Sensations

12 Gressus.


Notas iniciais
Pessoinhas do meu Heart In A Cage! Como estão?
Sim, vamos a mais um capítulo desta saga. Surpresas para vir e revelações também.
Sobre o site da fanfic interativa que estou bolando, ainda não tive tempo para procurar. E bem, o site para autoras brasileiras de fanfics sobre 30 STM já está em andamento. Se tiverem sugestões, aceito de bom grado.
Para hoje, duas sugestões de músicas:
1 - Shout do Tears For Fears.
2 - Romeo & Juliet por Andre Rieu.
Links diretos:
http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/tears-for-fears/shout/2486739
http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/andre-rieu/romeo-e-juliet-aimer/2401453
Divirtam-se. o/

Ao virar para me ajeitar na cama, encontrei Mia sentada com seus joelhos juntos a seu peito. Parecia assustada.

-Está acontecendo alguma coisa? –Perguntei me sentando também.

-Não, não. –Pausou e seus olhos se dirigiam a todos os lugares. –Não...

-Tem certeza? –Passei os dedos pelos seus cabelos.

Fixou seus olhos em mim. Quase não piscava.

-Eu estou me sentindo estranha. –Se aproximou ainda me olhando. –Eu, eu... Tenho várias vontades, várias sensações. Quero tanta coisa, desejo tanta coisa. –Ela se mostrava um pouco nervosa e as palavras saíam rapidamente de sua boca.

-Por que não se acalma um pouco e me fala o que quer exatamente?

-Não entenderia. Homens nunca entendem.

-Tem certeza que vamos começar uma guerra dos sexos às três da manhã?

-Não entende. –Levou uma das mãos para enxugar uma lágrima que caia. –É fraco e insuficiente demais para entender. –Levantou.

-Mia, eu realmente não quero brigar com você agora. Me diga o que está acontecendo pelo amor de Deus!

Se virou para mim de braços cruzados fitando o chão.

-Eu quero... –Evitou me olhar.- Um brownie.

-Você quer um brownie?

-Sim, com muita calda de chocolate e sorvete de creme. Com pequenos pedaços de castanha e nozes em cima.

Mordi o lábio. Respirei. Tentei pensar em algo triste, mas... Foi inevitável. Tive uma crise de riso.

-Está vendo?! Disse que não entenderia! –Me olhou furiosa.

-Tudo isso por um brownie.

-Não é um simples brownie. É um brownie especial.

-Ah, Mia. Por que não disse antes? São desejos da gravidez. Poderia ter me acordado e pedido.

-Não quis incomodar.

-Tudo bem. Agora quando quiser algo é só me chamar. –Levantei.

-Aonde vai?

-Buscar seu brownie.

-Não. Eu que devo ir.

-Durma. Te acordarei quando chegar. –Beijei-a e saí do quarto.

Parei. Eu estava de cuecas. Voltei e a vi olhando a vista.

-Meu amor, vá dormir. Precisa descansar.

-É uma linda vista, não?

-Sim, é.

-Mas eu não quero um filho batizado norte-americano.

-E por que não?

-Fiz uma promessa. –Nossos olhos se encontraram novamente.

Dessa vez parecia mais calma e certa daquilo que falava.

-Se incomoda de batizá-lo em Israel?

-Acho arriscado com todas essas guerras.

Me sorriu.

-Não seja tolo, Jared. Há mais riscos aqui do que naquele território.

-Podemos pensar quando estiver mais pra perto?

-Está decidido.

Expirei.

-Sabe... Eu acho fascinante a idéia de ter de te conquistar todos os dias pouco a pouco. É realmente maravilhoso, porém requer paciência e perseverança e eu não sei se terei essas duas disponíveis por muitos anos. Seja complacente, Mia.

-Se não se acha capaz de me ter, me deixe.

-Não foi o que eu quis dizer.

-Mas foi exatamente o que disse. Está dentro de você, não pode se culpar.

-Eu só não te compreendo e acho que se te entendesse pelo menos um pouco, poderia te ajudar.

-Não preciso que ninguém me compreenda. Só me ame tanto quanto eu amo.

-Eu te amo.

-Será? –Me fitou incrédula. — Eu duvido muito. Isso tudo não passa de um êxtase passageiro. Como tudo o que foi na sua vida.

-Como pode saber da minha vida?! Só me conhece há dois meses! –Mal pude perceber que estava gritando.

-Eu te conheço há milênios, Jared! Seu idiota! Busque as respostas, busque...

Ela se contraiu e quase caiu no chão. Sua mão estava no peito.

-Mia, você está bem? –Cheguei para ajudá-la, mas se afastou.

-É tão claro pra mim e não entendo como não pode ser pra você.

-Eu não compreendo.

-... É claro que não. Está tudo diferente agora. Só eu que não percebi.

Tentei tocá-la, mas novamente me repudiou.

-Me deixe sozinha.

-Por favor, Mia.

-Me deixe sozinha. –Seus olhos estavam vermelhos.

Me senti a pior pessoa do mundo. Qual o motivo de eu ter falado tudo aquilo? Poderia ter concordado ou falado para conversar mais tarde, mas não! Ela era tão frágil e... Não acreditava no meu amor. Grande imbecil.

-Vou comprar o brownie.

Coloquei a roupa, mas me prendi a porta do quarto.

-Não vou desistir por mais que me peça. Fomos unidos em um só destino e esse nunca se cumpriu. Meu sangue corre pelas tuas veias assim como o teu nas minhas. O que carrego dentro de mim é eterno e pela última vez há uma missão a ser cumprida. Só quero saiba que eu te amo de verdade. Você é tudo o que eu desejo de mais sagrado. –Parei. Algo se transformava. -Vivamus mille facies, me a te infinita alarum verberans. Iura omnia delicta mea...

-Sed non derelinquat me in aeternum. –Repetimos a uma só voz.

O silêncio reinou entre nós. Mia se levantou da cama e andou até mim quando eu também caminhava até ela. Nos beijamos calorosamente. Encostei-a na parede e a única coisa que podia se ouvir eram as nossas respirações. A camisola que tinha facilmente deslizou para o chão.

Transamos alí mesmo. Na parede. E quanto mais eu alcançava o orgasmo, mais eu queria estar dentro dela, tendo outros e mais outros e mais...

-Você me enlouquece. –Apoiei minha testa sobre seu ombro.

Me beijou demoradamente a cabeça.

-O que me desespera é saber que ainda não é completamente minha.

-Poupe-se, meu bem.

-Não está certo. Sempre tive tudo o que quis.

-Solte-me. Quero me deitar.

-Não. Não quero sair de seu corpo agora.

-Aquiete seu coração. Respire.

-... Me desculpe. Deve ser o sono.

-Vamos dormir.

-E o seu brownie?

-Não quero mais.

Conduziu-me até a cama. Deitamos abraçados e novamente entrelaçamos nossas mãos. Beijei-as e ela me retribuiu com o mesmo gesto aos meus lábios.

-Bom dia, vida.

Seus olhos abriram calmamente. Um leve sorriso apareceu.

-Bom dia.

-É bom encontrá-la na cama.

-Quis agradá-lo por ontem.

-O fez magnificamente. –Beijei-a. –Vamos tomar café?

-Estamos morrendo de fome.

-Já providenciei um café reforçado. –Beijei sua barriga. –Bom dia, pequeno. Como está? –Deitei sobre ela. –Estou ansioso para que chegue.

-Acha que vai ser menino ou menina?

-Menina. Tão linda e geniosa quanto a mãe.

Ela riu.

-Te dará bastante trabalho com os rapazes.

-Rapazes? A primeira coisa que vou fazer é colocá-la num convento.

Me bateu no ombro, mas consegui segurar seu pulso. Olhei a pequena fragmentação de seu corpo.

-É tão pequeno. Devia guardá-lo para si. Poderiam fazer um grande estrago aqui.

-Meu pulso é resistente.

-É? –Apertei-lhe suavemente para provocá-la algum incômodo.

-Tem uma mente má.

-Todos temos. –Meus olhos pararam sobre seus seios. –Já disse que é linda quando acorda?

Riu.

-Também desejo mais uma vez, amor. Mas dessa vez quero diferente. Quero força e dor. Que me lamba e me chupe aqui. –Deslizou as mãos pelo colo.

Cheguei meu rosto próximo ao seu.

-O que mais?

Fechou os olhos e deu um sorriso ainda mordendo o lábio inferior.

-Quero sentir o maior orgasmo da minha vida. Quero que esse seja o maior orgasmo que eu poderei lembrar em toda a minha vida. E que quando eu procure por outro semelhante debaixo de outro homem nunca o encontre.

-Não fará sexo com outro homem. –Disse impaciente.

-Não seja egoísta. Teve tantas. Devo ter outros.

-Nunca. Pertence a mim. –Puxei-lhe violentamente.

Abriu os olhos.

-Quero que essa seja a melhor transa que já teve. –Abriu as pernas.

Estive para me meter entre elas, mas me deteve.

-Ainda não. Quero me tocar. Aprecie.

Ela se acariciou na minha frente por intermináveis minutos. Se prendeu ao encosto da cama e soltou sôfregos gemidos. Escorria pelos travesseiros enquanto estive a gozar sem ao menos ter sido tocado. Colocou um de seus dedos na boca chupando-o.

-Ofereça-se para mim.

-Não vou aguentar, Mia.

-Faça o que eu digo.

Expus minha ereção a sua frente. Ela passou sua mão lentamente nela e deixei um murmúrio escapar.

-É deliciosa. –Segurou e meteu-a na boca.

-Mia! –Segurei-lhe a cabeça.

-Gosta quando eu lambo aqui? –Disse fazendo-o na extremidade de meu pênis.

-Vou gozar.

-Não se reprima, meu querido. –Começou um movimento vai-e-vem.

Deus, ela está me fudendo com a boca!

Gozei. Retirou rapidamente da boca e deixou que espirrasse entre seus seios.

-Jesus...

-Não acabamos.

Me empurrou e se pôs em cima de mim.

-Tome o seu líquido.

Ignorei-lhe. Mordi seu pescoço o que a fez arfar. E eu já está praticamente ereto de novo.

-Me obedeça.

-O que quer de mim, princesinha? Um escravo?

-Quero que me foda intensamente.

Soltei suas pernas agarradas a meu quadril.

-Fique de costas, querida.

Ela entendeu. Ficou de quatro. Pus suas mãos na cabeceira da cama. Beijei suas costas nuas e mordi por umas duas vezes. Passei meus dedos pelo seu ânus e sussurrei em seu ouvido.

-Ainda vamos explorar aqui algum dia, mas hoje não quero que fique dolorida.

-Devo aplaudi-lo?

Bati forte o suficiente em sua nádega direita para que entendesse quem estava no comando.

-Gostosa.

Me ofereceu a bunda para que a penetrasse. Sem mais aguentar, o fiz.

-Se pudesse a comeria vinte e quatro horas por dia.

-Ah, amor. Eu te desejo tanto.

-Eu também. Todos os momentos do meu dia.

Comecei um movimento lento. Puxei-lhe pelos cabelos e lhe marquei no pescoço com uma chupada.

-Jared.

-Amo ouvir meu nome saindo dos seus lábios.

Virou a cabeça e trocamos um beijo rápido.

Intensifiquei. Passeei minhas mãos pelo seu ventre até seu ponto mais frágil. Gemeu. Voltei aos seios e o apertei imitando minhas estocadas. Em poucos instantes, gememos juntos. Tombei sobre suas costas.

-Onde aprendeu tudo isso?

-Livros eróticos. –Respondeu a meia voz.

Sorri.

-Vamos tomar um banho e depois café.

Mia começou suas aulas de ballet e meu trabalho parecia se intensificar cada vez mais. Passamos a nos ver durante as manhãs, pois ela tinha três horas de aulas escolares particulares e eu a acompanhava, e a noite quando chegávamos de nossas respectivas funções. Na maioria das vezes, se encontrava cansada, mas não me negava uma noite de amor.

Eu sentia sua ausência.

Logo as viagens chegaram e me levaram para mais longe. Os dias iam se transformando em semanas e assim, em meses. Ela não podia se ausentar agora, já que estava cotada para encenar o papel principal do Ballet Giselle. Porém, conciliava ainda a agenda da banda e formação de novos projetos. Tudo era feito por telefone e email. Mia me dava mais ideias sobre clipes e atendi ao seu pedido de produzi-los sem ela. Utilizei-me de outras modelos, deixando Hurricane para a minha esperada atriz.

Era inevitável não ir a festas depois dos shows. Minha publicidade era a minha aparição. Com a falta de minha mulher, outras começaram a se aproximar. No início, foi fácil me controlar, mas o meu peito... Estava vazio. Esse me fez começar a perceber a bebida como um amiga para mágoas.

Uma dose, duas... Nove.

Uma dança. Quatro mãos.

Talvez um beijo não fosse incomodar. Eram só mulheres. Eu amava Mia.

Eu estava fora quando percebi alguém me olhar.

Flashes.

-Porra!

Aquelas bruxas me puxaram. Eu cheguei ao meu hotel. Depois, a última coisa que me lembro é de um sutiã me vendando.

O despertador tocou. Quando eu tinha colocado essa merda pra despertar?

Estava sonolento. Encontrei um bilhete escrito de batom no espelho. Olhei para o perfume que estava mais próximo. Taquei-o contra o meu reflexo.

Era o da Calvin Klein.

Mia.

Corri até o celular. Nenhuma chamada ou mensagem. No meu email, a mesma coisa.

A porta se abriu, por um momento senti um frio na espinha.

-Jared, estamos atrasados. –Disse Shannon colocando a cabeça para dentro.

-Eu já vou.

Outra maldita entrevista. Pelo menos eu estaria de volta para casa amanhã.

Estive aborrecido durante toda a tarde. Tomo chegou a me dizer que estava insuportável. Mandei-lhe tomar no cu.

Durante o intervalo, uma ouvinte pediu uma música.

-Eu gostaria que tocassem Shout do Tears For Fears.

-Uau, essa é bem antiga. Algum motivo em especial? –Perguntou o cara da rádio.

-Condiz com o meu momento atual. E talvez com o vocalista dessa banda também.

Ele me olhou. Eu não tinha entendido. Talvez fosse alguma fã.

Coloque Shout – Tears For Fears para tocar.

Em um minuto, escutamos a porta se abrir escancarada. Fiquei muito assustado, pois estava de costas e poderia ser um assalto. Ao me virar.

-Mia?

Ela subiu na mesa a minha frente. E começou a cantar.

-Shout, shout, let it all out. These are the things I can do without.

Apontou o dedo para mim e me encarou.

-Come on, I'm talking to you, come on.

Estava rebolando em cima da mesa. Todos olhavam assustados, mas também fascinados.

-Shout, shout, let it all out. These are the things I can do without. Come on, I’m talking to you, come on.

Dançava e se alisava promiscuamente na frente dos presentes. Estava com raiva.

-In violent times. You shouldn't have to sell your soul.

Chutou tudo o que estava sobre a mesa. Me protegi por um momento, mas não conseguia tirar meus olhos dela.

-In black and white. They really really ought to know. Those one track minds. That took you for a working boy.

Se abaixou e segurou o meu rosto. Tinha algumas lágrimas escorrendo e me matei por dentro por causá-la isso.

-Kiss them, goodbye. You shouldn't have to jump for joy.

Me empurrou. Continuou dançando só que agora mais intensamente.

-Shout, shout, let it all out. These are the things I can do without. Come on, I'm talking to you, come on.

Todo o tempo me encarava. Meu estômago começava a se revirar.

-They gave you life. And in return you gave them hell.

Segurou a própria camisa e apertou.

-As cold as ice. I hope we live to tell the tale. I hope we live to tell the tale.

Me levantei para pará-la. Recuou.

-Shout, shout, let it all out. These are the things I can do without. Come on, I'm talking to you, come on.

O refrão se repetiu conforme a minha vergonha. Seus passos exprimiam a fúria que tinha.

-And when you've taken down your guard. If I could change your mind.

Parou em minha frente e a forma como me olhou eu nunca mais esqueci. Tinha ódio e uma promessa.

-I'd really love to break your heart. I'd really love to break your heart.

Socou o meu peito. E saiu dançando da sala.

-Mia. –Corri atrás dela.

-Shout, shout, let it all out. These are the things I can do without. Come on, I'm talking to you, come on.

Passava por várias pessoas que a olhavam curiosas e derrubava o que via na frente.

-Shout, shout, let it all out. These are the things I can do without. Come on, I'm talking to you, come on.

Consegui segurá-la e quando estive para perguntar o que significava tudo aquilo, recebi um tapa no rosto.

-Filho da puta.

-Por que fez isso?

Jogou uma revista em cima de mim.

-Fique longe de mim.

Olhei para a publicação. As minhas fotos na noite passada. Olhei-a novamente, mas estava longe. Shannon tinha ido atrás dela.

Quando voltei ao apartamento, não encontrei mais suas coisas por lá. O que eu não havia notado é que Mia tinha se tornado uma celebridade também. Durante as minhas viagens, havia posado para três revistas e sido entrevistada por programas de televisão.

Só havia um lugar onde poderia estar refugiada.

-Onde ela está, Shannon?

-No ensaio.

-Me dá o endereço.

-Baryshnikov’s Arts Center. Não tem como errar.

Saí o mais rápido que pude. Ao chegar, entrei mesmo sem autorização. Encontrei-a numa sala encarando os seus pés, forçando a ponta contra o chão. Estava aparentemente sozinha. Retive-me para admirá-la. Estava tão bonita.

Alguém apareceu e a puxou. Os vi pelo espelho.

-Está muito acostumada com a moleza do seu namoradinho.

-Não meta minha vida pessoal nisso.

-Tem medo de enfrentar a verdade?

Eu o conhecia de algum lugar.

-Grande idiota.

-Já chega.

-Com certeza ele deve estar fudendo outras agora.

-Pare com isso!

-Não consegue enxergar que esse roqueiro de meia tigela não é bom o suficiente pra você.

-E quem é? Você? Você é casado, Mikhail.

Mikhail Baryshnikov. Ela estava ensaiando com Mikhail Baryshnikov. Como não liguei os nomes antes? Esse era o centro de artes dele.

-Já te ofereci minha proteção. Cabe a você aceitá-la. Pode se tornar a melhor, é só querer.

-Isso é prostituição.

-Não seja hipócrita. Quando transamos, gostou do que sentiu.

Nojo.

-Sabe que aquele garoto não é metade do homem que esperava.

-Eu o amo.

Já tinha ouvido tudo o que queria. Voltei à casa de Shannon e recolhi as coisas de Mia mesmo contra a sua vontade. À noite, quando estava no computador ouvi a campainha tocar.

-Mia.

-Quero minhas coisas.

-Entre.

Passou por mim como um furacão. Antes que pudesse alcançar o quarto, segurei-lhe o braço.

-Vamos conversar.

-Não tenho nada pra conversar.

-Isso não diz respeito somente a você. Temos um filho e quero estar presente acompanhando sua gravidez.

Ela bateu palmas.

-Uau, Jared. Como você é um sujeito maravilhoso. Acompanhará minha gravidez se é o que desejar, mas me deixe em paz.

-Mia, você não está entendendo. Como sempre. –Arrastei-lhe com força e joguei-a no sofá. –Prometi a sua mãe que cuidaria de você. E é exatamente o que vou fazer.

-Como quer cuidar de mim? Me traindo?! Acha que ela já não sabe que saiu para uma orgia enquanto eu trabalhava? Estúpido!

-Eu estava bêbado. Pelo que sei, você que não estava quando foi pra cama com Mikhail Baryshnikov.

Seu rosto ficou pálido.

-... Como soube disso?

-Isso não interessa agora. Estamos quites. E por isso, vamos mostrar o belo casal que somos.

-Está louco.

-Casa comigo.

-O que?

-Nós nos amamos. Casa comigo.

-Não quero casar com você.

Um murro no rosto.

-Não?

-Se nós nos casarmos, vamos nos odiar.

-Da onde tirou tal idéia?

-...

-Está apaixonada por aquele cara.

-Claro que não.

-Sim, está. Eu posso ver isso nos seus olhos. Não vou permitir que a tire de mim. Não vou! –Peguei uma jaqueta.

-Jared!

Ela veio atrás de mim. Quando cheguei à porta, me puxou.

-Não pode fazer isso. Eu te amo. Esqueça o Mikhail.

-Por que está zelando tanto por ele? Qual a sua preocupação? Que ele desista de você?!

-... Se confrontá-lo, vai matá-lo.

Um silêncio se instalou entre nós. Estava certa. Se eu o visse na minha frente, o mataria.

-Por favor. Fique aqui. –Sua respiração estava descompassada e seus olhos arregalados.

-Prometa que não irá mais embora.

-Eu prometo.

Abracei-lhe.

-Me perdoa. –Beijei seu pescoço. –Me perdoe por trair sua confiança. Eu fui fraco.

-Nós erramos. Vamos começar de novo, meu bem.

-Faz amor comigo. –Sussurrei.

-Sempre. –Beijou-me.

Mia estreou seu ballet. Estava lindíssima no papel. A crítica a adorou e a apontou como a promessa do século. A única coisa que poderia lamentar era o seu par, Mikhail.

A visitei no camarim. Todos a adulavam e ela retribuía humildemente. Puxei-lhe pela cintura enquanto estava de costas. Riu.

-Te assustei? –Beijei sua orelha.

-Não. Já tinha sentido seu perfume de longe.

-Esteve maravilhosa, meu amor. –Virei-a para mim.

-Que bom que gostou. Vamos ficar duas semanas em cartaz e depois começaremos a encenar Romeu & Julieta.

-Quem será seu par?

Ela sorriu.

-O Mikhail só vai coreografar, se é o que quer saber.

-Ótimo. Podemos sair dessa loucura?

-Na verdade, eu gostaria de encontrar uma pessoa. Pode me esperar lá fora?

-Claro. Não demore. –Beijei sua barriga. –Cuide de sua mãe.

Trocamos um beijo rápido e a deixei... Não necessariamente.

Segui para onde ia. Depois de cumprimentar algumas pessoas que a abordavam, chegou ao seu destino. O camarim de Mikhail. Consegui chegar à porta para ouvir o que era falado.

-Devia ter se poupado. Eu ia visitá-la em seu camarim.

-Tenho pressa. Vim te parabenizar. Esteve muito bem.

Ouvi risos dele.

-Isso é elogio que se diga para o maior bailarino vivo?

-Tenho certeza que a maioria dirá aquilo que merece ouvir. Posso poupá-lo.

-Preparada para Romeu & Julieta?

-Sim.

-Poderá não conseguir encenar. Essa barriga já está aparecendo e vai atrapalhar.

-Não se preocupe. Vou conseguir. Já sabe quem fará Romeu?

-Tenho algum nome em mente.

-Certo. Quando estiver acertado, me avise.

-Seu namorado a espera?

-Sim.

-Mande-lhe lembranças.

-Mandarei.

Ouvi passos e me afastei. Consegui alcançar a porta de fora do Teatro antes que Mia percebesse. Me avistou e me presenteou com um sorriso.

-Vamos?

-Sim.

-Está com frio. Seu rosto está gelado.

-Ainda não me acostumei bem com esse tempo.

Fomos para casa. Mia organizou um jantar para os membros da banda e da produção. Era de se espantar o fôlego que ainda tinha depois de uma apresentação e ainda por cima, grávida. Comportou-se como uma lady e uma boa anfitriã. Organizou o cardápio de acordo com o gosto de cada um. Sentia-me orgulhoso de minha mulher.

Levantei-me da mesa de jantar enquanto todos conversavam animadamente.

-Quero fazer um brinde. –Levantei a taça.

Alguns não prestaram atenção.

-Caras, por favor. Escutem. Eu gostaria de fazer um brinde pelo maravilhoso dia de hoje. Pela minha mulher ter feito uma excelente apresentação e pela dedicação que tem conosco e principalmente comigo.

-Mia, sentimos sua falta nos shows. –Antonie interrompeu.

-Prometo ir ao próximo. –Piscou.

-Por isso, diante de todos peço que testemunhem esse momento. Mia. –Encarei-a.

-Jared, só não pode se ajoelhar. Assim não vou conseguir te ver do outro lado da mesa. –Brax alfinetou.

-Cale a boca, Brax.

-Não fala assim com o ele. É um menininho frágil. –Shannon puxou a cabeça de Brax e bagunçou seu cabelo.

-Continue, Jared. –Disse Mia.

Tirei uma pequena caixa de meu bolso.

-Quer casar comigo?

Todos se calaram.

-Jared, eu... –Pausou. –Aceito.

Um coro começou. Pude perceber Shannon não tão feliz, bebendo até o último gole de champagne em sua taça. Dirigi-me até ela. Coloquei o anel de noivado e o beijei em sua mão.

-Seremos muito felizes, vida.

Após o jantar finalizado, abracei-lhe.

-Estou muito feliz.

-Por que fez isso? –Disse fria.

-Quero te levar pro altar, moça. Manter-te nas rédeas.

-... Tenho medo que nosso amor acabe.

-Jamais. Eu nunca amei ninguém assim.

-Me faça acreditar que vai durar pra sempre.

Fiz com que me olhasse diretamente.

-Se entregue a mim, estará segura.

Suas pernas fraquejaram. Peguei-a no colo e a levei para cama. Não fizemos amor naquela noite. Mas escrevemos nossos nomes numa linha única e distinta.

Quando a temporada de Giselle terminou, Mia dedicou mais tempo aos ensaios do que antes. Eu lembro que sempre chegava comentando não saber como ensaiar se não tinha conhecimento de quem seria seu companheiro de dança. Na verdade, não me preocupei com isso desde que não fosse Mikhail. Remarquei os shows para quando Mia pudesse estar presente. Comecei a visitá-la constantemente no estúdio de dança para levá-la comida.

Sua barriga crescia rapidamente. Preocupava-me o esforço exacerbado.

-Não se preocupe, amor. Sei meus limites.

Sabia mesmo?

Notei uma queda nas notas disciplinares ao avaliar seu boletim.

-Está com nota baixa em inglês. Como pode?

Ela sorriu.

-Eu não sabia que ficava tão atraente de óculos de grau.

Fitei-lhe.

-Vou me esforçar mais.

-Se não fizer, tirarei seu computador.

-Ok, papai.

Coloque Romeo & Juliet de Andre Rieu para tocar.

Mais algum tempo se passou até a estréia de Romeu & Julieta. O Ballet ia ficar por bastante tempo em cartaz.

-Pronta? –Segurei suas mãos.

-Sim.

-Tudo vai dar certo. Estarei te assistindo e torcendo por você.

-Acho que... Preciso ficar um pouco sozinha. –Olhou o chão.

-Tudo bem. Boa sorte.

-Me beija.

-Não precisava nem pedir.

O fiz apaixonadamente.

-Eu te amo.

Ela sorriu pelo canto da boca. Levantei-me e esbarrei com Mikhail. Nos encaramos durante alguns segundos. Mia entrou entre nós e impediu algum manifesto de raiva pela minha parte.

Voltei à platéia.

(Mia’s POV)

-Mikhail, como posso entrar no palco sem ao menos saber onde está meu par?

-Faça seu trabalho e não discuta.

Eu havia me tele transportado para a cena. Nada mais importava. Eu sabia que o amor vinha vindo.

Mas não quem era ele.

Estava a dançar sozinha e a olhar para todos que me admiravam.

Solidão.

O frio que de maneira gentil me consolava.

Pobre de nós.

Essa era a esperança de jovens sonhos.

Um toque. Uma rosa. Um coração entregue.

“I'm no hero. Guilty as charged.”

Um desejo que queria alcançar.

A vitória me parecia tão longe agora.

Aquele que me aparece mascarado. Era tão lindo e fascinante.

...

Prendi a minha respiração.

-Jared?

Notas finais
Gostaram? Mereço reviews?
Obrigada pelos comentários! E mais uma vez peço: Recomendem esta fanfic. Vocês são lindos. =P
Até mais ver, meus queridos.
Beijoletos. ;)