ficará descansando.
-... Se for o que quer, meu amo.
Pegou um travesseiro e a coberta.
-Aonde vai?
-Os escravos não dormem na mesma cama que seus patrões.
-Não seja infantil, Mia.
Deu-me as costas. Vi que se ajeitava para dormir no sofá. Sabia que se protestasse agora íamos brigar. Deixei-lhe. A traria de volta no meio da noite.
Como o prometido. Trouxe-a de volta sem que percebesse.
No dia seguinte, acordei antes. Ia preparar o café quando resolvi lhe pregar uma peça. Subi no tecido que ela havia colocado preso ao teto e depois fui para o trapézio. Puxei o tecido para que não percebesse que estava em cima. Mia sempre acordava tarde, mas no mesmo horário. Perceberia minha falta e a ausência de notícias.
-Jared? –Pude ouvir do quarto.
Bingo.
Ela estava abaixo de mim. Segurei meu riso. Estava desesperada.
-Jared! –Dessa vez chorava.
Mantive silêncio por mais algum tempo, até perceber que estava perto de perder o controle.
-Ah, minha querida. Pensei que fosse mais observadora. Por que não experimenta olhar para cima?
Ela obedeceu a meu comando, mas o modo como me viu me assustou.
-Estou sangrando. –Mostrou-me nervosa a mão cheia de sangue.
Notas finais
Antes de tudo vou confessar que fiquei um pouco chateada com o número de reviews recebidas no capítulo passado. Não quero ser exigente, mas eu acabo ficando um pouco insegura quando eu vejo que algumas pessoas que sempre comentam deixam de dar o seu parecer sobre o capítulo.
Enfim, é só dar um Oi, dizer que tá vivo e falar: -Continua aê, mano. Tá legal sua história!
Ou: -Tá uma bosta. Pode parando!
É isso. Não é um esporro, só um desabafo. (Cs sabem que eu amo todos vocês =P)
Bem, vamos as novidades. Sensations será promovida agora pelo site http://www.30echelonstm.com/. E eu estou muito feliz por isso.
Como sabem, a minha ideia é que essa Fanfic se torne conhecida. Por isso, se tiverem sites bem legais que falem sobre 30 STM e achem que tem potencial para divulgar a série, me avisem.
Outra novidade, Sensations será traduzida também para o inglês com intuito de chegar aos fãs do mundo inteiro. (Sim, eu penso grande.)
Legal, não?
Bem, por enquanto é isso. O Blog das escritoras tá ainda meio difícil de sair, mas se Deus quiser vai dar tudo certo.
See ya, everybody.
Beijoletos. ;)
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