Semântica
21 Rebotalhos
Notas iniciais
— O foco da sessão não era o vaso? — Não parecia haver indignação naquele tom. Havia, na verdade, uma curiosidade quase infantil.
Eu, em contrapartida, mal podia falar qualquer coisa.
— E não foi o vaso?
Que prestasse, aparentemente.
— Droga, eu sou tão vazio assim? — Meus olhos rapidamente deixaram a tela do computador para buscar o rosto dele, vendo um olhar desolado tomando conta das feições delicadas.
Ele realmente achou que eu me referia a ele?
Tentando manter a compostura, virei-me sobre a cadeira giratória. Sequer pude abrir a boca.
— Não! Não olhe para mim! — Mãos agitavam-se no ar, tentando impedir que eu conseguisse mirar a face atrás delas. — Eu sou apenas uma imagem! Uma cópia de um homem! Não sou merecedor do seu escárnio, sequer!
Observava aquela cena, tentando amarrá-la ao rapaz que parecia tão tímido por eu tê-lo chamado de "meu bem" minutos atrás. Apesar do esforço, não conseguia fazer muito sentido daquela figura jogada contra a parede.
— Se eu escrever um drama, me lembre de chamar-lhe para as audições de rebotalhos.
— Você ainda me faria passar pelas audições? Cacete. — Ele parecia realmente contrariado agora. Peguei-me sorrindo. — Ah, e eu prefiro o "meu bem".
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